Flamengo e Botafogo não se opõem a assumir pagamento, que vai direto para policiais. Ferj pede bom senso

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Mesmo com altas taxas já cobradas no Rio, Flamengo e Botafogo se mostraram dispostos ao pagamento do policiamento em dias de jogos, conforme projeto de Lei apresentado pelo Blog nesta terça-feira. O Fluminense prefere não se manifestar e o Vasco ainda não retornou.

A Ferj também foi consultada. Embora a entidade lembre que a "segurança do cidadão é responsabilidade do Estado", concorda ser justa a remuneração em eventos particulares.

"A Federação de Futebol do Rio de Janeiro, em princípio, entende até ser justo a remuneração por serviços particulares, que não sejam obrigação do Estado. A segurança do cidadão é responsabilidade do Estado. Obviamente que é necessário uma discussão mais ampla sobre o objeto e que o PL atinja não só o futebol, mas todos os eventos. É um caso complexo que merece reflexões, bom senso e estudo", disseram em nota.

O que disse o Flamengo, através da assessoria de imprensa:

"pessoalmente, o presidente (Eduardo Bandeira de Mello) é amplamente a favor da ideia. Mas o tema precisa ser discutido internamente no Flamengo. De qualquer forma, ele vê com bons olhos"

O que disse o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira:

"Não li o projeto, mas é um caso a estudar. Embora já pagarmos a segurança privada, vale ver detalhadamente. Dependendo da cobertura que vão nos dar, pode ser uma boa ideia".

Reprodução ESPN
Veja imagens da confusão entre torcidas de Fla e Botafogo e a polícia
Policial tenta cerco a torcedor em dia que um botafoguense foi morto a tiros no entorno do Nilton Santos

Pagamento iria direto para o policial

O post publicado nesta terça-feira continha um erro em relação aos valores e ao destino da taxa (veja a versão corrigida). Segundo um dos autores do projeto de Lei, o capitão Cleber Moura, que auxiliou o deputado Roserverg Reis (PMDB) na elaboração da proposta, o valor a ser pago pelo policiamento no dia dos jogos iria direto para o policial: 

"As partidas de futebol no Brasil são negócios de natureza privada onde todos aqueles que promovem, organizam ou coordenam estes eventos esportivos percebem vantagem financeira com sua realização, incluindo neste rol as confederações, federações, ligas, clubes, associações de torcedores, e não é pertinente que a sociedade financie, através do pagamento de impostos, a segurança em eventos privados, com fins lucrativos, disponibilizando um grande efetivo de agentes de segurança pública sem qualquer contrapartida por parte dos clubes que detêm o mando de jogo na partida", justificou o capitão que é ex-integrante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE). 

Uma outra taxa, que também passaria a ser cobrada, iria para a corporação. Seriam os custos referentes às vistorias que a PM faz para liberação dos estádios, anualmente. O valor para o Maracanã (estádio com capacidade maior que 30 mil lugares) seria de cerca de R$ 12 mil.

Pela proposta, a corporação deverá investir o montante em "realização de programas de ensino, especialização, treinamento, qualificação, aperfeiçoamento e reciclagem dos Policiais Militares, bem como aquisição, manutenção, ampliação e modernização de equipamentos, máquinas, bens móveis e imóveis de preservação da ordem pública".

 

Em penúria financeira, PM do Rio quer cobrar por segurança em estádios

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Gazeta Press
Houve confusão do lado de fora do Engenhão
Um torcedor de 28 anos morreu após tiros disparados antes do clássico Botafogo x Flamengo, no fim de semana

A Polícia Militar do Rio espera com grande expectativa a aprovação de um projeto de Lei que determina que os clubes do Rio paguem pelo policiamento feito por PMs em dias de jogos. De acordo com o texto, um jogo como o de domingo, entre Botafogo e Flamengo, renderia aos cofres públicos cerca de R$ 24 mil, se tivessem sido utilizados os cerca de 150 policiais previstos. O projeto que institui a "Taxa de Segurança Preventiva" está sendo analisado pela Comissão de Constituição de Justiça da Assembleia Legislativa do Rio. 

A proposta é que a PM receba uma compensação financeira pelo trabalho dos policiais que são deslocados do policiamento de outras áreas do Estado, para atender aos eventos. No texto, há uma proposta financeira que divide os valores por carga horária. Um PM que trabalhar num turno de 8 horas para um jogo, custaria ao clube R$ 160 por partida. Os valores foram baseados na UFIR-RJ e seriam pagos à Secretaria de Fazenda que seria obrigada à repassá-lo à PM. 

"Desse modo, a sociedade estará sendo compensada, pois os recursos arrecadados, deverão ser investidos no aprimoramento e motivação dos policiais, bem como na aquisição de equipamentos", escreveu o autor do projeto, o deputado Rosenverg Reis (PMDB).

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A proposta foi elaborada em parceria com o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), unidade da PM do Rio que faz o policiamento em estádios. Atualmente, o efetivo que trabalha nos estádios não recebe qualquer remuneração por parte dos clubes ou da Federação de Futebol do Rio, muito menos o Estado pela cessão dos policiais.

"Nunca tivemos uma conversa sobre esse assunto. Acho que é algo que deve ser discutido. Quando fazemos o planejamento de um jogo, envolvemos diversos batalhões que deslocam os seus homens para policiar. Na prática, deixam de ser usados em outras áreas da cidade", disse o comandante do GEPE Major Silvio Luiz.

Nos borderôs de jogos, a Policia Militar, de fato, não aparece. As despesas que os clubes têm, atualmente, são com Bombeiros e Segurança Privada. No jogo entre Botafogo e Flamengo, foram gastos pelo alvinegro R$ 51 mil com o serviço.  

Nove estados já cobram

Em SP, assim como em outros oito estados, os clubes pagam ao Estado pelo uso dos policiais. A remuneração aos cofres públicos paulistas é maior do que a proposta pelo Rio. No jogo entre Palmeiras e Chapecoense, amistoso ocorrido em janeiro, o Governo de SP recebeu cerca de R$ 264 por cada um dos 300 policiais envolvidos, um total de R$ 79,2 mil de arrecadação. Mas, diferentemente do que é proposto no Rio, a Secretaria de Fazenda do estado não é obrigada a repassar a quantia à PM.

Os estados que adotaram a prática são (de acordo com o projeto de lei do deputado): SP, BA, GO, MT, MG, PR, RS, SC e TO. No texto também foram citados países que compartilham os custos com os clubes e entidades que exploram o futebol: Argentina, França e Espanha.

Policiais não receberam pela Olimpíada

No clássico entre Botafogo e Flamengo, no último fim de semana, um torcedor alvinegro, de 28 anos morreu, por disparos de arma de fogo antes da partida, no entorno do estádio Nilton Santos. O caso expôs a redução do policiamento que fazem protestos em todo o país. Onde deveriam estar trabalhando entre 100 e 150 policiais, havia apenas pouco mais de 50.

No Rio, os policiais militares ainda não receberam salários de dezembro, nem décimo terceiro. Também ainda não tiveram depositados os cerca de R$ 42 milhões prometidos pelo Governo Federal pelo trabalho extra durante a Olimpíada. 

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*Nota do Blog: após a publicação, um dos autores do projeto, o capitão Cleber Moura, ex-integrante do GEPE esclareceu ao Blog a forma de remuneração dos policiais. Havia um equívoco em relação ao valor a ser pago por cada policial. A informação foi corrigida neste texto. 

Ele também informou que o valor a ser pago pelos clubes será destinado ao policial que participar do policiamento da partida. A proposta ainda deve ser votada. 

Dívida 'misteriosa' de R$ 30 milhões com Odebrecht pode fazer Botafogo perder jogadores

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
ESPN.com.br
Jefferson, goleiro do Botafogo
Jefferson, goleiro do Botafogo

Uma fatura milionária cujos bastidores são guardados a sete chaves ameaça o futuro do Botafogo. Quase R$ 30 milhões de uma dívida que o clube tem com a Odebrecht que envolve como garantias de pagamento os direitos econômicos de 88 jogadores entre atletas que ainda estão em General Severiano, como o goleiro Jeferson, e outros que já deixaram o Rio, caso de Vitinho, Gabriel, volante, e o lateral Gilberto. Contraída em fevereiro de 2014, a dívida deveria ter sido paga até o ano passado. Mas até agora, nenhum centavo foi pago.

A Odebrecht parece não querer receber, embora esteja em grave crise institucional e financeira desde o início da Lava-Jato. Não só o clube nunca foi acionado para receber, como jogadores envolvidos nas garantias não foram procurados para tratar do assunto. O Blog entrou em contato com empresários responsáveis pela carreiras de alguns dos atletas cujos direitos foram empenhados e nenhum deles sequer tinha conhecimento de tal negociação.

Passivo da gestão de Maurício Assumpção, não se sabe qual foi o motivo do empréstimo. O contrato foi assinado e é válido, mas estranhamente não passou pela aprovação do Conselho Deliberativo do clube. Mais estranho ainda é o fato de a Odebrecht não ter feito qualquer gesto na tentativa de receber o dinheiro.

Quando os milhões entraram na conta do Botafogo, a Odebrecht estava em meio a uma briga com o Flamengo para que o mesmo assinasse com o Maracanã, administrado pela construtora. Sem a assinatura com pelo menos dois clubes, a concessão poderia ser contestada. O Fluminense já havia garantido contrato de longa duração, mas faltava o rubro-negro. O então chamado Engenhão, agora Nilton Santos, seria uma opção para o clube, mas era administrado pelo Botafogo. Na época, suspeitou-se que o valor seria uma forma de fidelizar o clube alvinegro aos interesses da empreiteira, mas nada foi provado.

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Não se sabe, também, quem intermediou o empréstimo milionário. Nas investigações da Lava-Jato, o nome do Botafogo é citado como apelido do deputado Rodrigo Maia, botafoguense e filho do prefeito César Maia, responsável pela construção do então chamado Engenhão. A obra foi finalizada pela Odebrecht, após saída de um consórcio anterior formado pelas empresas Delta, Racional e Recoma.

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O valor devido está devidamente declarado nos balanços financeiros do Botafogo. Em 2014, eram 23.729 milhões. No de 2015, último publicado, o valor já estava em R$ 28.769 milhões. Não se sabe em qual empresa do grupo Odebrecht estaria declarado o valor emprestado ao clube. Na declaração do clube, a rubrica aparece em nome de Odebrecht Part.

Procurada, a Odebrecht se nega a dar qualquer informação sobre o empréstimo. A reportagem procurou a empresa pelo menos duas vezes no último ano para tratar do assunto, mas não teve qualquer informação. A atual gestão do Botafogo prefere não falar sobre a dívida, pois alega que também é vítima do problema. O ex-presidente do clube, Maurício Assumpção não foi localizado.

 

Correndo risco de perder cargo, governador do Rio aprova candidatos a assumir Maracanã

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Marcelo D?Sants
O abando no estádio pode ser visto em todo estádio
Reformado há 4 anos por cerca de R$ 1,5 bilhão, estádio foi abandonado após Olimpíada. Quem vai arcar com os reparos? 

Mesmo com o governador Luiz Fernando Pezão cassado desde a noite desta quarta-feira, o Governo do Rio validou as inscrições dos dois grupos interessados em comprar a concessão do Maracanã, da Odebrecht. Um ofício foi enviado às empresas por volta das 10h desta quinta com a validação.

A partir de agora, a decisão está nas mãos da construtora que pretende não demorar mais que uma semana para decidir quem fica com o ex-maior do mundo, a francesa Lagardère ou o grupo formado por Amsterdam Arena, GL Events, CSM, com o aval do Flamengo.

A BWA, empresa dos irmãos Balsimelli, que era duramente contestada pelo rubro-negro, saiu da parceria com a francesa. A empresa, que integrava o grupo através da Lu Arenas, não foi incluída na proposta aprovada pelo Estado. 

Valor da compra 

A partir de agora, as empresas devem apresentar à construtora o valor que pretendem pagar para explorar o estádio pelas próximos 31 anos e o plano de negócio. A quantia deve girar em torno de R$ 60 milhões, mas um ponto pode ser o fiel da balança na negociação, que é se as empresas vão aceitar fazer todos os reparos e arcar com todos os prejuízos deixados por Carlos Arthur Nuzman e sua companhia, durante a Olimpíada.

Amsterdam Arena e parceiros dizem publicamente que vão arcar com os custos, mesmo ainda desconhecidos, enquanto os franceses não são tão assertivos em relação a este ponto. Dizem que estão em conversas, que sabem que os reparos terão de ser feitos, mas que discutem a melhor forma de resolver o problema.

Governo instável

A cassação _ mesmo que ainda em primeira instância _ do Governo do Rio pode ser um complicador. O Blog perguntou aos dois grupos se eles continuam interessados em assumir um estádio, cujas bases legais foram avalizadas por um Governo que está pendurado pelo martelo do Judiciário. Ainda não tivemos retorno quanto a esta questão.

Além disso, ainda há toda a instabilidade jurídica que o negócio oferece, como possibilidade de as investigações da Lava-Jato chegarem até a concessão do Maracanã (ocorrida em 2013 e que, além da Odebrecht, tinha o dedo de Eike Batista) e de contestações dos órgãos de fiscalização estaduais, como o Ministério Público, que ainda mantém aberto processo em que pedia a anulação da concessão do estádio.

Marcelo D'Sants
Cadeiras das arquibancadas agora como entulho no Maracanã
Cadeiras das arquibancadas agora como entulho no Maracanã

No esporte, indicado ao STF por Temer colecionou 'saias justas'

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
ESPN.com.br
Secretário de segurança pública, Alexandre de Moraes, com facas apreendidas na Gaviões
Secretário de segurança pública, Alexandre de Moraes, com facas apreendidas na Gaviões

Indicado por Michel Temer para a vaga de Teori no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes colecionou desacertos por onde passou em matéria esportiva. A primeira aparição no mundo do futebol do postulante à vaga de ministro do STF foi na sede da torcida organizada do Corinthians Gaviões da Fiel. No meio de uma operação que era planejada havia meses pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo sem que o então secretário de Segurança participasse efetivamente, foi lá que ele apareceu no melhor estilo "pé na porta".

Pousou para fotos como "chefe da investigação", se postou para imagens de equipes de televisão que acompanhavam a operação e, assim, desagradou as equipes de investigadores. Policiais disseram à época, à Folha de S.Paulo, que Moraes prejudicou as ações ao interferir para que a operação fosse deflagrada antes da hora. Ao jornal, delegados (sem serem identificados) declararam que o objetivo foi "dar visibilidade ao secretário" ao momento político do secretário. Batizada Cartão Vermelho, a ação midiática foi tratada como o sinal verde para que Moraes fosse além.

Secretário de Segurança pública fala sobre megaoperação envolvendo torcidas organizadas

 

Alguns meses depois, na operação Hashtag, da Polícia Federal, aí já envolvendo dois assuntos dos mais cobiçados pela imprensa na época (terrorismo e Olimpíada no Rio) Moraes mais uma vez chamou para si os holofotes. Já como ministro da Justiça, tomou o microfone da coletiva e se atrapalhou ao apresentar comportamento "pavônico". Este foi o comentário no Palácio do Planalto, quando chegou a ser repreendido por Michel Temer.

Divulgação
Alexandre Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo, e o governador Geraldo Alckmin
Alexandre de Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo, e o governador Geraldo Alckmin

Enquanto secretário de Segurança de São Paulo, foi um dos fiéis defensores da polêmica Torcida Única nos clássicos do estado, no ano passado.

Cunhado sob os holofotes, e o futebol foi megafone para este comportamento, agora no STF terá de ser bem mais impessoal e discreto, como requer a liturgia do cargo.

Ministro da Justiça vê 'probabilidade mínima' de ataque terrorista na Olimpíada

Confira algumas frases ditas por Moraes quando o assunto é esporte:

"A legislação penal no Brasil é fraca, pois o artigo específico do Estatuto do Torcedor é brando. Temos uma legislação fraca, mas podemos trabalhar com o que existe.", disse durante operação contra torcidas organizadas que deteve 20 pessoas.

"Clássicos, até 31 de dezembro, em São Paulo, somente torcida única. Isso evitará necessidade de a PM precisar fazer comboios e teremos mais policiamento nos entornos dos estádios", sentenciou após morte de torcedor.

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