500 belos e tensos dias para a Copa do Mundo na Rússia

por Gustavo Hofman, com colaboração de Grigory Telingater, de Moscou
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Escultura no gelo russo mostra: faltam 500 dias para a Copa do Mundo
Escultura no gelo russo mostra: faltam 500 dias para a Copa do Mundo

"Noites Brancas" é um dos mais belos textos de Fiodor Dostoiévski. No livro, o genial autor descreve o fenômeno das noites claras em São Petersburgo através do amor e da força da juventude. Conta que "era uma noite maravilhosa, uma dessas noites que apenas são possíveis quando somos jovens". Conduz o leitor a procurar o infinito ao descrever o céu "tão cheio de estrelas, tão luminoso", mas rapidamente o devolve ao mundo material com o questionamento de "que quem erguesse os olhos para ele se veria forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos?" O próprio Dostoiévski finaliza ao revelar que "a própria pergunta é pueril, muito pueril".

No mundo da literatura, Fiodor Dostoiévski, Aleksandr Púchkin, Leon Tolstói, Nikolai Gogol, Anton Tchekhov, entre outros escritores russos, forneceram à humanidade algumas das maiores obras já escritas. Com o céu de São Petersburgo, mas sem a mesma arte dos gênios citados, talvez com a apreensão de algumas obras, a Rússia quer organizar daqui 500 dias, entre 14 de junho e 15 de julho de 2018, uma Copa do Mundo impactante.

Tudo isso com o país ainda enfrentando grave recessão, barreiras econômicas internacionais e em situação de guerra na Síria e na Ucrânia. Mesmo assim, o Governo estipulou no orçamento federal para o triênio 2017-19 investimentos de 156.4 bilhões de rublos (8.2 bilhões de reais) no Mundial.

É bem verdade que o cronograma de entrega de estádios e outras obras de infra-estrutura está bem adiantado, mas alguns escândalos já marcaram a Copa de 2018 na Rússia, apesar de Vitaliy Mutko, Todo Poderoso do esporte russo, negar qualquer problema.

"Um relatório foi preparado sobre a Copa do Mundo e eu apresentei com detalhes. Tinha todos detalhes operacionais, desde a Copa das Confederações, a apresentação do mascote, o lançamento do programa de voluntários e um documento sobre a infra-estrutura. Estádios, hotéis, aeroportos, tudo foi considerado em detalhes. Nenhuma questão ficou pendente. Acredito que esse seja o primeiro campeonato preparado pela Fifa de maneira calma e sem problemas", afirmou recentemente à agência Tass.

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Todos os palcos da Copa do Mundo de 2018
Todos os palcos da Copa do Mundo de 2018

Mutko é presidente do Comitê Local da Copa, máximo mandatário da Federação Russa de Futebol, ex-Ministro dos Esportes e atualmente vice-primeiro Ministro, cargo criado especialmente para ele em outubro do ano passado.

Entre 17 de junho e 2 de julho deste ano a Rússia receberá a Copa das Confederações. São Petersburgo, Moscou, Sochi e Kazan sediarão as partidas, e justamente a nova casa do Zenit tem sido o motivo de preocupação do Comitê Local, a ponto do presidente nacional, Vladimir Putin, classificar o atraso como "uma triste história".

Mas o cronograma dos estádios não está sendo cumprido? Está, com exceção de São Petersburgo.

Às margens do Rio Neva, na ilha de Krestrovsky, o novo estádio terá capacidade para 68.134 torcedores e está em obras há incríveis dez anos. O orçamento já superou R$ 2.3 bilhões e no ano passado o governo demitiu em julho a empreiteira Transstroy, responvável pela construção e acusada também de desvios de verbas públicas.

Apesar das negativas públicas dos dirigentes de temor com o prazo para a Copa das Confederações, a situação gerou muita preocupação na Fifa. Entre os cidadãos russos, o caso é tratado como uma vergonha nacional exposta para o mundo todo. Ao menos nos outros estádios a história é mais tranquila.

"Os novos estádios são realmente muito modernos, bonitos, grandes . Ainda não tive oportunidade de jogar em todos, mas nos que eu joguei a atmosfera foi algo impressionante", relata o meia Giuliano, destaque do Zenit e presente em todas convocações do técnico Tite para as eliminatórias. "Há uma movimentação bastante grande nas ruas, correções de asfalto, novas construções de pontes para facilitar o acesso, novo estádio ficando pronto. São muitos detalhes ainda para ajustar, mas São Petersburgo já vive a Copa do Mundo", completa.

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Hernani, Giuliano e Maurício, trio brasileiro do Zenit
Hernani, recém contratado pelo Zenit, ao lado do já ídolo Giuliano

Em Sochi, o Estádio Olímpico Fisht foi totalmente reformado após receber os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de inverno em 2014. Terá capacidade para 47.659 torcedores e custo total estimado em 1.24 bilhão de reais, com a reforma de 184 milhões feita especificamente para as duas próximas competições. Em dezembro do ano passado foi entregue com um brasileiro em campo. Júlio Baptista participou da cerimônia ao lado do ex-jogador e treinador Valeriy Karpin. "A ideia principal é mostrar a ele que aqui na Rússia temos bons estádios e bom tempo", explicou na época Karpin. A cidade é um balneário turístico e destino de milhares de russos no verão.

Outras arenas optaram, diante do cenário de crise econômica global e nacional desde o anúncio em 2007 da Rússia como sede da Copa, por reduzir a capacidade. Foram os casos de Kaliningrado e Ecaterimburgo. A primeira, localizada no exclave russo de mesmo nome entre a Lituânia e a Polônia, banhado pelo Mar Báltico, desistiu de 45 mil pessoas para seu Estádio Central e se contentou com 35 mil, mesma marca de Ecaterimburgo.

A capital russa já tem a Otkrytiye Arena, do Spartak Moscou, pronta e finalizada, além do Luzhniki, palco da final e que passa por uma gigantesca reforma, similar a que passou o Maracanã. Volvogrado demoliu o antigo Estádio Central e construiu um novo. Samara, Saransk, Rostov-na-Donu e Nizhny Novgorod partizam do zero.

"Por enquanto, a impressão é a melhor possível. Toda a infraestrutura para o atleta está instalada no mais alto nível. Vestiário de primeiríssimo mundo e gramado de altíssima qualidade. Em alguns estádios é possível reparar pequenas obras externas que visam melhorar a estrutura em torno deles. Falando exclusivamente sobre o nosso estádio (Otkrytie Arena), ele tem uma maravilhosa infra que oferece diversos serviços aos usuários", completa a análise o zagueiro Maurício, formado na base do Palmeiras e atualmente no Spartak Moscou.

Em janeiro, no evento em Zurique, na Suíça, quando foi definida a nova Copa para 48 seleções, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, comentou a situação dos estádio russos. "Sobre a Copa do Mundo, tudo está em execução e recebemos as garantias necessárias que os prazos serão cumpridos e tudo estará entregue até o final do ano", declarou aos jornalistas. "O trabalho segue o cronograma em relação aos estádios. Há ainda muito trabalho a ser feito e algumas datas serem definidas em determinados estádios", completou.

Enquanto isso, o povo russo vai percebendo a aproximação do grande evento. Os principais aeroportos do país já estão decorados com a temática da Copa das Confederações; Um site, inclusive, foi criado para passar mais informações sobre tudo que está por vir para russos e estrangeiros: www.welcome2018.com.

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Maurício está emprestado pela Lazio ao Spartak Moscou
Maurício está emprestado pela Lazio ao Spartak Moscou

"Em Moscou você não observa muitas obras porque a cidade já se mostra bastante preparada. As ruas e sinalizações são ótimas, por exemplo. O transporte público tem aspecto de novo e passa bastante credibilidade. Em nosso retorno para a intertemporada, fizemos novos exames de rotina e fomos a diferentes hospitais, todos eles muito organizados, limpos e completos. Sem exceção, se mostraram prontos para receber a demanda de um grande evento como a Copa do Mundo", relata Maurício, residente da capital russa.

Um ponto de medição utilizado pelo Governo é o número de inscritos para o programa de voluntariado. Foram mais de 170 mil pedidos para apenas 5 mil vagas na Copa das Confederações e 15 mil para o Mundial. Quinze instituições de ensino espalhadas pelas 11 cidades da Copa farão o processo de seleção final.

Ao tratar o público local, entra uma questão importante e delicada: o racismo na Rússia. São inúmeros casos nos últimos anos envolvendo atletas das mais variadas nacionalidades nos mais diversos locais do país. Inclusive muitos brasileiros passaram por isso, como o lateral Roberto Carlos, na época jogador do Anzhi Makhachkala, e Hulk, ex-ídolo do Zenit.

Trata-se de um problema cultural. As gerações mais antigas e a população do interior encara o racismo como algo natural. Não querem pessoas de outra cor por perto ou jogando em seus times de futebol, e quando ocorrem manifestações nos estádios são tratadas apenas como provocação.

"Eu estou há pouco mais de seis meses no país, não vi nenhum tipo de movimentação racial, seja na rua ou campo, mas claro que é uma situação complicada. O que posso dizer é que torço pra que continue da maneira como está e que o povo russo consiga fazer um grande espetáculo com esse evento mundial", explica Giuliano.

"Esse problema existe sim, e precisamos olhar com atenção a esse tema em qualquer lugar do Mundo. Isso precisa acabar! Aqui na Rússia, há um trabalho em conscientizar os torcedores. Na Copa do Mundo também haverá mobilizações para respeitar a honra do País. Os russos querem fazer um grande evento e isso vem também por parte da população. Então, acredito que o racismo não será um problema para o Mundial", analisa Maurício.

São Petersburgo, por exemplo, espera a visita de 5 mil torcedores do Brasil, de acordo com o Comitê para Turismo da cidade. A circulação de pessoas entre as cidades será facilitada com o "Passaporte do Torcedor", ou "Fan ID" em inglês.

Esse documento substitui o visto e garante o transporte público gratutito. Além disso, não será permitida a entrada nos estádio apenas com o ingresso, e sim com o Passaporte do Torcedor também. Esse cartão personalizado tem dados pessoais como nome, foto, número do passaporte original e contatos. Tem como grande objetivo fornecer total idenfiticação para o Governo e a polícia de todas pessoas que adquirirão entradas para os jogos - e uma forma de evitar e combater o hooliganismo, problema enorme na Euro 2016 com a torcida russa na França.

Em Moscou, São Petersburgo, Kazan e Sochi já há centros de registro e entrega do documento (via Correios também é possível), por causa da Copa das Confederações onde o processo será o mesmo. Importante ressaltar que, para conseguir esse Passaporte do Torcedor, é necessário primeiro adquirir ao menos um ingresso.

Há ainda uma grave crise esportiva na Rússia, o maior escândalo de doping já enfrentado por uma nação olímpica. A cada mês, novas denúncias surgem e nomes importantes do país são envolvidos.

O atletismo ficou fora das Olimpíadas no ano passado, e Yelena Isinbayeva se tornou pivô dessa história ao protestar fortemente contra a decisão do COI e, posteriormente, ser escolhida pelo Governo para integrar o Comitê Antidoping do país. Ela também se tornou embaixadora da Copa, assim como outros atletas de variadas modalidades, como o ídolo da NHL Alex Ovechkin, jogador do Washington Capitals.

Imediatamente a Rússia negou todas acusações, mas conforme o tempo passou e as evidências trazidas pela Agência Mundial Antidoping (WADA) surgiam, as negativas perderam intensidade. Segundo documento liberado em dezembro de 2016, mais de 1000 atletas de 30 esportes, incluindo o futebol, se beneficiaram do esquema patrocinado pelo Governo, o que levou o nome de Vitaliy Mutko às manchetes. Mesmo assim, o poder do dirigente apenas aumentou.

Por fim, em campo, a seleção russa está totalmente perdida. Após as participações muito ruins na Copa de 2014 e na Euro de 2016, com Fabio Capello e Leonid Slutsky como treinadores, respectivamente, a Federação optou pelo veterano Stanislav Cherchesov como comandante.

O ex-ídolo do Spartak Moscou na época de jogador e atleta da seleção soviética e russa comandou diversos times russos na carreira como técnico. Sem grande sucesso. Só que na temporada 2015-16, à frente do Legia Varsóvia, foi campeão polonês e da Copa da Polônia, se credenciando para suceder Slutsky.

Tem em mãos uma seleção apenas mediana, carente de talento individual. Alan Dzagoev jamais explodiu como se imaginava, Aleksandr Kokorin é a maior esperança hoje em dia e nomes como Andrei Arshavin, Roman Pavlyuchenko e Pavel Pogrebnyak fazem parte do passado recente com Guus Hiddink à frente.

Com o treinador holandês, a Rússia foi a grande sensação da Euro de 2008. Ele foi um crítico ferrenho do modo de pensar a carreira que têm os atletas russos. Como recebem grandes salários no próprio país, se acomodam e não desejam transferências internacionais. Hiddink pressionou os atletas a saírem dessa zona de conforto e elevou o nível do time. Todo trabalho foi jogado fora nos últimos anos.

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Guilherme pode aparecer na lista da Rússia para a Copa
Guilherme pode aparecer na lista da Rússia para a Copa

Há boa possibilidade de vermos dois brasileiros defendendo a Росси́я (acostume-se com o alfabeto cirílico...): os naturalizados Mário Fernandes, ex-Grêmio, lateral do CSKA Moscou, e o goleiro Guilherme, desde 2007 no Lokomotiv Moscou.

Enfim, a expectativa para a Copa do Mundo de 2018 é alta. E tensa ao mesmo tempo.

Ele já é o grande personagem desta temporada da NBA e um mito nas redes sociais

Gustavo Hofman

Todas as quintas-feiras o time de Kansas, na pré-temporada, se reunia para uma atividade de grupo chamada "Thursday Vibes". Os jogadores formavam uma roda e tinham que compartilhar segredos e relatos pessoais. Uma forma encontrada pelo técnico Bill Self de unir ainda mais o elenco. Em determinada ocasião, Joel Embiid chamou a atenção de todos.

Recém recrutado pela universidade, o pivô camaronês de 2m13 ainda não era tão íntimo de todos os companheiros no verão de 2013. Quando chegou sua vez, contou uma das mais incríveis histórias que as pessoas ali já escutaram. Aos seis anos, foi enviado pela família para a selva para se tornar homem, e nesse ritual ele matou um leão com as próprias mãos. A maioria acreditou.

Há dois meses, em entrevista ao jornalista Adrian Wojnarowski, ele lembrou do episódio com muito bom humor e um pitaco de crítica à sociedade dos Estados Unidos. A história já tinha sido contada, também, em ótimo artigo de Rustin Dodd.

"Os americanos não têm ideia do que acontece no mundo, especialmente conosco, os africanos. Quando eles pensam em africanos, nos imaginam correndo atrás de leões e tigres, além de outros animais. Quando cheguei em Kansas eu meio que usei isso a meu favor, contando como eu matei um leão e como isso me tornou um homem. Aos seis anos tive que entrar na selva, matar um leão e carregá-lo nas costas até a vila para mostrar que eu era homem. E eles compraram isso... Não sei. Isso pode ser verdade, isso pode ser falso. Não sei. Depende da percepção".

Esse é apenas um dos muitos episódios marcantes da curta e já marcante vida de Joel Embiid, de apenas 22 anos e bastante atuante nas redes sociais.

O bom humor marca seus textos no Twitter e no Instagram. Ele gosta e costuma paquerar celebridades, mesmo que algumas já sejam casadas. Ou então dança com as cheerleadears.

 

 

 

 

 

 

Ainda na pré-temporada da NBA, concedeu entrevista ao lado de Jahlil Okafor ao jornalista Kevin Neghandi, da ESPN. Lembrou desssas paqueras, elogiou as roupas de Tim Duncan e garantiu diversas risadas aos presentes.

Vestuário de Tim Duncan, provocação no Fifa e até 'xavecos': Promessa dos 76ers é estrela no twitter

 

Costuma se divertir com pedidos de votos para estar no All Star Game. Conta que certa vez tomou um fora de uma garota com a seguinte frase: "Me ligue quando você for um All Star". Além disso, nos últimos dias "zoou" Hassan Whiteside, que o teria criticado indiretamente justamente pela forma como pede votos.

 

 

Após a heróica vitória dos 76ers na semana passada sobre o New York Knicks, ele mudou a foto do seu perfil no Twitter. Colocou uma montagem de TJ McConnell, autor da cesta salvadora, ao lado de Michael Jordan fazendo a mesma celebração.

Nesta semana imitou a lenda do WWE Triple H ao entrar em quadra, após o lutador o apoiar na "causa All Star" e por conta da sua comemoração, justamente, com McConnell. E ele é um dos mais votados na Conferência Leste, agora recebendo apoio de outras personalidade, como o ator Kevin Hart e o QB do Philadelphia Eagles Carson Wentz.

 

 

 

 

No Instagram, não costuma ter pena de criancinhas e gosta de analisar momento específicos de um jogo de basquete.

Lil man thought he had it ha!!!!! Had an amazing time with the fans today #TrustTheProcess

Um vídeo publicado por Joel "The Process" Embiid (@joelembiid) em Ago 27, 2016 às 4:23 PDT

 


E teve torcida na Eurocopa também, além de uma tentativa de contratação para os Sixers.

 

 

 

 

 

Ah, já ia me esquecendo de um pequeno detalhe! Acima de tudo, Joel Embiid é um jogador excepcional.

Após ser descoberto pelo compatriota Luc Richard Mbah a Moute, atualmente no Los Angeles Clippers, se mudou para a América do Norte aos 16 anos com o intuito de aprender a jogar basquete e se profissionalizar.

Até então, ele dedicava a maior parte de seu tempo ao vôlei e ao futebol, onde atuava como goleiro. Seu pai, Thomas Embiid, fora jogador de handebol. Só que Mbah a Moute se impressionou com o garoto em um treinamento e o levou junto com seu irmão mais novo, Roger Mbah a Moute, para Milwaukee. Lá ele treinou com o técnico Mike Lee, que também ficou boquiaberto com a capacidade atlética daquele jovem, e seguiu para a Flórida onde cursou o high school em Montverde Academy e depois na Rock School, em Gainesville. Bill Self o descobriu, recrutou e afirmou: "Ele pode ser um franchise center".

Houve outro episódio também, relatado pelo treinador, em que os dois conversaram sobre a possibilidade de Embiid ser a primeira escolha no draft. O jogador, então, rebateu que deveria primeiro aprender a dirigir. Self respondeu que realmente era melhor fazer isso, antes de comprar um carro de 130 mil dólares.

A única temporada no college confirmou as expectativas e Embiid foi a terceira escolha no draft de 2014, selecionado pelo Philadelphia 76ers. No entanto, por conta de lesões sequencias nos pés, perdeu dois anos da carreira e só pôde estrear nesta temporada pela equipe. E o impacto dele na liga é impressionante.

Além de tudo já relatado que corrobora para ser um dos atletas mais carismáticos da NBA, Joel "The Process" Embiid é um monstro. Já foi comparado a Hakeem "The Dream" Olajuwon pela mobilidade, jogo de pernas e habilidade. Ao mesmo tempo, consegue se impor fisicamente como outros grandes da história.

 

Com tempo limitado em quadra por causa das lesões e como forma de precaução, Joel tem atuado apenas por 25 minutos por jogo. Mesmo assim está com 19.6 pontos, 46% de aproveitamente nos arremessos, 7.6 rebotes, uma bola de três por partida, além de dois tocos e duas assistências em média (estatísticas até 14/jan).

Na já citada entrevista a Adrian Wojnarowski, o jogador permite transparecer seu lado sério também, e deixa claro a importância do amadurecimento que teve nos dois últimos anos. Não só pela convivência com os atletas da NBA e todo aprendizado fora da quadra, que o permitiram ser um rookie melhor preparado, mas acima de tudo o sofrimento pelo qual passou. Tanto tempo afastado do jogo e a trágica morte de seu irmão mais novo, Arthur, em um acidente de carro em outubro de 2014.

O Philadelphia 76ers teve paciência e esperou por Joel Embiid. Ele já valeu O Processo.

A Copa do Mundo com 48 seleções é fruto de ganância e politicagem

Gustavo Hofman
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Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento

Quarenta e oito seleções, 80 jogos, 32 dias, renda de R$ 21 bilhões. Esses podem ser os novos números da Copa do Mundo a partir de 2026. Números que indicam ganância e politicagem.

Gianni Infantino assumiu a presidência da Fifa com a ideia de expansão da principal competição entre países no futebol. Inicialmente, confirma sua força entre as federações nacionais.

De acordo com o companheiro Jamil Chade, a divisão de vagas pode ficar assim: América do Sul 6.5, Concacaf 6.5, África 9.5, Ásia 8.5, Europa 16 e Oceania 1. Na prática, aumento de três para os europeus, quatro para os asiáticos, quatro para os africanos, duas para os centro-americanos e uma para os sul-americanos, além da manutenção de dois postos via repescagem (por isso o 0.5).

O própio Jamil divulgou em seu Twitter como seria a nova fórmula de disputa, que manteria o limite de sete partidas para a campeã, mas alteraria a fase de grupos para três seleções por chave.

A perda técnica é inegável, tanto que a federação alemão já vinha reclamando há tempos. Aumentar para 48 equipes resulta em mais times fracos ou medianos em uma competição que deveria reunir a nata de cada continente.

Há, ainda, a questão prática sobre o formato atual simples e que funciona com 32 seleções.

Alguns podem defender a "democratização" da Copa, mas na prática a Fifa quer agradar seus eleitores e aumentar seus ganhos. A projeção de R$ 21 bilhões de renda é 35% superior ao alcançado no Brasil em 2014.

O discurso da entidade de promover a evolução do jogo em regiões periféricas com essa alteração não se sustenta. Não é com a participação de uma seleção na Copa que o país vai evoluir, e sim a partir de trabalho de base, fortalecimento dos clubes locais e investimento em infra-estrutura.

Talvez a única boa notícia envolvendo a Fifa neste domingo tenha sido a possibilidade de união da América. Poderia haver uma única eliminatória americana, com países da Concacaf e Conmebol. Se isso gerar uma Libertadores da América grande, com fase eliminatória e bem planejada para toda temporada, o continente ganhará com certeza.

Era uma vez em Stoke...

Gustavo Hofman
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Peter Crouch marca contra o Arsenal o gol mais rápido da temporada da Premier League
Peter Crouch começou a maldição...

Nas distantes terras de Stoke-on-Trent, na região norte da Inglaterra, perdura uma maldição. Jamais outro jogador inglês voltará a marcar um mísero gol pelo Stoke City na Premier League! Tudo começou no fatídico 24 de maio de 2015...

Caía a tarde em um domingo qualquer. Mais de 27 mil pessoas compareceram ao Britannia Stadium sob o nublado céu da primavera inglesa. Em campo, o time da casa receberia o Liverpool. No entanto, já havia algo especial naquela partida, afinal, se tratava da despedida de Steven Gerrard.

Diouf duas vezes, Walters, Adam e N'Zonzi transformaram em 45 minutos o sonho de um belo último jogo em história de terror. Mesmo assim, Gerrard ainda conseguiu colocar um pitaco de magia ao descontar para o Liverpool. Seria sua última imagem.

Era uma vez, porém, um jogador inglês chamado Peter Crouch. Famoso, conhecido por todos, inclusive bastante pelos adversários, o gigante de 2m01 e dança horripilante, fez questão de entrar no conto como o mais terrível ogro. De cabeça, aos 41 minutos da etapa final, marcou o sexto gol do Stoke e decretou o placar final: 6 a 1.

Naquele dia, os deuses do futebol se levantaram contra os ingleses que vestissem a camisa do Stoke. Desde então, lá se foram 56 jogos pela Premier League e nenhum outro jogador nascido em território inglês voltou a marcar pelo time.

Escoceses, espanhóis, galeses, senegaleses, franceses, holandeses, austríacos. Os outros têm resolvido.

Na terça-feira, os Potters tiveram justamente o Liverpool pela frente na tradicional rodada pós-Natal. Decidiram, pela primeira vez desde agosto, escalar novamente Crouch como titular. Claramente era uma tentativa de quebrar o feitiço.

Não deu certo, e o único gol marcado pelo time na derrota por 4 a 1 foi marcado pelo irlandês Walters, que também marcara no amaldiçoado encontro de 2015.

Nenhum clube sofreu tanto com esse tipo de maldição como o Arsenal, que ficou incríveis 97 jogos pela Premier League ser ter um jogador inglês na súmula entre os marcadores. Theo Walcott foi o responsável pela quebra do encanto em fevereiro de 2008 diante do Birmingham.

Enquanto isso, o vento que sopra do Radial Park nos arredores do Brittania Stadium sussurra nos ouvidos dos jogadores ingleses do Stoke... "Nevermore".

Veja os gols da vitória do Stoke City sobre o Liverpool por 6 a 1

De Shaq x Kobe a Lebron x Curry, as maravilhosas histórias do Natal na NBA

Gustavo Hofman

Opções de filmes não faltam. Desde o pequeno Kevin sendo deixado para trás em casa, passando pelo assustador Grinch, a simpática Rudolph, o estranho Jack, os simpáticos Muppets, entre outros, até chegar no impagável rockeiro interpretado por Bill Nighy em Simplesmente Amor. Durante o 25 de dezembro os canais de televisão são tomados por produções natalinas.

Houve um tempo, não muito distante, em que internet era uma palavra desconhecida e televisão a cabo um sonho distante. Nessa época, se você não estivesse na rua se divertindo com os amigos e os novos brinquedos, fatalmente assistiria um desses filmes de Natal. Pois seus problemas acabaram (e já faz tempo)!

Desde 1947, logo em sua segunda temporada, a NBA resolveu agraciar os fãs do jogo com uma rodada natalina. O bom velhinho, depois de entregar os presentes a todas crianças que se comportaram durante o ano, tira as botas, deixa as renas descansando e liga a TV na ESPN e na ESPN+. No próximo domingo, serão cinco transmissões para o fã de esportes, incluindo o velho Noel.

Naturalmente, o Natal tem suas próprias estatísticas no universo norte-americano dos esportes. E ótimas lembranças também.

Como por exemplo as festas de 1990. O Chicago Bulls, de Michael Jordan, ainda não tinha sido campeão. Pelo contrário, nas duas temporadas anteriores fora derrotado nos playoffs pelo Detroit Pistons. A rivalidade com os bad boys já era enorme, e havia rumores que Phil Jackson poderia deixar o comando dos Bulls. Em noite espetacular do camisa 23, que anotou 37 pontos, Chicago venceu e permitiu que a história seguisse seu rumo.

Há pouco mais de dez anos, em 25 de dezembro de 2004, Miami Heat e Los Angeles Lakers protagonizaram confronto histórico. Foi a primeira partida de Shaquille O'Neal contra Kobe Bryant e também o retorno do pivô a LA após ser trocado pelo time da Califórnia. O frio cumprimento antes da bola subir, uma falta mais forte de Shaq durante o jogo, 42 pontos de Kobe e vitória do Heat na prorrogação.

Mais recentemente, no ano passado, houve a tradicional reedição da decisão da temporada anterior. Com 27 vitórias em 28 partidas até então, o Golden State Warriors superou o Cleveland Cavaliers por 89 a 83.

Para este domingo temos boas histórias mais uma vez. Em San Antonio, pelos Bulls contra os Spurs, Dwyane Wade entrará em quadra pela 12a vez na carreira no Natal. Nenhum jogador em atividade o supera nesse quesito.

Já Carmelo Anthony, no jogo entre New York Knicks e Boston Celtics, tentará repetir as grandes atuações natalinas. Sempre marcou ao menos 30 pontos em cada um dos quatro compromissos que teve, mantendo média de 34.3 pontos por partida. Considerando apenas atletas que já atuaram ao menos duas vezes no Natal da NBA, ele perde apenas para Tracy McGrady com 43.3 pontos por jogo.

ESPN
Crava, Papai Noel!
Crava, Papai Noel!

Russel Westbrook, por sua vez, buscará o segundo triple-double de Natal na carreira. Em 2013, contra os Knicks, anotou 14 pontos, pegou 13 rebotes e distribuiu 10 assistências durante 29 minutos na vitória do Oklahoma City Thunder por 123 a 94. Ele se tornou apenas o quinta na história da liga a atingir a marca, após Lebron James (2010), Billy Cunningham (1970), John Havlicek (1967) e a lenda Oscar Robertson (quatro vezes).

Quem não gosta muito de Natal é Stephen Curry. O jogador dos Warriors já disputou cinco partidas natalinas e tem média de apenas 11.2 pontos, com míseros 28% de aproveitamento nos arremessos. O desempenho tem sido tão sofrível, que ele tem bem mais erros cometidos (17) do que bolas de três (4). Ainda, sequer, passou da marca de 20 pontos em 25 de dezembro.

Entre os times, uma novidade: pela primeira vez o Minnesota Timberwolves vai jogar em 25 de dezembro. Sinal que o Papai Noel, após reservar Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns nos últimos anos para o time, além do técnico Tom Thibodeau, tem sido bastante bondoso com Mineápolis.

E olha que em 2015 eles abdicaram do Natal! Após escolherem o ala-pivô Rakeem Christmas, de Syracuse, o trocaram com o Indiana Pacers.

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