Qual o melhor campeonato nacional do mundo? Vejamos o que dizem os números

Maurício Barros, blogueiro do ESPN.com.br
ESPN.com
Os números respondem: qual é o melhor campeonato nacional do mundo?
Os números respondem: qual é o melhor campeonato nacional do mundo?

O FutLAB, grupo formado pelo jornalista Maurício Barros, blogueiro e comentarista dos canais ESPN, e os economistas Celso Toledo, Fábio Moraes e Marco Laes, especialistas em Estatísticas, retorna à ativa para abordar uma questão importante nos bares da vida: qual é hoje a melhor liga nacional de futebol do planeta? Definir o que é o melhor campeonato não é uma tarefa fácil: alguém pode dizer que é aquele em que se faz mais gols, ou aquele mais equilibrado e com mais times com chances de título, ou o que possui um maior número de estrelas. O que faremos aqui é tentar cobrir um grande número de quesitos, colocando ao final nossa opinião. Cabe a você, caro leitor, concordar (ou não!) se os números traduzem o que você assiste.

Utilizamos para esta matéria os dados da Opta/ESPN para os campeonatos da primeira divisão da Alemanha, França, Espanha, Inglaterra e Itália. Vamos lá!

 

  • 1º critério: campeonato mais estrelado

Um critério (bastante) justo é dizer que o melhor campeonato é aquele em que estão os melhores jogadores. Precisamos, então, definir um critério para o que são “os melhores jogadores”.

A solução que adotamos aqui é olhar o número de jogadores de um campeonato que participaram da última Copa do Mundo. Entendemos que, com isso, claro, podemos deixar de fora grandes jogadores que não foram para a última Copa por conta de sua seleção não ter se classificado, ou por estarem machucados, ou por não terem sido convocados por serem muito jovens à época, por exemplo. Mas entendemos que esta pode ser uma boa maneira de se medir a quantidade de estrelas de uma liga. Vamos aos números para a temporada 2016/17:

Temos aqui, claramente, que a Premier League é a liga dominante. Surpreendentemente, o Campeonato Espanhol conta com apenas 56 jogadores que atuaram na Copa de 2014, atrás de Itália e Alemanha, e à frente apenas da França, a Liga menos “estrelada” das cinco (pelo menos até a chegada de Neymar...).

 

  • 2º critério: times mais equilibrados

Muitos consideram Real Madrid e Barcelona como os dois melhores times do mundo – mas ter dois times muito fortes, cercado de times pequenos, faz disso um bom campeonato? Em nossa opinião, não; queremos ver não apenas bons jogadores, mas também jogos equilibrados entre bons times.

Para avaliar isso utilizamos uma medida de concentração: temos, na tabela abaixo, a porcentagem de jogadores que disputaram a última Copa e que estão no time mais “estrelado” de uma liga, e a porcentagem daqueles que estão nos três times mais “estrelados”. Com isso, podemos medir se estes craques estão em apenas um, ou em poucos times, ou se espalham por diversos times.

Temos aqui que o Campeonato Francês é aquele que concentra mais craques em um único time (no caso, o PSG, que contou com 10 dos 36 jogadores do Francês que jogaram a Copa de 2014), enquanto o Campeonato Espanhol é aquele que mais concentra estrelas em poucos times (no caso, Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid tinham em seus elencos 33 dos 56 jogadores da última Liga e que atuaram na Copa de 2014).

Podemos ver que o Campeonato Inglês, além de contar com mais estrelas, é aquele em que elas melhor se dividem entre os times. Sob este critério, que tem a ver com equilíbrio, mais um ponto para a Premier League.

 

  • 3º critério: futebol é bola na rede!

Podemos pensar também que o melhor campeonato seja aquele em que se faz mais gols. Dado que esse é o objetivo máximo do futebol, nada mais justo! Na tabela abaixo temos a média de gols por jogo para as cinco ligas, ao longo dos três últimos campeonatos:

Sob este critério, temos que na Alemanha o maior momento do futebol acontece mais frequentemente, enquanto na França os gols são mais minguados. Ponto aqui para a Bundesliga (curiosamente, o número de finalizações no Campeonato Italiano é o maior, mas aparentemente os italianos não estão com o pé tão calibrado quanto os alemães).

 

  • 4º critério: o jogo jogado

Para muitos (e, particularmente, também, para a equipe do FutLAB), o melhor futebol é aquele solto, com poucas faltas, muitos passes, e poucos chuveirinhos (cruzamentos da intermediária). Abaixo, temos a quantidade de passes por jogo (os dados são sempre a média dos três últimos campeonatos):

Temos mais passes por jogo no Campeonato Italiano, seguido de perto por Alemanha e Inglaterra. Surpreendentemente, o Campeonato Espanhol é aquele em que se toca menos a bola (aparentemente, o tiki-taka do Barcelona não fez escola entre seus pares).

Entendemos que um ponto que não gerará discórdia é que ninguém gosta de ver faltas (quer dizer, alguns técnicos, cujos nomes não serão aqui mencionados, talvez gostem sim de faltas...). Abaixo temos a quantidade de faltas por jogo para as cinco ligas:

Aqui, a Premier League é disparada a liga com menos faltas. O maior número de faltas ocorre no Campeonato Italiano.

Por fim, o famigerado chuveirinho. Jogar a bola dentro da grande área pode ser uma maneira efetiva de se atacar (não é, mas este será o tópico de uma futura análise nossa – aguardem!), mas é muito feio para os olhos dos telespectadores. Abaixo temos a quantidade de cruzamentos longos por jogo (definimos aqui um cruzamento longo como aquele em que a bola viaja mais que 30 metros):

Temos aqui que, na Alemanha, o cruzamento saiu de moda (os cruzamentos longos caíram pela metade entre as temporadas 2010/11 e 2016/17), sendo os valores razoavelmente parecidos nos demais campeonatos.

Apesar de não termos um vencedor claro pelos três critérios aqui utilizados, há uma sugestão nos números de que na Alemanha o jogo, em geral, seja mais “bonito” (mais toques, menos faltas, menos chuveirinhos), seguido de perto por Inglaterra, e um pouco mais atrás por Itália, França e Espanha.

 

  • 5º critério: mano a mano

Uma maneira direta de responder qual o melhor campeonato é analisar os confrontos entre os times de cada país. Para tanto, olhamos os embates diretos ocorridos na Liga dos Campeões desde 2010 (ano que em os dados começaram a ser compilados); temos cinco tabelas, cada uma mostrando a quantidade de jogos do time daquele país contra os demais, e o número de vitórias, empates e derrotas:

Os resultados aqui são... um pouco confusos. Os times alemães e espanhóis têm um pequeno saldo positivo (mais vitórias que derrotas) nos confrontos diretos com times das outras ligas analisadas, os times ingleses e italianos têm exatamente o mesmo número de vitórias e derrotas, e os times da França apresentam mais derrotas.

Olhando o confronto direto entre times alemães e espanhóis, os primeiros levam vantagens, então podemos dizer que, sob este critério, os times da Alemanha são os melhores. Vale notar que aqui examinamos apenas os times de ponta (que vão para a Liga dos Campeões).

 

  • Então, qual o melhor campeonato do mundo?

Bem, apresentamos aqui alguns critérios numéricos para nos ajudar a definir qual a melhor liga do mundo. Em matéria de bons jogadores e paridade entre clubes, a Premier League é imbatível. Em relação ao estilo de jogo, a Bundesliga e a Premier League são aqueles que mais (nos) agradam. Por fim, no mano a mano, os times da Alemanha têm uma pequena vantagem. A análise sugere, pois, que essas sejam as duas melhores ligas do mundo. Mas, dada a diferença no número de craques, a vitoriosa em nosso comparativo é a Premier League. Mas por uma diferença menor do que poderíamos imaginar. E você, o que acha?

Ao reter Coutinho, o Liverpool deu uma bela lição

Maurício Barros
Boris Streubel/Getty Images
Philippe Coutinho em ação pelo Liverpool
Philippe Coutinho em ação pelo Liverpool

Phillippe Coutinho ficou no Liverpool, apesar da proposta monstruosa do Barcelona para contratá-lo. Na Inglaterra, não há multa rescisória. Para interromper um contrato, as partes devem negociar e se entender. A propósito, se fosse assim na Espanha, o Barcelona não teria vendido Neymar nem se o PSG oferecesse a Torre Eiffel e todas as vinícolas de Bordeaux como pagamento. Mas como havia uma multa rescisória, 222 milhões de euros, os franceses depositaram a grana e levaram para Paris o craque brasileiro. Um valor que parece absurdo para o futebol, mas é dinheiro de pinga na lógica geopolítica em que o PSG está inserido depois que foi comprado pelos donos do Qatar.

Louco para jogar no Barça, Coutinho fez um pedido formal para a diretoria do clube negociá-lo. Mas o Liverpool não quis vender. Simplesmente porque é um clube de futebol, quer voltar a conquistar títulos (já são 27 anos sem vencer o Inglês e doze desde a última Liga dos Campeões) e não está precisando dessa grana no momento. O clube e seu treinador Jürgen Klopp acreditam que, se perdessem seu principal jogador, seria mais difícil atingir seus objetivos. Competir para vencer, e não fazer bons negócios, é a razão de ser do clube. Por isso, recusou 90 milhões de libras por quem pagou apenas 8,5 milhões quatro anos atrás. Seria um lucro extraordinário. Mas isso é um clube de futebol, não um banco! Básico ou precisa desenhar?

O futebol é paternalista e olha sempre com mais ternura o jogador do que o clube. “Coutinho quer ser feliz”. Ok, nós e toda a torcida do Liverpool também queremos. Frente ao silêncio do amigo, foi Neymar quem externou como andaria seu estado emocional. “Ao invés de ser um momento de felicidade para ele e para a família, está sendo um momento de angústia, decepção e tristeza”. Pobres Coutinhos... Sentimentos, aliás, que irradiaram para uma dor nas costas.

Phillippe tem contrato e recebe absurdamente bem por isso. Está em um clube enorme da Europa, que não deve nada em história e tradição ao Barcelona e a nenhum outro do planeta. Claro que é absolutamente legítimo querer mudar de ares e solicitar que isso aconteça. Mas é legítimo também da outra parte exigir o cumprimento do contrato.

Nas últimas semanas, Coutinho chamuscou sua relação com o Liverpool e seus  torcedores. Nada que gols e boas atuações não recuperem rapidamente. Honrando o clube como tem honrado, quem sabe seu sonho não possa se realizar para a próxima temporada.

Vamos então dar mais uns dias para essa mescla de angústia, decepção e tristeza passar. Porque já tem clássico contra o Manchester City no próximo sábado, quando o time precisará dele com foco, talento e profissionalismo. E sem corpo mole.

O que você busca em um estádio de futebol?

Maurício Barros

O Sporting Kansas City, que joga na MLS, a Major League Soccer, principal liga de futebol dos Estados Unidos, tem um estádio, o Sporting Park, inaugurado em 2011, que está entre as melhores arenas de entretenimento do mundo. La atrás, uma das primeiras medidas dos executivos do clube foi fechar parceria com a Cisco, empresa de tecnologia, para oferecer um serviço de Wi-Fi gratuito e ultraveloz. Porque um torcedor que não vá ao estádio com smartphone em punho, para o clube, interessa menos. Em todo canto, há uma estação de tomadas para recarregar as baterias.

Aliás, o conceito de torcedor lá é outro. Eles dizem abertamente que “o fã do Sporting KC se recusa a ser um mero espectador”. O clube faz de tudo para estimular o torcedor a acionar o aplicativo assim que entrar no estádio, tendo acesso não apenas às informações sobre o jogo e o campeonato, mas abrindo o leque de interações via smartphone: de ver replays de lances importantes em câmeras exclusivas a tirar fotos com fundos alusivos ao confronto do dia; de fazer o pedido na lanchonete a disparar posts para serem vistos no telão; de concorrer a upgrades de assentos a buscar uma vaga entre as crianças que entram em campo de mãos dadas com os jogadores.

Do lado de fora, há campos de futebol infláveis para distrair a molecada, bem como estandes que desafiam a habilidade com a bola nos pés. Dentro do estádio, existem telões em todo canto, até no banheiro, para não se perder nada. Via app, o sujeito se habilita a participar de gincanas como uma corrida de 50 metros até a bola para chutá-la dentro do gol, mas tudo com um hot dog na boca.

Há muito mais por vir. Quem sabe a possibilidade de apostar no placar, no autor do primeiro gol, no número de escanteios do jogo, no que mais aparecer. Comprar um assento no ônibus que leva o time do hotel para o estádio no próximo jogo. Participar da reza no vestiário. Ajudar o craque do time a calçar as chuteiras. Sei lá...

Oferecer entretenimento ao torcedor está ligado à busca por maior “engajamento”. Permitir que ele se relacione com o clube de diversas formas visa,  obviamente, fazê-lo também gastar mais em sua “jornada esportiva”. Não há, em princípio, problema nenhum nisso, e os americanos são mestres em criar necessidades.

Conversando dia desses com João Paulo Albuquerque, executivo da Cisco, ele me dizia que o Allianz Parque, do Palmeiras, dá seus primeiros passos nessa direção, com uma oferta de Wi-Fi gratuito. Por enquanto, há possibilidade de você emplacar uma foto no telão, mas não mais que isso.

Os clubes precisam buscar novas receitas. E oferecer ao torcedor maneiras criativas e inovadoras de alimentar essa enorme paixão da humanidade é, certamente, um caminho necessário. O problema é que tudo (ou quase tudo) envolve grana, cada vez mais. E nós, brasileiros, vivemos em um país extremamente desigual. Quantos de nós, pais ou mães, podem gastar 250 reais para levar o filho a um estádio? O preço dos ingressos já realiza um filtro socioeconômico enorme nos estádios, alijando do espetáculo os mais pobres, o que não parece nem justo nem positivo para o futebol, que só é o que é porque se popularizou como nenhum outro no planeta. A elitização já é real, mas não deve ser total. Vale lembrar que os clubes gozam de incentivos fiscais porque têm, no seu nascedouro, uma finalidade educativa através do esporte.

É obrigatório, portanto, que se reserve um número significativo de cadeiras a preços populares. Que se ofereça pacotes facilitando o acesso do torcedor que tem menos recursos. Que se pense em novas formas de engajamento que não arranquem necessariamente mais dinheiro do pobre bolso do torcedor. Há partidas que são claramente menos atrativas, por que não baratear os ingressos pontualmente? É sempre devastador para um clube de futebol (e seus cofres) ter arquibancadas vazias. Pior ainda é ver uma parcela significativa de seus torcedores concluir que aquela paixão não é mais para ela.  

Palmeiras: não é hora de mudar nada

Maurício Barros, blogueiro do ESPN.com.br

É nas crises que a gente conhece os bons dirigentes esportivos. Há poucos. No topo, tudo é lindo e fácil. Mas superar perrengues, mantendo-se fiel a princípios, é para os fortes. Escolher soluções populistas, navegando ao sabor da grita, algo típico dos fracos. Os caminhos que o Palmeiras tomará nos próximos dias mostrarão de que lado da força estão seus comandantes – o presidente Maurício Galiotte, o diretor Alexandre Mattos e a principal “acionista” dessa gestão, a conselheira e patrocinadora Leila Pereira.

Há uma grande decepção nos resultados do time em 2017. Estamos em agosto e o ano acabou para conquistas. Depois do título brasileiro do ano passado, o clube multiplicou os investimentos para ganhar a Libertadores. O Palmeiras virou a equipe em alta. E sucumbiu ao primeiro mata-mata, nos pênaltis. Com a eliminação também precoce da Copa do Brasil e a distância para o líder Corinthians no Brasileirão, resta agora tocar o barco dignamente pensando no ano que vem. E por digno, entenda-se terminar o Nacional exatamente onde está, entre os quatro primeiros. 


Quando não se alcança um objetivo, as críticas, pertinentes ou não, são coisa natural, bem como a sanha por culpados. Quem está com a caneta não pode cair nessa. O Palmeiras acertou bem mais do que errou no planejamento. Trouxe destaques do Brasileiro como Keno, Raphael Veiga e Luan. Contratou estrelas da América como Guerra e Borja. Quando Cuca, após o título do ano passado, decidiu estranhamente não ficar, o clube procurou nomes promissores no mercado de treinadores, com perfil mais técnico e menos personalista. Roger já havia fechado com o Galo, optou-se então por Eduardo Baptista, que vinha de um ótimo trabalho na Ponte Preta.

Ok, pode-se discutir a contratação de Felipe Melo. Muito bom jogador, mas de trato difícil. O trio de gestores (sim, Leila é quem abre o caixa, tem influência óbvia) deu claramente um sinal de que, para conquistas maiores, acreditava ser importante temperar com pimenta as lideranças suaves de tipos como Prass, Zé Roberto, Dracena e Moisés. Foi uma aposta que se provou equivocada. Melo trouxe mais problemas que soluções. Deu errado, acontece.

Outra decisão questionável foi a troca de Baptista por Cuca, cuja volta ao mercado foi tão estranha quanto a saída. Ele pode ter se reaproximado da família, mas a história do tempo para “aprimorar conhecimentos” foi pura falácia. Por que diabos Cuca quis sair? Para voltar quatro meses depois? Particularmente, achei precipitada a demissão de Eduardo e disse isso à época. Mas muitos colegas acharam correta, Eduardo não fazia um grande trabalho, o time não rendia o que prometia. Com Cuca no mercado e disposto a voltar, a diretoria foi pelo mais fácil: trazê-lo de volta. E ele chegou com auras de salvador. Não me lembro de um palmeirense que não tenha aplaudido o retorno da calça vinho. Compreensível.

Mas agora, a principal torcida pede a saída de Cuca, alguns covardes ameaçam Mattos de morte (ele não pode deixar isso barato, tem que ir à polícia!), detonam o presidente por ser “omisso”. Como se, de fato, o time estivesse em um buraco. Não está.

É hora de ser forte. De Cuca ficar, de Mattos ficar. De Galiotte garantir ambos publicamente. Leila já se pronunciou dando apoio. O presidente tem demonstrado o mesmo. Repito: o Palmeiras mais acertou que errou. Que use o restante do ano para corrigir os equívocos e preparar-se para conquistar em 2018 o que 2017 não trouxe.

Quem é o “maior homem do futebol” da História?

Maurício Barros

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Zidane com o troféu da Supercopa da Europa
Zidane com o troféu da Supercopa da Europa

O sucesso de Zidane como treinador no Real Madrid me fez pensar esses dias nos “super-homens” do futebol. Caras que contribuíram com esse esporte somando três esferas possíveis: como atletas, treinadores e dirigentes. Qual seria o ranking do “maior homem do futebol de todos os tempos”? Vou fazer uma lista minha, sem critérios científicos, algoritmo ou coisa que o valha. Por isso, pode discordar à vontade lá embaixo, mas sem perder a ternura.


De cara, o Rei está fora do páreo. Pelé foi o melhor como jogador, disso não tenho dúvida. Mas não quis ser treinador, tampouco dirigente. Ocupou, verdade, um cargo político: ministro dos Esportes. Mas como este blog é, ainda, mais ou menos meu, decidi tirar a política da jogada ­– até porque ela anda em baixa. Então, se Pelé leva 10 como jogador, fica sem nota nos outros dois critérios. Vale lembrar que o fato de se arriscar ou não em outras funções é uma decisão difícil para grandes lendas. O que para muitos pode soar como “falta de coragem ou ambição”, para outros tantos é simplesmente sabedoria (desconfio que este seja o caso do Rei...).

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Diego Maradona, quando era técnico da Argentina
Diego Maradona, quando era técnico da Argentina

Vamos a Diego Maradona. Jogador nota 9,5. Mas técnico ruim. Seu currículo como treinador inclui Racing, Al Wasl e Al-Fujairah. O trabalho de maior impacto foi na Seleção Argentina, nas Eliminatórias e no Mundial de 2010. No Qualificatório, tomou de 6 x 1 da Bolívia. E foi eliminado da Copa da África nas quartas após um 4 x 0 para a Alemanha. Como treinador, nota 2 para o Diego. Zero como dirigente esportivo, cargo que ainda não ocupou. Total: 11,5.

E o Zico? Como jogador, nota 8,5. Um craque absoluto, dos que emocionam com dribles, passes, gols e caráter. Como técnico, o clube mais forte que treinou foi o Fenerbahçe, da Turquia. Não é primeiro nível da Europa. Seu trabalho de maior destaque foi no Japão, onde conquistou títulos com clubes e comandou a seleção no ciclo que culminou na Copa de 2006, onde caiu eliminado na primeira fase. Leva 5. Como dirigente, Zico foi coordenador-técnico do Brasil na Copa de 1998, na França, chegando, ao lado de Zagallo, ao vice-campeonato mundial. Sua atuação como diretor executivo do Flamengo, na gestão de Patrícia Amorim, em 2010, durou apenas 5 meses e não deixou legado. Nota 2. Total do Galinho: 15,5.

Reprodução TV
Telê Santana, no São Paulo'
Telê Santana, no São Paulo'

Chegamos a Telê Santana. O Fio de Esperança foi um jogador brilhante nos anos 50, com lugar na história do Fluminense. Ganhou, entre outros títulos, dois Cariocas e dois Rio-SP, títulos de prestígio máximo na época. Nota 6. Foi como treinador, entretanto, que Telê ganhou fama planetária. Adepto de um futebol ofensivo, conhecedor profundo da identidade do futebol brasileiro, montou um dos maiores esquadrões da história: a Seleção Brasileira de 1982. Dirigiu ainda o escrete em 1986. Não precisou ganhar para ser eternizado como um dos melhores comandantes que a Seleção já teve. Em clubes, dirigiu o Atlético-MG no título do primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971. Mas foi no São Paulo que atingiu o ápice, vencendo um Brasileiro, duas Libertadores e dois Mundiais nos anos 90. Mestre Telê é 9. Total: 15.

Vamos a Zagallo. Como jogador, inovador, taticamente brilhante, o primeiro grande “falso ponta” do futebol. Campeão por América-RJ, Flamengo e Botafogo. Com a Seleção, venceu as Copas do Mundo em 1958 e 1962. Titularíssimo. Nota 8 pro Lobo. Como treinador, outra coleção de títulos: A Copa de 70, no México, e o vice de 1998, na França. Como assistente de Parreira, foi campeão em 1994 e naufragou em 2006. E mais títulos pelos quatro grandes do Rio. Até a Seleção da Arábia Zagallo treinou. Nota 8,5 pro Lobo. Sem nota como cartola. Total: 16,5.

BB Bom Dia analisa méritos no trabalho de Zidane no Real Madrid

Agora, a vez do sujeito que motivou a lista: Zinedine Zidane. O francês, em campo, é nota 9. Multicampeão com Juventus e Real Madrid, comandante do único título de Copa do Mundo da França, três vezes Melhor do Mundo. Como técnico, inicia de forma arrasadora a carreira no Real Madrid, ganhando, entre outros títulos, duas vezes a Liga dos Campeões, o mais importante torneio de clubes do planeta. Nota 8. Como dirigente, zero, pois ainda não exerceu a função. Zizou fica com 17.

Lindsey Parnaby/Getty Images
Guardiola, no Manchester City
Guardiola, no Manchester City

Chegamos a Pep Guardiola. Como jogador, um meio-campista muito técnico, de passes precisos e leitura de jogo invejável. Ídolo do Barcelona e da Seleção Espanhola. Venceu duas vezes a Liga dos Campeões, seis vezes o Campeonato Espanhol. Capitão no ouro olímpico da Espanha em 1992, o maior feito da Fúria até então. Nota 6. Como treinador, Pep subiria degraus. É o artífice da última grande transformação no jeito de se jogar futebol. E como novato! À frente do Barcelona, montou um time imbatível e venceu tudo: duas vezes a Liga do Campeões e o Mundial de Clubes, três vezes o Espanhol. No Bayern, ganhou três vezes o Alemão e mais uma vez o Mundial de Clubes. Guardiola é 10. Sem nota como dirigente. Total: 16

Agora, o mentor de Guardiola: Johan Cruijff. Protagonista da maior revolução da história do esporte: o Futebol Total, o Carrossel Holandês, o Ajax e a Holanda dos anos 70. Sua influência transcendia os gramados: era um ícone da cultura jovem do país. Questionador, quebrou tabus dentro e fora do campo. Entre outros títulos, ganhou oito vezes o Holandês e três vezes a Liga dos Campeões da Europa. Do Ajax, transferiu-se ao Barcelona no que foi então a maior transação da história. Foi três vezes Bola de Ouro da Europa. Nota 9.

No Barça, Cruijff mostraria sua genialidade como treinador. Ganhou quatro vezes o Espanhol e levou o clube à conquista de sua primeira Liga dos Campeões. Sua concepção de jogo desenvolvida junto com o mago Rinus Michels imprimiria a identidade que o clube catalão ostenta até hoje: um futebol belo, competitivo, moderno e vencedor. Nota 8. Total: 17.

Por fim, Franz Beckenbauer. O alemão é o ícone da afirmação do Bayern Munique como potência alemã e europeia. Levou o gigante da Baviera ao título alemão que não conquistava desde 1932. Zagueiro, volante e líbero elegante, técnico e com grande visão de jogo, chegou rapidamente à Seleção. Aos 21 anos, foi destaque da campanha que levou os germânicos ao vice-campeonato na Copa da Inglaterra, em 1966. Com o Bayern, ganhou quatro vezes o Alemão e três vezes consecutivas a Liga dos Campeões da Europa. Com a Seleção, venceu a Eurocopa em 1972 e a Copa do Mundo de 1974, em casa, que ele ergueu como capitão. Ainda ganharia mais um título alemão com o Hamburgo e jogaria com Pelé na fase áurea do Cosmos, de Nova York. Nota 9.

EFE/Marc Mueller
Franz Beckenbauer Bayern de Munique Real Madrid Amistoso 13/08/2010
Franz Beckenbauer Bayern de Munique Real Madrid Amistoso 13/08/2010

Como treinador, Beckenbauer seguiu sua trajetória de sucesso. Em sua primeira experiência no comando, foi vice-campeão com a Seleção Alemã na Copa de 1986, perdendo a final para a Argentina de Maradona. Mas quatro anos depois, o Kaiser se vingaria derrotando os argentinos na final da Copa da Itália e vencendo pela terceira vez na história o Mundial. No comando do Bayern, ganhou uma vez o Alemão e a Copa da UEFA (hoje, Liga Europa). Nota 7,5 pro Kaiser treinador.

E como cartola? Em sua segunda passagem como treinador do Bayern, Beckenbauer acumula a função simplesmente com o cargo de presidente do clube. Mas seu maior feito como dirigente foi ter sido presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo da Alemanha em 2006 – para muitos (e este colunista, em especial, esteve lá e comprova a excelência...), a Copa mais bem organizada da história. Foi também o evento que marcou o reencontro dos jovens alemães com seus valores, cores, bandeira, de um modo harmônico com os outros povos. A seleção, comandada por Klinsmann, obteve o terceiro lugar, iniciando um trabalho de renovação que culminaria com o título da Copa de 2014. Beckenbauer permanece até hoje como presidente honorário do Bayern, um dos clubes mais bem administrados do planeta. Nota 6. Total: 22,5.

Franz Beckenbauer conseguiu construir uma história de sucesso como jogador, treinador e dirigente. É imbatível, portanto, como “maior homem do futebol” da história. Você pode lembrar de outros que estariam na lista. Simeone, Ancellotti, Evaristo de Macedo, Platini... O meu ranking ficou assim:

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