Entre um argentino e um finlandês, Totti quase deixou a Roma antes de virar lenda

Leonardo Bertozzi
EFE/EPA/FLAVIO LO SCALZO
Totti Roma Milan Campeonato Italiano 07/05/2017
Totti quase deixou a Roma aos 20 anos, em 1997

Francesco Totti encerra neste domingo uma história de 25 temporadas com a camisa da Roma. Não confirma se o jogo com o Genoa será o último como profissional, mas certamente será o último com as cores que representou por um quarto de século. Período que poderia ter sido bem menor se não fosse por uma noite de fevereiro de 1997, quando seu futuro no clube era colocado em dúvida pelo técnico Carlos Bianchi.

O argentino, contratado após empilhar taças com o Vélez Sarsfield (três títulos argentinos, uma Libertadores e uma Copa Intercontinental vencida contra o Milan), não estava convencido de que Totti, então com 20 anos, era especial. Os minutos em campo eram limitados, e às vezes Totti não ia nem para o banco.

O sonho de Bianchi era levar para a Roma o finlandês Jari Litmanen, protagonista no Ajax. Sentindo-se desprezado, Totti passou a cogitar a saída do clube. Chegou a um acordo com a Sampdoria, e a transferência esteve a ponto de acontecer.

Até que Totti e Litmanen estiveram no mesmo campo. No dia 9 de fevereiro de 1997, a Roma recebeu Ajax e Borussia Mönchengladbach para um triangular amistoso, daqueles com jogos de 45 minutos. Bianchi queria mostrar a todos o que o clube teria a ganhar com Litmanen. Totti (assim como o presidente Franco Sensi) tinha outros planos.

"Uma pena que ontem, no Olímpico, apesar de preços absolutamente populares propostos por Sensi, tenham aparecido pouco mais de dez mil torcedores", conta a edição do dia seguinte da Gazzetta dello Sport. "Totti, para quem não soubesse, deu uma de fenômeno. É um jovenzinho com seus vícios. Mas as virtudes são tantas para segurá-lo forte. E quem sabe educá-lo".

No primeiro jogo, entre Ajax e Borussia, Litmanen justificou toda a badalação com um belo gol - o da vitória dos holandeses. Mas na vez da Roma enfrentar os alemães, Totti roubou a cena. Conta a Gazzetta: "Primeiro criou do nada a jogada do 2-0 (Totti-Moriero-Delvecchio, tudo muito bonito), com um lançamento próprio apenas dos craques. Depois, concluiu a obra dos 3-0 com um mini-show, com conclusão por cobertura, maradoneando".

Totti, ainda com a camisa 17 (a 10 era do uruguaio Fonseca), também balançou as redes na vitória por 2 a 1 sobre o Ajax. E ao final da noite, Sensi atestou, sem meias palavras: "Totti é melhor que Litmanen. Precisamos de alguém assim, ele não sairá da Roma".

Franco Zavaglia, na época empresário de Totti, afirmou em entrevistas à imprensa italiana que o encontro de Totti e Litmanen não foi casual. Sensi estava curioso com tanta insistência do agente, beirando a teimosia, em questionar nos bastidores o pouco aproveitamento do jovem atacante. "Por isso ele convidou o Ajax de Litmanen. A partir daquele momento, Totti virou Totti e começaram os problemas entre técnico e direção".

"Bianchi dizia que na Argentina encontraria centenas como Totti", revelou Zavaglia. "Eu disse a ele que, se era o caso, a Argentina ganharia tudo em nível mundial pelos 20 anos seguintes".

Totti, em entrevista reproduzida pelo site da Roma no ano passado, confirmou a queda de braço: "Aquele torneio foi no dia anterior à minha ida acertada para a Sampdoria. Mas os deuses de Roma se revelaram, e aquela noite se tornou mágica. Sensi interveio e disse que eu não ia a lugar nenhum. O negócio com a Samp melou. Bianchi disse: 'Totti ou eu', e Sensi respondeu 'Totti'. Foi ali que tudo mudou".

O argentino durou pouco. Em abril, após uma derrota para o Parma, com a Roma no meio da tabela, foi demitido. Zdenek Zeman chegou para a temporada 1997/98, e Totti se tornou titular indiscutível. Com a 10. E por mais vinte anos.

 

Vaga a mais? Quem fica de fora? Entenda como as finais europeias mexem na próxima Champions

Leonardo Bertozzi
BEN STANSALL/AFP/Getty Images
Jose Mourinho Manchester United Tottenham Premier League 14/05/2017
Mourinho precisa vencer a Liga Europa para levar o Manchester United à Champions

A final da Liga Europa entre Manchester United e Ajax, na próxima quarta-feira, vai aumentar a recheada galeria de conquistas internacionais de uma das equipes. Além disso, significará um passaporte direto para a fase de grupos da Champions League 2017/18.

Para o United, é a única chance de evitar a ausência da principal competição europeia pela segunda temporada consecutiva. O Ajax, como vice-campeão holandês, já garantiu no mínimo a disputa das fases preliminares.

Os finalistas da Champions, Real Madrid e Juventus, já conquistaram as vagas com seus títulos nacionais. Mas isso significa o quê para as outras equipes destes países?

Perguntas sobre o destino das vagas de acordo com os campeões continentais são frequentes. O blog tenta respondê-las a seguir. Se houver novos questionamentos, fique à vontade para fazê-los na caixa de comentários.

O vencedor da Liga Europa sempre entra direto na fase de grupos?

Depende. No atual formato, esta vaga só é direta caso o vencedor da Champions já tenha garantido seu lugar nos grupos via campeonato - o que será o caso desta vez. Caso contrário, o campeão da Liga Europa joga os play-offs, a última fase antes dos grupos. Tudo mudará para 2018/19, quando ambos os campeões estarão sempre garantidos na fase de grupos.

O título abre uma nova vaga para o país?

Não. Nem o da Champions, nem o da Liga Europa. Uma eventual conquista do Ajax, por exemplo, não beneficiaria com acesso à Champions o PSV, terceiro colocado da Eredivisie.

O título "tira" uma vaga do país?

Só em caso extremo. A Uefa ajustou recentemente seu regulamento, de forma a ampliar de quatro para cinco o número máximo de equipes de um mesmo país na Champions League. Assim, diminui-se a chance de repetição do cenário de 2012, quando o Chelsea conquistou o título europeu e acabou forçando o Tottenham, quarto colocado da Premier League, a disputar a Liga Europa.

No entanto, há uma remota possibilidade de que isso ainda aconteça: dois times de um mesmo país com quatro vagas ganharem a Champions e a Liga Europa, e ambos terminarem abaixo do quarto lugar no campeonato. Neste caso, o quarto ainda perderia a vaga. Não acontecerá desta vez.

Se não abre vaga no país, quem fica com ela?

Pela posição na Premier League, o Manchester United está classificado para a fase de grupos da Liga Europa 2017/18. Se estiver na Champions, deixa um espaço na outra competição. Mas nada que beneficie o Everton, sétimo da Premier League e assegurado nas fases preliminares.

Este lugar aberto na fase de grupos é ocupado de acordo com o ranking de ligas da Uefa: subiria das fases preliminares o vencedor da copa nacional da República Tcheca, 13ª colocada. As outras preliminares também seriam readequadas, sempre subindo times de acordo com o ranqueamento dos países.

Se o campeão da Liga Europa for o Ajax, o "buraco" se abre nas fases preliminares da Champions. Por sua posição na Eredivisie, o time holandês jogaria a terceira preliminar, que conta com 10 times, dos quais cinco se classificam para se juntar a outros cinco nos play-offs. Se o Ajax entrar direto na fase de grupos, seriam 14 times e não 15 neste "caminho das ligas" (há separação entre campeões e não-campeões nas fases preliminares).

O novo desenho passaria a ter seis já garantidos nos play-offs e oito na fase anterior disputando as quatro vagas restantes. O beneficiado seria o Nice, terceiro da França.

As fases preliminares da Liga Europa também precisariam de readequação neste caso, já que todos os eliminados na terceira fase preliminar da Champions passam para os play-offs da outra competição - e com um confronto a menos, uma destas vagas deixaria de ser preenchida.

Quem são os cabeças-de-chave da Champions?

Os campeões das sete principais ligas pelo ranking e o atual campeão europeu. Se o vencedor da Champions também for um dos campeões nacionais, beneficia-se o campeão da oitava liga. Como é o caso este ano, com Real Madrid e Juventus campeões, entra para o grupo dos cabeças-de-chave o Shakhtar Donetsk, campeão ucraniano.

Os outros cabeças-de-chave: Bayern, Chelsea, Benfica, Monaco e Spartak Moscou.

Como será no futuro?

Em mudanças já aprovadas para a temporada 2018/19, após pressão dos grandes clubes, as quatro principais ligas pelo ranking (Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália) passarão a ter quatro vagas diretas nos grupos, ocupando assim metade dos lugares disponíveis. Serão duas vagas diretas para os países em quinto e sexto, mais uma para os países até o décimo lugar. Com os vencedores de Champions e Liga Europa também garantidos, restam apenas seis postos a definir através das fases preliminares: quatro para campeões nacionais, dois para não-campeões.

Simeone na Inter? Razões para acreditar ou duvidar

Leonardo Bertozzi
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Diego Simeone, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira
Diego Simeone é o sonho dos dirigentes da Inter

Que Diego Simeone dirigirá a Internazionale um dia, todo o mundo do futebol já sabe. O técnico argentino nunca perde a oportunidade de falar sobre sua identificação sobre a equipe italiana e o desejo de voltar a trabalhar lá. Mas qual a possibilidade de isso acontecer já na próxima temporada.

Quando Stefano Pioli substituiu Frank de Boer após o péssimo início de temporada do holandês, assinou um contrato até junho de 2018 - coincidência ou não, a mesma data do fim do compromisso de Simeone com o Atlético de Madrid, após um acordo com a direção colchonera para reduzir a duração.

A Inter encaixou uma sequência positiva com Pioli e, em determinado momento, chegou a sonhar com a classificação para a Champions League. Mas as últimas semanas foram um pesadelo, e os nerazzurri somaram apenas dois pontos nas últimas seis rodadas, passando a lutar apenas pela última vaga na Liga Europa.

Embora o discurso oficial seja de apoio a Pioli, a decisão de demiti-lo no fim da temporada já foi tomada. Presidente do grupo Suning, que comprou a Inter no ano passado, Jindong Zhang quer um nome de ponta no comando da equipe, e está disposto a abrir os cofres para consegui-lo.

Além de Simeone, também se falou na Itália sobre uma tentativa de repatriar Antonio Conte, mas não parece muito provável que o ex-treinador da seleção italiana abandone o Chelsea após uma temporada apenas, provavelmente com o título da Premier League.

E o que faria Simeone antecipar seus planos de dirigir a Inter? Analisamos fatores que podem influenciar na escolha. No lugar do argentino, qual seria sua decisão?

Muita grana
Zhang tem pronto um contrato de 10 milhões de euros para o argentino - e tem margem para aumentar a oferta se for o caso. Em seu atual contrato com o Atlético de Madrid, ele recebe 6 milhões.

Mercado
Simeone teria carta branca e plenos poderes na escolha de reforços, com um possível orçamento de 150 milhões de euros para a próxima temporada. Metade deste valor, por questões de fair-play financeiro, teria de vir de vendas, razão pela qual o clube cogita sacrificar pelo menos um jogador importante, como Perisic.

Fim de um ciclo
Depois de bater na trave em duas finais da Champions, Simeone colocou mais uma vez os colchoneros entre os quatro melhores da Europa. Se a conquista chegar desta vez, ele poderia pensar em sair por cima - como fez Mourinho na própria Inter em 2010. O clube de Milão, aliás, tem em sua história grandes técnicos que ficaram marcados pela predileção por esquemas defensivos. Basta lembrar de Helenio Herrera ou Giovanni Trapattoni.

Multa
A multa contratual é o principal obstáculo. Segundo meios espanhóis, a cláusula de liberação chega a 50 milhões de euros. Naturalmente, caso Simeone venha a público se manifestar pela saída, a Inter poderia tentar negociar o valor. Mas nada indica uma intenção do Atlético de Madrid em facilitar a saída.

Novo estádio
A próxima temporada será a primeira do Atlético de Madrid no estádio Wanda Metropolitano. A nova casa terá capacidade para 67 mil torcedores e marca um momento importante na história do clube, com perspectiva de um crescimento significativo nas receitas. Simeone já declarou em algumas oportunidades que pretende fazer parte deste ano histórico.

Champions
Apesar de toda a identificação de Simeone, interessará retornar num momento em que o time disputará, no máximo, a Liga Europa? Por outro lado, as chances de classificar um time para a Champions serão maiores a partir da temporada 2017/18, quando a Itália terá, a exemplo das ligas inglesa, espanhola e alemã, quatro vagas diretas na fase de grupos.

Aluno conta em redação sobre camisa roubada, e mobilização chega ao clube

Leonardo Bertozzi
Divulgação
Hallfredsson se sensibilizou com história de garoto que teve camisa roubada
Hallfredsson se sensibilizou com história de garoto que teve camisa roubada

A redação de um aluno de escola primária em Údine, na Itália, revelou um triste incidente ocorrido após a goleada de 4 a 1 da Udinese sobre o Palermo, pela Serie A.

O garoto, de 10 anos de idade, contou no texto ter ficado sem uma camisa lançada pelo meio-campista islandês Emil Hallfredsson, por causa da ação de um adulto que a tomou de suas mãos.

"No fim, os jogadores atiravam as camisetas, uma chegou a mim mas um adulto a arrancou da minha mão e depois voltamos para casa", dizia a redação.

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Aluno contou sobre incidente em redação escolar. Professora compartilhou
Aluno contou sobre incidente em redação escolar. Professora compartilhou

Sensibilizada com a desilusão do aluno, a professora Dida Ghini apelou ao poder de mobilização das redes sociais. Não demorou para que o clube tomasse conhecimento do fato. "A camisa chegará", contou a professora em sua conta no Facebook, nesta terça-feira.

Hallfredsson, atualmente concentrado com a seleção islandesa, comunicou seu desejo de encontrar o menino e presenteá-lo pessoalmente com uma camisa autografada.

Monaco e Dortmund goleiam rivais da Champions em uso de jovens

Leonardo Bertozzi
Getty
Mbappé é um dos jovens do Monaco na Champions League
Mbappé é um dos jovens do Monaco na Champions League

Além de colocar frente a frente duas equipes que prezam por um futebol ofensivo, o duelo entre Borussia Dortmund e Monaco se destaca nas quartas-de-final da Champions League por outro motivo. Entre os oito times classificados para esta fase, são os dois que mais dão espaço a jovens na competição.

Em levantamento feito pelo blog com base nos dados oficiais da Uefa (veja tabela abaixo), o Monaco registra o maior número de minutos em campo dos jogadores nascidos a partir de 1994: 2.881. Foram onze atletas diferentes escalados por Leonardo Jardim nas oito partidas até aqui. Lemar, Bernardo Silva e Bakayoko estiveram em campo por mais de 80% do tempo.

O Dortmund vem logo a seguir, com 2.183 minutos, divididos entre seis jogadores sub-23. Weigl, Dembélé e Pulisic são os mais assíduos no elenco dirigido por Thomas Tuchel.

Somadas as duas equipes, o total de minutos é de 5.064, marca que não é alcançada nem somando os outros seis participantes das quartas-de-final. No outro oposto está o duelo entre Juventus e Barcelona, que, juntos, deram 404 minutos em campo aos que terão no máximo 23 anos em 2017: 280 da Juve, 124 do Barça.

A Juve fez história ao colocar em campo o atacante Moise Kean no jogo da fase de grupos contra o Sevilla, fazendo dele o primeiro nascido em 2000 a disputar o torneio. Kean, no entanto, não quebrou o recorde de jogador mais jovem da história da Champions. A marca ainda é do nigeriano Céléstine Babayaro, que atuou pelo Anderlecht aos 16 anos e 87 dias, em 1994.

Fora de Dortmund e Monaco, apenas dois sub-23 jogaram pelo menos metade dos minutos até agora. Ambos são do Atlético de Madrid: o meia Saúl Ñíguez (70,8%) e o zagueiro Giménez (50%). Isso ajuda a fazer do time colchonero o terceiro colocado no ranking, com 1.224 minutos. O adversário Leicester vem logo a seguir, com 725 minutos.

O Real Madrid é o time que escalou menos jogadores nascidos em 1994 ou depois: apenas Kovacic e Asensio, totalizando 336 minutos. No Bayern de Munique, Kimmich, Renato Sanches e Coman já viram o campo nesta Champions, com um agregado de 514 minutos.

Reprodução
Jogadores nascidos a partir de 1994 nas quartas-de-final da Champions
Jogadores nascidos a partir de 1994 nas quartas-de-final da Champions
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