Apoio dos pais aos filhos à beira do campo: até onde deve ir?

Arquivo pessoal
[]

Desde pequena, sempre recebi apoio dos meus pais. Independentemente se eles entendiam de futebol ou não, sempre fizeram de tudo para minha felicidade. Sempre agradeço a isso e acho que se todas as crianças tiverem o apoio que tive e ainda tenho, muitas coisas seriam diferentes.

Sempre no final de um jogo, pergunto aos meus pais:

"E aí o que acharam?" 

E as respostas são sempre as mesmas: 

"Você foi bem filha"

"O jogo foi muito bom"

"Mas você sabe que a gente não entende muito, não dá para nos aprofundarmos. Escutamos todos te elogiando. Então, é porque você jogou bem!"    

E raramente fazem uma análise maior do jogo. Geralmente, eu não ficava muito feliz com isso. Mas com o passar do tempo, percebi que quem tem que fazer a análise é o treinador, e não meus pais. Mas é  claro que esse apoio “diferente” também ajuda, e muito.

Mas às vezes, vejo um certo  exagero, em alguns pais e mães. Eles acham que estão  ajudando, mas em algumas situações estão atrapalhando, por exemplo gritando ao decorrer do jogo, dando instruções para o filho, fazendo, muitas vezes, o filho escolher a opção errada porque talvez o que o professor pediu foi algo completamente diferente. 

Mas claro, faz parte do futebol, do espírito torcedor, sugerir o que um jogador faça. Independentemente de ele ser seu filho ou não,  acaba acontecendo.  Mas é necessário tomar certo cuidado para não interferir no jogo, principalmente na idade que temos. Agora deixar de torcer e apoiar, nunca. 

Outro problema é essa análise depois do jogo. Sei que às vezes a mãe e pai só se importam com o desenvolvimento do filho,  sempre com a melhor das intenções. Só que algumas melhores criticas, construtivas até,  ao invés de ressaltar a exibição do filho acabam apenas focando no lado ruim e isso desmotiva o atleta.

Aí vocês podem me perguntar:

"Luiza, se seus pais não são assim. Da onde você tirou isso?"

Verdade, não posso falar com tanta propriedade sobre o assunto. Mas de vez enquanto alguns amigos meus vem falar comigo coisas como: "poxa, meu pai só me critica!" 

Ou ouço coisas como: "mãe, não vou fazer o que você manda, tenho que ouvir o professor!"    

É,  talvez eu não devesse me intrometer na relação familiar. Mas dessa vez não consegui ficar quieta. Há tempos vejo essas coisas acontecerem. Já vi amigos choramingando por acharem que nunca vão agradar os pais. E que por mais que façam, parece que sempre estarão errados. E eu acredito que não é nada disso. Mas é complicado tirar da cabeça de alguém que não é isso.

Espero que tenha sido uma crítica construtiva para você, mãe ou pai!  E para você,  garota ou garoto que se identifica com essas histórias, tente conversar com sua família. O final dessa história pode ser bem melhor. 

Joguei no Maracanã, e isso foi só uma parte do que vivi nessa semana

Arquivo pessoal
[]

"Hoje, quinta feira, estarei, provavelmente, vivendo um dos melhores momentos da minha vida e ainda por cima ao lado delas! Quer saber o que é? Acompanhe nas minhas redes sociais e semana que vem conto os detalhes  por aqui."

E foi assim que acabou meu texto de semana passada.

E sim, sem sombra de dúvidas, vivi uma semana inesquecível...

Contei a minha história, meus sonhos e meus planos em uma gravação ao lado do meu time atual  de Futebol Feminino, Team Chicago Brasil, em que sou a mais nova e treino com meninas com os mesmos sonhos, a mesma garra e vontade de se tornarem jogadoras profissionais.

 Conheci mulheres fantásticas e  inspiradoras - as outras oito brasileiras nomeadas 100Women, da BBC.

Aprendi um pouquinho com cada uma delas. Estavam presentes as medalhistas olímpicas Adriana Behar, do vôlei de praia, e Fernanda Nunes,  do remo. Apesar de não serem do futebol, são mulheres que, como eu, desde sempre sonharam em viver do esporte. E se dedicaram tanto que acabaram sendo inspiração nesse mundo do esporte.

 Participei de uma mesa redonda para rádio, em que debatemos sobre sexismo no esporte

Nesse debate para a Rádio BBC Internacional, que tem um audiência de aproximadamente sete milhões, pude trocar muita informação com mulheres e homens que apoiam a mulher no esporte,  como Maira Ligouri, diretora da ONG Thing Olga, que defende a igualdade das mulheres.

Joguei com o time de futebol feminino da PUC-R. Nessa partida com as meninas da PUC,  jogaram também a Ana Luiza Santos e a Maria Luiza. Elas são meninas como eu, que sonham em se transformar em atletas profissionais. 

Claro que  já enfrentamos preconceito, mas sabemos que não podemos desistir.  Jogar com as meninas da PUC  serviu, também, para lembrar que  entrar para uma faculdade não te afasta do esporte, pelo contrário, pode te unir ainda mais ao seu sonho.

 Entrei no gramado do Maracanã - ISSO MESMO! Você não leu errado. E ainda bati um pênalti no Maraca!

Arquivo pessoal
[]

Sabe aquele sonho que você sonha dormindo?! Dessa vez, foi acordada mesmo. Então, foi assim. Não foi uma partida, foi só uma gravação. Mas entrar naquele campo em que tantos jogadores já pisaram me fez acreditar ainda mais que o sonho pode, sim, se realizar. 

Nesse dia, ainda bati uma bolinha com a Beatriz Vaz, jogadora que fez parte da seleção por quatro anos, e com a Drika, treinadora num projeto de meninas de uma comunidade carente do Rio de Janeiro. Aprendi muito com elas.

 Para finalizar, disputei uma partida de futebol misto com algumas regras diferentes para incentivar a inclusão da menina no jogo.

Nesse jogo, fomos treinados pela Helena Pacheco, ela mesma, aquela que foi a treinadora de Marta, no início de sua carreira. Jogamos de um lado eu, meu amigo Márcio, as meninas Ana Luiza e Maria e seus amigos Jonathan e Elias, contra  o time do PSG AcademyBrasil.

Um time muito marcante na minha vida; foi  lá que aprendi as técnicas do futebol, jogando com meninos, e onde sigo numa nova fase, jogando  agora com outras meninas. No PSG, nunca tivemos preconceito de ninguém, mas infelizmente nem sempre é assim. 

As medalhas foram entregues pela nadadora Nora Ronai. Inspiração, ela tem de sobra! Minha mãe, que ama natação, até chorou com essa atleta de 93 anos, vencedora do Master World Championship.

E para finalizar todo o projeto,  ainda participamos do Show da MC Sophia, que criou uma música especial para meninas no esporte.

Como eu disse na semana passada, a principal missão do #100Women #TeamPlay é aumentar a visibilidade do futebol feminino e  combater atitudes sexistas.

E depois de nos reunirmos durante toda a semana, as especialistas chegaram a algumas conclusões e tomaram algumas atitudes para mudar e melhorar a situação da mulher no esporte. E para aumentar a visibilidade do futebol feminino, foi criado um canal no Youtube chamado 'Jogue como uma Garota' (www.youtube.com/channel/UCZ54w4wqHCHkIra2_HvCxpQ), que apresenta diversos conteúdos relacionados à mulher no esporte.

O objetivo da equipe é criar uma plataforma que mostre  jogadoras que são exemplos, além de apoiar meninas e jovens com  habilidades práticas para o campo. 

O canal Jogue como uma garota é uma excelente ideia porque é uma plataforma em que todas as mulheres podem contribuir e apenas juntas conseguiremos mostrar para todos que jogar como uma menina é ser quem você é. Não significa ser melhor ou pior que nenhum menino. Como sempre digo, eu jogo como uma menina e me orgulho disso.

Arquivo pessoal
[]

Tudo que vivi durante  esses dias será transformado num documentário da #100Women, que será transmitido em dezembro para o mundo inteiro.  E depois de todo esses dias, quero cada vez mais compartilhar minha história, nossa história com outras meninas, amigos e familiares. E dessa forma, quem sabe, conseguiremos encorajar uma mudança cultural, com a inclusão de garotas em atividades esportivas. 

E cada vez mais influenciar os pais e todas as famílias a apoiarem suas filhas no esporte.  Os pais podem e devem levar suas filhas para assistir a partidas de futebol e outros esportes. Elas vão gostar, acreditem. Podem convidá-las para bater uma bolinha, elas vão amar. Podem assistir a seus jogos e torcerem por elas. Eles podem tanto. Podem construir um futuro melhor para a própria família e para o mundo.

Nove brasileiras dizem não ao sexismo no esporte, e eu sou uma delas

Arquivo pessoal
[]

Há pouco tempo, fui escolhida para fazer parte da lista da #BBC100 Women 2017, das 100 mulheres mais influentes no mundo. E durante esta semana e a última, a BBC Internacional veio ao Brasil gravar um documentário sobre cada uma da nove brasileiras relacionadas. Neste ano, são quatro temas: The glass ceiling - #Teamlead (liderança); Female illiteracy - #Teamread (analfabetismo feminino); Street harassment - #Teamgo (assédio em espaços públicos) e Sexism in sport - #Teamplay (sexismo no esporte).

Cada um dos times tem como principal desafio desenvolver ideias e planos para igualdade de gênero.  E como vocês já devem imaginar, eu faço parte do #TeamPlay.

E neste documentário, a BBC acompanha o trajeto do nosso time em que vamos conversar bastante, jogar, nos divertir e, principalmente, encontrar alternativas para aumentar a visibilidade da mulher no esporte em busca da igualdade de gênero. As gravações para o documentário começaram no final da semana passado. A BBC Internacional  foi ao meu treino no Team Chicago Brasil. Filmaram nosso jogo , dei entrevista para uma rádio e colheram o  depoimento de outras meninas que, como eu,  se dedicam fortemente para um dia realizar o sonho de jogar futebol. 

O documentário completo só sai em novembro nos canais da BBC, mas para matar a curiosidade, um pequeno trecho já está disponível. Ficou bem legal! O trecho é sobre mim e  Anna Luiza, que tem 12 anos, é lutadora e jogadora de futebol. Você não pode perder! - link nas minhas redes sociais. 

Nessa terça-feira, feira fomos à praia onde conheci seis das nove brasileiras que compõe a lista. Conheci jovens jogadoras como eu,  Anna Luiza e Maria, até especialistas mais experientes  como a medalhista olímpica Adriana Behar,  a jogadora Beatriz Vaz , a remadora olímpica Fernanda Nunes e a diretora da ONG Think Olga, Maira Liguori. Todas  já vivenciaram problemas de sexismo no esporte e, hoje, trabalham para melhorar esta realidade. Trocamos  um bom papo, jogamos altinha! E eu até participei de um programa ao vivo na Rádio diretamente do Rio de Janeiro para a BBC de Londres. Totalmente em inglês.

 E ainda vamos nos reencontrar muitas vezes. Esta semana promete!! 

Arquivo pessoal
[]

Conviver com todas elas está sendo fantástico! A cada pessoa que conhecemos, aprendemos um pouquinho mais. Acredito que se eu tivesse um cronômetro de aprendizado sairia destas gravações com ele explodindo! Não só pelas conquistas que as mesmas tiveram como atleta, que, claro, são um grande exemplo de determinação, mas principalmente pelo que elas fazem todos os dias. São pequenas atitudes que fazem a diferença! 

Elas trabalham todos os dias para melhorar o futuro da mulher no esporte; viveram o que nós, meninas, sonhamos um dia viver. Quero jogar profissionalmente e ver o esporte de forma igual para todos, independentemente de gênero. E entender como elas também enfrentaram problema de sexismo me deixa mais fortalecida! Além  de conhecermos grandes mulheres e termos mais um incentivo para continuar com o nosso sonho, estamos colaborando com ideias de como driblarmos o preconceito no dia a dia .  

Hoje, quinta feira, estarei, provavelmente, vivendo um dos melhores momentos da minha vida e ainda por cima ao lado delas! Quer saber o que é? Acompanhe nas minhas redes sociais e semana que vem conto os detalhes  por aqui.

O Dia do Professor já passou, mas ainda vale agradecer aqueles que me ensinam a driblar e fazer gol, na vida e em campo

Arquivo pessoal
[]

Dia 15 de outubro,  data em que se comemora o Dia do Professor. Um dia para se homenagear os responsáveis pelo desenvolvimento da educação e do conhecimento no país.

O dia já passou, mas tenho que deixar os parabéns a todos os  professores pelo empenho e pela dedicação em tudo que me ensinam e por contribuírem para o meu crescimento.

E como atleta que sou, não posso deixar de reconhecer, especialmente, os professores/treinadores de futebol que passaram pela minha vida.

Alguns  contribuem para o nosso desenvolvimento em campo, mas os especiais conseguem deixar uma marca para a vida inteira.

No início, tive muitos professores. Lembro de quase todos. A primeira e, por enquanto, única professora de futebol que tive,  me marcou, além de sua forma eficaz de ensinar e todo seu carinho, por um diferencial: eu via nela uma chance de realizar o meu sonho. 

Essa professora, a Fernanda, tinha jogado alguns anos de futsal na Espanha. Evolui muito e foi com ela a minha primeira turminha de futebol feminino. Lá, dei um dos primeiros passos para meu sonho de um dia me tornar uma jogadora profissional.

O tempo passou e, agora, tenho outros professores. Neles, vejo muita dedicação. Com todos com quem joguei, aprendi cada dia um pouco mais.  Com outros, além de tudo o que aprendia, ainda tinham momentos  de piadas, que animavam o treino de um jeito que ninguém sabe explicar o porquê. Outros tinham carinho especial por mim e sei que posso contar com eles.

Arquivo pessoal
[]

Tem os que mais se importam, os que mais pegam no pé, os que mais elogiam quando o passe dá certo, os que mais ficam felizes com um gol, um drible ou uma assistência. Nem sei o  que seria de mim  sem esses professores. Agradecer aos professores deveria ser dever, pois sem eles perderíamos os gols, erraríamos os dribles e não daríamos assistências na vida e em campo.  

Obrigada Professores!

O dia em que ganhei meu melhor presente de Dia das Crianças

Arquivo pessoal
[]

Dia das Crianças é aquele dia em que a criança acorda , ganha presente do papai , da mamãe, da dindinha  e da vovó.

Eu já fui criança, para muitos, ainda sou. Ser criança é viver em um mundo de fantasia, onde tudo é possível , tudo é encantado. É muito bom ganhar presentes e muito carinho. Mas muito mais importante que qualquer presente é aquilo que é dito, neste dia e em todos os dias do ano. 

Se a criança escuta todos os dia que não vai chegar lá, que futebol não é brincadeira de menina, que você não consegue mudar o mundo ou que você nunca será um super herói, como  acham que a criança vai seguir com seus sonhos?  E se, em vez de uma bola, uma boneca, um vídeo game ou um celular,  o presente fosse  APOIO?! E se, em vez de presente, a família toda saísse para jogar uma bola, brinca e se divertir?  Não apenas no dia das Crianças, mas em todos os dias possíveis, sem preconceito, sem criticas.

Teve um Dia das Crianças que foi bem marcante para mim. Eu devia ter uns oito anos. Ganhei uma bola de vôlei. Como no Dia das Crianças é feriado, fomos para a praia jogar. Eu, minha mãe, minha irmã e meu pai. Eu achando que estava jogando super bem. Todo mundo me elogiando. Estávamos nos divertindo muito. De repente, vou tentar pegar uma bola e meu dedo vira. Imagina a cara da minha mãe de desesperada. Saímos dali direto para a emergência. Todo mundo arrasado e eu a mais feliz de todas as crianças . Dedo imobilizado e bola debaixo do braço.   

Passado alguns anos, estava conversando com a minha mãe e contei para ela que aquele tinha sido um dos dias mais marcantes na minha vida.

Cabeça de criança é assim, cheia de imaginação.  Mas sei que, independentemente de ter ganhado vários presentes quando eu era criança, o maior deles foi sempre ter o apoio da minha família para tudo o que sempre sonhei.

Arquivo pessoal
[]

Só mais uma coisa que queria compartilhar com vocês... Em julho deste ano, visitei a Pequena Casa da Criança, um instituto situado no bairro mais pobre de Porto Alegre. Lá vi, vivi e ouvi muitos sonhos. E naquele instituto, todos recebiam apoio, mesmo em meio à tanta violência. Dentro da pequena casa, eles tinham o poder de sonhar. Lá, qualquer um poderia desejar um mundo melhor. 

Eu e meu time do Click Esperança batemos um papo com muitas crianças. Alguns queriam cantar, dançar, jogar ou lutar, mas todos, tinham um sonho em comum: fazer daquele bairro um bairro cheio de amor, sem drogas e sem violência. Essa é a prova viva de que sim, crianças podem mudar o mundo. Afinal, o futuro já é logo aqui.

Com  apoio, tudo fica mais fácil. Ter alguém te incentivando faz toda diferença. Saber que algo que você quer, você pode conseguir,  ajuda e muito a  chegar lá!  

O brinquedo é muito legal, mas ter apoio para sonhar é muito melhor!

Feliz Dia das Crianças

mais postsLoading