Lúcio de Castro

Lúcio de Castro

Lúcio é carioca, formado em História e Jornalismo, e hoje trabalha como repórter da ESPN Brasil e comentarista do Bate-Bola 1ª edição

O que e quem está por trás de Ronaldo, o moralizador

Lúcio de Castro, blogueiro dos canais ESPN

Até dona Sônia deve ter estranhado ao ver o filho Ronaldo acometido por uma súbita fúria moralizadora. Assim que Marin virou hóspede do estado suíço e Del Nero passou a ser bola da vez, mobilizando bolões e a bolsa de aposta londrina cravando quando tomba, (quem não quer perder seus caraminguás não dá mais de 20 dias), desandou a pedir ética, moral e a renúncia daqueles que eram seus pares até ontem.

Dizem as línguas mais perspicazes que foi Seu Nélio que acalmou a ex-mulher. "Fica fria, Sônia, ele não tá de bobeira. O moleque é sagacidade, já tá ligado na situação e tá no fechamento. E tá formado com o Frente do bonde", soprou, no linguajar típico de um bom malandro de Bento Ribeiro.
Em sendo verdade o diálogo, é Seu Nélio que tá certo.

Ronaldo não foi acometido pela tal fúria moralizadora e nem pediu a renúncia de Del Nero em almoço grátis.

A partir desta linha não é mais ficção, embora os personagens pareçam sair daquela fita do Coppola, com Marlon Brando e Al Pacino.

A história está se desenhando assim, embora alguns personagens envolvidos possam dizer que não, etc. Mas, papo reto, a parada é essa: um homem vislumbra tomar a boca do futebol de novo. Seu nome: Ricardo Teixeira. Como tá cheio de artigo nas costas e nem se pode afirmar de que lado das grades vai poder comandar essa articulação, escalou o Nazário de bucha, o que explica o novo discurso fenomenal. Somado aos dois e a Marco Antônio Teixeira, uma das mais sinistras figuras do futebol brasileiro nos últimos anos, onipresente caixa preta: o Maquiavel do Leblon, que vai costurando as adesões e articulações, e sonha ainda com uma adesão maior, que iria dar legitimidade total a tomada do ponto: Romário. Do alto de seus seis milhões de votos, da credibilidade que seu pau pereira verbal ganhou nos últimos tempos, o Baixinho legitimaria e daria tom de nova ordem a uma velha e desgastada turma. Metido a negociador, com seu charme de canastrão de filme de quinta que costuma seduzir jornalistas e afins, o Maquiavel está certo de que junta judeus e palestinos na figura de Romário e Ronaldo de frente e com o Capo di tutti capi mandando na sombra. Diz a gente má que andava até meio deprimido o Maquiavel no ostracismo em que passou a viver, o telefone sem tocar... O cheiro de poder novamente tem deixado a famosa cabeleira ouriçada! O Capo andava por Mônaco mas já meteu o pé e tá por aqui. Além de articular in loco, sempre com o Maquiavel na sombra, nesses dias não convém muito dar mole por aí em terra estranha, onde aquele habeas corpus amigo não está sempre à mão como aqui... (Del Nero que o diga, com sua fuga rapidinha de quem tá devendo e cruzou aquela alfândega suíça em passos mais nervosos do que quem bate pênalti em final de Copa do Mundo. Diz também o povo que quando a luz verde acendeu no balcão e ele pode dar dois passos à frente foi o alívio do mundo. E quando o pássaro de ferro ganhou o céu suíço, repetiu o gesto imortalizado por Reginaldo Farias em Vale Tudo, mandando banana pra impecável guarda suíça, e, diz alguém mais maldoso, até pro Marin!).

E como seria essa volta do Capo, o próximo passo? Com a evidente fragilidade de Del Nero e CBF no momento, tirariam do bolso uma ideia com cheiro de nova, progressista e a mais moralizadora possível: a enfim criação de uma Liga para comandar o futebol brasileiro. Genial! Teoricamente, quem seria contra? Ronaldo e Romário na frente, o que sempre se sonhou, os atletas no poder. Uma Liga, diminuindo o poder da combalida CBF, que enfim ficaria só com a seleção. E por trás, rindo de todos nós, ele, o já citado Coisa Ruim, o Capo di tutti capi. Com o Maquiavel do Leblon fazendo o que de melhor sabe fazer: abanando o Capo, articulando, chamando todo mundo de "irmão". E os bobinhos da imprensa convencidos de que o sujeito é realmente amigo e faz muito por nós. E ele por trás pedindo cabeça de jornalista. E ganhando, como de hábito. Ou seja, tudo como dantes no quartel de Abrantes. No velho mandamento do governador mineiro, "façamos a revolução antes que o povo a faça", o povo aqui quem sabe cooptados pela discurso de modernidade do neo moralista Fenômeno. Sem saber quem está na retaguarda.

E assim, os milhões em jogo dão uma voltinha mas no fundo ficam nas mesmas mãos de sempre. Convém aos "Atividades" e "Fogueteiros" do movimento, no caso nós, soltarem logo a morteirada e avisar pra todo mundo se ligar. O jogo tá pesado do outro lado pra que se percam alguns anéis mas não se percam dedos. E a possibilidade de uma profunda revolução no futebol do 7 x 1, que nunca foi tão possível, vire só uma brisa de verão com ares de ventania, mas só uma brisa.

Nem mesmo minha metáfora aqui usando a figura da bandidagem e das quadrilhas é nova. Em 9/3/2012, publiquei um texto aqui usando as mesmas metáforas da troca de quadrilha de mentirinha. Tinha caído esse mesmo Capo que agora quer voltar nas sombras e eu fiz um breve histórico da bandidagem de São Sebastião para exemplificar como funciona. Relendo agora, tocaram até algumas trombetas da vaidade, por tão atual, palavra por palavra.

Sobre Del Nero, publiquei matéria aqui anteontem.

http://espn.uol.com.br/noticia/213459_revista-espn-amistoso-da-selecao-tem-na-origem-empresa-da-qual-teixeira-seria-socio-oculto-entenda-o-caso

 

Prisão de Marin é a chance de recomeçar tudo de novo no futebol brasileiro

Lúcio de Castro, especial para o ESPN.com.br*
Bruno Domingos/Mowa Press
Jose Maria Marin foi preso na Suíça
Jose Maria Marin foi preso na Suíça

Foram necessários 83 anos de vida para finalmente conhecer a lei. Em um país estranho, quando mais do que nunca se achava acima do bem e do mal, acima dos homens, acima da justiça. Inimputável. Por trás, milhões de dólares ganhos por caminhos tortos. E um rastro de dor, sombra e morte. 

Parece atual? Parece óbvio? De quem estamos falando? Estamos falando de José Maria Marin, é claro. Mas poderia ser perfeitamente Augusto Pinochet. Os mesmos 83 anos ao ser preso. Também em terra estrangeira. A mesma certeza da impunidade, a mesma certeza de estar acima de qualquer coisa. Os mesmos milhões de dólares subtraídos na calada da noite. Certamente não é o mesmo rastro de dor, sombra e morte. Mas deixo para outro a tarefa de quantificar a canalhice e a vilania. Tortura é tortura, barbaridade é barbaridade, seja com um ou um milhão. Seja mandando alguém para a morte no Estádio Nacional do Chile ou nas masmorras da rua Tutóia .

Viverei cem anos e não vou esquecer daquele canto do estádio no pé dos alpes. Os gritos lancinantes de dor ainda parecem ecoar. A escuridão permanece ali como marca indelével daqueles anos de chumbo. Não é diferente quando se anda pela ESMA argentina, ali, a 700 metros de onde se jogava uma final de Copa do Mundo em 78 e gente morria. Os lugares de memória são assim. Fundamentais, pedras da democracia, mas com vozes pertubadoras que o tempo não leva. Se mais cem tiver, também não terei como esquecer da visita no DOI-CODI da Tutóia. Herzog estava ali, tantos anos depois. Foi Marin que o mandou para lá. Sabia o que estava fazendo naquele 9 de outubro de 1975 quando subiu na tribuna e apontou o dedo para os "comunistas da TV Cultura". Naqueles dias era como decretar a morte de alguém. O deputado da Arena, ex-membro do PRP de Plínio Salgado como lembra Mestre Luis Claudio Cunha, deve ter vibrado com o resultado de sua alcaguetagem. Dedo-duro, uma das mais abomináveis faces de um homem. Nenhum pai cria um filho para ele ser um delator. Duas semanas depois, Herzog estava morto numa cela. Marin nunca demonstrou qualquer traço de arrependimento. Não devia mesmo. Tinha convicção no que estava fazendo. E ainda tem.

A mesma convicção que tem quando pensa futebol. Porque ninguém tenha dúvida. A aberração e o caos que vivemos, sintetizados num 7 x 1 que será eterna ferida em nossa alma, esse desgoverno que vai tornando o futebol nossa paixão de toda vida em espaço onde somos incapazes, tudo isso é para ser assim mesmo na cabeça dessa escumalha. De Marin, Del Nero, Teixeira. Ou alguém imagina que estão muito aborrecidos com a tragédia que viraram nossos jogos, nossas competições? Ou alguém acha que se incomodam com tanto passe errado, com tanta bola parada, com tanta falta? Não tem tempo para isso. Estão contando dinheiro. Dinheiro roubado. Querem que se dane o futebol.

E vocês vão pagar e é dobrado mesmo. Marin, Teixeira, Del Nero. Um preso aos 83 anos. Como se explica a um neto que "vovô foi preso porque é ladrão"? O outro vivendo nas sombras. Foi tanto dinheiro e eis que já não serve para nada. Vale a pena se não pode dar um passo na rua? Nem mesmo em Boca Raton. E o terceiro saindo corrido da Suíça, tal qual um trânsfuga. Vivendo de sobressalto. Na idade em que se vive de leveza.

Mas, como disse o poeta, "apesar de vocês, amanhã há de ser outro dia"... A história não tem pressa...Nesta Porto Alegre que me acolhe neste domingo, tenho certeza de que esta mesma história reserva o lixo para Pedro Seelig. E que um dia Jair Krischke, brasileiro maior, homem de ação que salvou tantos em silêncio, ainda estará nos compêndios escolares.

Hora de começar tudo de novo por aqui. Sem essa turma. Botar a bola no chão novamente, povo na arquibancada e não nos camarotes que esses nos empurraram goela abaixo e que agora vamos entendendo onde foi parar essa montanha toda de dinheiro.

Se até aqui só teve agenda para contar dinheiro, agora Marin vai ter muito tempo para refletir enquanto olha pro teto da cela. Sobre essa existência medíocre de alcagueta, sobre a estupidez que é alguém de 83 anos querendo amealhar milhões. Sobre o que fizeram com nosso jogo. Que seja o primeiro de muitos. E que, como castigo, tenham que assistir um jogo do atual campeonato brasileiro no domingo.

*PUBLICADO NO JORNAL ZERO HORA DE DOMINGO, 31/05/2015

Logo agora, Maestro Galeano?

Lúcio de Castro, especial para o ESPN.com.br
Getty
Eduardo Galeano morreu aos 74 anos nesta segunda-feira
Eduardo Galeano morreu aos 74 anos 

É uma lembrança muito vaga. Na verdade, nem sei se lembrança mesmo ou construção de memória pelo relato dos outros, que é na verdade como são nossas recordações mais primárias. Nessa zona cinza entre o que é de fato o que vivi e o que me contam que vivi, a primeira lembrança de Eduardo Galeano é lá pelos meus 3,4 anos. Uma resenha boemia como eram as resenhas na casa dos meus pais. E eu maravilhado sempre com aquele povo. Naquele dia mais ainda porque alguns ali falavam algo parecido com o que eu entendia mas não era exatamente o que eu falava. Eduardo Galeano e meu pai eram bons amigos e o uruguaio, apaixonado pelo Rio, em uma de suas centenas de vindas, levou até nossa casa seu amigo, jornalista e escritor dos grandes, Luis Martirena. Eram anos duros, as paredes tinham ouvido e um coronel no terceiro andar tinha sido incumbido de ver quem entrava e saia lá de casa. A inocência de criança me fazia passar e provocar quando ele se achava escondido olhando pela fresta da janela. Pra desespero dos meus pais, eu mandava tchau e ria! Gente sumia, morria, mas a boa resenha entrou noite adentro, com boa música, boas risadas, as discussões quentes e aquela velha vontade de salvar o mundo, além do papo de futebol e obviamente de política. Tudo isso fazia lembrar que a vida valia a pena, apesar de tudo.

Obviamente eu não tinha a menor ideia de quem era aquele sujeito de fala engraçada. Aquele monstro sagrado. E pode ser que seja apenas mais uma construção da memória com o passar dos anos, pelos relatos. Mas tenho tanta clareza ao lembrar da tristeza e do choque dos meus pais com a notícia que chegou poucos dias depois daquele encontro que ouso achar que é memória pura, como se isso existisse. Luis Martirena tinha sido brutalmente assassinado pela feroz repressão da ditadura uruguaia. Sua mulher, Ivette, que estava naquele dia, teve um tiro disparado dentro de sua boca e a cabeça estourada. Porque tinham convicções e eram contra a ditadura.

Hoje, ao sentar aqui pra falar de Galeano, foi minha primeira lembrança. Corro pra ver a data da morte dos Martirenas, depois de lembrar que estiveram poucos dias antes lá em casa. A coincidência me impressiona aqui e agora: 14 de abril de 1972. Olho pra ver o dia de hoje: 14 de abril. E constato ainda que Galeano se foi num dia 13 de abril, pertinho do seu amigo Martirena, com quem agora bota o papo em dia. Lá em cima, ainda que me lembre do que me falou numa tarde fria, muito fria, no Café Brasileiro, onde ia sempre, na sua Montevidéu: "deixei de acreditar em Deus por causa desse frio". Custo a acreditar. Todas essas lembranças vindas num 14 de abril, e Galeano se indo num 13 de abril.

E que hora pra ir, Maestro. Suas ideias e sua força vão fazer tanta falta agora. Não faz frio mas faz escuro lá fora. Fico imaginando o que Galeano andava pensando ao saber que por aqui, que ele tanto amava, tem gente abraçando assassino torturador. Da mesma laia dos que mataram Martirena e sua mulher. Da mesma laia dos nazistas que faziam exatamente a mesma coisa. Ou será que não ocorre a essa gente que anda pedindo a volta de ditadura e abraçando torturador que é a mesma coisa que abraçar um carrasco nazista? Não, não vou entrar aqui no mérito de manifestações, do contexto. É legítimo claro protestar. Mas que cada um tenha a clareza sobre a trincheira em que está. Ombrear-se com alguém similar a carrasco nazista é deplorável demais. E mais impressionante ainda é a complacência de nossa grande imprensa, que, ávida em fazer sua narrativa como a convém, prefere botar o ovo da serpente pra baixo do tapete e transformar em pé de página o fato ao qual devia apontar a luz, mostrar, repelir. Se existe alguém na rua defendendo o que um carrasco nazista defendia, como isso não para um jornal do horário nobre? Não vai pra capa do matutino? O nome disso é cumplicidade. E quando penso em Gianfrancesco Guarnieri, Ruth Escobar, Bete Mendes e tantos outros, e vejo agora Malvino Salvador, Márcio Garcia, Marcelo Serrado e Cristine Fernandes...

Nesses tempos de intolerância, não custa repetir que manifestações são legítimas e certamente a maior parte não deve concordar com isso. Mas fico com Mário Magalhães (sempre vale estar na trincheira dele). Quem marchou ali aceitou estar lado a lado com torturadores e gente pedindo a volta deles. (Ver: "Quem permite um símbolo de tortura e extermínio ao lado aceita a barbárie", blog Mário Magalhães).

E nessa hora que Galeano é tão necessário, logo agora... Copio aqui palavra por palavra do que me falou para o episódio Uruguai de "Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor":

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Veja, a partir de 2min55, Galeano falando no episódio Uruguai de 'Memórias do Chumbo'

"Se você não aprende com o que aconteceu, está condenado a repetir. E aí então o problema do medo. O poder militar daqueles anos conseguiu impor uma cultura do medo...Quer dizer, a impunidade estimula o delinquente, seja um delinquente militar, civil, seja individual, seja coletivo, a impunidade é o motor maior para a repetição dos crimes ".

Foi essa herança familiar que me deu a boa aventurança de ter o privilégio de poder estar por vezes com esse sujeito que escreveu algo tão incrível como "As Veias Abertas da América Latina" com trinta e poucos anos. Era sempre afável. Abusei disso muitas vezes, depois já jornalista mais ainda. Tinha um trunfo além do conhecimento paterno: o futebol. Ninguém gostava mais da resenha de futebol do que Galeano. Ainda no Globo, em 2002, interrompi um período daqueles em que ele parava tudo pra escrever seus novos livros. "Só vou quebrar isso porque é pra falar de futebol". Foi uma página inteira. Brincava sempre comigo que depois daquilo a imprensa brasileira aprendeu que ele não resistia e baixava a guarda se o argumento pra entrevista era ser futebol. E toda hora então passaram a procurar ele porque sabiam que era o calcanhar de Aquiles.

Foi pra falar de futebol e com esse argumento que eu e o imenso repórter Victorino Chermont juntamos Galeano e Reinaldo, o Rei, no Maracanã em um "Encontros Para a História", no Sportv ainda. Era incrível aquilo: Galeano estava feito criança diante do Rei, ouvindo atento suas histórias da bola. E não queria acabar o papo, que tinha ainda o também imenso Marcos Uchoa e o mais brasileiro dos argentinos, Manolo Epelbaum.

Chegava a Montevidéu e não marcava. Bastava ir ao centenário Café Brasileiro e começar a resenha. Uma outra vez, conversávamos sobre o ódio que alguns do andar de cima tinham quando preto e favelado se dava bem. Falamos de Adriano. Não resisti. "Me escreve sobre isso". Publiquei aqui.

Falamos muito sobre outra paixão em comum, o povo saharaui e sua luta, uma das mais belas resistências da história da humanidade, tão bela quanto desconhecida, tão bela quanto inglória, e talvez por isso tão gloriosa. Quando fiz "Memórias do Chumbo", corri ao Maestro. Suas palavras valem o capítulo Uruguai.

Depois estivemos juntos em sua última vinda ao Brasil. Num daqueles momentos maiores do que a gente mesmo, fizemos uma palestra juntos na Bienal do Livro de Brasília. Tinha ainda o já citado Mário Magalhães, que conta essa história melhor. Já estava mais fraco, debilitado e um pouco impaciente. Mas capaz de hipnotizar o povo que lotou e não arredou pé por um bom tempo. Deu tempo ainda de uma última resenha em Montevidéu, quando levei uma camisa de manga comprida do meu time pra ele. Que pra minha surpresa se botou a recordar os maiores jogadores de todos os tempos que tinham vestido aquela camisa.

Que mistério profundo. Se foi num 13 de abril. Véspera do aniversário da morte do seu amigo Luis Martirena. O que me levou a pensar nisso tudo exatamente num 14 de abril. Seja lá o que for, vai fazer falta. Um homem que amava futebol mas era capaz de ir contra o objetivo do jogo quando pensava na vida. "Não vale a pena viver para ganhar, vale a pena viver para seguir tua consciência". 

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'Bate-Bola' homenageia o escritor uruguaio Eduardo Galeano

A mentira esfregada na cara do prefeito do Rio

Lúcio de Castro, blogueiro do ESPN.com.br
Getty
Campo de golfe do Rio-16 ficará pronto no prazo, disse projetista
Local onde estará o campo de golfe para a Olimpíada de 2016

Tento puxar pela memória. Aperto os olhos, vou recuando no tempo. Mas nem que ficasse mais dois anos nesse exercício de franzir a testa e contrair as pálpebras, ação comum quando se tenta salvar alguma recordação perdida, conseguiria resultado satisfatório.

Por mais força que faça, não me lembro de um desmentido tão categórico, na lata, sem qualquer esboço de resposta, como o que Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), esfregou na lata do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Nem a funda de um black block seria tão devastadora. Explodiu na testa de Paes.

Depois de anos na trincheira para construir o campo de golfe olímpico que invade uma reserva ambiental, o alcaide carioca tenta se descolar da paternidade do monstro, da aberração, do desaforo com a cidade e com o cidadão carioca. Mais do que isso: com qualquer um, de qualquer lugar, capaz de se indignar com as coisas feitas ao arrepio da lei e da ética.

Com o jogo virando, a sociedade começando a chiar e o Ministério Público em cima, Paes tentou sair de fininho.

"Eu odeio ter de ter feito este campo de golfe. Por mim, não teria feito este campo de golfe nunca."

Era melhor ter ficado quieto. Só o poder mesmo é capaz de algo assim, de permitir que alguém fale algo e ache que em volta todo mundo acredita.

Gazeta Press
Eduardo Paes. prefeito do Rio de Janeiro
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro

O poder, esse bálsamo que não pode cair na mão de qualquer despreparado, pois cega e faz o sujeito achar que todo mundo é bobo. No dizer do escritor colombiano Alonso Salazar, sabedor do que fala por ter sido prefeito de Medellín, capaz de distorcer tanto o que está a sua volta, seja prefeito ou no mundo corporativo, como já vimos tantas vezes: "quando se tem tanto poder e a capacidade de decidir sobre tantas coisas e tantas vidas, a relação com a realidade se perde. O poderoso cria seu próprio mundo, uma espécie de realidade virtual, da qual não há jeito que ele volte."

Pois só mesmo a privação de sentidos de estar cercado de puxa-sacos que só aplaudem poderia fazer o sujeito achar que todo mundo esqueceria tudo o que tinha sido feito e dito até ali.

E foi o próprio presidente do COI quem botou as coisas no devido lugar.

"Fiquei surpreso com as declarações do prefeito, porque, como todos sabem, o prefeito pressionou muito pela construção desse campo. Tenho certeza que ele pensou muito antes da decisão de construí-lo."

E mais não falou Eduardo Paes, diante da humilhação de um dos maiores "Pega Na Mentira" dos últimos anos.

Não vou entrar aqui nos pormenores da aberração que é todo o processo da construção do campo de golfe olímpico no Rio. A espetacular reportagem de Anne Vigna, no site da Agência Pública, que presta serviço incomensurável ao jornalismo, é mais do que suficiente para que se entenda a história. Basta ir lá no site da "Agência Pública", agência de reportagem e jornalismo investigativo.

Estamos diante de uma aberração que não pode passar. Já basta carregarmos todos nós, em nossos armários, o cadáver do Maracanã, destruído pelos mais escusos interesses e proxenetado a gosto de Sérgio Cabral Filho. Quis o destino que aquilo a que sempre me referi como "A Maldição do Maracanã", para seus destruidores, esteja cada dia mais viva, um Montezuma a atormentar Cabral, Pezão e Regis Fichtner, agora mais encalacrados do que condenados no corredor da morte. O 'Prefeito Pinóquio' da vez tenta se livrar da maldição, mas já não é possível. O cadáver de lutar pela destruição de uma reserva ambiental e entregar para a especulação imobiliária é todo dele.

Se alguém tem dúvida da mudança de tom escrachada pelo presidente do COI, vá na rede de vídeos por demanda do seu pacote de TV por assinatura. Está lá, em um "SporTV Repórter" de dois anos atrás, sobre 2016, o 'Prefeito Pinóquio' @eduardopaes_ se vangloriando da solução que entregou um pedaço do paraíso para os "amigos do Rei" e desdenhando do que era reserva ambiental. Facilito o trabalho do leitor aqui se quiser e dou o tempo da fala para que vá direto e se poupe de assistir a um desfile de louvações olímpicas. Diz o 'Prefeito Pinóquio' com 39.24 minutos: "Encontramos solução privada. Numa área, aí é muito verdade, constantemente degradada, ali era uma cimenteira."

Então por que diabos agora que MP e opinião pública estão em cima, "odeia ter feito este campo de golfe"? Odeia ter "encontrado a solução privada" que antes exaltava? Odeia acabar com uma cimenteira?

O que há de errado com a imprensa?

Minha questão aqui não é dar os detalhes da monstruosidade que está se cometendo no Rio em nome de tal projeto olímpico (e logo agora que já sabemos de cor e salteado o quanto é balela que grandes eventos ajudam na economia, não é mesmo? Ao menos espera-se que nenhum cretino volte a repetir isso). Minha questão é a parte que me cabe nesse latifúndio: tentar olhar para a própria retaguarda. Simples: o que foi feito na imprensa depois que o gringo do COI lavou e esfregou a cara do prefeitinho na parede de chapisco?

O que há de errado com a imprensa que não parou as máquinas para ir muito fundo no desmentido impressionante de Thomas Bach? O que é que há com nós dois, amor, diria aquela canção? Diria eu pra minha profissão. O que que há com nós dois, o que que há contigo que o mundo não parou para ver o que está por trás dessa monstruosidade do campo de golfe construído à sorrelfa. À socapa. Na nossa cara. Tão vergonhoso que agora o @eduardopaes_ tenta sair de fininho e limpar as digitais. Não dá mais. Tarde demais.

Por mais que estejamos vivendo um tempo triste demais. De imprensa de cócoras, exercendo cada vez menos seu dever de fiscalizar o poder. Quando penso em tanta gente da geração acima da minha na profissão, que pagou no pau de arara para que pudéssemos escrever hoje e vejo, apesar das coisas boas aqui e acolá, tanta coisa sucumbindo na força da grana, só me ocorre pedir desculpas para essa turma.

E isso é muito sério. Porque, queiram o não, o país é outro quando se pensa principalmente naquele Brasil do pau de arara acima referido (que alguns sem o mínimo de massa cinzenta que nem merecem dois toques de máquina querem de volta exatamente por não possuirem nem dois neurônios).

Um Brasil onde as coisas, ainda que com seus problemas, não estão indo mais direto pra gaveta de engavetadores e a turma do andar de cima, embora bem menos que a raia miúda, pode ir pro xilindró. Mas que ainda distorce vergonhosamente as coisas nas suas páginas, que não publica e não vai atrás de uma verdade esfregada na cara de um prefeito.

Para que se entenda didaticamente a diferença de quando a imprensa cumpre seu papel fiscalizador e quando, a via de regra, se finge de morta por algum estalar de dedo do andar de cima, basta lembrarmos de casos exemplares na própria cidade do Rio. O ponto xis de tudo é a fiscalização do orçamento, o olho atento nas LDOs (Leis de Diretrizes Orçamentárias). Se algo está sendo feito, algum projeto está sendo tocado, e o orçamento se camufla, a LDO atrasa sistematicamente, é o papel da imprensa, da sociedade gritar, e não falamos aqui de gritaria seletiva.

Na prática, é lembrar do caso do Museu Guggenheim. Imprensa, sociedade civil, todo mundo apontou o dedo para a aberração e a transparência orçamentária se impôs. Escolado com o tombo que a sociedade determinou, Cesar Maia se escaldou no projeto seguinte da Cidade da Música e escamoteou o orçamento diante do silêncio cúmplice da imprensa até o limite, quando aí sim começou a gritaria. Mas era tarde, e o monstrengo viceja em toda sua estupidez de elefante branco em um entrocamento entre duas vias cafonas que sonharam um dia em ser a não menos cafona Miami.

Não foi diferente o assassinato do Maracanã. Só mesmo o silêncio cúmplice da imprensa poderia permitir o avanço da maior licitação de cartas marcadas de toda a história da humanidade. Nem mesmo aquela página gloriosa do também glorioso Jânio de Freitas, quase solitária voz nesse momento triste de nossa imprensa, quando mostrou que a Norte-Sul era jogo marcado, talvez nem mesmo aquela histórica reportagem tenha tratado de uma licitação tão marcada quando a que deu o Maracanã para Eike, Odebrecht e cia. Nem mesmo algum faraó fez alguma pirâmide com licitação tão marcada como a do Maracanã.

Estamos diante de um momento assim novamente. Ninguém viu o tal estudo de viabilidade que garante ser inviável o golfe no Itanhangá. Ninguém consegue entender a conta que poupa R$ 60 milhões da prefeitura em troca de um bilhão para a iniciativa privada. Ninguém consegue entender como se permite dar um pedacinho do paraíso e deixar que se construam 23 edifícios de 22 andares em área de prédio de 6 andares. Mas afinal, se para isso não se bate panela, para isso não se fica indignado, é mais fácil para alguns poder dizer que "odeia ter feito isso".

Mesmo com alguém vindo de fora e dizendo com todas as letras que é mentira. Talvez, como disse brilhantemente o urbanista Luiz Fernado Janot em seu artigo "O Jogo Jogado", falando sobre o modelo de planejamento que avança com o escudo de 2016, talvez esse jogo já tenha sido jogado. Com a cumplicidade do silêncio de uma imprensa cada dia mais seletiva em escolher os armários que quer abrir para mostrar cadáveres. Sem entender que assim vai desenhando seu próprio cadáver.

Só Thomas Jefferson pode salvar o esporte brasileiro

Lúcio de Castro, blogueiro do ESPN.com.br

Quando se trata de poder, portanto, não vamos mais falar sobre a confiança nos homens, e sim impedir que eles se comportem mal pelas correntes da Constituição

Thomas Jefferson
Mais de dois séculos depois da fala de um dos principais Pais Fundadores da nação americana, chega a ser um pouco bizarro que, com tamanho inacreditável atraso, ainda invocarmos o aval dos “homens bons” ou falemos em consertar malfeitos através da confiança nos homens. Poderíamos estar, por este início, falando de uma série de temas. Mas os assuntos específicos aqui são os escândalos do vôlei nacional, as respostas da CBV/Banco do Brasil a partir do devastador relatório da CGU e por que não ir além, a gestão do esporte brasileiro, suas confederações e entidades.

Pois então vejamos algumas palavras da CBV e algumas exigências do BB para seguir com o milionário patrocínio, feitas a partir das recomendações da CGU.

De acordo com nota oficial da CBV, a entidade já estaria se adequando as recomendações da CGU para que o BB possa seguir com o patrocínio. Mas o que está em jogo obviamente não é apenas atender recomendações da CGU. Os limites das atribuições da Controladoria fazem com que ela possa apenas recomendar alguns atos. A questão então é acharmos que isso é suficiente. Pelo visto, CBV e BB acham, ao menos até que novos fatos, já em curso, ocorram, como a entrada em cena do Ministério Público e Polícia Federal.

Diz a tal nota que já estão se enquadrando nas recomendações, com:

- “auditoria externa”. Como se no tempo de Ary Graça não existisse.

- “Regulamento de contratações”. Como se não fosse estatutário antes.

- “Vetos de empresas suspeitas”. Ah, bom, então antes o estatuto permitia e agora passa a vetar. Não serão evitadas pelos mecanismos sugeridos por Thomas Jefferson em 1798 e sim porque agora a CBV se enquadrou e se adequou pela mão dos homens bons.

-“Criação de comitê de apoio”. Olha eles aí, os homens bons, aqueles que, como diz o poeta, irão “nos restituir a glória”! Agora vai!

- “Reaver judicialmente os valores de contratos apontados pela CGU como irregulares”. Incontestável. Porque não depende dos homens bons e sim das leis, da mão da justiça.

Há um trecho tão surpreendente quanto na nota da CBV, quando cita ainda que “de conhecimento de todas as ações desenvolvidas pela entidade, os técnicos José Roberto Guimarães e Bernardo Rezende manifestaram apoio incondicional aos dirigentes que tem a responsabilidade de administrar o atual momento do voleibol brasileiro”. Seria tão melhor ver os dois titãs do vôlei nacional juntos na trincheira de Thomas Jefferson e não na trincheira dessa cartolagem. Batendo o poderoso tambor de ambos em Brasília para que enfim alcancemos o dia em que as amarras do esporte brasileiro serão mais fortes do que o discurso de intenções de homens que se perpetuam no poder. Ainda há esperança. Como já falamos algumas vezes, a partilha de competências da Constituição Federal, 1988, deixou algumas lacunas no que diz respeito as responsabilidades na fiscalização de instituições ligadas ao esporte. A luta agora deve ser um freio de arrumação, em nome da máxima de Thomas Jefferson.

Na tentativa de se caracterizarem como os “homens bons” que irão mudar o curso da história e fazer essa travessia, os atuais mandatários da CBV botam em prática uma das modalidades mais em voga no Brasil atual: a tentativa de se descolar de quem é apontado por malfeito. O auge da excelência em tal modalidade de descolamento foi nas últimas eleições, quando o candidato Pezão passou uma candidatura inteira sem mencionar sua umbilical ligação com Sérgio Cabral, prejudicial para suas intenções naquele momento. No instante seguinte ao sufrágio das urnas, agradeceu ao mentor.

Algo semelhante faz a atual gestão da CBV. Por mais de duas décadas foram unha e carne com Ary Graça. Elegeram o mesmo. Participaram de sua administração. Sem grandes oposições seguiram mesmo durante a publicação das reportagens do “Dossiê Vôlei”, ao longo de 2014. Quando o barco foi naufragando e a navegação ficou insustentável, veio o descolamento. Foi no momento seguinte a publicação do relatório da CGU que se aprofundou o processo de descolamento. Apontado como “conflito” entre CBV x FIVB pelos ingênuos da imprensa de sempre.

Curioso agora reler algumas das reportagens do “Dossiê”. Voltando um pouco, chegamos em 24 de fevereiro, a primeira das reportagens. Questionados pela reportagem sobre as relações entre CBV e S4G, a empresa contratada que, de acordo com a CGU, não entregava os serviços acordados, além uma série de irregularidades, a CBV, em sua atual gestão, fez veemente defesa da empresa. Preste bem atenção: "A S4G é uma empresa reconhecida no mercado. Já trabalhou para outras modalidades e eventos esportivos, entre eles, os Jogos Mundiais Militares, quando foi vencedora de licitação, tanto para o vôlei como paraoutros esportes”.

Defesa também foi feita pelos atuais gestores, que agora se descolam do antigo gestor, a Marcos Pina, cartola que também tinha sua empresa prestadora de serviços para a CBV na intermediação de contratos, trabalho também não identificado pela CGU. “"Marcos Pina foi Superintendente Geral da CBV de 1997 a 1999, quando solicitou afastamento por iniciativa própria. Se manteve sem qualquer vínculo empregatício com a entidade até setembro de 2013, quando foi recontratado como Superintendente Geral pela nova gestão".

Ué?!!! Então uma rápida recuada nas reportagens e constatamos que os atuais gestores recontrataram Marcos Pina em setembro de 2013? E defenderam a S4G? E agora se descolam da gestão anterior! E nós aqui falando na confiança dos homens bons e em mecanismos que, em última análise, sempre dependerão de tal confiança. Quando na verdade, o dramático momento do esporte nacional implora que atletas, treinadores e cia exijam novos mecanismos de controle para entidades do esporte, principalmente as que recebem dinheiro público.

Verdade que o principal mandatário do esporte brasileiro não parece muito preocupado com tudo isso, tampouco pensa em mecanismos efetivos e constitucionais que coíbam aventureiros. Em recente entrevista, falou sobre o que preocupa de fato no momento. "Com relação aos contratos com o BB, espero que seja uma suspensão temporária porque o que preocupa é 2016. Estão em jogo quatro medalhas", afirmou Carlos Arthur Nuzman.

Seria bom também podermos ver esforços mais significativos e expressivos do BB no sentido da efetivação desses mecanismos de controle. Afinal, quem acaba de deixar-se ser enganado e ver milhões do dinheiro público por ele destinado tomar outros destinos, deveria estar mais incomodado. Para início de conversa, começar a cumprir efetivamente a Lei de Acesso à Informação, uma das melhores coisas que aconteceram nesse país mas que o BB insiste teimosamente em não cumprir, pisotear e ignorar. Este repórter fez três solicitações através da Lei de Acesso sobre documentos desta relação BB/CBV e foi ignorado pelo banco. Quando se sabe que por muitos anos o homem que cuidou da relação entre CBV e BB foi Henrique Pizzolato, atual hóspede do estado italiano, o BB deveria ser o primeiro a querer que seus atos fossem transparentes. Salvo, como eu disse em minha ida ao Congresso Nacional para tratar sobre o “Dossiê Vôlei”, salvo estarmos realmente em um país de Sargentos Rochas, aquele de Tropa de Elite (“quer rir? Tem que fazer rir”). Salvo tal fato, o BB deveria ser o primeiro a rever todos os seus mecanismos de controle e lutar para que eles se institucionalizem no esporte brasileiro de forma mais efetiva, acima dos homens. Para poder seguir patrocinando e despejando milhões de verba pública.

A imprensa obviamente não fica atrás nessa cadeia de omissões e descalabro. Por anos, botou tapetes vermelhos para malfeitores em seus estúdios e reportagens, apontando-os como gestores modelos. A promiscuidade dessas relações e suas razões e consequências serão em breve abordadas por mim. Mas toda a corrupção e sorte de malfeitos do esporte nacional é também um cadáver insepulto da imprensa brasileira. Que nem assim se refaz e segue com os mesmos tapetes vermelhos para cartolas que na verdade mereceriam estar no calor indoor do verão de Bangu. E quando de repente o jogo está 7 x 1, alguns oportunistas se apressam a apontar com veemência para os desmandos aos quais sempre foram cúmplices. E tome a pensar em soluções para o esporte brasileiro, tome a ir para a Alemanha fazer programas para ver como estão fazendo...Quando tão mais simples era cumprir o único papel que cabe para a imprensa nessa história. Qual? Ora, cumprir seu papel como imprensa e não como armazém de secos e molhados. Se a imprensa tivesse cumprido seu verdadeiro e único papel nesses anos todos, as coisas não estariam mais assim no esporte brasileiro.

Restam ainda os atletas. Aqui e ali vamos vendo gestos que eternizam homens em panteons muito maiores do que glórias olímpicas. A dignidade em combater o bom combate como o apóstolo ensinou é muito maior do que medalhas, como pensa Nuzman. Quando lá na frente olharmos para pessoas como os irmãos Endres, muito antes de suas inúmeras conquistas, estará a força dos atos dos dois, como de alguns outros. Assim como a omissão de alguns. O que virá pela frente é muito mais duro para os atletas. Verão a velha tentativa de cooptação. Cargos, propostas, o velho cala a boca. Assim como as velhas tentativas tão conhecidas de se denegrir o mensageiro para desqualificar a mensagem. Que sejam fortes para isso. Se não forem fortes agora, logo verão que alguns que acenam assustados agora estarão fechando a porta na cara deles quando estiverem recompostos. Já circula aqui e ali também a versão sobre a repreensão de técnicos e expoentes do esporte para os atos de protesto realizados pelos atletas. Que saibam que a história é assim mesmo. Repleta de homúnculos prestadores de serviços para o poder, ávidos a servir nestas horas.

NOTA: O blog segue destinado apenas para a expressão de opinião em artigos como este. Reportagens continuarão a ser publicadas no site.

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