Mais estrangeiros, maior estabilidade, jogadores mais altos... Curiosidades do futebol europeu!

Gustavo Hofman
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O veterano Shay Given é o jogador mais velhor atualmente da Premier League com 41 anos
O veterano Shay Given, do Stoke, é o jogador mais velhor atualmente da Premier League com 41 anos

Você sabe em qual campeonato nacional na Europa há mais estrangeiros? E os jogadores mais altos e mais velhos, atuam onde? Para jovens atletas saindo da base, qual é o melhor destino? Todas as respostas estão no atlas do futebol europeu atualizado anualmente pelo CIES Football Observatory.

A princípio pode parecer apenas um compilado de curiosidades, mas para quem estuda futebol é uma ótima base de dados. A partir daí, transforma-se isso em conhecimento.

No Chipre estão, na média, os jogadores mais velhos com 28.54 anos, enquanto o Campeonato Croata escala os mais novos com 24.77 anos. É na Croácia, também, que estão os mais altos 1m83.6; Já na Bulgária os "baixinhos" dominam com 1m80.6.

Em termos de estabilidade, não há competição melhor do que o Campeonato Austríaco, onde os jogaodres permanecem no clube por 2.94 temporadas em média. Já os velhinhos do Chipre não ficam muito tempo no mesmo time, com 1.25.

De novo os cipriotas em destaque agora! Bem, na verdade, os estrangeiros que atuam no Chipre, uma vez que lá os clubes mais utilizam jogadores de fora do que os locais, com 77.2% dos jogadores que entraram em campo expatriados. O contrário acontece na Sérvia, com o índice despencando para apenas 15.2% - e ainda liderando em utilização de atletas, com 29.8 por clube em média.

Sobre utilização da base os ucranianos lideram com 29.1% e têm somente 17.5% de estrangeiros, o que é facilmente explicado pela guerra que acontece no país.

Em relação às cinco grandes ligas, alguns destaques:

- A Premier League é a mais velha, com 27.84 anos de média para os jogadores utilizados;

- Na Bundesliga estão os mais altos, com 1m83.2;

- Ingleses e espanhóis rodam pouco o elenco, com 2.66 e 2.49 temporadas em média para seus atletas;

- Serie A tem 58.8% de estrangeiros, mas fica atrás da Premier League com 62%;

- Inglaterra, Alemanha e Itália têm índices baixo de aproveitamento da base, mas Espanha e França dão mais oportunidades aos jovens revelados em casa (21.9% e 20.4%, respectivamente).

O Atlas reúne informações de 31 campeonatos nacionais europeus de primeira divisão, compiladas no período de 15/out/2016 a 15/abr/2017.

Philippe Coutinho passou lenda e já é o maior artilheiro brasileiro da Premier League

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Titular absoluto da Seleção Brasileira e do Liverpool nesta temporada
Titular absoluto da Seleção Brasileira e do Liverpool nesta temporada

Já são 132 jogos na Premier League, com 30 gols marcados e ainda 28 assistências. Números que garantem a Philippe Coutinho a condição de maior artilheiro brasileiro na história da competição, deixando para trás a lenda do Middlesbrough, Juninho Paulista. Tudo isso com apenas 24 anos.

Neste sábado, na vitória do Liverpool sobre o Stoke, fora de casa, por 2 a 1, ele e Roberto Firmino garantiram a virada dos Reds. Enquanto o ex-jogador do Vasco da Gama aparece no topo da citada lista, seu companheiro de Liverpool já surge entre os cinco primeiros.

Veja os gols da vitória do Liverpool sobre o Stoke City por 2 a 1

Philippe Coutinho
30 gols, 132 jogos

Juninho Paulista
29 gols, 125 jogos

Oscar
21 gols, 131 jogos

Roberto Firmino
20 gols, 61 jogos

Willian
17 gols, 123 jogos

Gilberto Silva
17 gols, 170 jogos

Ramires
17 gols, 159 jogos

Robinho
14 gols, 41 jogos

Elano
14 gols, 62 jogos

Geovanni
14 gols, 79 jogos

A pouca história de jogadores brasileiros no futebol inglês é claramente percebida com essa lista. Se considerarmos o período pré-Premier League, Mirandinha, ex-Palmeiras, merece destaque. Nas temporadas 1987-88 e 88-89 disputou 54 jogos na primeira divisão inglesa e anotou 19 gols.

Os dois únicos atacantes que aparecem entre os dez primeiros são, justamente, quem têm melhor média de gols. Robinho fica em primeiro com 0.34, seguido por Firmino com 0.32 (e subindo). Em breve teremos, também, Gabriel Jesus no ranking - por enquanto três gols em quatro partidas.

De qualquer modo, o feito alcançado por Philippe Coutinho merece ser valorizado não apenas pela conquista individual, mas também pela oportunidade de reverenciar Juninho. Para quem não sabe, melhor jogador da Premier League na temporada 1996-97 jogando pelo rebaixado (com polêmica) Boro!

Kluivert e David Neres brilharam no maior clássico da Holanda

Reprodução ESPN
David Neres fez o primeiro gol com a camisa do Ajax
David Neres fez o primeiro gol com a camisa do Ajax

O maior clássico do futebol holandês é Ajax x Feyenoord. Além de toda rivalidade futebolística natural de dois gigantes do país, há também a rixa existente entre Amsterdã e Roterdã. Neste domingo, voltaram a se encontrar pela Eredivisie, e dois garotos roubaram a cena.

Somadas as idades de Justin Kluivert (17) e David Neres (20), os dois são apenas um ano mais velho que o ídolo do Feyenoord, Dirk Kuyt (36). Na vitória por 2 a 1, que deixou o campeonato totalmente aberto faltando seis rodadas para o término, os garotos tiveram atuações espetaculares e desequilibrantes.

A começar pelo filho da lenda Patrick Kluivert. Justin é rápido e habilidoso, atua pela esquerda e poderia, tranquilamente, jogar ao lado do pai. Infernizou de maneira impressionante o lateral Rick Karsdorp, que foi substituído no intervalo, tamanho o baile que levou. Justin se tornou o mais jovem jogador a atuar no clássico desde Clarence Seedorf, que tinha 17 anos e 38 dias em maio de 1993.

Assista aos melhores momentos da vitória do Ajax sobre o Feyenoord por 2 a 1

Enquanto isso, pela direita, David Neres estreava como titular com muita ousadia. Ia para cima dos adversários como um veterano que há tempos defende o Ajax. Chegou a encarar Steven Berghuis quando este chutou a bola em direção aos torcedores. Diferentemente de Justin KLuivert, o brasileiro entra melhor na grande área, é melhor finalizador, e justamente fazendo a diagonal aproveitou cruzamento para marcar seu primeiro gol pelo time.

O jogo foi totalmente dominado pelos donos da casa, que não perdem na Amsterdan ArenA para o Feyenoord desde 28 de agosto de 2005, quando Salomon Kalou e o próprio Kuyt marcaram na vitória por 2 a 1, com Angelos Charisteas descontando. No retrospecto geral, a invencibilidade do Ajax contra o rival perdura desde 2012.

A Eredivisie caiu muito de qualidade nos últimos anos. Os principais jogadores deixam o país muito cedo e a seleção sofre com uma entresafra que deixou o time fora da última Euro e corre sérios riscos de não ir à Rússia. No entanto, pela filosofia ofensiva dos clubes, ainda é uma competição muito atraente e que favorece o desenvolvimento de futuras estrelas, como parece ser o caso de Justin Kluivert e David Neres.

Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
Justin Kluivert honra o sobrenome que carrega
Justin Kluivert honra o sobrenome que carrega

Jogai por nós, Renato Augusto

Gustavo Hofman
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Renato Augusto em ação contra a seleção paraguaia
Renato Augusto em ação contra a seleção paraguaia

No segundo tempo contra os paraguaios, houve uma jogada em que Miranda interceptou um passe e avançou pela esquerda. Como um atacante veloz, quebrou as linhas de marcação adversárias e só foi impedido de avançar já na intermediária ofensiva. Enquanto isso, distante das câmeras de transmissão e visível somente para quem estava no estádio, Renato Augusto organizava o time. Orientou Casemiro a guardar posição e fez a cobertura para o zagueiro, completando a linha de quatro jogadores na defesa.

Esse foi apenas um de tantos lances nos dois últimos jogos da Seleção em que foi possível constatar a importância de Renato Augusto no Brasil de Tite. Naturalmente, Neymar ganha mais destaque do que qualquer outro jogador porque é craque; Philippe Coutinho está jogando em nível altíssimo; Gabriel Jesus, antes da lesão, era a estrela; Casemiro é um dos melhores meias defensivos do mundo; Paulinho virou artilheiro; o setor defensivo é praticamente perfeito; e assim, poucos citam o jogador do Beijing Guoan. No entanto, Renato Augusto é o atleta mais inteligente taticamente desta Seleção.

Gustavo Hofman
Saída de bola em três, com Thiago Silva, Miranda e Casemiro; Laterais pressionados; Renatol volta e Paulinho avança com Coutinho e Neymar
Lance comum: saída de bola em três, com Thiago Silva, Miranda e Casemiro; Laterais pressionados; Renato volta e Paulinho avança com Coutinho e Neymar abertos

Aos 29 anos, o meio-campista passa por um excelente momento na carreira. Surgiu como meia-atacante habilidoso e com visão de jogo no Flamengo, um camisa 10. Foi negociado por cerca de 10 milhões de euros e, no Bayer Leverkusen, teve sua evolução técnica interrompida por lesões. Mesmo assim, rendeu na Alemanha quando pôde jogar e aprendeu muito sobre leitura de jogo. Ao retornar para o Brasil e ter a carreira recolocada nos eixos pela nossa medicina esportiva, provou ter se tornado um jogador bem mais completo.

Na partida contra o Paraguai, foi fundamental no balanço defensivo ao lado de Casemiro e para dar tranquilidade a Paulinho jogar como meia-atacante. Por mais que a Seleção tenha sido pouco atacada, Tite exige esse equilíbrio entre os setores. Renato acertou todos os 33 passes que tentou e perdeu a bola somente duas vezes nos 90 minutos. Nos desarmes foi tão efetivo quanto Casemiro, cada um com quatro.

ESPN
Destino final: para onde foram os 33 passes de Renato Augusto contra o Paraguai
Destino final: para onde foram os 33 passes de Renato Augusto contra o Paraguai; Pouca presença no ataque, forte na distribuição e fundamental na movimentação sem a bola

Porém, o que mais se destaca no camisa 8 é o "jogar sem a bola". Na fase defensiva, coordena e orienta os companheiros, além de possuir ótimo posicionamento para cortar as linhas de passe. Ou seja, mesmo sem conseguir um desarme ou um roubo de bola, força o adversário ao erro. Esse tipo de estatística, "erro forçado", é muito bem trabalhada em outras modalidades esportivas, como basquete e tênis.

Já na fase ofensiva, Renato preenche muito bem os espaços e tem colaborado demais, como escrito acima, para fazer de Paulinho um meia avançado por dentro, que aproveita demais a movimentação de Roberto Firmino para aparecer no último terço do campo com eficiência, assistências e arremates. Ele próprio tem atuado pouco no último terço, o que passa a impressão de estar jogando mal para quem não observa outros aspectos do jogo que não sejam gols e passes para gol.

Muito longe de afirmar que Renato Augusto seja o jogador mais importante da Seleção Brasileira. Não é. Ele é, porém, uma engrenagem fundamental para toda máquina funcionar. Como Tite bem fala, o coletivo potencializa o individual.

Abrir ou não abrir os treinamentos, eis a questão

Gustavo Hofman
GazetaPress
Seleção brasileira treina diante dos torcedores, no Morumbi
Seleção brasileira treina diante dos torcedores, no Morumbi

Passei 40 dias na cobertura da seleção alemã na Copa do Mundo. Tirando os dias anteriores à chegada e o posterior à decisão, foram 36 dias de Alemanha no Brasil em 2014. Destes, sete foram dedicados a jogos. Sobraram 29, certo? O time treinou em 28, e só não realizou treinamentos nos 29 porque a atividade no dia seguinte à vitória sobre a Argélia foi cancelada por causa da prorrogação e o maior deslocamento percorrido pelo time.

Desses 28 treinamentos, somente um foi totalmente aberto à impresa. O único exigido pela Fifa durante a Copa do Mundo, e não por causa dos jornalistas, mas sim pelos torcedores. Logo, acompanhei 27 treinamentos dos alemães em território brasileiro, e em todos pude observar somente os primeiros 15 ou 20 minutos e depois (ou antes) participar da coletiva de imprensa, onde havia educação e atenção por parte dos entrevistados.

Relato isso para defender e concordar com a decisão da comissão técnica da Seleção Brasileira em fechar os treinos para o jogo contra o Paraguai, assim como o fiz durante o Mundial em relação à prática alemã.

Na semana passada as atividade nos CTs de Corinthians e São Paulo foram totalmente abertas, assim como os treinos pós-goleada contra o Uruguai. Eu mesmo, neste blog, relatei tudo que aconteceu na terça-feira, como jogadas de bola parada e movimentações táticas. Sem qualquer proibição determinada ou acordopara não divulgação estabelecido e, inclusive, com torcedores liberados na arquibancada do CCT da Barra Funda. Vários canais de televisão transmitiram ao vivo.

É dever do jornalista, que acompanha um treinamento, assistir o que acontece no campo e entender tudo aquilo. O diploma de jornalismo não ensina a analisar futebol, por isso é fundamental para quem atua no meio buscar conhecimento e se aperfeiçoar. Passar a vida na arquibancada ajuda, mas não é suficiente. No meu caso, específico, busco isso através da Universidade do Futebol, mas existem diversos cursos e atividades práticas no mercado. Há muita gente boa por aí falando sobre futebol!

A discussão trazida no título deste post não se resume ao clichê "treino fechado não ganha jogo". Vai muito além e merece reflexão, apesar de não ser complexa. Pergunto: o treinamento serve para quem? Jornalistas e torcedores ou jogadores e treinadores? Claro que a torcida tem o direito de saber sobre o dia a dia do clube, afinal, futebol é paixão também. Mas é a profissão de muita gente, que precisa trabalhar e se preparar para as enormes cobranças diárias desse mundo.

Há, claro, a preocupação em não passar detalhes táticos e de jogadas ensaiadas, mas a questão maior tem que ser a privacidade. Para o treinador é a possibilidade de dar uma bronca ou conversar com algum atleta em particular. Para o jogador é a tranquilidade em trabalhar ou brincar com um companheiro sem o medo de ser mal interpretado.

Quando tratamos especificamente de seleções, então, onde o tempo de preparação para os jogos é mais curto, se torna ainda mais colaboradora a possibilidade de dedicação total aos treinamentos. Foco absoluto nas atividades, sem preocupações com o que está ou não está sendo mostrado.

No entanto, a assessoria da federação ou confederação precisa ser pró-ativa no relacionamento com a imprensa para fornecer todas informações possíveis. Assim como treinadores e jogadores têm que entender a importância da cobertura jornalística para a torcida, acima de tudo.

Por isso a necessidade de liberação para imagens no início ou final dos treinos, além de coletivas maiores e sem respostas monossilábicas. Eventos de relacionamento entre ídolos e fãs também são importantes, para aproximar time e torcida caso optem por não liberar quaisquer atividades.

Tudo isso jamais deve inibir o necessário trabalho de apuração de informações com fontes. Jornalismo não se faz apenas com informações oficiais. Assim como a criatividade é necessária para fugir do óbvio.

Nesta polêmica questão sobre fechar ou não fechar treinamentos não há "certo" ou "errado". Há pontos de vista diferentes.

No universo de clubes a realidade é distinta, por exemplo. Por ser algo diário e não periódico, o convívio entre jogadores e jornalistas é muito maior, além de haver culturas específicas de cada clube. Logo, o relacionamento é mais próximo e gera mais conteúdo também. Tanto é que, nesse caso, não vejo necessidade em se fechar todos os treinamentos, podendo assim determinar um ou mais, por semana, abertos ao trabalho da impremsa e/ou à torcida.

O mais importante, em todos os casos, é haver respeito. Pelas regras pré-estabelecidas, pelo trabalho alheio e pelas pessoas.

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