Técnico, reforços, promoções e retornos: como será a cara do Palmeiras em 2018

Gian Oddi
Gazeta Press
Abel Braga, técnico do Fluminense, é a prioridade do Palmeiras para 2018
Abel Braga, técnico do Fluminense, é a prioridade do Palmeiras para 2018

.

Sem maiores objetivos para a temporada e com a vaga na fase de grupos da Libertadores assegurada, o Palmeiras passou a pensar definitivamente em 2018 desde a vitória sobre o Sport.

A novela sobre a renovação de Fernando Prass, que deve ser resolvida ainda nesta semana, é apenas um indício que se junta à anunciada contratação do lateral-esquerdo Diogo Barbosa, do Cruzeiro, e à iminente chegada do zagueiro Emerson Santos, do Botafogo.

Lucas Limas é nome realmente próximo do Palmeiras, e a investida pelo goleiro Weverton, do Atlético-PR, também deve ter sucesso — a avaliação da direção é que as todas alternativas para o gol alviverde em 2018 precisam ser nomes experientes.

A lista de reforços pode até não parar por aí, mas, a partir de agora, só deve crescer se houver desejos pontuais do novo treinador alviverde.

O treinador
Se as possibilidade de permanência de Alberto Valentim não eram das maiores nem mesmo após as suas três primeiras vitórias na sequência, hoje elas inexistem.

Abel Braga, que ontem admitiu pela primeira vez contato do alviverde, é há um bom tempo a prioridade do Palmeiras, que considera necessária a chegada de um técnico "cascudo", com mais renome, para 2018 — era este, aliás, um dos principais atributos apreciados pela diretoria na "primeira opção" Mano Menezes.

Pela inexistência de tantos nomes com este perfil no cenário atual, contudo, Roger Machado, considerado um bom técnico mas ainda inexperiente para este Palmeiras, seria alternativa (bem menos apreciada) caso Abel Braga refute o convite.

Retornos, promoções e partidas
Além das contratações citadas no início do post, o elenco passará a contar também com o retorno de jogadores emprestados: o zagueiro Thiago Martins, hoje no Bahia, e os laterais João Pedro e Victor Luis, respectivamente na Chapecoense e Botafogo (este último ainda pode ser negociado, dependendo das propostas que o Palmeiras receber).

Outras caras, estas ainda pouco conhecidas do torcedor, passarão a integrar o elenco profissional vindos da base palmeirense, cujo desempenho recente tem sido muito bom, como comprova esta matéria. O zagueiro Pedrão, os atacantes Artur e Fernando e até o jovem e promissor lateral-esquerdo Luan Candido (de apenas 16 anos) serão promovidos.

Com quatro reforços, os novos garotos e a volta de atletas emprestados, alguns jogadores também precisarão deixar o Palmeiras, em definitivo ou por empréstimo.

Egídio está pronto para voltar ao Cruzeiro. Zé Roberto deve parar. A situação de Roger Guedes com o restante do elenco, como informamos há semanas no Linha de Passe, é complicada e ele deve ser negociado. Garotos como Erik e Hyoran podem ser emprestados para poder jogar mais.
 
É evidente que, num clube com os recursos do Palmeiras, novidades podem sempre aparecer se surgirem oportunidades no mercado. Hoje, porém, o treinador que chegar avaliará a necessidade de mudanças ou não baseando-se numa lista muito próxima à do elenco abaixo (entre parênteses os reforços ainda não oficializados):    

GOLEIROS
Fernando Prass, Jailson, (Weverton)

ZAGUEIROS
Edu Dracena, Mina (que sai em julho), Luan, Juninho, Thiago Martins, Pedrão e (Emerson Santos) 

LATERAIS DIREITOS
Jean, Mayke e João Pedro 

LATERAIS ESQUERDOS
Diogo Barbosa, Victor Luis e Luan Candido

VOLANTES
Felipe Melo, Tchê Tchê, Bruno Henrique e Thiago Santos  

MEIAS
Moisés, Guerra, (Lucas Lima), Michel Bastos e Raphael Veiga  

ATACANTES
Borja, Dudu, Willian, Keno, Deyverson, Fernando e Artur 

O motivo do fiasco: Itália não soube escolher justamente onde ainda é melhor que os outros

Gian Oddi
GettyImages
Gian Piero Ventura: escolha bizarra levou Itália a vexame
Gian Piero Ventura: escolha bizarra levou Itália a vexame

.

Não chega a ser uma grande surpresa: depois de 60 anos, a seleção italiana, quatro vezes campeã mundial e dona de uma das quatro camisas mais pesadas do futebol no planeta, não jogará uma Copa do Mundo. O baque ocorre após o empate por 0 a 0 com a limitada seleção sueca, no estádio San Siro, nesta segunda-feira.

Muitos motivos podem justificar o fiasco: uma geração distante das mais talentosas do futebol italiano; critérios da Uefa que põem Espanha e Itália para se digladiar nas eliminatórias enquanto outros grupos têm, por exemplo, Islândia e Croácia ou Polônia e Dinamarca como maiores forças; o azar no jogo de ida contra os suecos; a pontaria no jogo de volta; o alinhamento dos planetas, o mapa astral dos atletas ou as fases da lua.

Nada disso, contudo, tem tanto peso no fracasso como a escolha do treinador — curiosamente, talvez a única área do futebol profissional em que a Itália ainda se sobressai em relação aos outros países com relevância na modalidade.

Em uma terra que conta com técnicos da qualidade de Antonio Conte, Carlo Ancelotti, Maurizio Sarri, Luciano Spalletti e Massimiliano Allegri, para ficar apenas nos mais capazes treinadores italianos do momento, a escolha de Gian Piero Ventura, veterano que passou toda a carreira dirigindo times do segundo escalão do país, foi um choque para muita gente em junho do ano passado.

Ainda que atualmente as seleções, com raras exceções (como o Brasil), não contem com os melhores técnicos de seus países por questões financeiras, a escolha de Ventura surpreendeu também pela pouca expressão de seu nome.

Roberto Mancini, Fabio Capello ou até mesmo Claudio Ranieri, técnicos hoje inferiores aos cinco citados acima, certamente causariam menos estranhamento — o que, nestes casos, talvez não significasse um desempenho tão superior.

O fato é que Ventura contou com um grupo muito parecido com o que Antonio Conte teve à disposição na ótima participação da última Eurocopa. Lembremos: na primeira fase, a Itália liderou o grupo considerado mais forte do torneio, com Bélgica, Suécia e Irlanda; nas oitavas, despachou a forte Espanha sem dificuldades; e, cheia de desfalques, caiu nas apenas nos pênaltis nas quartas-de-final, contra a campeã do mundo Alemanha.

Para os confrontos contra a Suécia pela repescagem, Ventura chamou nada menos que 15 dos jogadores que Conte levou à Euro. Ainda teve Verratti, que estava machucado no torneio continental, e contava com os ótimos momentos de atletas como Jorginho, Insigne, El Shaarawy e Immobile, dos quais ele não soube aproveitar.

Vivendo a esquizofrenia entre tentar impor um modelo do jogo ousado e autoral (o 4-2-4) e acatar o clamor dos medalhões pela volta do sistema utilizado por Antonio Conte na Euro, Ventura escreveu seu nome, junto com os de seus empregadores, em um dos capítulos mais tristes e vexatórios do futebol italiano.

Um baque pesado para o calcio justamente no momento em que o Campeonato Italiano renasce com novas ideias de jogo, com a adoção (tardia) de medidas profissionalizantes que serão adotadas na próxima temporada e, também, com novos investimentos estrangeiros.

Para ir à Copa, porém, a Itália não precisava de novidades. Só precisava ter escolhido melhor na única área em que sempre teve excelência.

E outra escolha (antes discutível) de Tite se tornou incontestável...

Getty
Alisson Becker: temporada irretocável com a Roma até aqui
Alisson Becker: temporada irretocável com a Roma até aqui

.

Não é só Paulinho, hoje jogador do Barcelona, a ter justificado dentro de campo uma escolha do técnico Tite que parecia bastante questionável alguns meses atrás.

Porém, se o ex-volante corintiano o fez sobretudo em jogos da própria seleção brasileira antes mesmo de se transferir para o Barça, no caso do goleiro Alisson a mudança se dá essencialmente pelos jogos de seu time, a Roma.

O goleiro, que só jogava pelas copas menos importantes na temporada passada e por isso suscitava uma série de (justas) dúvidas sobre suas escalações como titular no gol da seleção iniciadas ainda na Era Dunga, transformou-se em destaque do Campeonato Italiano (mas não só).

Nesta segunda-feira, o jornal italiano La Gazzeta dello Sport traz uma relação com o percentual de defesas em relação às bolas chutadas a gol de todos os goleiros da competição, e é o brasileiro de 25 anos quem lidera a relação.

Alisson aparece com 86,5% das bolas defendidas, marca que o deixa à frente de nomes como Buffon, Handanovic e do badalado goleiro prodígio Donnarumma (curiosamente o último da lista com apenas 55,6% de defesas).

Não é, contudo, apenas uma questão estatística: trata-se de analisar, também, o grau de dificuldade e o momento das defesas que o goleiro revelado pelo Internacional tem feito rodada após rodada.

No último sábado contra o Bologna, por exemplo, Alisson foi pouco acionado. Mas, mesmo frio, garantiu o então 0 a 0 com uma grande defesa poucos minutos antes de El Shaarawy marcar o gol que asseguraria mais uma vitória por 1 a 0 (a terceira seguida) da Roma.

Alisson, ter Stegen, Oblak... veja as grandes defesas das muralhas do fim de semana, que fecharam o gol

Com Alisson sob as traves, o time da capital italiana não tomou gol em 7 das partidas 10 que fez pelo Campeonato Italiano, no qual tem a melhor defesa (5 gols). E na Champions League, uma atuação exuberante do brasileiro garantiu o empate por 0 a 0 contra o Atlético de Madri, em Roma.

Vida de goleiro, sabemos, é sempre ingrata e arriscada: uma sequência de ótimas atuações pode ser esquecida por uma falha num momento decisivo. O goleiro de Novo Hamburgo pode até errar já nesta terça-feira, contra o Chelsea pela Champions League, ou, pior ainda, na Copa do Mundo.

Mas, hoje, por melhores que sejam as atuações de seus "concorrentes" Ederson, Cássio ou até mesmo o esquecido Vanderlei, não há mais ninguém que possa contestar com bons argumentos a escalação de Alisson como titular da seleção brasileira.

Por que Felipe Melo concedeu entrevista?

Gian Oddi

Gazeta Press
Felipe Melo parece ser refém de seu personagem: o Ousado
Felipe Melo parece ser refém de seu personagem: o Ousado

..

Beirou o ridículo a entrevista coletiva concedida por Felipe Melo para falar sobre sua reintegração ao elenco do Palmeiras nesta segunda-feira.

A direção do clube via a coletiva como oportunidade para o jogador limpar sua barra com todos. Com a torcida, que em sua maior parte esqueceu a idolatria pelo volante após a divulgação do fatídico áudio em que Melo chamava o técnico Cuca de mau caráter, mas, sobretudo, com o próprio treinador.

Era, na visão da direção palmeirense, chance de uma manifestação pública com humildade, demonstrando arrependimento.

Felipe Melo garante que não se ofereceu a outros clubes e nega qualquer tipo de arrependimento

Mas não foi o que houve, e o tiro saiu pela culatra.

Em vez de tentar apaziguar a situação, Melo, uma espécie de refém de seu personagem ousado, procurou outro caminho.

Primeiro ao interromper o repórter para ressaltar que não havia pedido perdão a Cuca. Depois, ao dizer que, fosse ele uma “laranja podre”, o time teria “voado” a partir de sua saída, algo que acabou não ocorrendo.

Em que pese sua qualidade como jogador, a verdade é que, desde que chegou ao Palmeiras, Felipe Melo foi e segue sendo muito mais relevante e contundente nas entrevistas do que dentro de campo.

Gian Oddi: 'Por que conceder ao Felipe Melo a possibilidade de falar?'

Após a atrapalhada entrevista, sua tentativa de minimizar o que disse através do Twitter teve pouco efeito, até porque não é a primeira vez que ele o faz — basta lembrarmos do vazamento do áudio e a entrevista ao Linha de Passe horas depois.

Nesta segunda-feira, Felipe Melo foi, no melhor dos casos, pouco cuidadoso para quem sabia que sua entrevista era aguardada com enorme expectativa.

O “ativo do clube”, como ele mesmo se classificou em mais de uma oportunidade na fala de hoje, deve seguir sendo ativo apenas do ponto de vista contratual.

Cuca já não tinha muitos motivos para escalá-lo e certamente não passará a tê-los por causa da mais recente entrevista de seu mais polêmico jogador.

Felipe Melo diz que não pediu perdão ao Cuca diretamente, mas a todos do Palmeiras

Ou seja, a expectativa da direção, de que a entrevista servisse como oportunidade para o jogador tentar convencer o técnico de suas boas intenções, teve efeito contrário. E, convenhamos, ninguém poderá condenar Cuca por manter Felipe Melo fora do time.

Segue, assim, o trâmite protocolar e burocrático que, ninguém fala abertamente, mas está claro só ocorrer por conta de orientações jurídicas.

Afinal, a reintegração do jogador não ocorreu a pedido do técnico e, a julgar pela entrevista, também tem pouco a ver com a vontade do jogador de voltar a vestir a camisa do Palmeiras dentro de campo.

Com empurrão de PSG e Milan, mercado bate recorde; veja ranking de ligas mais gastonas (e surpreenda-se)

Getty
Graças ao PSG, de Neymar, Liga Francesa investiu 121% a mais que em 2016
Graças ao PSG, de Neymar, Liga Francesa investiu 121% a mais que em 2016

..

Após o fechamento da última janela do mercado europeu, pela primeira vez na história do futebol as cifras das cinco principais ligas da Europa superaram a marca dos 4 bilhões de euros gastos em contratações.

O recorde de 3,9 bilhões do último verão europeu foi superado em mais de 20% segundo um levantamento minucioso realizado pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport — neste ano o montante chegou a mais de 4,7 bilhões gastos*.

É interessante notar, contudo, que embora a Premier League continue sendo com larga margem a competição onde os clubes mais gastam, seu crescimento foi modesto em relação à temporada passada — cerca de 7%, pulando de 1,65 bilhão para 1,76 bi.

Dirigente do Barcelona conta quando soube que Neymar iria para o PSG

A liga responsável pelo maior aumento, não só em valores proporcionais como absolutos, foi a francesa, evidentemente impulsionada pelo PSG. Na França, os gastos passaram de 372 milhões para 822 mi, um crescimento de 121%!

A Itália também passou a gastar consideravelmente mais, cerca de 47%, sobretudo por causa do Milan e seu investimento chinês. Aliás, além dos ingleses, os clubes italianos foram os únicos a gastar (pouco) mais de 1 bilhão de euros em jogadores.
 
Curiosamente, a liga alemã, não à toa a mais sustentável entre as cinco maiores da Europa, foi a única onde as despesas em contratações de jogadores sofreram queda em relação ao último mercado de verão na Europa: de 659 para 608 milhões de euros.   

Segundo dirigente do Barça, Liverpool pediu 200 milhões de euros para vender Coutinho

Já na Espanha, também pela pouca necessidade de investimento do milionário campeão europeu Real Madrid, o aumento do investimento dos clubes no mercado foi pequeno, algo em torno de 8%.

Confira abaixo as listas com os valores em euros investidos pelas ligas e principais clubes, e a relação dos jogadores que mais custaram no último mercado europeu:


Liga

Gastos 2017    Gastos 2016    Variação

1) Premier League (Reino Unido)    

1,76 bi1,65 bi+7%

2) Serie A (Itália)

1,03 bi707 mi+47%

3) Ligue 1 (França)

822 mi372 mi+121%

4) Bundesliga (Alemanha)

608 mi659 mi-8%

5) La Liga (Espanha)

553 mi512 mi+8%


Os 10 times que mais gastaram no mercado 
(milhões de euros)
1) PSG (França) - 383
2) Milan (Itália) - 228
3) Manchester City (Inglaterra) - 209,9
4) Chelsea (Inglaterra) - 204,5
5) Barcelona (Espanha) - 192
6) Manchester United (Inglaterra) - 161,8  
7) Everton (Inglaterra) - 158,6
8) Roma (Itália) - 148,2
9) Juventus (Itália) - 141,2
10) Liverpool (Inglaterra) - 140

Os 10 jogadores mais caros do último mercado (milhões de euros)
1) Neymar (PSG) - 222
2) Mbappé (PSG) - 145
3) Dembelé (Barcelona) - 105
4) Lukaku (Manchester United) - 83
5) Moarata (Chelsea) - 66,5
6) Mendy (Manchester City) - 57,5
   Lacazette (Arsenal) - 57,5
8) Walker (Manchester City) - 50
   Sigurdsson (Everton) - 50
10) Matic (Manchester United) - 44,5

* Diferenças em relação a outras listas similares ocorrem pela contabilização ou não de bônus previstos em contratos. Aqui as contas incluem valores que serão atingidos por metas meramente burocráticas feitas para burlar o Fair Play financeiro (por exemplo, já se considera como 145 milhões de euros o valor pago pelo PSG por Mbappé). 

mais postsLoading