Nunca os jogadores da base tiveram tão pouco espaço na Europa

Gustavo Hofman

ESPN
Harry Kane é formado na base do Tottenham
Harry Kane é formado na base do Tottenham

O índice de jogadores formados na base e presentes no elenco do time principal atingiu a menor marca histórica neste ano na Europa. Apenas 18.5% dos atletas na primeira divisão de 31 países tiveram a formação no time atual. Por outro lado, o número de expatriados é de 39.7% dos elencos, formados em média por 44.8% de contratações.

As estatísticas foram levantadas pelo CIES Football Observatory, centro de estudos do futebol localizado na Suíça, e divulgados nesta semana. Foram analisados 11812 jogadores de 466 times de elite e seus elencos em 1º de outubro. São considerados jogadores da base aqueles que passaram, pelo menos, três temporadas no clube entre 15 e 21 anos. Expatriados são aqueles que tiveram a formação em outro país de onde estão, o que os difere de imigrantes - logo, nem todo estrangeiro pode ser considerado um expatriado neste estudo.

Em 2009, ano em que o CIES iniciou esse levantamento demográfico, 23.2% dos elencos eram compostos por atletas da base - são oito anos consecutivos de queda. Já o número de expatriados era de 34.7% e de contratações por temporada de 36.7%.

São dados que comprovam e evidenciam a mercantilização do futebol. Cada vez mais os clubes buscam reforços no mercado, ao invés de trabalharem a formação de novos valores. Ao mesmo tempo que empresários e investidores têm entrado com mais frequência no mercado futebolístico e levado as negociações a quantias inimagináveis há poucos meses.

Mais e menos

Em média, os clubes dos 31 campeonatos de primeira divisão analisados têm 25.3 jogadores no elenco. A Croácia, com 27.5, e a Holanda, com 22.8, ocupam os extremos do ranking.

Quando o assunto é aproveitamento nos elencos de jogadores da base, não há país melhor na Europa para se jogar do que a Eslováquia, onde 33.4% dos plantéis são compostos por atletas oriundos das categorias menores. Na outra ponta aparece o Campeonato Turco, com baixíssimo índice de 6.8%.

Nas grandes ligas, dados bastante diferentes. Portugal e Itália, por exemplo, ocupam penúltima e antepenúltima posições, com 8.4& e 8.9%, respectivamente. Os ingleses aparecem pouco acima com 10.3% e os alemães com 14.1%. França e Espanha dão mais oportunidades e apresentam 18.1% e 22.8%, cada uma.

Em relação aos expatriados, não surpreendentemente pelos dados colocados acima, a Turquia tem a liderança com incríveis 65.6%, seguida de perto pelo Chipre com 65.3%. Sérvia e Ucrânia, 17.1% e 19.1%, aparecem na outra ponta. Entre os campeonatos mais fortes, a Premier League mostra sua globalizalização com 59% de seus jogadores expatriados. Já França e Espanha têm índices bem menores, com 35.9% e 39.2%.

Por fim, os portugueses são os mais agitados no mercado. Cada clube da primeira divisão, em média, contratou 57.6% do elenco atual: ninguém supera essa marca na temporada. Por outro lado, os alemães são quem menos contratam para formar o plantel, com média de 30.9%.

A conclusão possível, além do evidenciamento da mercantilização já citado, se refere à preocupação necessária com o desenvolvimento sustentável de alguns países. O estudo cita também o receio sobre "até onde vai esse processo", algo impossível de saber. No entanto, os valores gastos na última janela de transferências demonstram que é um movimento praticamente incontrolável. 

O estudo completo está disponível neste link. Abaixo estão algumas tabelas do relatório.

CIES Football Observatory
Dados do CIES sobre a base na Europa
Dados do CIES sobre a base na Europa

CIES Football Observatory
Dados do CIES sobre atletas expatriados
Dados do CIES sobre atletas expatriados

CIES Football Observatory
Dados do CIES sobre contratações na Europa
Dados do CIES sobre contratações na Europa

Problema com o Departamento do Tesouro dos EUA pode tirar ídolo mexicano da Copa

Gustavo Hofman

EFE
Rafa Márquez defende o Atlas atualmente
Rafa Márquez defende o Atlas atualmente

Rafael Márquez é um dos jogadores mexicanos mais conhecidos de todos os tempos. Aos 38 anos, o zagueiro e volante defende o Atlas, clube que o revelou, desde o ano passado, após longa carreira na Europa com as camisas de Monaco e Barcelona, além de uma temporada com o Hellas Verona. Teve ainda passagem pelo New York Red Bulls, na Major League Soccer.

Sempre foi um jogador bastante técnico e com boa cobrança de falta. Nunca foi o zagueiro que imaginava ser, mas era bom jogador. Ainda é, na verdade, tanto é que Juan Carlos Osorio o levou para a última Copa das Confederações. Márquez já esteve em quatro Copas do Mundo, e nas quatro como capitão da seleção mexicana. Se viajar para a Rússia em 2018 e for escolhido para usar a braçadeira, será o primeiro jogador da história a ser capitão de um time em cinco Mundiais.

O problema para o veterano é que a decisão sobre sua convocação pode não ser apenas técnica e tática. Rafa Márquez foi formalmente acusado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de ligação com o tráfico de drogas.

A investigação foi divulgada em 9 de agosto e indiciou 22 mexicanos e 43 entidades. O jogador do Atlas negou as acusações, se afastou imediatamente dos gramados e iniciou sua defesa. Conseguiu o desbloqueio de algumas contas ligadas a suas empresas e na última quarta-feira, em jogo válido pela Copa do México contra o Chivas, ele voltou a ser relacionado após mais de dois meses. Neste sábado, pelo Campeonato Mexicano, voltou a jogar 90 minutos no empate em 2 a 2 com o Querétaro.

Há questões legais e políticas que complicam a vida de Rafael Márquez pelos problemas com a justiça norte-americana. A seleção mexicana tem quatro amistosos marcados para acontecerem nos Estados Unidos em 2018, e o jogador está proibido de entrar no país. Juan Carlos Osorio afirmou na última quinta, em entrevista à Rádio Marca, que o experiente defensor não está fora dos planos para a Copa.

"Para esta convocação não será chamado por não preencher o requisito de estar treinando. Esteve afastado dos gramados, mas no futuro pode ser levado em conta", afirmou o treinador, se referindo inicialmente à lista de atletas para os jogos contra Bélgica e Polônia nos próximos dias 10 e 13 de novembro.

A Federação Mexicana tem os amistosos organizados por uma empresa norte-americana e patrocinadores dos Estados Unidos também, como a Coca Cola. Segundo fontes ouvidas pela ESPN no México, a convocação de Márquez foi discutida internamente, mas descartada por poder gerar conflitos comerciais com essas companhias, já que os pagamentos correriam risco de suspensão.

Na sexta-feira, em contato com a ESPN, o advogado do jogador tentou esclarecer a situação, afirmando que o Atlas também recebe dinheiro de empresas norte-americanas, via direitos de transmissão. "É necessário conversar com as pessaos da Federação Mexicana para que entendam isso e não misturar as coisas com os patrocinadores. Na minha consideração, ele pode jogar pela Seleção e ir ao Mundial", garantiu.

Em agosto, quando o Departamento do Tesouro dos EUA divulgou a história, Atlas e FMF declararam apoio ao atleta. Ao não descartá-lo, Osorio também presta solidariedade. Terá que esperar a Justiça.

Brasil, decime qué se siente

Gustavo Hofman

Gustavo Hofman: 'O Brasil teve o controle de todo o jogo, o Chile pouco ameaçou no segundo tempo'

A pressão que existia naquela tarde de primeiro de setembro, em Quito, era enorme. A Seleção Brasileira estava fora da zona de classificação para a Copa do Mundo e tinha um adversário difícil, colocado à frente na tabela e sem perder para o Brasil em casa há 33 anos. Tite estreava e ainda promovia Gabriel Jesus ao posto de atacante principal. A vitória por 3 a 0 foi convincente e deu início a uma revolução necessária na equipe após a segunda passagem de Dunga.

Faço questão de ressaltar e lembrar os primeiros passos, porque tudo que aconteceu de lá para cá foi impressionante.

Rapidamente o time ganhou padrão tático e uma formação titular, que teve uma única mudança na troca de Willian por Philippe Coutinho. Recuperou a confiança própria e da torcida; Potencializou o talento de seus principais jogadores, como Neymar e Philippe Coutinho, e voltou a ser uma das favoritas ao título mundial.

Agora, naturalmente, a cobrança mudou. Os adversários já conhecem o jeito dessa equipe jogar, logo, alternativas são necessárias e já existem. Variações de posicionamento de alguns atletas e mudanças táticas também: 4-1-4-1 para 4-2-3-1, com Willian de volta e Coutinho por dentro; Casemiro e Fernandinho jogando juntos, deixando o meio mais marcador; Roberto Firmino como atacante central ou pelos lados; Renato Augusto e Paulinho invertendo os lados.

Contra o Chile, muita gente esperava mais testes. Na coletiva, Tite deixou clara sua ideia (e dilema): testar ou fortalecer? Ele optou pela segunda resposta, e acerta na minha opinião, justamente por não ter o grupo fechado e, a cada jogo, sem mudar tanto a estrutura, buscar opções como as mostradas no parágrafo acima. É o suficiente? Lógico que não, mas não há tempo para fazer tudo isso.

São apenas mais duas convocações e quatro amistosos (seis substituições possíveis em cada) até a definição do grupo que irá ao Mundial. Contra os chilenos, Ederson foi tranquilo e seguro. Dificilmente perderá uma das três vagas, até por jogar regularmente (e bem) pelo Manchester City. Alex Sandro é muito bom lateral, muito bom mesmo - e todos que assistem o Campeonato Italiano confirmam isso nas partidas da Juventus. Está, definitivamente, na briga com Filipe Luís para ser reserva do melhor lateral-esquerdo do mundo.

É curioso que há um paradigma no tempo em relação ao início da Copa: é curto para a preparação da Seleção, por ter uma comissão técnica nova, mas é longo para os jogadores, que terão toda temporada europeia e também a brasileira pela frente. Por isso muita coisa ainda pode acontecer, para o bem e para o mal para os atletas.

Tite ressalta muito a observação dos jogadores no dia a dia de seus clubes e, quando convocados, na Seleção. O trabalho conduzido pela comissão técnica é fundamental para isso.

Getty
Tite durante o jogo contra o Chile
Tite durante o jogo contra o Chile

Cada vez mais tenho a convicção que o treinador em modalidades coletivas é um gestor de pessoas, e não me refiro apenas aos atletas, e sim a todo grupo de trabalho. Em recente conversa que tive com o treinador do basquete do Flamengo, José Neto, ele me apontou pontos importantes observados durante período passado com a seleção norte-americana de basquete: grande número de profissionais trabalhando com os jogadores. Na prática, descentralização, e é o que Tite faz. Ele toma as decisões, mas baseadas em enorme trabalho de todos da comissão técnica, além do seu próprio conhecimento.

Ainda existem dúvidas sobre a Seleção Brasileira. Não apenas na lista final de atletas, mas no próprio desempenho, que tem sido o ponto forte desse time. Contra adversários sul-americanos, o Brasil sobrou, mas contra os fortes da Europa? Alemanha e França são as outras favoritas ao título da Copa. Destaco o crescimento da Espanha nos últimos jogos. Jorge Sampaoli vai deixar a Argentina mais competitiva até lá. Enfim, o trabalho continua e segue árduo.

Há ainda Neymar. Desde que ele se tornou jogador do Paris Saint-Germain, seu desempenho na Seleção ficou mais individualista. Sim, deu a assistência para o Gabriel contra o Chile, mas fez um primeiro tempo em que ele segurou demais a bola, assim como fora contra a Colômbia. Ponto a ser trabalhado em Paris e em Brasília (apenas uma figura de linguagem).

Obviamente, o Brasil não pode se acomodar. Basta olhar para erros em preparações anteriores a Mundiais e constatar equívocos básicos, como fechamento de grupo muito cedo, oba-oba de parte da imprensa e da torcida, além da velha e traiçoeira soberba. Sinceramente, não acho que vá acontecer com essa Seleção, assim como isso não garante título. De qualquer modo, é muito bom perceber que os jogos do Brasil voltaram a ser prazerosos. Essa é uma grande conquista.

Em 2014, o Decime qué se siente fez sucesso nas arquibancadas. Se cantassem para mim agora, eu diria que me sinto muito bem com a Seleção Brasileira.

O choro de tristeza e de alegria que tomou conta da Costa Rica

Gustavo Hofman

Assista aos gols de Costa Rica 1 x 1 Honduras

As duas notícias mais lidas no site do jornal La Nación neste sábado à noite mostram a mistura de sentimentos que a Costa Rica vive.

'Daños de tormenta Nate en vías son de proporciones titánicas'
Kendall Waston revive a la 'Sele' y Costa Rica festeja el pase al Mundial

Onze pessoas morreram e muitas estão desaparecidas por causa da passagem da tormenta tropical Nate pelo país, que ainda teve suas principais rodovias seriamente danificadas. Justamente por causa desse desastre natural, o jogo entre a seleção costarriquenha e Honduras foi adiado de sexta para sábado, e terminou com a classificação dos Ticos.


Com o Estádio Nacional, na capital San José, lotado, a torcida viu os hondurenhos abrirem o placar aos 21 minutos do segundo tempo, com Gabriel Hernández. Placar justo até então, mas insuficiente para confirmar a classificação da Costa Rica para a Copa do Mundo. Coube a Kendall Waston de maneira dramática, aos 50 minutos, fazer o gol que levará pela quinta vez a Costa Rica a um Mundial.

O passaporte para a Rússia já estava praticamente carimbado com a goleada dos Estados Unidos na noite anterior por 4 a 0, mas a confirmação oficial sempre merece atenção especial. Tanto é que os jogadores "responsáveis" pelas outras classificações foram lembrados, casos de Pastor Fernández (1990), Rolando Fonseca (2002), Paulo César Wanchope e Carlos Hernández (2006) e Rándall Brenes (2014).

Curioso que, desta vez, houve para a imprensa costarriquenha clima de vingança no ar. O treinador de Honduras é o colombiano Jorge Luis Pinto, justamente o comandante da espetacular campanha da Copa no Brasil, quando a Costa Rica caiu apenas nas quartas de final, nos pênaltis para a Holanda. Ele optou há três anos por não levar o zagueiro Waston para o Mundial, mas o próprio jogador fez questão de afastar qualquer revanchismo.

"Não é vingança, nem revanche, muitos falam que havia uma revanche contra o José Luis Pinto ou não. Na realidade, eu assumo minha responsabilidade de que talvez, naquele momento, não dei tudo que teria que dar, então não é uma revanche", disse depois do jogo, em plena festa e fazendo rara mea-culpa, o defensor do Vancouver Whitecaps, da Major League Soccer.

Obviamente, quem foi atingido gravemente pela tempestade ou perdeu um ente querido não parou para celebrar a classificação. Segundo dados oficiais do Governo, cerca de sete mil pessoas estão desabrigadas, 500 mil sem abastecimento de água potável e 18 mil sem energia.

Mesmo assim, em albergues espalhados pelo interior do país, famílias se reuniram para acompanhar a partida. Matéria do La Nación mostra os exemplos de Santa Cruz de Guanacaste e Ciudad Cortés, em que o futebol foi mais uma vez capaz de levar momentos de alegria, apesar de toda dor ao redor.

O que devemos observar nos dois próximos jogos da Seleção

Gustavo Hofman

Mowa Press
Tite não fala em grupo fechado, mas tem boa base definida
Tite não fala em grupo fechado, mas tem boa base definida

Nesta segunda-feira começou a penúltima semana da Seleção Brasileira nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Na quinta enfrenta a Bolívia em La Paz e cinco dias depois encara o Chile, no Allianz Parque, em São Paulo. Depois disso, serão mais dois amistosos em novembro, contra Japão e Inglaterra, e outros dois em março de 2018, Alemanha já confirmada e Rússia como objetivo. Na preparação final para o Mundial, já com os 23 convocados, Tite certamente terá mais um ou dois jogos para o acerto final.

Por causa do excelente rendimento em campo, do padrão tático bem estabelecido e os ótimos resultados obtidos, a base tem boa definição. O grupo, porém, não está fechado, e o treinador da Seleção faz questão de ressaltar isso sempre que possível - e até mesmo para estimular a competição entre os atletas. Logo, existem pontos importantes a serem observados nas duas próximas datas.

Willian, Philippe Coutinho ou os dois juntos?

Contra o Equador no ano passado, em seu primeiro jogo, Tite escalou Alisson, Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Casemiro; Willian, Paulinho, Renato Augusto e Neymar; Gabriel Jesus. Naquela partida e na seguinte, contra a Colômbia, o jogador do Chelsea foi substituído no segundo tempo por Philippe Coutinho. Um mês depois, contra Bolívia e Venezuela, o meia do Liverpool já tinha se tornado titular. O período foi um dos mais difíceis da vida de Willian, que viu sua mãe lutar bravamente contra um tumor até falecer em 12 de outubro.

Devido o pedido feito ao Liverpool para ser negociado e todo imbróglio envolvendo a sua não-ida ao Barcelona, Coutinho perdeu espaço entre os titulares justamente para Willian, que teve boas atuações contra equatorianos e colombianos no returno das eliminatórias. Agora, porém, o ex-jogador do Vasco recuperou a boa fase nos Reds e vem, inclusive, com três gols marcados nos últimos três jogos, mas alternando posições entre a segunda e a terceira linhas. Esse é um detalhe importantíssimo.

No 4-1-4-1, Willian e Coutinho brigam pela vaga aberta pelo lado direito - algo natural para o meia do Chelsea e função invertida para o meia do Liverpool (o que jamais atrapalhou na Seleção). Só que Tite, no difícil 2 a 0 contra os equatorianos há pouco mais de um mês, mudou a formação tática para o 4-2-3-1, com Coutinho saindo do banco, entrando na vaga de Renato Augusto e se tornando meia-atacante central. A mesma situação aconteceu diante dos colombianos na sequência.

Nessas duas partidas, as atuações irregulares do ex-jogador do Corinthians colaboraram para as alterações. Só que o meia do Beijing Guoan tem crédito suficiente, conquistado nas eliminatórias, para não ser sacado em definitivo do time apenas por isso.

Assim, temos alguns cenários possíveis para os jogos contra Bolívia e Chile. Se Willian for mantido entre os titulares no 4-1-4-1, terá mesmo recuperado seu lugar; Caso contrário, aquela formação que parecia definitiva, com Coutinho, voltará; Acho improvável o 4-2-3-1 ser escolhido desde o início, é muito mais uma variação de jogo utilizada por Tite em todos seus últimos times, mas não pode ser descartado para ter Willian e Coutinho como titulares.

Reservas de Daniel Alves e Marcelo

Não eram posições que pareciam abertas. Afinal, até a última convocação, Fágner era o único jogador presente em todas as listas anteriores de Tite - a pegadinha aqui está no amistoso contra a Colômbia, no Rio de Janeiro. Foi titular contra o Paraguai, na Arena Corinthians, quando o lateral do Paris Saint-Germain estava suspenso e deu conta do recado. Já na esquerda, sempre que Marcelo foi desfalque, Filipe Luís fez bem a função.

Só que a atual lista teve Danilo na vaga de Fágner e os dois laterais esquerdos machucados, abrindo espaço para Alex Sandro e Jorge, atletas de Juventus e Monaco, respectivamente.

Para o lateral do Manchester City será mais difícil mostrar serviço em campo, salvo algum problema que Daniel Alves possa ter. Será orbigado a mostrar qualidade e comprometimento no dia a dia. Já Alex Sandro terá a grande oportunidade de colocar um bom questionamento a Tite. Caso tenha boas atuações, levantará o debate sobre o reserva de Marcelo. Até mesmo pelas características.

Alex Sandro é mais ofensivo, faz melhor as jogadas de linha de fundo; Filipe Luís fecha melhor o setor, marca melhor, inclusive por estar em um dos melhores sistemas defensivos há algumas temporadas (Diego Simeone).

Quarto zagueiro da lista, meia(s) e atacante

Marquinhos, Miranda e Thiago Silva vão para a Copa se não tiverem problemas até lá. Gil era o quarto da lista, disputando espaço com Rodrigo Caio - apesar do merecimento de Pedro Geromel. Jemerson cresceu muito nos últimos meses e foi a bola da vez nesta convocação. Outro caso de atleta que terá que trabalhar muito no dia a dia, já que não deve ganhar oportunidade para jogar.

Do meio para a frente a atual lista ficou interessante. Lucas Lima, Giuliano, Douglas Costa e Taison, nomes frequentes nas outras convocações, ficaram de fora. Diego, Fred, Arthur e Diego Tardelli ganharam chances, assim como Luan teve na outra. Diego Souza, hoje, é carta fora do baralho.

Duvido que o meia do Fenerbahçe, ex-Zenit, tenha perdido espaço. Tite deve ter deixado Giuliano de fora mais para testar e conhecer opções, no caso Fred e Arthur. Diego e Lucas Lima são peças importantes para se ter no banco e mudar um jogo, uma formação tática. Já Douglas Costa teve queda de rendimento nos últimos meses - clubes e seleção - e Taison não me parece um nome inquestionável.

Como Roberto Firmino pode fazer as funções de lado ou central no ataque, a comissão técnica não ficaria sem esse tipo de opção no banco ao convocar Tardelli. Dependendo do que ocorrer em campo contra bolivianos e chilenos, o ex-atacante do Atlético Mineiro tem boas chances de entrar e jogar por alguns minutos.

De resto, não há muitos segredos. Nomes questionados há um ano são titulares de Roma e Barcelona, por exemplo. Os justos pedidos por Vanderlei na Seleção não formam um clamor nacional, como foi com Romário em 1998, por exemplo, mas seguirão como sombra a Cássio. O Brasil se colocou novamente como uma das principais seleções do mundo e voltou a ser um dos favoritos.

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