Seleção russa segue seu processo de involução

Gustavo Hofman

Era uma vez uma geração promissora comandada por um dos melhores técnico do mundo. Em 2008, a Rússia viveu o melhor momento de seu futebol depois do fim da União Soviética. Com Guus Hiddink, alcançou as semifinais da Eurocopa, foi eliminada pela Espanha e terminou a copetição no terceiro lugar.

O treinador holandês, que assumira o cargo em 2006, promoveu uma revolução, principalmente, na mentalidade do jogador russo ao atacar o comodismo deles em não sair do país. Os jogadores da seleção ficam ricos jogando na Rússia, não precisam deixar suas casas para fazer fortunas. Isso, porém, afeta a competitividade e a própria evolução deles como jogadores.

Com Hiddink, muitos atletas se transferiram para grandes centros posteriormente. Andrey Arshavin foi para o Arsenal, Diniyar Bilyaletdinov acabou contratado pelo Everton, Roman Pavlyuchenko se tornou jogador do Tottenham, Aleksandr Kerzhakov defendeu o Sevilla, Pavel Pogrebnyak foi para o Stuttgart, depois Fulham e Reading... Só que um resultado acabou com toda mudança em curso.

Após ficar na segunda colocação no Grupo 4 das eliminatórias para a Copa do Mundo, atrás apenas da Alemanha, a Rússia encarou a Eslovênia na repescagem como favorita. Venceu na ida, em Moscou, por 2 a 1, mas de maneira desastrosa foi batida na volta por 1 a 0 e ali acabou o sonho do Mundial, e tudo de bom que estava acontecendo no futebol russo.

Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
Golovin foi um dos titulares na seleção russa
Golovin foi um dos titulares na seleção russa

A partir dali, com a saída de Guus Hiddink, erros em série fizeram com que a seleção russa andasse para trás. Dick Advocaat chegou, levou o time à Euro de 2012, venceu um jogo na competição, empatou outro e acabou eliminado na fase de grupos com o decepcionante revés para a Grécia por 1 a 0. Foi embora e deu lugar a Fabio Capello.

Com as ideias burocráticas do italiano e sem qualquer envolvimento com o futebol local, o time seguiu regredindo tecnicamente. Alcançou o Mundial no Brasil, mas deu vexame com um futebol extremamente pobre. Dois empates (Coreia do Sul e Argélia), uma derrota (Bélgica) e mais uma eliminação rápida.

Ao invés de demiti-lo, a Federação Russa seguiu com Capello e só corrigiu o erro em julho de 2015, com a involução em progresso forte. Leonid Slutskiy, um dos técnicos mais vitoriosos do futebol russo na última década, foi chamado e pouco fez. Com sua mentalidade defensiva e pouca capacidade de armar bons ataques, prosseguiu com os vexames.

Pelé quer ver Brasil e Rússia na final da Copa do Mundo de 2018

Na Euro 2016 começou bem, empatando com a Inglaterra, e depois voltou à rotina dos últimos anos com tropeços para Eslováquia e País de Gales. Assim, em agosto do ano passado, completamente perdida nas decisões, a RFU chamou Stanislav Cherchesov para o comando.

Aos 53 anos, o veterano treinador, de longa carreira, jamais conquistou um título na Rússia. Vinha de uma temporada vitoriosa na Polônia, onde ganhou o campeonato nacional e a Copa com o Legia Varsóvia. Foi chamado por, teoricamente, conhecer muito bem o Campeonato Russo e ser capaz de organizar uma seleção competitiva, sem qualquer inovação tática. Faz o feijão com arroz, ou no caso, o borshch.

Disputou nove amistosos, venceu três, empatatou três e perdeu três. Nada apresentou de novo e levou um grupo de 23 jogadores que atuam na Rússia (sinal dos tempos...) para a Copa das Confederações. Incluindo o brasileiro Guilherme, goleiro do Lokomotiv, e com os desfalques de Alan Dzagoev e Artem Dzuba, além de Mário Fernandes. Neste sábado, diante da fraca Nova Zelândia, venceu por 2 a 0 na abertura da competição.

Na fase defensiva os russos marcaram com Dzhikiya, Vasin e Kudryashov formando a linha de três defensores, da direita para a esquerda. Samedov e Zhirkov foram os alas, mas sem a necessidade de recomposição para formar a linha com cinco - isso ocorreu apenas nos momentos em que a seleção recuava muito. Glushakov jogou pelo centro no meio-campo, com Erokhin pela direita e Golovin - maior talento jovem do time - fechado pela esquerda, tendo Smolov e Poloz mais à frente. Na prática, a Rússia marcou em uma variação de 3-5-2 para 5-3-2.

Já na fase ofensiva, Glushakov era a peça-chave na saída de bola, se posicionando à frente de Vasin. Dzhikiya abria pela direita, com Kudryashov fazendo o mesmo pelo outro lado. Erokhin e Golovin tinham liberdado para atuarem como meias, buscando as jogadas com Samedov e Zhirkov. No ataque, Smolov e Poloz se movimentavam bastante. Atacavam sempre com seis jogadores pelo menos e muitas vezes sete.

Empolgada e motivada por jogar em casa, apesar dos muitos lugares vazios nas arquibancadas em São Petersburgo, a Rússia foi para cima da Nova Zelândia e pressionou muito. Criou pelo menos duas boas oportunidades e poderia ter feito o gol. Depois os neozelandeses conseguiram adiantar a marcação e chegou a ser perigosa com lançamentos ou jogadas de bola parada.

O gol saiu aos 31 minutos. A Rússia perdeu a bola e pressionou a Nova Zelândia na intermediária ofensiva. Recuperou a bola e Poloz achou Glushakov na entrada da área, como elemento surpresa, para dar o passe e colocar o meia na cara de Marinovic. O jogador do Spartak Moscou deu um toquinho por cima do goleiro, a bola tocou na trave e Boxall, contra, completou o serviço.

No segundo tempo os russos voltaram com mais ímpeto ofensivo e, acima de tudo, mais velocidade. Poloz foi o grande destaque, aparecendo para finalizar, criando jogadas e abrindo espaço para os companheiros. Algo natural até, diante da fragilidade do adversário. Só que ele foi substituído pelo grandalhão de 1m93 e veterano Bukharov, tirando justamente a movimentação do ataque.

Coube ao bom Smolov tentar algo diferente, e foi justamente em uma jogada toda construída por ele que saiu o segundo gol do jogo. Armou, achou Samedov e apareceu na área para concluir. Depois, Cherchesov sacou Erokhin e colocou em campo o volante Tarasov, fechando o time aos 32 minutos. Smolov deixou o campo no final para ser aplaudido.

Os russos tiveram 57% de posse de bola e finalizaram 17 vezes, contra dez dos neozelandeses. No final das contas, uma vitória magra, simples e com a cara dessa atual seleção russa. Um time comum.

MLS, família e Rocky Balboa: a vida de Ilsinho nos Estados Unidos

Gustavo Hofman
MLS
Esta é a segunda temporada de Ilsinho na MLS com a camisa do Philadelphia Union
Esta é a segunda temporada de Ilsinho na MLS com a camisa do Philadelphia Union

A primeira vez que muitos ouviram falar em Ilsinho foi na época da polêmica saída do Palmeiras e acerto com o São Paulo. De lá para cá ele se consolidou como jogador profissional, jogou por grandes clubes, conquistou títulos importantes, chegou à Seleção, disputou os Jogos Olímpicos, enfim, tem uma carreira muito boa. Tudo isso com apenas 31 anos.

Por ter começado tão jovem, temos a impressão hoje em dia de que se trata de um veterano, e ainda não é o caso. Desde a temporada passada Ilsinho defende o Philadelphia Union, na Major League Soccer. Mais experiente e muito preocupado com o bem estar da família após tantos anos de Ucrânia, onde defendeu o Shakhtar Donetsk, vive um caso de amor à primeira vista com os Estados Unidos.

Nem tanto pelo lado financeiro, como ele deixa claro na entrevista abaixo, mas muito pela situação familiar. Casado e pai de duas crianças pequenas, se adaptou totalmente à vida em Filadélfia, pouco tempo depois de pensar em parar de jogar. Nesta temporada já disputou dez partidas e marcou um gol.

Está com uma vida tranquila nos Estados Unidos?
Fiz uma opção, não apenas para minha carreira, mas para minha vida. Foi um investimento meu a longo prazo, e acredito que foi uma das decisões mais vem acertadas pensando no meu bem estar e da minha família.

E por que essa decisão se tornou tão acertada?
Em 2007, quando recebi a proposta do Shakhtar, ocorreram muitas dúvidas sobre ir ou não ir. Acabei acertando pensando no lado financeiro, única e exclusivamente por isso. Nenhum jogador sai de um grande clube brasileiro para ir à Ucrânia porque é o primeiro degrau para um grande clube europeu. Não, mentira! Foi única e exclusivamente o lado financeiro. Depois, profissionalmente, acabou sendo muito bom porque a gente apareceu no cenário internacional. A gente, no caso, eu e os meninos que estavam lá. Ganhamos um título europeu e isso foi muito bom para nós. Mas depois de quase sete anos na Ucrânia, com dois filhos, comecei a deixar de lado um pouco o lado financeiro e pensar na vida. Precisava pensar no futuro dos meus filhos em um lugar legal, bem, que eu achava que ia ser legal, não conhecia aqui. Só que eu via que era um país que funcionava, e é isso que está acontecendo. As coisas funcionam, o país te dá um suporte, o próprio campeonato é muito melhor do que as pessoas imaginam. Não financeiramente, nesse aspecto nem se compara com as grandes ligas, mas em termos de estrutura não deixa nada a desejar.

Antes de falarmos mais sobre a Major League Soccer, como é a rotina para você e sua família na região de Filadélfia?
Conheço pouco de Filadélfia, fui no centro algumas vezes e na estátua do Rocky. Eu moro em Rose Valley, uma cidade ao lado, perto de onde jogamos e treinamos. Depois de sete anos na Ucrânia, a gente aprende a viver fora do país. Fomos para um lugar de adaptação difícil, tanto no clima como na cultura, e depois vem para os Estados Unidos onde você consegue encontrar tudo... Por exemplo, quando eu ia para a temporada regular na Ucrânia eu tinha que levar comida, um monte de coisa. A facilidade que o país te dá para adaptação, claro, com algumas particularidades... Moro em outra cidade, porque meus filhos só podem estudar perto de onde moramos. Então tive que procurar uma escola boa e perto dela alguma casa para alugar ou comprar, porque eles teriam que ir para essa escola específica da região. Acabei encontrando uma das melhores escolas do estado, pública, e procurei casa nessa área.

Ou seja, vida muito boa e já conheceu a estátua do Rocky Balboa.
Tem que ir! Todo mundo que vem para cá conhecer a cidade quer ir na estátua, na escadaria. O cartão de visitas de Filadélfia é a estátua do Rocky.

E você subiu a escadaria correndo para comemorar no final?
Rapaz, corri atrás do meu filho! Ele subiu correndo e eu fui atrás, mas não comemorei. A escadaria é grande, não é fácil subir correndo!

Sobre a MLS agora. Você está com apenas 31 anos, mas já viveu muita coisa no futebol. Claro que é difícil comparar com outras ligas, mas qual é o nível do futebol jogador hoje nos Estados Unidos?
É difícil avaliar o nível na comparação com outras ligas, mas na cabeça de muita gente existe aquilo de "ah, vai para os Estados Unidos, lá é fácil"... Não é. É difícil, eles se preparam muito, adoram treinar, têm uma parte física muito forte. Os clubes... Não sei se é a palavra certa que vou usar, mas os clube estão se profissionalizando. Buscando trabalhos para melhorar, tanto dentro como fora de campo. O nível do ano passado, quando cheguei, para este já melhorou muito. Os times que estavam na parte de baixo da tabela já estão em cima. Aqui não há um grande time, lógico que existem um ou dois favoritos, mas não há aquele jogo tranquilo. Em casa ou fora, todo jogo é uma história diferente, todo time aqui tem pelo menos dois ou três jogadores de muita qualidade. Alguns conhecidos, outros não, mas é uma liga que está se estruturando e investindo para isso. Os jogos são muito disputados, do primeiro ao último minuto, exigem muito da parte física. O bom jogador tecnicamente, que esteja com boa condição física, consegue se sobressair aqui. Mas repito, é difícil jogar aqui.

Após tantos anos de carreira, como você se sente como jogador atualmente?
Acredito que, com 31 anos, adquiri uma consciência que, se eu a tivesse com 25, estaria muito melhor. Mas, antes tarde do que nunca... Eu aprendi como meu corpo funciona, estou me cuidando mais, fisicamente é uma das melhores formas que eu já atingi na carreira. Vim para cá pensando na minha família, mas como profissional estou me cuidando muito. Como diria meu pai, estou procurando ficar na ponta dos cacos! Se surgir uma oportunidade, para dcar sequência aqui, nesse investimento que fiz, poder melhorar e crescer. Mas em relação a minha parte profissional, acho que nunca estive tão bem.

Você assinou na temporada passada um contrato de dois anos. A intenção é permanecer nos Estados Unidos por muito tempo?
Como profissional, tenho que ficar sempre aberto a boas ofertas, mas a ideia principal sim, é ficar aqui. Terminar minha carreira aqui e dar sequência na minha vida aqui, ficar com meus filhos. Oferecer a eles oportunidades, sei que vai ser muito bom para eles. Mas nunca sabemos o dia de amanhã.

Conseguiu passear nas férias com eles? E a adaptação das crianças na escola?
Temporada aqui é como no Brasil, começa e termina durante o ano. Só que a temporada escolar é como na Europa, então quando minha filha está de férias eu estou jogando, e quando eu estou de férias ela está no meio da temporada. Nesse ano não devo nem conseguir ir para o Brasil, por causa da escola. No ano passado recebemos uma carta da Côrte, nos chamando para comparecer, porque ela ficou muitos dias longe da escola. Aqui, se a criança não aparece na escola por três dias seguidos a polícia vem saber o que está acontecendo. Com dez meses de escola minha filha já fala inglês melhor que eu, e ela não falava nada. Conseguia um pouco de russo, que aprendeu com a mulher que nos ajudava em casa na Ucrânia, mas fez três meses em uma escola bilíngue no Brasil e só. Digamos que chegou aqui apenas não estranhando as palavras. O tamanho do vocabulário que ela adquiriu... Ela está nos ajudando a explicar algumas coisas para o pediatra!

E na parte tática, como está a MLS hoje em dia na sua opinião? Comentando os jogos, vejo alguns times bem organizados e outros totalmente espalhados em campo.
Taticamente varia de equipe para equipe, principalmente de treinador para treinador. Vamos dividir a MLS, taticamente, em escola americane e escola latina, digamos assim. Só que eles procuram trazer treinadores latinos, com experiência europeia. Esse tipo de treinador, que vem de fora, consegue trazer algumas ideias novas. Se ele tive na mão um time bom, jogadores que consigam fazer o que ele quer, ele consegue com que isso funcione dentro de campo. A escola americana, dependendo do jogo que a gente vê, percebe que é totalmente diferente, aquela correria desenfreada. Bola nos wingers, sempre profundo, cruzamento na área, aquele mecanizado. E dependendo, se for um treinador latino contra um americano, o jogo vai parecer estranho ou você vai achar que um time é muito melhor do que o outro. Não, é puramente o esquema tático que o treinador usa. Os técnicos que vêm de fora priorizam muito a posse de bola, ficam com a bola até criarem espaço. Particularmente é o futebol que eu gosto ou que aprendi a jogar e gostar. Quando você vê um time de um treinador americano com a maioria de jogadores norte-americanos, vai acontecer o passe longo, pressão, contra-ataque e bola nos pontas. É muito nítido isso pra mim, a diferença da escola americana para a escola estrangeira.

Você virou meia-atacante de vez?
Eu vim para fazer teste. Fiquei duas semanas, estava seis meses parado no Brasil. Falaram comigo "pô, a gente gosta de você, mas não sabe como está. Quer vir para cá e ficar treinando duas semanas"? Vim, fiquei e aí me colocaram como meia de criação, um camisa 10. Joguei algumas partidas assim no começo do ano passado, mas depois virei como winger, aberto pela ponta direita. Terminei a temporada passada e comecei esta assim, só que há alguns jogos voltei a ser o camisa 10, meia centralizado, perto do atacante. Enfim, correndo aqui está dentro.

E como você foi parar na MLS? Como surgiu a oportunidade desse teste no Union?
Acabou meu contrato com o Shakhtar e eu voltei para o Brasil. Meu filho tinha acabado de nascer e depois de muito tempo longe, quis ficar um tempo com minha família. Para ser bem sincero, já não estava muito a fim de jogar bola, estava meio desgostoso, mas minha mulher falava que eu tinha que treinar. Recebi algumas propostas do Brasil, não tão atraentes, como aqueles contratos de risco, se eu jogar eu recebo... Não gostei muito, preferi ficar parado e conversando com meu agente na época, ele me disse "escolhe um lugar para você voltar a jogar". Então me leva para os Estados Unidos, tenta arrumar alguma coisa pra mim lá! Ele falou "ó, parta do princípio que a realidade que você tinha na Ucrânia é completamente diferente dos Estados Unidos. Tudo bem?" Sim, se eu estou pedindo! "Então beleza, vou procurar alguma coisa para você lá". Aí ele me falou que, como eu estava há seis meses parado, sem clube, e o pessoal pode achar que você estava machucado, vão querer que você fique em treinamento, não teste, mas para ver sua real condição. Aceitei sem problema algum. O Philadelphia cedeu espaço, vim para cá, fiquei duas semanas, conversamos e eu sabia que, financeiramente, não seria muito atrativo. Mas sabia que era algo que poderia melhorar com o tempo e também pensando em morar nos Estados Unidos*. Aqui dá para viver muito bem.

*Na MLS os salários dos atletas são divulgados porque existe o teto salarial (salary cap): Ilsinho receberá US$ $518.333,00 nesta temporada

Saiba como estão os 12 estádios da Copa do Mundo de 2018 a um ano do evento

Gustavo Hofman
A Copa vem aí! Gustavo Hofman fala sobre as curiosidades do idioma russo

Prontos, atrasados, adiantados, com escândalos, com problemas... Não há um padrão para os 12 estádios da Copa do Mundo de 2018 a um ano do grande evento. No próximo sábado começa a Copa das Confederações, e quatro já serão testados.

Em 30 de janeiro, publiquei matéria sobre a preparação russa faltando 500 dias - com mais dados estatísticos de cada uma das sedes. O tempo passou e o o atual panorama de cada uma das 11 cidades que receberão os jogos do Mundial está mais abaixo, com comentários do jornalista Grigory Telingater, do site Championat.com e correspondente da ESPN na Rússia.

"Acho que teremos menos problemas com estádios na comparação com o Brasil. Bem ao estilo russo: gastar mais do que o necessário. A mesma coisa aconteceu nas Olimpíadas de Inverno em Sochi 2014. Todos querem um Mundial bom, inclusive o presidente do país, Vladimir Putin, que pensa na imagem e no prestígio mundial dele com uma boa competição", afirma Telingater, que trabalhou na cobertura da Copa no Brasil.

Em 14 de junho de 2018, a seleção russa entrará em campo no estádio Luzhniki, na capital, contra adversário ainda a ser definido.

Passeio pela Rússia! Hofman mostra em detalhes os estádios da Copa; hoje teve até incêndio em um deles

MOSCOU
Luzhniki e Otkrytiye Arena: prontos

"Estão prontos, podem receber o Mundial amanhã. Tudo está feito, tranquilo".

SÃO PETERSBURGO

Krestovsky: pronto

"Só a Copa dos Confederações vai demonstrar realmente, porque o estádio está pronto, o Zenit já disputou duas partidas lá, mas existem problemas em quase tudo: quase 10 anos de construção; Mortes de trabalhadores; Duas greves; Fogo durante a construção; Inundação; Telhado quebrado pelo vento; Fraude; Investigações e denúncias; Dinheiro desviado de escolas e hospitais; Campo superaquecido; Mudanças dos setores VIP e possíveis outras futuras".

KAZAN

Kazan Arena: pronto

"O estádio está pronto, praticamente, desde a Universíada de 2013".

SOCHI

Estádio Olímpico Fisht: pronto

"Pronto, mas tem problemas nos lugares temporários atrás do gol. A Fifa pediu melhorias. Eu já fiquei lá e é bastante perigoso. Se você deixar cair o celular entre as pernas, nunca mais vai achá-lo porque há muito espaço entre os degraus".

Sovsport
Arquibancadas temporários no estádio Olímpico de Sochi
Arquibancadas temporários no estádio Olímpico de Sochi

ROSTOV-ON-DON

Rostov Arena: deve ser entregue neste ano

"No ano passado o Comitê Organizador afirmou que a construção estava mais rápida que o planejado; Em 7 de junho deste ano anunciaram que 80% das obras estavam prontas".

KALININGRADO

Estádio Kaliningrado: será entregue somente em 2018

"Em 2015 e 2016 já esperávamos muitos problemas aqui, porque é um lugar muito difícil, em uma ilha, quase na água e com o rio dos dois lados. No início foi dito que estaria pronto em novembro de 2017, mas agora anunciaram que isso vai acontecer só no ano que vem. Ninguém chama isso de atraso lá..."

NIZHNY NOVGOROD

Estádio Nizhny Novgorod: previsão de entrega para dezembro

"Tudo tranquilo. Preparam o campo atualmente".

VOLVOGRADO

Arena Volvogrado: previsão de entrega para novembro

"Situação um pouco pior aqui. Trabalham para fazer o telhado ainda"

Atualização, 14/jun, 12h: na manhã desta quarta-feira, houve um incêndio de grandes proporções em uma área onde estão localizados alguns aquecedores e um depósito de isopor. O fogo foi controlado pelos bombeiros e não houve feridos.

ECATERIMBURGO

Estádio Central: expectativa para este ano

"Reforma total, um estádio velho teve que se tornar novo. O prefeito da cidade, inclusive, queria construir outro, disse que seria mais barato, mas a decisão não foi essa. Tudo mais ou menos ok".

SAMARA

Arena Cosmos: somente em 2018

"Em maio de 2016 foi confirmado o atrado das obras. Exatamente um ano depois, anunciaram que a construção voltou ao cronograma planejado".

SARANSK

Arena Cosmos: somente em 2018

"É estranho Saransk estar na Copa. Todo mundo esperava Krasnodar, afinal já tem um estádio privado, bonito e pronto, e a cidade é muito mais confortável. Vitaliy Mutko (presidente da Federação Russa) explicou que nesta região há Sochi, e que a ideia era deixar o Mundial em diferentes regiões. Então por que duas arenas em Moscou? Não faz sentido."

A complicada e hipócrita relação entre futebol e política na Copa

Gustavo Hofman

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito romperam relações diplomáticas com o Catar nesta segunda-feira. As nações árabes alegaram cooperação dos cataris com grupos terroristas, como Al-Qaeda e Estado Islâmico, além da Irmandade Muçulmana, considerada terrorista em alguns lugares. Doha rechaçou a acusação, classificando-a como "injustificável" e "sem fundamento". Trata-se da maior crise política entre os fundadores do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) desde a fundação da entidade, em 1981.

Imediatamente a notícia repercutiu no futebol, afinal, o Catar será sede da Copa do Mundo de 2022. A Fifa garantiu estar "em contato de forma regular com o Comitê Organizador Local e com o Comitê Supremo de Entrega e Legado sobre assuntos relacionados com a Copa do Mundo". Comunicado diplomático.

Coube à DFB, Federação Alemã de Futebol, criar polêmica através de seu presidente, Reinhard Grindel.

"Nós vamos conversar sobre a nova e complexa situação política na região, especialmente no Catar, com o governo federal. Nesses assuntos, estaremos obviamente em contato próximo com a Uefa", afirmou. "Ainda temos cinco anos pela frente até a Copa do Mundo começar. Nesse intervalo, a prioridade tem de ser dada mais para soluções políticas do que para ameaças de boicote. Mas uma coisa é clara: a comunidade do futebol ao redor mundo deve concordar que grandes competições não devem ser disputadas em países que apoiam ativamente o terrorismo", finalizou o dirigente, que também faz parte do Conselho da Fifa.

A escolha pelo Catar está coberta de suspeitas de corrupção desde sempre. As construções dos estádios estão manchadas com o sangue de trabalhadores nepaleses, indianos, bangladenses e srilanqueses. A Anistia Internacional estima em mais de mil mortos desde o início das obras em 2011. Não há dúvidas sobre os abusos cometidos contra esses imigrantes, que correspondem a 70% da população local. O companheiro Jamil Chade publicou matéria em 2016 evidenciando a degradação.

Matthew Ashton/AMA/Getty Images)
Em novembro de 2016, o Estádio Internacional Khalifa ainda estava apenas no esqueleto
Em novembro de 2016, o Estádio Internacional Khalifa ainda estava apenas no esqueleto
Qatar 2022 via Getty Images
Estádio Khalifa Catar Lançamento 18/05/2017
Poucos meses depois, foi inaugurado já para o Mundial

Depois do anúncio das nações árabes, Líbia, Iêmem e Maldivas também suspenderam as relações diplomáticas com o Catar. Na prática, os cidadãos cataris têm duas semanas para deixar esses países. Grandes companhias aéreas como Emirates e Ettihad suspenderam voos para e de Doha. Enquanto a Al Jazeera, maior conglomerado de mídia do Oriente Médio e baseado no Catar, teve suas atividades proibidas nesses países já há algum tempo.

Lendo com atenção as palavras proferidas pelo máximo mandatário da DFB, algumas chamam atenção. Recuperemos uma frase específica: "a comunidade do futebol ao redor mundo deve concordar que grandes competições não devem ser disputadas em países que apoiam ativamente o terrorismo". Ok, manifestação válida e politicamente correta. No entanto, essas ideias são praticadas pela "comunidade do futebol"? As já citadas mortes dos trabalhadores não são suficientemente importantes para uma declaração similar?

Vamos mais além. A supressão de direitos humanos não é algo válido para manifestações da "comunidade do futebol"? Abaixo, está apenas a introdução à Arábia Saudita no último relatório da Anistia Internacional sobre o estado dos direitos humanos no mundo.

As autoridades restringiram com rigor os direitos à liberdade de expressão, de associação e de reunião, detendo e aprisionando sob acusações vagas os críticos, defensores e defensoras dos direitos humanos e ativistas de direitos das minorias. Torturas e outros maus tratos aos detidos continuaram comuns, especialmente durante interrogatório, e os tribunais continuaram a aceitar 'confissões' obtidas por meio de tortura para ondenar os réus em julgamentos injustos. Mulheres enfrentaram discriminação na lei e na prática, e não foram protegidas contra a violência sexual e outros tipos de violência de forma adequada. As autoridades continuaram a prender, deter e deportar os migrantes em situação irregular. Tribunais impuseram muitas penas de morte, inclusive para crimes não violentos e contra menores em conflito com a lei; dezenas de execuções foram realizadas. No Iêmen, forças de coalizão lideradas pela Arábia Saudita cometeram violações graves do direito internacional, incluindo crimes de guerra.

Os sauditas podem não receber grandes competições, mas fazem costumeiramente parte delas. Incluindo em jogos contra a própria Alemanha.

Acima de palavras jogadas ao vento, há interesses político. Há muito tempo a DFB age nos bastidores para tirar a Copa de 2022 do Catar. Como está bem evidente, motivos existem aos montes, só que no jogo da política internacional, nem toda jogada é válida. A dor parece ser seletiva para alguns.

Algumas boas histórias da final entre Juventus e Real Madrid pela Uefa Champions League

Gustavo Hofman
Martin Rickett/PA Images/Getty
Cristiano Ronaldo treina antes da decisão da Champions League
Cristiano Ronaldo treina antes da final da Champions League

Pela 19ª vez Juventus e Real Madrid vão se enfrentar pela principal competição de clubes do planeta. Desde os tempos de Copa dos Campeões da Europa até a era moderna como Uefa Champions League, dois dos maiores clubes mundiais têm travado batalhas épicas.

A maior delas, até hoje, foi a decisão de 1998, vencida pelos merengues com o histórico gol de Predrag Mijatovic, em Amsterdã. Neste sábado, em Cardiff, colocarão a liderança no confronto em jogo, já que cada um tem oito vitórias.

A Juve vai em busca da inédita tríplice coroa em sua história. A Vecchia Signora jamais venceu o campeonato nacional, a copa do país e a Champions League na mesma temporada, algo já alcançado por outros oito clubes. Pode ser, além disso, a sétima campeã invicta desde 1992-93.

Enquanto isso, o Real tentará o bicampeonato da competição, algo que não acontece desde o Milan em 1988-89 e 89-90. O último time que chegou novamente na final para defender o título foi o Manchester United, em 2009, batido pelo Barcelona.

Marco Bertorello/AFP/Getty
Buffon treina para a decisão da Champions League
Buffon treina para a decisão da Champions League

Entre os jogadores, Gianluigi Buffon quebrará um recorde se for campeão: aos 39 anos e 126 dias, será o jogador mais velho a levantar a taça, deixando para trás outra lenda italiana, Paolo Maldini (38 anos e 331 dias).

Já Cristiano Ronaldo, que marcou em cada um dos quatro jogos contra o goleiro da Juve, e Sergio Ramos podem se igualar a Alfredo di Stéfano como únicos a marcar em três finais. No caso deles, dois para cada lado, enquanto o argentino e Ferenc Puskás marcaram sete cada e são os artilheiros históricos do grande jogo.

Há curiosidades mais brandas também, como a que Gareth Bale pode atingir. Se vencer, será o sexto na história a comemorar na cidade onde nasceu. Os outros foram Nicolas Anelka (2000, Paris), Angelo di Livio (1996, Roma), Alex Stepney (1968, Londres) e Miguel Muñoz e Enrique Mateos (1957, Madri).

Algumas boas histórias, que aumentam ainda mais o tamanho dessa final.

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