Estrelas já recebem mais nos Estados Unidos do que na Itália

Gustavo Hofman
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MLS já paga salários maiores que o Campeonato Italiano: veja ranking

Neste final de semana o Seattle Sounders bateu o Toronto nos pênaltis e conquistou, pela primeira vez, o título da Major League Soccer. Esta foi apenas a oitava temporada da equipe, e em todas edições o time ao menos alcançou os playoffs. Além disso, teve a espetacular média em 2016 de 42.636 torcedores por jogo.

A evolução da MLS é notória. Muitas críticas feitas atualmente à liga norte-americana de futebol são baseadas em impressões antigas e pouca observação. Logo, em muitos casos, trata-se de "achismo" ou mesmo preconceito por ser dos Estados Unidos.

Naturalmente o aspecto técnico ainda está aquém dos principais campeonatos europeus, algo oposto no aspecto financeiro nacional. No entanto, a competição cresceu muito nos últimos anos tecnicamente. Treinadores estrangeiros e grandes jogadores internacionais, sendo muitos veteranos, agregaram demais, e essa movimentação pode se tornar cada vez mais frequente nos anos que estão por vir.

Recente levantamento feito pela Verve Search, agência inglesa de marketing, em parceria com a Axo Finans, consultora financeira norueguesa, constatou que há mais jogadores na MLS recebendo 100 mil euros ou mais por semana do que na Serie A. No total, 5% de atletas nessa categoria atuam nos Estados Unidos, enquanto somente 3% estão na Itália. No geral e na média, osn países invertem os papéis.

Getty
Kaká é o jogador que mais recebe mensalmente na MLS
Kaká é o jogador que mais recebe mensalmente na MLS

Kaká, 126 mil, é quem mais ganha para jogar pelo Orlando City, enquanto Gonzalo Higuaín acumula 148 mil euros semanais em Turim. Desde 2007 a MLS tem a regra de Jogadores Designados, criada basicamente para receber David Beckham no Los Angeles Galaxy e que permite os clubes contratarem até três jogadores fora do teto salarial - hoje em dia há outras permissões também para jovens.

A lista é completada com Sebastian Giovinco, Michael Bradley, Steven Gerrard, Frank Lampard e Andrea Pirlo; Miralem Pjanic e Daniele de Rossi. A Premier League domina o ranking com 43%, seguida por La Liga e Campeonato Chinês com 15% cada; Bundesliga (10%) e Ligue 1 (9%) completam a estatística. Cristiano Ronaldo é o jogador mais bem pago do mundo: 410 mil euros por semana. O estudo completo pode ser lido aqui.

Neste ano, principalmente antes da Eurocopa, houve polêmica na Itália por causa das ausências de Pirlo e Giovinco na Azzurra. Antonio Conte e seu sucessor, Giampiero Ventura, possuem praticamente o mesmo discurso contra a MLS.

"É normal que, se você escolhe jogar lá, pagará as consequências em termos futebolísticos", disse Conte sobre os dois jogadores, antes da convocação para a disputa na França. Já Ventura, teve que responder perguntas nos últimos meses por causa do desempenho espetacular de Giovinco com a camisa do Toronto. "Tenho feito de tudo para ajudá-lo, mas a realidade é que ele joga em uma liga que não importa muito. O número de gols que ele marca é menos importante, porque com a qualidade que tem, ele vai fazer diferença nessa liga. O problema é que, se você se acostuma a jogar nesse tipo de liga, isso se torna um problema de mentalidade"

Trazendo esse raciocínio para a realidade brasileira, Tite não deveria convocar jogadores que atuam na China. Por isso, mais do que palavras ao vento e frases de efeito, valem o trabalho e a análise.

Brasil lidera lista de estrangeiros na Europa, mas perde para a França nas cinco grandes ligas

Gustavo Hofman
Getty
Griezmann e Pogba são destaques franceses nas cinco grandes ligas europeias
Griezmann e Pogba são destaques franceses nas cinco grandes ligas europeias

O Brasil aparece novamente na primeira posição entre os países que mais exportam jogadores para a Europa. Pesquisa anual realizada pelo CIES Football Observatory revela que 469 brasileiros atuam em 31 campeonatos europeus de primeira divisão.

Na análise qualitativa dos dados, porém, o Brasil não lidera. Se analisarmos apenas as cinco principais ligas do continente, sediadas em Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França, os franceses mais uma vez ocupam a primeira posição com 116, dois a mais que os brasileiros. Vale ressaltar que, nesse caso, os Bleus têm uma competição a menos na conta, já que na Ligue 1, obviamente, não são estrangeiros. Logo, o número total tem mais peso na comparação.

O levantamento é realizado pelo CIES desde 2009 e sempre teve os brasileiros na liderança geral. A ponta nos campeonatos mais fortes foi perdida em 2013 e nunca mais recuperada. O índice mais baixo aconteceu depois da Copa do Mundo de dois anos atrás, quando a Seleção foi eliminada pela Alemanha de forma traumática nas semifinais.

Brasil na liderança de estrangeiros na Europa
2009: 537
2010: 567
2011: 525
2012: 517
2013: 476
2014: 455
2015: 462
2016: 469

É possível diagnosticar, pelos números acima e abaixo, como o Brasil segue sendo fornecedor de enorme quantidade de pé-de-obra para o futebol europeu. No entanto, a qualidade já não é tão abundante e foi melhor "dividida" com outras nações.

Briga pela liderança nas cinco grandes ligas
2009: Brasil 133x99 França
2010: Brasil 119x104 França
2011: Brasil 109x92 França
2012: Brasil 123x91 França
2013: Brasil 117x104 França
2014: França 112x108 Brasil
2015: França 124x123 Brasil
2016: França 116x114 Brasil

No geral, os jogadores franceses também estão muito bem, na segunda colocação do ranking com 312 atletas, seguidos pelos espanhóis com 201. Apenas nas cinco grandes ligas, os argentinos aparecem depois dos representantes de França e Brasil com 97 atletas.

CIES
O levantamento completo pode ser obtido em www.cies.ch
Bélgica e Suíça merecem destaque nas cinco grandes ligas

A pesquisa levou em consideração o elenco principal, em outubro deste ano, de clubes da primeira divisão dos seguintes países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bielorrússia, Bulgária, Chipre, Croácia, Escócia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Inglaterra, Israel, Itália, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Rússia, Sérvia, Suécia, Suíça, Turquia e Ucrânia.

O CIES Football Observatory é um grupo de pesquisas voltadas para o futebol criado em 2005 e sediado no Centro Internacional para Estudos dos Esportes, localizado em Neuchatêl, na Suíça. Trata-se de uma joint venture entre Fifa, Universidade de Neuchatêl, Prefeitura e Estado.

Somente a Chapecoense pode reconstruir a Chapecoense

Gustavo Hofman
DOUGLAS MAGNO/AFP/Getty Images
Fim de semana teve velórios e homanages às vítimas do desastre aéreo em Medellín
Fim de semana teve velórios e homanages às vítimas do desastre aéreo em Medellín

São incontáveis as ofertas de ajuda. Os clubes brasileiros se disponibilizam a emprestar jogadores; A Federação Argentina e alguns times internacionais fizeram o mesmo; Dinheiro virá através de doações; Entidades governamentais e esportivas vão se colocar à disposição; Talvez a imunidade contra o rebaixamento seja concedida.

A dor ficará para sempre. A Chapecoense passa a ser um clube marcado pela tragédia, como outros pelo mundo. A lembrança do desastre aéreo estará eternamente presente no dia a dia em Chapecó.

Nos últimos anos a Chape se tornou um modelo para o futebol brasileiro. Com orçamento reduzido em relação aos grandes do país, impôs desde 2005 administração equilibrada e eficiente, algo muito bem explicado em artigo do jornalista Rodrigo Capelo, na Época. Saltou da Série D para a Série A em quatro anos, se firmou na primeira divisão, alcançou o continente e estava prestes a realizar em campo seu maior feito.

A partir desta semana os chapecoenses terão que olhar para a frente, enxugar as lágrimas e buscar o futuro que todas essas pessoas que se foram almejavam. E isso só será possível sendo Chapecoense.

Reconstruir o clube demandará dos dirigentes sabedoria e tranquilidade para seguirem o modelo administrativo que era comandado pelo presidente Sandro Pallaoro, integrante da diretoria desde 2008. Toda ajuda será bem-vinda e é sincera, tamanha comoção existente, mas o recomeço da Chape depende exclusivamente dela em um calendário pesado. Passa por jogadores com o mesmo comprometimento dos que estavam lá, e não veteranos ou atletas sem espaço em outras equipes, por um treinador com a mesma capacidade de crescimento que tinha Caio Júnior e pelo amor inabalável do seu torcedor.

Milhares de pessoas fizeram questão de se tornar sócios-torcedores da Chape, e a própria administração tratou de ajudar a todos, ao criar um plano mais simples e barato. Se você quiser fazer parte de tudo isso, também pode se associar.

As mudanças que acontecerão serão sentidas no dia a dia, com a saudade e o choro ainda latentes. A cada defesa não realizada por Danilo, a cada passe não dado por Cléber Santana, a cada gol não marcado por Bruno Rangel. O time que deixou Chapecó para conquistar a América conquistou o mundo, e não se trata apenas de metáfora. Ganhou o carinho de todo planeta.

Jamais se tratou apenas de futebol, e a Chapecoense dolorosamente mostrará isso em 2017.

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'Obrigado!'; Em vários idiomas, Chape agradece apoio vindo de todo o mundo

Os números do Palmeiras campeão brasileiro de 2016

Gustavo Hofman
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Assista ao gol da vitória do Palmeiras sobre a Chapecoense por 1 a 0!

O campeonato de pontos corridos, invariavelmente, premia o melhor time da competição. O Palmeiras não fugiu à regra.

Se não teve um futebol vistoso como referência, intensidade, regularidade e competitividade foram as referências. Segundo melhor ataque (60 gols), defesa menos vazada (31), menor número de derrotas (6), maior número de vitórias (23)... E ainda temos uma rodada por jogar.

Nas estatísticas, os destaques do elenco palmeirense campeão brasileiro deste ano. A belíssima história chamada Jaílson, a segurança traduzida em Vítor Hugo, a qualidade de Tchê Tchê, o craque Gabriel Jesus, o desequilíbrio em Dudu e a impressionante capacidade de controlar o jogo de Moisés.

Além do torcedor, que lotou o Allianz Parque do início ao fim e fez uma belíssima festa pelas ruas de Perdizes e Pompeia, apesar da Polícia Militar.

ESPN
Destino de todos os passes certos do Palmeiras no Brasileirão
Destino de todos os passes certos do Palmeiras no Brasileirão
ESPN
Finalizações do Palmeiras em toda competição
Finalizações do Palmeiras em toda competição

32521 torcedores de média
1317 passes certos de Tchê Tchê
367 rebatidas de Vítor Hugo
112 faltas recebidas por Dudu
86 lançamentos certos de Fernando Prass (82 de Jaílson)
73 desarmes certos de Moisés
72 faltas cometidas por Gabriel Jesus
56 cruzamentos certos de Dudu
39 finalizações certas de Gabriel Jesus
29 defesas de Fernando Prass (28 de Jaílson)
28 impedimentos de Gabriel Jesus
14 gols sofridos por Fernando Prass (10 por Jaílson, 5 por Vágner, 1 por Vinícius Silvestre e 1 por Thiago Martins)
12 gols de Gabriel Jesus
11 cartões amarelos para Gabriel Jesus
10 assistências de Dudu
3 pênaltis recebidos por Gabriel Jesus

Fonte: Footstats

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Mais vitórias, apenas 6 derrotas, melhor defesa... Os números do campeão Palmeiras

Trem, táxi e corrida: a louca estreia de Marshall Plumlee na NBA

Gustavo Hofman
Getty
A louca estreia de Marshall Plumlee na NBA
A louca estreia de Marshall Plumlee na NBA

Parece roteiro de filme da Sessão da Tarde, mas aconteceu na vida real e em uma das mais profissionais ligas esportivas do mundo.

Às 10 horas deste domingo, Marshall Plumlee foi acordado com um telefonema da comissão técnica do New York Knicks. Por causa do desfalque inesperado de Joakim Noah, o time precisava de mais um pivô para a rotação no jogo contra o Atlanta Hawks, no Madison Square Garden. Ele teria duas horas para chegar no ginásio e estrear na NBA.

"Foi loucura. Sinto como se pudesse escrever um livro sobre isso. Imagine ser acordado com algo do tipo 'ei, precisamos que você marque o Dwight Howard'", afirmou em entrevista ao NBA.com.

Plumlee verificou no celular o caminho mais rápido e a opção foi o sistema ferroviário nova-iorquino. Embarcou na estação White Plains, desceu na Central e lá pegou um táxi. Só que, no melhor estilo "essa turminha vai aprontar na sua tarde", o trânsito da Big Apple o impediria de chegar a tempo. Sem problemas!

O jovem pivô de 24 anos e 2m13 desceu do táxi e foi correndo até o Madison Square Garden. Chegou durante o primeiro quarto e, no total, jogou 5min26s, pegou um rebote e cometeu uma falta na vitória dos donos da casa por 104 a 94. "Quando cheguei, perguntaram se eu precisava aquecer. Respondi que não, tinha corrido até aqui".

Marshall Plumlee não foi escolhido no Draft deste ano, mas conseguiu um contrato com os NY Knicks. Está jogando e treinando com o Westchester Knicks, na D-League - atuou na noite anterior e teria outro compromisso no domingo às 17h. Ele pertence a uma família tradicional no basquete norte-americano.

Seus irmãos mais velhos, Mason e Miles, jogam por Portland Trail Blazers e Milwaukee Bucks, respectivamente. Todos estudaram e jogaram quatro anos por Duke, sob o comando de Mike Krzyzewski. Além disso, pai e mãe também são ex-jogadores de basquete, enquanto a irmã joga vôlei por Notre Dame.

Menos talentoso que os outros dois, Marshall já tinha decidido seguir carreira no exército, quando percebeu que teria chance de se profissionalizar na bola ao cesto. Jamais imaginaria que teria uma estreia tão corrida.

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