Esporte é para todos: sobre o preconceito que sofri aos nove anos, por jogar futebol

Arquivo pessoal
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Não é a primeira nem a segunda vez que recebo mensagens preconceituosas. Dessa vez , foi num post meu que me surpreendi com o seguinte comentário -  “ihh, coitada, quando crescer vai ser lésbica”.  Isso porque, no vídeo que postei, eu tinha apenas nove anos. 


Porque uma menina que gosta  de futebol, deve ser necessariamente lésbica? Acho que esse é um assunto sobre o qual poucos falam ou gostam de falar, mas que precisa, sim, ser discutido. E aí, voltamos para “futebol é esporte de macho”. Deve ser por isso  que se a mulher gosta de futebol tem que ser “macho”.

Antes de qualquer coisa, seu esporte favorito e seus hobbies não tem nada a ver com sua opção sexual.  Quantos jovens poderiam estar envolvidos com esporte e artes se não tivesse tanta gente preocupada com esse tipo de questão.  
Quantas crianças abandonam seus sonhos de ser bailarina, lutadora , jogadora de futebol , por medo do que os outros vão pensar. E em casa , será que a família apoia? 

Tá certo que, com os meus 13 anos, ainda não tenho propriedade para falar muito sobre esse assunto, mas e daí?! 

E se a pessoa for homossexual, há algum problema? Você acha realmente que homossexualidade é uma doença, como foi definido pela Justiça do Distrito Federal nesta semana?

Reprodução/Facebook
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Se pensa assim, talvez essa doença esteja em você! 

Porque se  uma forma de amor te incomoda, quem precisa se tratar é você.

Sim, é amor, como todos os outros! 

Além disso, o que vai mudar para você saber se seu vizinho vai casar com uma mulher ou com um homem? 

Menos preconceito, por favor! 

Como sempre digo, esporte é para todos, futebol é para todos, independentemente de gênero!

Já testei minha mãe! Será que ela sabe tudo sobre mim e aprendeu um pouco de futebol?!

Minha mãe nunca gostou de futebol, mas depois de ver que eu amava muito esse esporte, isso nunca foi motivo para ela deixar de me apoiar. 

Tenho certeza de que se todos os filhos tivessem apoio como eu tenho dos meus pais, muita coisa seria diferente.

Resolvi, então, compartilhar com vocês um bate-papo que tivemos sobre experiências e, principalmente, sobre MÃE, FILHA & FUTEBOL!

Do fundo do baú: o dia em que narrei um gol e ganhei uma camisa do Fluminense!

Em um post recente, contei como eu quase ganhei uma camisa autografada do meu time. E como prometido, hoje venho contar a continuação dessa história.

Ninguém sabia que tinha que votar,  fiquei em terceiro lugar e vocês acharam que eu ia desistir? Logo eu?!

Sempre fui bem perseverante e determinada. Dois anos depois, o Fluminense foi campeão do Campeonato Brasileiro, novamente. Dessa vez, o vencedor ganharia uma camisa oficial  do Fred. Eu já estava preparada. Fui logo acessando o site, preparei um "cenário" - que se resumia em prender minha bandeira na janela e alguns dos meu brinquedos do Fluminense . Fiz tudo de novo e o resultado foi esse!

Eu era muito fofinha, né.

Fã mirim, Luiza Travassos já 'narrou' um gol do Fluminense

Dessa vez, avisei para a família inteira, e passamos  todo final de semana votando. E dessa vez, os adversários não tiveram nem um pouco de chance. Entre cinco participantes, ganhei com 83% dos votos. 

UHHHUUUL GANHEI. 

 Luiza, e aí o que você fez com a camisa?

Bom... no final das contas, eu dei para o meu pai - até porque, não cabia nem um pouco em mim. Ela teve um significado simbólico e marcou para sempre.

Não apenas pelo prêmio , mas principalmente pela perseverança, que comecei a cultivar desde pequenininha e comprovou que, quando somos determinados, o resultado acontece!

União faz a força e fez Maria Alice driblar um 'não' para disputar torneio masculino

Divulgação
Torneio masculino barrou Maria Alice
Torneio masculino barrou Maria Alice

- Maria Alice, atleta de 10 anos joga futebol com meninos, mas foi barrada em torneio masculino. A mãe fez campanha para reverter a decisão e conseguiu

- Time feminino do Centro Olímpico de São Paulo com atletas de 14 anos se inscreve na Copa Moleque Travesso e conquista o  terceiro lugar

Esses dois casos foram conquistados com muita determinação, resiliência e, principalmente, união. 

Maria Alice não conseguia disputar o campeonato. O abaixo assinado teve 19,7 mil assinantes, que lutaram para ela ser aceita na competição. E não foi só uma menina que conseguiu ficar em terceiro lugar da Copa, foi um grupo de garotas, um time  que, com certeza, ouviu muita coisa até chegar aonde chegou. Mas principalmente conseguiu responder em campo,  a todos.

A união, além da força, mostra a esperança por um mundo melhor, com todos que lutam por visibilidade, por igualdade, por equidade e querem fazer a diferença.  É claro que tudo começa por cada um de nós, mas nunca conseguiremos fazer nada sozinhos. O segredo de cada uma de nossas vitórias, muitas vezes, vem da força de nossa união. 

E é por isso que apenas juntos podemos mudar essa historia. Como diz Negra Li, em sua música 'Antonia Brilha':

"Ei, mulher! o grito, a força!
União, perseverança!
Lutar! crescer! saber viver!
Fé! compaixão e amor no coração!"

Do fundo do baú: o dia em que narrei um gol e quase ganhei uma camisa do Fluminense

Arquivo pessoal
Luiza já se arriscou narrando um gol do Fluminense
Luiza já se arriscou narrando um gol do Fluminense

Eu tinha 7 anos, exatamente no ano em que comecei a gostar de futebol . Eu era torcedora fanática do Fluminense, ainda sou, mas atualmente torço com sabedoria, sabendo que o importante é ver um bom jogo.

Como já contei para vocês, passava a maior parte do meu tempo assistindo canais de esporte. Para minha família, era quase como se eu assistisse TV grega. Em 2010, o Fluminense foi campeão nacional e eu vi que tinha uma promoção "Narre o gol do título e ganhe uma camisa autografada de Emerson Sheik."

Quer dizer que você ganhou?

Calma, que ainda tem historia. Falei para meus pais, mas eles não deram muita bola, até porque de bola nunca entenderam (risos). Até que, no último dia de inscrição,  as 11 horas da noite, chamei minha irmã e pedi para ela me filmar. Coloquei a camisa do Fluminense em cima da camisola e narrei!

Dias se passaram e, de repente, eu me vejo na TV.

Saí correndo, peguei o telefone fixo (naquela época não tinha whatsapp) e liguei para minha mãe, para minha irmã, para o meu pai. Para todo mundo!

E o resultado da promoção... bom... eu fiquei no terceiro lugar! Como ninguém da minha família sabia direito como funcionava, não sabíamos que era o público que votava pela internet.

E dois anos depois, eu ainda estava lá, assistindo ao mesmo programa, como sempre perseverando ...

Quer saber o final dessa historia? Semana que vem tem mais!