Aluno conta em redação sobre camisa roubada, e mobilização chega ao clube

Leonardo Bertozzi
Divulgação
Hallfredsson se sensibilizou com história de garoto que teve camisa roubada
Hallfredsson se sensibilizou com história de garoto que teve camisa roubada

A redação de um aluno de escola primária em Údine, na Itália, revelou um triste incidente ocorrido após a goleada de 4 a 1 da Udinese sobre o Palermo, pela Serie A.

O garoto, de 10 anos de idade, contou no texto ter ficado sem uma camisa lançada pelo meio-campista islandês Emil Hallfredsson, por causa da ação de um adulto que a tomou de suas mãos.

"No fim, os jogadores atiravam as camisetas, uma chegou a mim mas um adulto a arrancou da minha mão e depois voltamos para casa", dizia a redação.

Reprodução
Aluno contou sobre incidente em redação escolar. Professora compartilhou
Aluno contou sobre incidente em redação escolar. Professora compartilhou

Sensibilizada com a desilusão do aluno, a professora Dida Ghini apelou ao poder de mobilização das redes sociais. Não demorou para que o clube tomasse conhecimento do fato. "A camisa chegará", contou a professora em sua conta no Facebook, nesta terça-feira.

Hallfredsson, atualmente concentrado com a seleção islandesa, comunicou seu desejo de encontrar o menino e presenteá-lo pessoalmente com uma camisa autografada.

Monaco e Dortmund goleiam rivais da Champions em uso de jovens

Leonardo Bertozzi
Getty
Mbappé é um dos jovens do Monaco na Champions League
Mbappé é um dos jovens do Monaco na Champions League

Além de colocar frente a frente duas equipes que prezam por um futebol ofensivo, o duelo entre Borussia Dortmund e Monaco se destaca nas quartas-de-final da Champions League por outro motivo. Entre os oito times classificados para esta fase, são os dois que mais dão espaço a jovens na competição.

Em levantamento feito pelo blog com base nos dados oficiais da Uefa (veja tabela abaixo), o Monaco registra o maior número de minutos em campo dos jogadores nascidos a partir de 1994: 2.881. Foram onze atletas diferentes escalados por Leonardo Jardim nas oito partidas até aqui. Lemar, Bernardo Silva e Bakayoko estiveram em campo por mais de 80% do tempo.

O Dortmund vem logo a seguir, com 2.183 minutos, divididos entre seis jogadores sub-23. Weigl, Dembélé e Pulisic são os mais assíduos no elenco dirigido por Thomas Tuchel.

Somadas as duas equipes, o total de minutos é de 5.064, marca que não é alcançada nem somando os outros seis participantes das quartas-de-final. No outro oposto está o duelo entre Juventus e Barcelona, que, juntos, deram 404 minutos em campo aos que terão no máximo 23 anos em 2017: 280 da Juve, 124 do Barça.

A Juve fez história ao colocar em campo o atacante Moise Kean no jogo da fase de grupos contra o Sevilla, fazendo dele o primeiro nascido em 2000 a disputar o torneio. Kean, no entanto, não quebrou o recorde de jogador mais jovem da história da Champions. A marca ainda é do nigeriano Céléstine Babayaro, que atuou pelo Anderlecht aos 16 anos e 87 dias, em 1994.

Fora de Dortmund e Monaco, apenas dois sub-23 jogaram pelo menos metade dos minutos até agora. Ambos são do Atlético de Madrid: o meia Saúl Ñíguez (70,8%) e o zagueiro Giménez (50%). Isso ajuda a fazer do time colchonero o terceiro colocado no ranking, com 1.224 minutos. O adversário Leicester vem logo a seguir, com 725 minutos.

O Real Madrid é o time que escalou menos jogadores nascidos em 1994 ou depois: apenas Kovacic e Asensio, totalizando 336 minutos. No Bayern de Munique, Kimmich, Renato Sanches e Coman já viram o campo nesta Champions, com um agregado de 514 minutos.

Reprodução
Jogadores nascidos a partir de 1994 nas quartas-de-final da Champions
Jogadores nascidos a partir de 1994 nas quartas-de-final da Champions

O que o tênis e o ABBA têm a ver com as decisões por pênaltis do futuro?

Leonardo Bertozzi
Divulgação
Mamma Mia!
Mamma Mia!

Uma decisão por pênaltis deveria oferecer às duas equipes as mesmas possibilidades de vitória, certo? Não é o que dizem as estatísticas. Estudos mostram que, em média, seis de cada dez definições da marca da cal são vencidas pela equipe que faz a cobrança inicial.

O peso psicológico de cobrar depois e o fato de ser mais improvável que o time que bate em segundo lidere o placar são razões apontadas para o desequilíbrio.

Por isso, a International Board, entidade que controla as regras do futebol, admitiu iniciar discussões sobre um formato mais justo para as decisões por pênaltis. E a inspiração veio dos tie-breaks do tênis: o formato "ABBA".

Nada a ver com o consagrado grupo sueco, autor de grandes hits nos anos 70.

Em vez do formato alternado atual ("ABAB"), cada equipe bateria primeiro em uma série. Na prática, depois da primeira cobrança, os times cobrariam em sequências de dois. Ordem que se manteria nas cobranças extras, se não houvesse um vencedor nas primeiras cinco.

Faz sentido para você?

 

Na decisão, o veterano recordista e o goleiro de seleção que mal jogou em clubes

Leonardo Bertozzi
Divulgação
El-Hadary, 44 anos, pode conquistar seu quinto título pelo Egito
El-Hadary, 44 anos, pode conquistar seu quinto título pelo Egito

O goleiro camaronês Joseph Fabrice Ondoa tinha três meses de vida quando Essam El-Hadary defendeu o Egito pela primeira vez. Neste domingo, eles serão adversários na final da Copa Africana de Nações, no Gabão. Ondoa, 21 anos, é titular de seu país mesmo com experiência quase nula por clubes. El-Hadary, 44, pode conquistar seu quinto título com a seleção e coroar uma campanha marcada por recordes.

A vida de Ondoa começou a mudar aos 13 anos. Um dos beneficiados pela fundação criada em Camarões por Samuel Eto'o, ele se mudou para a Espanha para integrar as categorias de base do Barcelona. Ganhou espaço e fez parte do time sub-19 que conquistou a UEFA Youth League na temporada 2013/14, como um dos destaques do torneio. Aos 17, já estava integrado ao elenco do Barcelona B, que na época jogava a segunda divisão. No entanto, as oportunidades de jogar não apareceram.

Em janeiro de 2016, Ondoa rescindiu contrato e acertou com o Gimnàstic de Tarragona, que o inscreveu no seu segundo time, o Pobla de Mafumet, que disputa a terceira divisão (Segunda B). Lá, jogou suas únicas cinco partidas de clube até hoje. Para a atual temporada, foi novamente emprestado, desta vez ao Sevilla Atlético, time B do Sevilla. Por lá, é reserva.

Se em clubes mal vê o campo, na seleção Ondoa tem boa experiência. Estreou em 2014, aos 18 anos, e já está em sua segunda CAN. Sua frieza debaixo das traves tem rendido elogios e comparações a outros nomes históricos dos Leões Indomáveis, como Thomas N'Kono, Joseph-Antoine Bell e Jacques Songo'o.

Na última rodada da fase de grupos, Ondoa fez uma defesa crucial nos acréscimos para impedir o gol de Didier Ndong que classificaria o Gabão e eliminaria os camaroneses. Nas quartas-de-final, defendeu a cobrança de Sadio Mané e foi decisivo para a eliminação de Senegal nos pênaltis. Com a vitória por 2 a 0 sobre Gana, Camarões garantiu seu lugar na decisão.

O destino deu um pequeno empurrão a El-Hadary em sua sétima participação na CAN. Campeão em 1998, 2006, 2008 e 2010, começou o torneio no banco de reservas, mas teve de entrar logo na estreia contra Mali, quando o titular Ahmed El-Shenawy se lesionou. Dois dias após completar 44 anos, El-Hadary tornou-se o jogador mais velho da história do torneio, superando o compatriota Hossam Hassan, que tinha 39 anos, cinco meses e 24 dias quando disputou sua última partida pela CAN, em 2006.

Mantido como titular nas partidas seguintes, El-Hadary só sofreu um gol no torneio, na semifinal contra Burkina Faso. O tento de Bancé foi o primeiro sofrido pelo goleiro egípcio na competição depois de 653 minutos, outro recorde. A sequência começou em 2010, quando o Egito ganhou seu sétimo título, o terceiro consecutivo. Depois disso, foram três edições sem se classificar.

Com o empate por 1 a 1 na semifinal, a decisão foi para os pênaltis. O Egito saiu em desvantagem, mas El-Hadary defendeu duas cobranças - do goleiro Hervé Koffi e de Bertrand Traoré - para garantir a vaga em mais uma decisão.

O técnico da seleção egípcia é o argentino Héctor Cúper. Conhecido no Brasil por suas desavenças com Ronaldo nos tempos de Internazionale, Cúper levou o Valencia a finais de Champions League em 2000 e 2001. Agora, espera acabar com a fama de ficar no "quase" e levantar o troféu.

Do outro lado está o belga Hugo Broos, que como jogador integrou a forte seleção semifinalista da Copa do Mundo de 1986. Broos foi um dos muitos técnicos que responderam a um processo seletivo anunciado via internet pela federação camaronesa em dezembro de 2015, para substituir o alemão Volker Finke.

A campanha na CAN é considerada surpreendente, após a recusa de sete dos jogadores convocados por Broos. Entre eles, o zagueiro Joel Matip, do Liverpool, e o lateral Allan Nyom, do West Bromwich. Restou um grupo sem grandes estrelas, representado por um nome em ascensão como Ondoa. Bastará para frear o Egito de El-Hadary, invicto há 24 jogos no torneio?

Saberemos no domingo.

Entenda por que o Brasil não será o primeiro do ranking: amistosos mais atrapalham do que ajudam

Leonardo Bertozzi

Antes do amistoso contra a Colômbia, diversos veículos de comunicação falaram sobre a possibilidade de a Seleção Brasileira assumir a liderança do ranking da Fifa. Seja por erro de cálculo ou falta de familiaridade com o sistema de classificação das seleções, importante na realização de sorteios da Copa do Mundo desde as eliminatórias, cometeram um equívoco.

O ranking da Fifa considera resultados de partidas oficiais e amistosas dos últimos 48 meses (4 anos). Têm peso máximo os últimos 12 meses, enquanto os jogos anteriores vão se depreciando (valem 50%, 30% e 20%, contando do ano mais recente ao mais antigo). Porém, a pontuação final não é uma soma, mas uma média por partida disputada em cada um destes intervalos.

O site da Fifa oferece uma ferramenta para projetar os pontos de acordo com os possíveis resultados das seleções em cada mês.

A pontuação de cada jogo depende de alguns fatores:

1) resultado

3 pontos por vitória
2 pontos por vitória nos pênaltis
1 ponto por empate
1 ponto por derrota nos pênaltis
0 ponto por derrota

2) importância do jogo

Peso 1 por amistoso
Peso 2,5 por eliminatória mundial ou continental
Peso 3 por fase final continental ou Copa das Confederações
Peso 4 por Copa do Mundo

3) força do adversário

Quanto melhor o ranking do adversário no momento da partida, maior o multiplicador. A fórmula é 200-X, sendo X o ranking do adversário. Por exemplo, num jogo contra a quinta colocada no ranking, o multiplicador é 195. As seleções de 150º para baixo multiplicam sempre 50.

4) confederação do adversário

Com base no desempenho das confederações nas últimas três Copas do Mundo, foi atribuído a cada uma um coeficiente: Conmebol 1,00, Uefa 0,995, as demais 0,85.

Estes quatro fatores multiplicados correspondem à pontuação total de cada jogo.

Pegando um exemplo prático. Ao vencer a Colômbia por 2 a 1, em Manaus, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, o Brasil totalizou 1477,5 pontos. Multiplicaram-se 3 da vitória, 2,5 da importância do jogo, 197 da força do adversário e 1 da confederação do adversário.

Reprodução FIFA
Pontuação do Brasil em cada jogo oficial da era Tite
Pontuação do Brasil em cada jogo oficial da era Tite

A vitória no amistoso de quarta-feira valeu apenas 582 pontos, resultado da multiplicação de 3 da vitória, 1 da importância do jogo, 194 da força do adversário e 1 da confederação do adversário.

Quando a Fifa publicar sua próxima atualização do ranking, o Brasil terá 1529 pontos - 15 a menos do que em janeiro. O Chile, que participou de um torneio amistoso na China, também verá sua pontuação cair.

Reprodução FIFA
Projeção da pontuação com os jogos de janeiro
Projeção da pontuação com os jogos de janeiro

Não por acaso, algumas seleções têm evitado fazer amistosos nos doze meses prévios a um sorteio. Foi o que fez o País de Gales antes do sorteio das eliminatórias da Copa de 2018.

No ranking de julho de 2015, usado para determinar os potes do sorteio dos grupos da Uefa, Gales ocupava a décima posição, garantindo assim um lugar entre os cabeças-de-chave.

A Romênia, outra cabeça-de-chave, fez apenas um amistoso (vitória por 2 a 0 sobre a Dinamarca) no último ano antes do sorteio.

Reprodução FIFA
País de Gales optou por não fazer amistosos por um ano
País de Gales optou por jogar apenas partidas oficiais em um ano para melhorar seu ranking

A melhor tática para buscar um bom ranking, portanto, é minimizar o número de amistosos, sobretudo aqueles contra seleções inexpressivas. No sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2014, a Itália ficou fora do grupo dos cabeças-de-chave. Nos doze meses que antecederam o ranking de outubro de 2013, fez seis amistosos, incluindo um contra San Marino (4 a 0) e um contra o Haiti (2 a 2). Resultados que ajudaram a deixar a equipe em nono lugar na classificação.

Reprodução FIFA
Itália acumulou amistosos e ficou sem cabeça-de-chave na Copa de 2014
Itália acumulou amistosos e ficou sem cabeça-de-chave na Copa de 2014

Uma distorção que precisa ser corrigida, mas, enquanto existe, exige atenção das federações para a elaboração de seus calendários.

mais postsLoading