Envolvido na Lava-Jato por Odebrecht é presidente de comissão disciplinar do STJD

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Um membro do STJD está neste momento depondo na Polícia Federal. Jonas Lopes de Carvalho Neto responde às suspeitas de que ele seria o responsável por receber malas de propina pagas pela Odebrecht para que seu pai, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), do Rio, Jonas Lopes Júnior, aprovasse o edital de concessão do Maracanã. Neto é presidente da 5ª Comissão Disciplinar do STJD. Ele foi conduzido à PF coecirtivamente na Operação Descontrole.

De acordo com a delação Leandro Azevedo, um dos executivos da empreiteira, Neto recebeu em seu escritório de advocacia no centro do Rio o pagamento de R$ 1 milhão referente à primeira parcela de um total de R$ 4 milhões de propina acertada pelo pai para a aprovação da concessão do estádio. O pagamento foi realizado, segundo a delação, em 10 de fevereiro de 2014.

Reprodução / Twitter
Jonas Lopes Neto, auditor-relator do STJD
Jonas Lopes Neto, auditor-relator do STJD

A propina teria sido acertada pelo então secretário de Governo do ex-governador preso Sérgio Cabral, Wilson Carlos. Ele era um dos principais articuladores da concessão do estádio. Ele também está preso.

Conduta ilibada

Para ser membro do STJD, um dos requisitos é ter a "conduta ilibada". Ainda é cedo, visto que o membro do órgão está sendo apenas ouvido para esclarecimentos, mas pessoas ouvidas pelo Blog afirmam que se ele for relacionado formalmente às atividades criminosas investigadas, pode ser suspenso do Tribunal.

Enquanto auditor, Neto atuou em pelo menos duas decisões polêmicas. Em 2012, foi responsável por punição a Ronaldinho Gaúcho quando o meia jogava pelo Atlético-MG. Punido com um jogo de suspensão, a ação foi motivada sem que o árbitro do jogo (contra o Grêmio) tivesse apontado o fato na súmula. Ao levantar o histórico do auditor, internautas revelaram que ele é torcedor do Flamengo, tendo feito posts contra Ronaldinho em momentos anteriores.

Relações cruzadas no Tribunal

O presidente do STJD à época era Flávio Zveiter que chegou a se manifestar à imprensa criticando a conduta do auditor. No entanto, o auditor escapou de punição. No Tribunal, comentava-se, na ocasião, que Neto era protegido por ser filho de Jonas Lopes, aliado de Luiz Zveiter, pai de Flávio e ex-presidente do orgão, função que só deixou por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde tramitam sete acusações contra ele. 

Zveiter pai teve as contas da reforma dos prédios do Tribunal de Justiça do Rio, quando presidiu o TJRJ, analisadas pelo pai do auditor. Jonas Lopes Júnior também é investigado.

Ao site G1, o escritório de Jonas Neto disse que:

"Nada teme quanto a apuração e não atua no Tribunal de Contas do Estado".  

Nota do Blog: o ex-presidente do STJD Flávio Zveiter entrou em contato com a publicação para informar que não criou qualquer empecilho, nem interferiu nos pedidos de impugnação feitos pelo Atlético-MG ao auditor Jonas Neto. Zveiter esclareceu que como presidente não tinha poder para interferir nos processos, que couberam à corregedoria do Tribunal. Ele informou também que o caso provocou a criação de um código de ética para os auditores. O ex-presidente informou, também, que seu pai não foi beneficiado por qualquer decisão do presidente o TCE, investigado na Lava-Jato. 

Chineses deixam brasileiros de lado por jogadores 'nível Iniesta'

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

O mercado chinês ficou menor para o Brasil. Nesta temporada, pelo menos um clube não está interessado nos jogadores brasileiros: o Tianjin Quanjian, ex de Vanderlei Luxemburgo. O time que chegou com malas de dinheiro por aqui na temporada passada levando Luís Fabiano, Jadson e Geuvânio, agora mira o mercado europeu. Essa é uma decisão de Canavarro, atual técnico, que entrou após a demissão de Vanderlei. A estratégia dos dirigentes chineses, agora na primeira divisão, é elevar ainda mais o patamar e as cifras para as contratações. A ideia é que os contratados sejam do nível de Andrés Iniesta, desejo do treinador, mas abandonado após a contusão no joelho do meia espanhol que o deixará no estaleiro por um tempo.

Dos três brasileiros que integraram o elenco do Tiajin na campanha do acesso, apenas Geuvânio está 100% nos planos do clube. O ex-jogador do Santos é o que firmou contrato de maior duração (4 anos, faltando cumprir três) e agradou bastante a Canavarro. Jadson também teve boa atuação, mas os planos do Tianjin é usar o salário dele para contratar os medalhões europeus. O meia está no Brasil, de férias, e tem contrato por mais um ano. O blog apurou que a ideia é manter o jogador dos "pés de pelica" _ como Tite se referia elogiosamente a ele no Corinthians _ na equipe caso não tenham sucesso no mercado europeu. 

Alexandre Vidal/Divulgação
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Luis Fabiano, Vanderlei Luxemburgo e Jadson. Apresentação Tianjin Quanjian, em Atibaia 08/01/2016

Se optarem por deixá-lo livre terão de negociar rescisão, assim como fizeram com Luís Fabiano. O ex do São Paulo tinha renovação automática por mais um ano caso o time subisse, o que aconteceu, mas por não ser tão jovem quanto Geuvânio (24 anos), os chineses preferiram abrir mão da extensão. Embora o atacante, de 36 anos, já tenha divulgado que está livre, o pagamento do acordo pela saída ainda não foi depositado.

Luis Fabiano, mesmo não estando mais nos planos dos chineses, foi o artilheiro do campeonato, com 22 gols, e encerrou a temporada na China sendo eleito como o melhor jogador da competição. 

Velamos os deles, querendo velar os nossos

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Foi uma cobertura que nos ensinou. Saímos dilacerados, mas melhores pessoas e melhores jornalistas. Velamos os deles, querendo velar os nossos. Não engolimos o choro. Choramos juntos, todos. Os câmeras, assistentes, produtores, editores, apresentadores, comentaristas, repórteres e motoristas. Todos nos vimos parte dessa tragédia.

Uma cobertura em que usamos todos os nossos recursos, como olhos para ver e ouvidos para escutar. Mas também tivemos de usar os braços para abraçar.

Dona Ilaídes foi a mãe com quem eu não conseguia falar por falta de bateria. Victor Hugo Nascimento, analista de desempenho do time, o irmão que eu não alcançava. Carlinhos, o indiozinho Condá, meu pequeno que eu largara, sozinho, em casa.

Numa das ligações para casa, enquanto ele me perguntava: "mãe, você vai chegar de manhã, de tarde, de noite ou 1 e meia da manhã?", eu estava sentada no centro do gramado, mirando o pequeno Carlinhos e não tinha uma resposta para dar. Abracei o mascote da Chape querendo abraçar o meu.

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Um dos momentos em que os sentimentos foram compartilhados. O primeiro dia na arena

A dor diminuiu a distância. E isso ficou brutalmente claro pra mim quando fiz esta foto (abaixo). Martinuccio, jogador que o joelho operado impediu de viajar passou todos os dias do velório conosco.

Sentado embaixo das tendas que abrigaria os caixões fechados de seus amigos dias depois, ele atendia a todos o tempo todo. Assim faziam igualmente Demerson, Marcelo Boeck, Cláudio Winck, Rafael Lima, Nivaldo.

Normalmente arredios em zonas mistas, a rotina de entrevistas talvez lhes fizesse bem. Fazia bem pra nós, jornalistas. Anestesiados, andávamos pela Arena Condá como zumbis de microfone, caneta e bloquinho em mãos.

Gabriela Moreira
Martinuccio dá entrevista embaixo das tendas que receberam os corpos na Arena Condá
Martinuccio dá entrevista sob as tendas

E o gramado, assim como as arquibancadas se transformaram num templo. A palavra, tão usada no jornalismo esportivo, ganhava um outro significado ao se olhar para os bancos de cimento e olhares fixos.

Uns ajoelhavam, outros levantavam as mãos pro céu. Durante cinco dias, foi assim. Nós os buscando e eles a nós. 

O sol que castigou durante toda semana, no sábado de velório deu lugar à chuva que colocou a drenagem do campo à prova. No lugar dos árbitros, chegaram outras autoridades. Em pé na saída do túnel, eu tinha a missão de narrar o que via.

Os jogadores entraram perfilados. Teve hino e bandeira. Teve CBF e até FIFA. O jogo foi bonito. Até os repórteres entraram em campo dessa vez, também perfilados. O jogo acabou para eles. Mas vai ter cobertura no céu. De rádio, jornal, site e TV. Um baita time. 

O campeonato continua pra nós. Mas com a certeza de que as próximas, serão partidas nas quais olharemos as quatro linhas de forma completamente diferente. 

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Gabriela Moreira fala da dificuldade de não se emocionar na cobertura da tragédia

Fla e Flu se unem a empresa que toca estádio do Ajax para ficarem com Maracanã

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Divulgação
Empresa foi paga pelo Flamengo para apressar gramado do Maracanã
Decisão sobre o futuro do Maracanã ainda está em andamento

Flamengo e Fluminense vão contra-atacar no Maracanã. Nesta semana, fecharam com a holandesa Amsterdam Arenas e com a francesa GL Events para disputar a compra da concessão do estádio. A negociação foi intermediada pela CSM que já fazia parte do grupo rubro-negro e tricolor na tentativa de administrar o estádio. Uma proposta já foi entregue ao governo do Rio.

Com isso, o grupo acredita que tenha reforçado os argumentos de que tem capital e qualificação suficientes para o negócio e, dessa forma, não permitir que o Estado repasse a concessão ao grupo formado pela Lagardere e BWA, com os quais os dois clubes não fazem negócio.

A AEG, que detém 5% da atual concessão, também está em conversas com o grupo para participar da proposta dos clubes.Após inúmeras reuniões com os franceses, o repasse da concessão do Maracanã era encaminhado sem nova licitação, e o Governo do Estado insistia em dizer para o Flamengo que ainda não havia uma definição sobre o modelo de negócio para o estádio.

Foi isso que a diretoria rubro-negra ouviu em conversa recente com interlocutores do Palácio da Guanabara. Questionado a respeito, o presidente Eduardo Bandeira de Mello reagiu: "Não vamos aceitar chantagem. Se houver chantagem, estamos fora", disse, na época, ao Blog.

Uma das possíveis formas de se pressionar o rubro-negro pode vir da Ferj, uma vez que a entidade tem o poder de vetar transferências de jogo para outros estados, saída que foi adotada pelo clube ao longo de todo 2016.

EMPRESAS PARCEIRAS

A holandesa Amsterdam Arenas é responsável por gerenciar o estádio que é casa do Ajax no país. Com capacidade para 53 mil pessoas, custou cerca de 140 milhões de euros para ser construído - entre 1993 e 1996. No sistema de classificação da Uefa, possui avaliação cinco estrelas. A casa já recebeu partidas da Eurocopa de 2000 e sediará a edição de 2020 do torneio de seleções.

A GL Events, outra empresa no negócio, desenvolve infraestruturas de eventos ao redor do mundo. Fez a montagem das instalações temporárias para a Copa das Confederações e da Copa do Mundo nas 12 cidades sedes. Além de trabalhar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Temer, Carmem Lúcia e até Sérgio Moro prestam solidariedade à Chapecoense

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Divulgação
O juiz Sérgio Moro prestou suas homenagens a Chapecoense
O juiz Sérgio Moro prestou suas homenagens a Chapecoense

O presidente Michel Temer e o juiz Sérgio Moro ligaram pessoalmente para prestar solidariedade à Chapecoense. Entraram em contato direto com Ivan Tozzo, vice-presidente do clube que decidiu não ir à Colômbia e desde a madrugada de segunda para terça-feira tornou-se presidente da agremiação.

"O telefone não para de tocar. Muita gente nos procurando para oferecer ajuda. Ainda não sabemos como, mas vamos nos reestruturar", disse o dirigente.

Além do juiz federal e Temer, autoridades como a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmem Lúcia, entre outras, também fizeram pronunciamentos em solidariedade ao clube e familiares das vítimas. 

O último pedido de Cléber Santana

Gazeta Press
Cleber Santana perdeu a vida no acidente aéreo em Chapecó
Cleber Santana perdeu a vida no acidente aéreo em Chapecó

Uma história chama a atenção entre as tantas que chegam sobre os últimos momentos dos jogadores da Chapecoense. A de Cléber Santana é uma delas. Jogador de 35 anos, um dos líderes do time, ele morreu a caminho de fazer o que mais gostava em sua vida: jogar futebol.

Hugo Magalhães, seu empresário, esteve com ele em São Paulo no fim de semana, nas vésperas da última partida de sua carreira, contra o Palmeiras no domingo. Ele conta que o técnico Caio Júnior pensou em poupar o jogador do jogo do Brasileiro, mas Cléber não permitiu.

"O Caio Júnior nos viu conversando e veio falar com ele que ia poupá-lo do jogo, para ele descansar até a partida da Sul-Americana. O Cléber disse assim pro Caio: não faça isso, jogar futebol é a coisa que me deixa mais feliz na vida, pode me escalar, sim", conta Hugo.

O treinador atendeu seu atleta e Cléber jogou os últimos 45 minutos de sua carreira.

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