Como a maior rede de supermercados da Rússia ajudou a colocar um time nas oitavas da Liga Europa

Gustavo Hofman
Divulgação
Magnit é a maior rede de supermercados da Rússia e pertence a Sergey Galitskiy, presidente do Krasnodar
Magnit é a maior rede de supermercados da Rússia e pertence a Sergey Galitskiy, presidente do Krasnodar

Pela primeira vez em sua curta história, o Krasnodar está classificado para as oitavas de final da Liga Europa. Nesta quarta-feira empatou em 1 a 1 com o Fenerbahçe em Istambul e avançou na competição, após ter vencido o jogo de ida por 1 a 0. Isso após exatos nove anos da fundação do clube na cidade com o mesmo nome, localizada no Cáucaso russo.

Só que para conhecer melhor o Futebol Clube Krasnodar, ou se preferirem Futbolniy Klub Krasnodar, é necessário se aprofundar no setor de varejo da Rússia e na vida de um bilionário.

Jogo de volta: Fenerbahçe 1x1 Krasnodar

Sergey Arutyunyan nasceu na cidade de Sochi, em Krasnodar Krai, no dia 14 de agosto de 1967. Formou-se em economia na Universidade Estadual de Kuban, mesmo nome do principal rio da região, e logo depois abriu sua primeira loja. A partir daí começou a construir um império na Rússia, e após se casar adotou o sobrenome russo da esposa e passou a ser conhecido como Sergey Galitskiy.

Atualmente é proprietário da Magnit, rede de supermercados, lojas de conveniência e cosméticos, com mais de 12 mil unidades espalhadas pelo país e 140 mil funcionários. Na última lista de bilionários divulgada pela Revista Forbes em 2016 ele aparece na 209a posição, com US$ 5.7 bilhões, já atualizados atualmente para US$ 6.5 bilhões.

Parte dessa fortuna é investida no time de futebol criado por ele em 2008, o que torna Galitskiy, de 49 anos, um ídolo local, principalmente para os 750 mil habitantes de Krasnodar. Na visão do povo russo, diferentemente de outros bilionários como Roman Abramovich, ele prefere manter o seu dinheiro circulando na Rússia e ajudando sua gente.

Com mentalidade empresarial e boa estrutura, diante de um cenário obsoleto no futebol local, o Krasnodar rapidamente se destacou. Na temporada de estreia, em 2008, garantiu o acesso na regionalizada terceira divisão. Levou apenas dois anos para saltar da segunda para a primeira e em 2011-12 estreou na elite do país. De lá para cá foi nono, décimo, quinto, terceiro e quarto colocado no Russão, além de vice-campeão da Copa da Rússia em 2013-14 - há três temporadas consecutivas disputa a Liga Europa. Tornou-se rival frequente de CSKA Moscou, Spartak, Zenit São Petersburgo, Lokomotiv...

"O que mais me surpreendeu foi a união do grupo, todos se ajudam muito aqui, nos treinamentos, nas partidas. Contamos com uma excelente estrutura, que faz com que possamos trabalhar e evoluir cada vez mais. O Sergey Galitskiy é uma pessoa espetacular, que nos ajuda muito, não só financeiramente, mas também nos apoiando, conversando. Todos aqui gostam muito dele e ele tem uma grande importância. E estou bem adaptado, o clube tem uma ótima estrutura, um ótimo estádio e temos tudo para crescer ainda mais", afirma Naldo, que conversou com o blog após a histórica classificação.

Jogo de ida: Krasnodar 1x0 Fenerbahçe

O zagueiro, que se destacou por Ponte Preta, Cruzeiro e Grêmio, ex-Sporting-POR e desde 2016 no Krasnodar, é um de quatro brasileiros do elenco. Além dele, os atacantes Joãozinho (ex-Portuguesa), Wanderson (ex-Fortaleza) e Ari (ex-AZ e Spartak Moscou) completam a lista verde e amarela - que, aliás, são as cores do rival e bem mais tradicional e popular Kuban Krasnodar, hoje na segunda divisão.

Todos, assim como outros destaques nacionais e internacionais - Fyodor Smolov, Andreas Granqvist e Pavel Mamaev por exemplo - atuam no belo e moderno Stadion Krasnodar, com capacidade para 34.291 torcedores. E sob o comando do ídolo do futebol soviético e russo nos anos 1990, Igor Shalimov, ex-meia da Internazionale.

"Estamos todos muito felizes pela classificação. É algo histórico, pela primeira vez vamos disputar essa fase da Liga. Então estamos muito felizes de fazermos história aqui. O clube é excepcional. Somos uma grande família. Desde os jogadores aos funcionários, formamos um grupo forte, determinado e estamos conseguindo alcançar nossos objetivos. Esse feito vai pra toda a torcida do Krasnodar, que tanto nos apóia e hoje na Turquia também veio, incentivou e nos ajudou", completa Naldo. Pelo menos 30 torcedores atravessaram o Mar Negro e os 900 km que separam Istambul de Krasnodar para acompanhar a equipe.

Enquanto isso, o clube agora se prepara para os próximos desafios na temporada. Segue vivo na Copa da Rússia, onde encara o Ural pelas quartas de final, e retoma as atividades no Campeonato Russo após a pausa de inverno no início de março, diante do líder Spartak, que tem 12 pontos de vantagem e está quatro posições acima na tabela.

Além, é claro, de aguardar pela primeira vez o sorteio das oitavas de final da Liga Europa e seguir sonhando. Desde que o povo russo siga consumindo bem.

O inesquecível dia que jamais existiu na vida de Oscar

Gustavo Hofman

O texto a seguir é uma obra de ficção, com pitadas de realidade

Foi uma decisão surpreendente. No primeiro semestre de 1984, a Fiba informou que não haveria mais a proibição a atletas profissionais da NBA para participarem de suas competições a partir do ano seguinte. Nos bastidores, os comentários eram de que a USA Basketball pressionara a entidade pela mudança da regra.

Nos Jogos Olímpicos a medalha de prata de 1972 ainda gerava polêmica, enquanto no Mundial os universitários norte-americanos não conquistavam o ouro há muito tempo. Como a próxima edição dos Jogos Pan-Americanos aconteceria em Indianápolis, em 1987, eles queriam evitar surpresas desagradáveis em casa. Além disso, um jovem talentoso de North Carolina chamado Michael Jeffrey Jordan parecia ser uma estrela, que inclusive já estava treinando com a seleção para a Olimpíada de 1984. Depois dessa edição, quando assinasse contrato com um time da NBA, não poderia mais defender a equipe.

O Draft aconteceu em 19 de junho. Akeem Olajuwon, pivô nigeriano da Universidade de Houston, foi a primeira escolha, indo para o Houston Rockets - posteriormente ganhou um H no primeiro nome. Era realmente muito talentoso, merecia ser o jogador número 1. Depois muitos foram surpreendidos com a opção do Portland Trail Blazers, que já tinha Clyde Drexler no elenco, e optou por se reforçar com Sam Bowie ao invés de outro armador, no caso Michael Jordan, que acabou no Chicago Bulls.

Depois saíram Sam Perkins (Dallas Mavericks), Charles Barkley (Philadelphi 76ers), Melvin Turpin (Washington Bullets), Alvin Robertson (San Antonio Spurs), Lancaster Gordon (Los Anfegeles Clippers), Otis Thorpe (Kansas City Kings) e assim por diante, passando por um promissor armador escolhido pelo Utah Jazz (John Stockton, 16o) até a 47a escolha ao final da segunda rodada.

O comissário David Stern, que realizou seu primeiro Draft, anunciou só os nomes de primeira rodada, deixando depois todos os scouts e general managers trabalharem alucinadamente nos dias seguintes em busca de mais reforços. Foi assim que Oscar Schmidt acabou recrutado pelo New Jersey Nets na sexta rodada e na 131a posição.

Para os norte-americanos aquele ala brasileiro de 2m05, que jogava na Itália, ainda era um desconhecido. Não chamou a atenção da grande mídia, que se preocupava apenas com os relatos de seus repórteres enviados sobre as primeiras escolhas. Aquela classe do Draft parecia ser realmente muito boa.

Só que no Brasil, Óscar, como os americanos diziam, já era uma estrela. Campeão mundial com o Sírio em 1979, medalha de bronze no Mundial com a Seleção no ano anterior, ele já era uma figura conhecida para quem gostava de esporte. Desde 1982 estava no Caserta, do basquetebol italiano, onde fora campeão da segunda divisão e ganhava ótimo salário.

Jamais, porém, cogitou atuar na NBA já que não poderia seguir com a Seleção. Aquela decisão da Fiba mudou tudo.

Oscar ficou sabendo pela TV que fora escolhido pelos Nets. Ninguém ainda tinha ligado para a casa dele ou para seu clube. O primeiro contato foi superficial, de um diretor que ele não entendeu bem o nome, e informou que eles o encontrariam no período de treinamentos da Seleção para a Olimpíada de Los Angeles nos Estados Unidos.

O Brasil fez diversos treinos em território norte-americano, chegando a enfrentar a Universidade de Auburn, de Charles Barkley. Nessas partidas, Oscar arrebentou, com amplo domínio sobre seus marcadores, que não conseguiam impedir os arremessos que saíam do alto de suas cabeças. Ficavam com torcicolo de tanto olharem para cima.

Em um desses dias, Stan Albeck, técnico dos Nets, encontrou Oscar. A conversa foi rápida, mas suficiente para o treinador passar toda confiança no brasileiro, o qual já tinha acompanhado nos amistosos recentes e o conhecia das competições de seleções. No entanto, não podia oferecer um grande salário por causa das limitações da liga e do grande elenco que tinha em mãos. Sem a proibição de defender o Brasil, Oscar Schmidt aceitou o desafio, passou a ganhar menos e se tornou o primeiro jogador brasileiro na NBA.

Veio a Olimpíada e o Brasil decepcionou ao cair ainda na fase de grupos com uma vitória contra o Egito e quatro derrotas para Austrália, Itália, Iugoslávia e Alemanha Ocidental. Depois ainda teve que jogar a fase de consolação, onde ganhou de França e China para terminar na modesta nona colocação. Oscar foi o terceiro cestinha da competição - que teve os Estados Unidos com a medalha de ouro e o boicote da União Soviética e os países socialistas - com 24.1 pontos de média.

Os brasileiros terminaram a participação em 10 de agosto e dois dias depois ainda estiveram presentes na Cerimônia de Encerramento. Depois todos foram embora, com exceção de Oscar.

De Los Angeles o jogador foi levado diretamente para Nova Jersey, onde se encontraria com os futuros companheiros. A esposa Maria Cristina ficou encarregada de levar roupas e outros documentos que ele precisaria para viver nos Estados Unidos, mas os Nets já tinham se encarregado de toda parte burocrática.

Logo no primeiro treino, Oscar recebeu o colete de titular ao lado dos armadores Otis Birdsong e Micheal Ray Richardson, além dos pivôs Buck Williams e Darryl Dawkins. Como o brasileiro apanhou naquele treinamento! Os reservas não queriam saber quem era aquele gringo, e sim bater naquele folgado que estava tomando o lugar deles. Oscar não treinou bem.

Isso fez com que ele voltasse completamente alucinado no dia seguinte. Para cada cotovelada que tomava, devolvia com outra e uma bola de três, que já existia na NBA desde 1979 e a Fiba acabara de adotá-la. Para cada pisão ou empurrão, Oscar falava meia dúzia de palavrões em português e seguia metendo bolas de longe. Uma atrás da outra, sem permitir que os marcadores sequer encostassem na bola. Ali ele conquistou o respeito de todos.

A estreia aconteceria no dia 26 de outubro de 1984, na Brendan Byrne Arena, contra o Atlanta Hawks. Era uma equipe fortíssima, com a estrela Dominique Wilkins, o ótimo Doc Rivers e os promissores rookies Kevin Willis e Antoine Carr. O ginásio lotou para a estreia.

Os jornais já divulgavam a novidade há alguns dias: "The brazilian sensation will start". Havia expectativa por parte dos torcedores.

Antes do jogo, Oscar não estava nervoso. Os companheiros conversavam com ele, o treinador passava algumas orientações, mas nada importava muito. Aquilo tudo entrava por um ouvido e saía pelo outro. Oscar já estava em transe, obcecado por destruir o adversário, fosse ele qualquer um. No aquecimento, os torcedores ao redor da quadra estava super curiosos para ver pela primeira vez em ação em um jogo oficial o tal brasileiro que arremessava de longe.

Soa o apito. Bola ao alto e Tree Rollins leva a melhor contra Dawkins. A bola cai nas mãos de Doc Rivers, que passa rapidamente para Wilkins conseguir a enterrada poderosa.

Buck Williams bate o fundo e Birdsong conduz a bola até a quadra ofensiva. Oscar se posiciona embaixo da tabela marcado por Wilkins, quatro centímetros menor. Ele sofre o corta-luz de Richardson e na troca fica com Sly Williams, também quatro centímetros abaixo, na marcação. Desloca-se para o canto direito, Birdsong percebe e acerta o passe no fundo da quadra. Na zona morta recebe e, sem baixar a bola, com Williams dando espaço arremessa de três. A bola vai alta, voa por centésimos de segundos enquanto a torcida ainda se senta nas arquibancadas. Chuá! Não dá tempo nem de comemorar. A transição defensiva é rápida e ele tem que assumir a marcação de Sly Williams.

O jogo segue equilibrado até o fim. Dominique Wilkins é um monstro, terminaria com 34 pontos, cestinha da partida. Buck Williams dominou o garrafão dos Nets com dez rebotes, enquanto Richardson distribuiu bem as jogadas com oito assistências. Oscar teve que dividir bastante o jogo. Depois daquela bola de três, passou zerado o primeiro quarto, com poucas chances de arremessar também.

Durante a partida, o comentarista da transmissão na TV percebeu a dificuldade de Oscar na marcação. "Claramente ele tem um talento sobrenatural no ataque, mas vai ter que se esforçar muito mais na defesa. Precisará evoluir defensivamente para se tornar um grande jogador na NBA".

Oscar chegou no quarto decisivo com 15 pontos. Faltando 50 segundos, o jogo estava empatado em 100 a 100. Wilkins conseguiu boa infiltração e deixou os Hawks em vantagem. Os Nets trabalharam bem a bola no ataque e conseguiram empatar rapidamente com Dawkins, faltando 20 segundos.

Mike Fratello, técnico dos Hawks, pediu tempo e desenhou a jogada para o ótimo Eddie Johnson. Ele sabia que a defesa de New Jersey se preocuparia com Dominique Wilkins. O camisa 21 se posicionou na direita do garrafão e sofreu dois bloqueios, primeiro de Johnson e depois de Rollins. A marcação trocou e Wilkins saiu marcado, mas Johnson apareceu livre, como Fratello desenhara, na cabeça do garrafão e acertou o jump shot para deixar o placar em 104 a 102, com 4.4 segundos para o fim.

A essa altura ninguém mais no ginásio estava sentado. Oscar tinha acertado duas bolas de três, enquanto Richardson mais uma no total. Só que a jogada mais conservadora era trabalhar no garrafão com Buck Williams, e foi exatamente o que Stan Albeck programou. Richardson bateria o lateral para Oscar, que seguraria a bola e esperaria a movimentação de Birdsong por um lado e Williams por dentro, trocando com Dawkins para receber posicionado no pivô.

Quando Oscar recebeu, ele já não ouvia qualquer voz. Na verdade, ele já sabia o que fazer desde o início.

O barulho da torcida havia sumido. Ele não tinha prestado atenção nos Xs and Os do técnico, somente no momento em que percebeu seu nome sendo falado e que receberia a bola. Ela chegou nas suas mãos e o cronômetro disparou. Tudo ocorreu como previsto. Quase tudo.

Quatro, três, dois segundos para o fim... O passe não saiu.

Oscar girou de frente para a cesta, posicionado à esquerda da cabeça do garrafão. Como sempre fez, sem baixar a bola, arremessou por cima do marcador. Stan Albeck gritou algo do banco, não foram palavras amistosas.

A buzina indicando o fim do jogo ensurdeceu a todos. A bola ainda viajava.

Cesta. New Jersey Nets 105, Atlanta Hakws 104.

Oscar Schmidt venceu seu primeiro jogo na NBA naquele 26 de outubro de 1984, que jamais existiu.

Você sabe em qual liga europeia estão os goleiros mais altos?

Gustavo Hofman
Getty Images
Petr Cech: 1m96, 34 anos e estrangeiro
Petr Cech: 1m96, 34 anos e estrangeiro

Todo bom time começa com um grande goleiro, certo? Se levada ao pé da letra, a frase garante aos clubes ingleses os maiores goleiros da Europa.

Recente levantamento feito pelo CIES Football Observatory, centro de estudos de futebol localizado na Suíça, analisou os dados de 31 primeiras divisões na Europa, 3.762 arqueiros e 28.199 jogadores de linha. Constatou-se que a Premier League tem os goleiros mais altos. No geral, ou seja, em todo continente, a média subiu de 188.5 cm em 2009 para 189.1 cm no ano passado.

MÉDIA DE ALTURA DOS GOLEIROS
Inglaterra: 191.2 cm
República Tcheca: 190.8 cm
Alemanha: 190.7 cm
Croácia: 190.4 cm
Eslováquia: 190.4 cm
Sérvia: 190.4 cm
Polônia: 190.3 cm
Suécia: 190 cm
Rússia: 190 cm
Grécia: 189.6 cm

As equipes inglesas têm também os arqueiros com maior experiência no Velho Continente. Na comparação com as outras posições, na média geral do continente, é o setor com os atletas mais veteranos com 26.8 anos analisando todo elenco (28.5 como titulares), superando defensores com 26.4 (26.8), meio-campistas com 25.7 (26.3) e atacantes com 25.3 (26).

MÉDIA DE IDADE DOS GOLEIROS
Inglaterra: 29.1
Itália: 29
Chipre: 27.7
República Tcheca: 27.5
Romênia: 27.4
Espanha: 27.3
Grécia: 27.3
Ucrânia: 27.3
Hungria: 27.2
Escócia: 27.2

Quando o assunto passa a ser reforços, os ingleses também se destacam. Os clubes da Premier League possuem a maior porcentagem de goleiros estrangeiros. Entre todas posições, é a que menos desperta interesse dos clubes em buscar contratações fora do país - somente 26% no geral são estrangeiros nos elencos, contra 47.5% no caso dos atacantes.

PORCENTAGEM DE ESTRANGEIROS NA POSIÇÃO
Inglaterra: 62.1%
Chipre: 56.1%
Portugal: 49.4%
Escócia: 47%
Itália: 34.9%
Grécia: 33.2%
Holanda: 29.8%
Bélgica: 29.2%
Hungria: 27.5%
Turquia: 27.4%

Na prática, quando analisamos os clubes da Premier League temos a comprovação dos números colocados acima. Thibaut Courtois, Claudio Bravo, Willy Caballero, Hugo Lloris, Petr Cech, David Ospina, Simon Mignolet, Lorius Karius, David de Gea, Kasper Schmeichel, Gomes, Joel Robles, Maarten Stekelenburg, Darren Randolph, Artur Boruc, Lukasz Fabianski, Victor Valdés, Eldin Jakupovic, Wayne Hennessey, Steve Mandanda, Vito Mannone... E cada vez menos Ben Foster, Lee Grant, Fraser Forster, Tom Heaton...

Em termos de estabilidade na posição, porém, os times ingleses não aparecem na ponta, e sim os alemães. Entre todos setores, no geral, é o que menos muda. Em média os goleiros permanecem por 2.56 anos no mesmo clube.

PERMANÊNCIA MÉDIA DOS GOLEIROS NO CLUBE
Alemanha: 3.35 anos
Áustria: 3.25 anos
Suécia: 3.23 anos
Ucrânia: 3.20 anos
França: 3.12 anos
Suíça: 3.09 anos
Eslovênia: 2.97 anos
República Tcheca: 2.91 anos
Inglaterra: 2.90 anos
Rússia: 2.82 anos

Link para o estudo completo: Goalkeepers: what kind of specifics?

"Na guerra você faz coisas que jamais poderia imaginar"

Gustavo Hofman

Conhecer Sarajevo foi uma das experiências mais edificantes que já tive. Em 2011 visitei a capital da Bósnia-Herzegovina e senti os horrores da guerra.

Os prédios ainda destruídos.

As marcas de balas pelas paredes.

Os cemitérios improvisados e espalhados pela cidade.

O ódio e a dor ainda latentes na fala dos bósnios.

Aconteceu tudo há pouco tempo.

Nunca gostei de visitas guiadas. Sempre tive prazer em colocar a mochila nas costas e ao lado da esposa desbravar países.

Só que em Sarajevo era diferente. Soube antes que valia a pena conhecer a capital bósnia pelo olhar de alguém local. Porque todos ali viveram a guerra.

A Ajna era uma mulher de 20 anos, não mais do que isso. Madura como uma senhora de idade. Na guerra, foi uma criança de cinco anos que sofreu.

Cresceu em escolas subterrâneas, tentando ter uma vida normal. Acostumou-se a interromper as brincadeiras de rua quando as sirenes tocavam. Ou quando as sirenes não tocavam e as bombas explodiam ao redor matando seus amigos ou familiares.

Contou, sem qualquer lágrima no rosto, as dores que sentiu, as perdas que teve. Era capaz de carregar barris de água com o dobro do peso dela. Uma criança de cinco anos.

Eu, ingenuamente, a questionei "como". Ela, com o mesmo semblante sério e triste de toda visita, calmamente respondeu: "Na guerra você faz coisas que jamais poderia imaginar".

Diversos jovens que se tornariam jogadores sofreram com isso. Contei no meu livro "Quando o futebol não é apenas um jogo" a história de Edin Dzeko, por exemplo.

Nesta semana, ao assistir o filme sobre a vida de Dejan Lovren, produzido pela Liverpool TV, me lembrei da Ajna. Das palavras dela.

Lovren teve a oportunidade de fugir do país quando era criança, graças ao avô que vivia na Alemanha, o que não impediu que a guerra marcasse para sempre sua vida.

Penso em Aleppo. Lembro dos refugiados chegando na Europa pelo Mar Mediterrâneo. Reflito sobre o radicalismo político. Recuso a acreditar em decisões de barrar famílias.

Em 2011, não chorei em Sarajevo. Hoje, pais de duas lindas crianças, tenho certeza que choraria.

LOVREN: MY LIFE AS A REFUGEE

Trailer do filme sobre a vida como refugiado de Dejan Lovren

Do gol no título mundial da Alemanha ao banco do Dortmund, a decepcionante trajetória de Götze e Schürrle

Gustavo Hofman
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Comemoração do histórico gol na final da Copa de 2014
Comemoração do histórico gol na final da Copa de 2014

Aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, na intermediária ofensiva, André Schürrle recebeu passe de Toni Kroos e iniciou a arrancada. Buscou o lado do campo e conseguiu fazer a jogada de linha de fundo, acertando o cruzamento para Mario Götze, que dominou a bola no peito e bateu com o pé esquerdo.

O gol do título da Alemanha na Copa do Mundo de 2014 foi extremamente simbólico. Schürrle e Götze foram os primeiros jogadores nascidos na Alemanha unificada a defenderem a seleção alemã de futebol. O 1 a 0 sobre a Argentina deu à Nationalef seu quarto título mundial e a perspectiva de novos craques.

Pouco mais de dois anos e meio depois daquela 13 de julho de 2014, os dois protagonistas do momento histórico são apenas reservas no Borussia Dortmund. No último sábado, os dois acompanharam a importantíssima vitória sobre o RB Leipzig no banco do Signal-Iduna Park.

Em seu retorno ao Dortmund, após quatro apagadas temporadas com o Bayern Munique, Götze, 24 anos, tem até aqui números discretos na Bundesliga, após 19 rodadas: 11 jogos, sendo nove como titular e 763 minutos no total, além de um gol e uma assistência. Com Copa da Alemanha e Liga dos Campeões ele soma mais cinco partidas jogando desde o início e outro gol.

Já Schürrle, 26 anos, outro reforço do time para a temporada 2016-17 após voltar ao Campeonato Alemão com o Wolfsburg, jogou menos ainda. São nove jogos na Bundesliga, seis como titular, e um gol e duas assistências. Com a DFB Pokal e a Champions League, acrescenta cinco partidas, duas desde o início, e dois gols.

Houve a impressão, pós-título mundial de 2014, que a Alemanha tinha uma geração pronta para assumir o protagonismo deixado por Miroslav Klose, Bastian Schweinsteiger, Philipp Lahm, entre outros. Desses novos jogadores, sem dúvida alguma Götze foi quem sempre prometeu mais, e Schürrle sempre apareceu como boa opção de elenco. Não confirmaram as expectativas, mesmo em um clube extremamente propício para voltarem a jogar bem, e enfrentaram lesões nos últimos anos.

Enquanto isso, veem uma geração mais nova, capitaneada por nomes como Joshua Kimmich e o próprio companheiro de Dortmund Julian Weigl, ocuparem o espaço dos veteranos campeões.

Confira o gol da vitória por 1 a 0 do Borussia Dortmundo sobre o RB Leipzig
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