O Corinthians será campeão brasileiro?

Gian Oddi
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Jadson, desfalque do Corinthians por 30 dias: é preciso calma com as previsões
Jadson, desfalque do Corinthians por 30 dias: é preciso calma com as previsões

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Que não temos a capacidade de responder à pergunta do título deste post no mês de julho deveria ser óbvio para todos. Mas não é.

Primeiro foi a ânsia em apontar o bom time Fábio Carille, por seu começo excepcional, como o provável campeão após apenas 11 ou 12 rodadas de um campeonato de 38.

Em que pese o bom futebol e a organização corintiana, ignorava-se nesta precipitação, por exemplo, o fato que o ótimo time do Grêmio, jogando um futebol vistoso e eficiente, perdera três jogos na sequência (Corinthians, Palmeiras e Avaí) sem necessariamente ter jogado mal.

Algo que, faltando mais de 20 rodadas para o fim da competição, poderia e pode ocorrer não só com o Corinthians como com qualquer outra equipe – afinal, é de futebol que falamos.

Ignorava-se também que o Corinthians, como propagado no início do torneio para após 10 rodadas ser negado por tantos (resultados fazem mágica...), tinha e continua tendo um elenco menos poderoso que alguns de seus rivais.

Agora, incrivelmente, já há quem veja em dois empates um motivo para decretar a provável derrocada de um time que vem mostrando organização, padrão e empenho acima da média desde o início do torneio.

Cita-se para isso, além dos dois empates contra Atlético-PR e Avaí (que por detalhes poderiam ter terminado com vitórias), os problemas médicos de Jadson (fora por ao menos 30 dias) e Pablo (seis semanas ausente).

Vale ressaltar que em apenas quatro de seus 15 jogos no Brasileiro o Corinthians entrou em campo com sua formação dita titular: nas contundentes vitórias contra Palmeiras e Bahia e nos empates com Chapecoense e Avaí (quando perdeu Jadson e Pablo com apenas 15 minutos de jogo).

Ainda que tiremos o empate com o Avaí da conta de “jogos com os titulares” (porque perdeu dois deles muito cedo), a matemática de desempenho do Corinthians neste Brasileiro é a seguinte:

Iniciando COM os 11 titulares (3 jogos) – 77% de aproveitamento

Iniciando SEM o time titular (12 jogos) – 83,3% de aproveitamento

Diante do desempenho corintiano, diante de como ocorreram seus dois “tropeços” nas últimas rodadas e diante dos dados acima, soa novamente precipitado querer apontar uma inevitável derrocada do líder do campeonato.

Seria legal deixarmos a contundência das opiniões para as análises possíveis: sobre o que aconteceu, o que acontece e, vá lá, o que pode acontecer em prazos mais curtos.

Deixemos as previsões impossíveis para os discípulos de Mãe Dinah.

A (ousada) opção de Bonucci: por que ele deixou a Juventus e escolheu o Milan?

Gian Oddi
Getty Images
Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan
Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan

Pep Guardiola já disse que, se pudesse, formaria um time com 11 Bonuccis. Exagero ou não do treinador espanhol, é fato incontestável que, hoje, aos 30 anos de idade, Leonardo Bonucci seria titular em qualquer time do planeta. Qualquer mesmo, pode simular.

Neste cenário, não deixa de ser curioso, embora compreensível pelos motivos que vêm a seguir, a escolha do zagueiro ao trocar a toda poderosa Juventus, atual hexa campeã italiana e vice-campeã europeia, pelo tradicionalíssimo, mas hoje combalido, Milan — que está fora, mais uma vez, da Champions League.

O motivo da saída de Bonucci não é segredo: a pouca sintonia com o técnico Massimiliano Allegri, que chegou a deixar o zagueiro nas tribunas, fora de uma partida de oitavas-de-final da última Champions League contra o Porto, como punição por uma ríspida discussão entre eles.

O peso que teve em sua decisão o bate-boca com seu amigo Barzagli e, sobretudo, a duríssima bronca (segundo relatos do diário La Stampa seguida até mesmo de contato físico) em Dybala, durante o intervalo da final europeia contra o Real Madrid, não saberemos até que Bonucci se manifeste — e talvez continuemos sem saber mesmo que ele o faça.

Fato é que Bonucci queria deixar a Juventus. Um clube que tem feito questão de propagar que, em Turim, jogadores insatisfeitos, até mesmo os melhores, não permanecem: quem quiser sair que saia. Algo que se comprovou na liberação, sem maiores empecilhos, do brasileiro Daniel Alves.

reprodução
Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália
Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália

Explicada a saída, fica a pergunta: por que o Milan?

Guardiola adoraria recebê-lo em Manchester, e certamente Mourinho não pensa muito diferente. Antonio Conte, que Bonucci já rotulou como “o homem que fez eu me tornar quem sou”, idem. Real Madrid, Barcelona, Bayern... não há time abastado neste planeta que não gostaria de tê-lo entre seus 11.

Segundo relatos de pessoas próximas ao jogador reportados pela imprensa italiana, contudo, Bonucci simplesmente não queria deixar a Itália.

Eu admito ser suspeito quanto à pré-disposição para compreender as razões de Bonucci não querer trocar a Itália para viver em Manchester e mudar o patamar, entre outras coisas (mais ou menos relevantes que isso), de suas refeições.  ; )

Do ponto de vista esportivo, porém, sua escolha é ousada e desafiadora.

Ele chega a um Milan renovado e, agora, novo rico graças aos investimentos chineses. Um clube que acabou de investir mais de 125 milhões de euros em jogadores jovens (a maioria realmente bons e promissores), mas que agora gasta 40 milhões em (fato raro) um zagueiro capaz de mudar seu patamar de disputa — por qualidade técnica, respeito e espírito de liderança.

Leonardo Bonucci chega ao Milan com a intenção e a missão de ser o capitão e líder de uma reviravolta na história do clube. Chega para despertar o gigante adormecido há seis anos.

Bonucci virou, acima de tudo, um símbolo da mudança.

Resta saber se conseguirá fazê-la.

As três opções de Leco e sua escolha infeliz: ele realmente pensa o que disse?

Gian Oddi

Leco: 'A diretoria não tem nenhuma responsabilidade; tivemos a coragem de contratar o Rogério'
Coloque-se na seguinte situação: você é presidente de um dos clubes mais populares do país e contrata para ser treinador da equipe o maior ídolo da história deste clube — decisão que, maquiavélica ou não, acaba por ajudá-lo na reeleição para a presidência. 

Em seu segundo mandato, contudo, você vende boa parte dos jogadores importantes do time e, ainda que os reponha, dificulta indiscutivelmente a vida do novato treinador, que acaba demitido cerca de seis meses após sua (arriscada) contratação.

Na primeira entrevista coletiva após a demissão, vem a inevitável pergunta: "Qual a parcela de responsabilidade que a diretoria tem no fracasso do treinador?".

Daremos a você, senhor presidente, três opções de respostas para avaliar a que melhor caberia para a ocasião:

1) "A responsabilidade é toda nossa. Não apenas porque fizemos uma aposta que talvez ainda não fosse o momento de fazer, mas porque, por circunstâncias financeiras e administrativas, não pudemos dar ao treinador as condições que considerávamos ideais para realizar o trabalho"; 

2) "Temos nossa parcela de responsabilidade. É claro que a troca de jogadores no elenco, embora necessária por aspectos financeiros, não ajudou o trabalho do Rogério, que sai pela conjuntura atual do campeonato, mas demonstrou condições e predicados para realizar, no futuro, bons trabalhos como treinador";   

3) "A diretoria não tem nenhuma responsabilidade. A diretoria, que teve a coragem de contratá-lo sendo uma figura ainda desconhecida e novata no tema específico da direção técnica, confiou no trabalho e deu a ele todas, todas todas e um pouco mais, as condições de realizá-lo".

Embora a opção 1 talvez seja a que melhor reflete a realidade dos fatos, era de se esperar que Leco, presidente do São Paulo, optasse por um caminho mais próximo da opção 2 — por polidez, diplomacia e respeito à figura de Rogério Ceni.

Optar pela absurda opção 3, dita textualmente, como é possível ver no vídeo acima, demonstra não apenas um caminho em certo aspecto agressivo e impopular (pouco inteligente, portanto). 

Quando Leco exime sua direção de qualquer responsabilidade no insucesso de Rogério, ele demonstra desconexão com a realidade e desconhecimento sobre os aspectos mais banais sobre a montagem de um time de futebol. Problemas que podem continuar influenciando, negativamente, o trabalho do futuro treinador tricolor.

Resta ao torcedor são-paulino uma esperança: a de que Leco não tenha dito aquilo que realmente que pensa.

Gian não vê São Paulo rebaixado, mas avisa: 'Não vai ser pela demissão do Ceni'

Palmeiras, Nobre, Mustafá e Crefisa: méritos e perigos que muitos não querem enxergar

Gazeta Press
Leila Pereira, da Crefisa, ao lado do então presidente Paulo Nobre, em evento no Palmeiras
Paulo Nobre, então presidente do Palmeiras, ao lado de Leila Pereira, da Crefisa: hoje, rompidos


O Palmeiras não depende do dinheiro da Crefisa, nem do dinheiro de Paulo Nobre, e não vive de "mecenato". O Palmeiras, contudo, corre riscos pela maneira como se comporta institucionalmente para agradar sua generosa patrocinadora.

Embora ambas as frases, não excludentes, sejam óbvias para quem acompanha o dia a dia do clube nos últimos 5 anos, elas continuam a ser negadas — com veemência — por lados "opostos".

Há aqueles que se recusam a ver a evolução do clube em praticamente todos os seus segmentos nos últimos anos, assim como existem os que preferem fazer vistas grossas aos privilégios indevidos oferecidos à patrocinadora, personificada em sua presidente, Leila Pereira.

Estudos e reportagens publicados nestas duas últimas semanas, contudo, tornam mais complicada a missão daqueles que se recusam a enxergar o óbvio.

Comecemos com o estudo divulgado pelo Itaú BBA no último dia 20, que conclui, textualmente: "se o patrocinador deixasse o clube e os valores voltassem a patamares de mercado, a capacidade de investimentos diminuiria, mas não tornaria o clube inviável... o Palmeiras se coloca como um dos líderes no processo de organização da estrutura do futebol e candidato a permanecer na disputa por todos os títulos que disputar".

É inegável que os empréstimos feitos pelo ex-presidente Paulo Nobre, caminho longe do ideal para que um clube de futebol resolva seus problemas financeiros, foram determinantes para o Palmeiras chegar à boa situação relatada pelo estudo do Itaú BBA.

É importante, porém, ressaltar que as condições de tais empréstimos, a juros baixos e com contratos que impedem qualquer tipo de ônus futuro ao clube (pelo contrário, como mostra matéria do Diário Lance!), não deixam o Palmeiras numa situação de suscetibilidade ou dependência em relação ao seu ex-presidente — algo admitido até mesmo por seus opositores, embora o atual presidente, Maurício Galiotte, esteja se esforçando para quitar a dívida rapidamente.

Devido à personalidade de Nobre, intransigente, avesso a escutar até mesmo os mais próximos e, para muitos, "mimado", foi essencial para o Palmeiras que os acordos fossem firmados como foram, sem permitir que, num eventual acesso de irritação ou rompimento com a gestão seguinte (que de fato veio a ocorrer), ele pudesse onerar o clube de alguma forma.

Fato é que, no período de sua gestão, o Palmeiras estancou a sangria com seu empréstimo, mas soube trabalhar, paralelamente, para estruturar o clube e seu departamento de futebol (da base aos profissionais), além de aumentar as receitas significativamente sem depender de uma fonte única — o propagado patrocínio respondeu por não mais que 19% das receitas de 2016, quando o time se sagrou campeão brasileiro, um ano após o título da Copa do Brasil.

No cenário atual, já estruturado e com receitas significativas variadas (patrocínio, bilheteria, sócio torcedor, novo acordo de televisão, venda de produtos...), a Crefisa, principal patrocinadora do Palmeiras, tomou as manchetes por seus investimentos vultosos e, como admitiu seu dono, José Roberto Lamacchia, ao blog de Mauro Cezar Pereira, acima do valor de mercado.

Receber muito dinheiro não é, evidentemente, o problema do Palmeiras em relação à Crefisa. Afinal, qual deveria ser a postura dos atuais dirigentes do clube? "Seu Lamacchia e Dona Leila, infelizmente não podemos aceitar um patrocínio assim, com tanto dinheiro, desculpem-nos". A reação soaria bizarra e insensata, não apenas no Palmeiras, mas em qualquer clube de futebol.

A Crefisa tem o direito de gastar quanto dinheiro entender ser necessário para tornar o time competitivo, trazendo assim resultados desportivos que aumentarão a exposição de sua marca. E o Palmeiras, desde que cumprindo todas suas obrigações fiscais e legais, tem o direito de recebê-lo.

A questão a ser debatida, portanto, não deveria ser focada no montante de dinheiro investido pela patrocinadora, mas no motivo do investimento. E é neste ponto que não podem ser ignoradas as duas matérias publicadas nesta semana pelo repórter Danilo Lavieri, do UOL Esporte: "Palavra de Mustafá permitiu Leila ser conselheira" (fechada para assinantes) e "Parecer jurídico questiona ação de Mustafá, que avalizou Leila no conselho".

Danilo Lavieri / UOL Esporte
Ficha de associação de Leila obtida pelo UOL Esporte: Mustafá pediu mudança de data
Ficha de associação de Leila obtida pelo UOL Esporte: Mustafá pediu mudança de data


Lavieri teve acesso a documentos que demonstram, sem deixar margem a dúvidas, ter havido um único motivo para que Leila Pereira tivesse alterada a data de sua associação ao clube (de 2015 para 1996!): o pedido de Mustafá Contursi. Graças à ação do ex-presidente e poderoso conselheiro, Leila pôde concorrer nas eleições ao conselho palmeirense — e foi eleita com votação recorde, em fevereiro. Em outras palavras, ignorou-se o estatuto de um clube centenário.

O Palmeiras e Mustafá Contursi, mesmo diante das evidências apresentadas pela reportagem, preferiram não dar explicações sobre o caso à reportagem do UOL Esporte.

Mas deveriam fazê-lo.

Porque há coisas que o dinheiro não compra. Ou, pelo menos, não deveria comprar.

Eurico Miranda faz de São Januário a sua Coreia do Norte: até quando?

Armando Paiva/Agif/Gazeta Press
Eurico Miranda durante apresentação de Luis fabiano no Vasco
Eurico se comporta, em 2017, como se estivésse cinco décadas atrás 

É desnecessário, para qualquer vascaíno, detalhar a tradição democrática do Clube de Regatas Vasco da Gama, forjada através de lutas por "negros, pobres e operários", como diz a música entoada pela torcida que "ergueu São Januário".

É curioso, portanto, que um dirigente que se considera a personificação do Vasco trabalhe com tamanha intensidade para destruir um rótulo que vale tanto - ou mais - que os inúmeros troféus conquistados pelos jogadores dentro de campo em quase 120 anos de história.

Não foram poucos, nas últimas semanas, os fatos ou relatos que apontaram para este caminho.

Nas redes sociais, ao menos centenas de torcedores relataram ter sido bloqueados pelas contas oficiais do clube depois de emitirem opiniões contrárias à atual gestão - a repercussão cresceu quando vascaínos célebres como o ator Bruno Mazzeo e o ex-jogador Juninho Pernambucano relataram o fato em suas contas.

Nesta semana, a torcida Guerreiros do Almirante (GDA) informou, através de nota, que não iria a São Januário para o jogo contra o Avaí devido a ameaças feitas por grupos ligados à diretoria; disse, também, que "vêm ocorrendo diversos casos de agressões a sócios e torcedores, fazendo com que nossa casa tenha se tornado um ambiente hostil ao torcedor vascaíno" (leia a nota completa). Não foi um relato isolado de tal prática.

E de fato, neste último sábado, não foram poucos os relatos informando que a confusão entre torcedores do Vasco, ainda no primeiro tempo, ocorrera porque integrantes de uma torcida organizada conhecida por ser uma espécie de milícia da atual gestão vascaína partiu para cima de outros torcedores que se manifestavam com os gritos de "Fora, Eurico!".

Por fim, o trabalho da imprensa, um dos pilares de qualquer democracia, continua parcial ou totalmente vetado dentro de São Januário, dependendo do caso. Eurico, como é praxe desde suas gestões mais antigas, se considera no direito de vetar o trabalho de jornalistas de empresas nas quais um ou mais profissionais tenham emitido opiniões críticas ao seu trabalho.

Neste contexto, é essencial não perdermos de vista, também, todo o imbróglio que cercou o processo eleitoral que trouxe Eurico Miranda de volta à presidência vascaína em 2014.

São episódios, todos eles, baseados em relatos de fontes diversas e que trazem fortes indícios ou mesmo provas de ações reprováveis. As respostas do Vasco, quando o clube opta por se manifestar, são pouco convincentes e/ou facilmente questionáveis - suas posições, quando existentes, estão disponíveis nos links em cada um dos parágrafos acima.

É incrível que Eurico Miranda e aqueles que o cercam não sintam sequer constrangimento ao agir de tal forma em pleno século XXI. Eurico se comporta como uma espécie general congelado no ano de 1968, que, ao despertar no século seguinte, ignora completamente a conjuntura e contexto que o cercam em 2017.

O mais impressionante, porém, é que consiga fazê-lo.

São Januário, nas mãos de Eurico, virou a Coreia do Norte do futebol brasileiro.

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