Mudança na eleição da CBF vai ser questionada na Justiça: 'Autopreservação do poder', criticam dirigentes

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Nem mesmo a euforia pelo desempenho do time de Tite em campo fez os presidentes de clubes, que a CBF deixou três vezes menores, esquecer da manobra operada em reunião que diminuiu o peso de seus votos há quase uma semana. No nordeste, clubes de pernambuco cogitam ingressar com ação judicial contra a decisão. Na Câmara dos Deputados, através do relator do Profut, o deputado Otávio Leite (PSDB / RJ) um questionamento ao Ministério Público está sendo preparado.

No sudeste, a voz mais enfática é do presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, que comparou a atitude à Lei da Mordaça. Foi assim que ele se sentiu ao não ter podido participar da decisão. 

"Fico muito mais chateado de não ter podido discutir a questão. Não é ganhar ou perder, temos o direito de opinar. O que fizeram deixa os clubes com uma pergunta: é isso o que nós queremos? É este futebol que nós estamos buscando?", questiona o dirigente.

No sul, Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio avalia a medida como "uma autopreservação do poder".

"Confesso que não fiquei nenhum pouco surpreso, é como sempre tocaram o futebol, fazem os colegiados para mantê-los cativos, para a autopreservação do poder. É lamentável", diz o dirigente gremista.

Mobilização

Passada quase uma semana da decisão, os clubes, no entanto, não esboçam questionamentos fora da imprensa. Com exceção aos clubes de pernambuco.

"Temos nos falado a respeito. Ainda não foi deliberado como, mas já falamos na possibilidade de ingressar com questionamento mais efetivo, seja judicial ou outra forma", afirma o presidente do Sport, Arnaldo Barros.

Buda Mendes/Getty Images
Marco Polo del Nero: presidente da CBF deve acertar saída de Dunga
Marco Polo del Nero: presidente da CBF é criticado por ter dado mais poder a federações

"Infelizmente, os clubes não conversam. Não existe fórum, não existe debate. Não se articulam, não se mobilizam. A tentativa que tivemos de uma união fracassou, que foi a Primeira Liga", avalia o dirigente do Grêmio.

"Estamos no outono e ele nos ensina que quando as folhas caem, não tem como colocá-las de volta. Vamos esperar, o sentimento dos clubes é muito parecido", pondera o santista.

O que está sendo questionado é a mudança votada por presidentes de federações que aumentou o peso dos próprios votos, em eleições para a presidência da CBF. Agora, eles passam a valer 3 vezes mais que o voto dos presidentes de clubes. Na mesma sessão, para a qual os dirigentes de clubes não foram convidados, também se inclui o direito a voto dos presidentes da série B, como determinou a mudança da Lei Pelé, alterada pelo Profut.

No entanto, mesmo com o aumento do tamanho do eleitorado, a mudança de peso continua mantendo os presidentes de clubes em minoria, em relação ao valor do voto.

A decisão, de acordo com o relator do Profut, contraria o que foi determinado pela lei:

"É uma grave ofensa ao espírito da lei. É um retrocesso absurdo", critica o deputado Otávio Leite.

A CBF foi procurada para comentar as críticas, mas não respondeu à reportagem.

Peitada, não agressão. Luís Fabiano é denunciado no TJD e pegará, no máximo, 15 jogos

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Luís Fabiano pode pegar no máximo 15 partidas de punição pela "peitada" e xingamentos ao árbitro Luís Antonio Silva Santos, conhecido como Índio, no clássico entre Vasco e Flamengo, no último domingo. No início da tarde desta terça-feira, ele foi denunciado pelos artigos 250, 258 e 243 (1º parágrafo) pela procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), do Rio.

"Espero fazer o julgamento entre 3ª e 4ª da próxima semana", disse o procurador André Valetim, autor da denúncia. 

No entendimento do procurador, a peitada do atacante não foi uma agressão e sim uma atitude contrária à disciplina (art. 258) e um ato hostil (art. 258). Quanto aos xingamentos relatados em súmula pelo árbitro, Luís Fabiano responderá por ofensa à honra do árbitro (art. 243, 1º).

GazetaPress
Luis Fabiano foi expulso no clássico contra o Flamengo, em Brasília
Luis Fabiano foi expulso no clássico contra o Flamengo, em Brasília

Franceses apostam que Fla vai ceder e fazer parceria por Maracanã. Clube reage: 'Demoramos muito para reconstruir nossa imagem'

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Reprodução/ESPN
Ministério Público pede ressarcimento por irregularidades em obras do Maracanã; Gabriela Moreira atualiza as informações
Flamengo diz que só tem uma forma de atuar no Maracanã, se houver licitação. 

A concessão do Maracanã está a poucos passos de ser vendida para o grupo francês Lagardère e, consequentemente, ficar sem jogos do Flamengo. Com a desistência anunciada nesta quinta-feira do grupo encabeçado pela GL Events e que tinha o rubro-negro como parceiro, o estádio fecha as portas para o clube. É o que garante o presidente Eduardo Bandeira de Mello. "Não há qualquer chance de fazemos negócio com eles", disse o dirigente. A empresa reagiu dizendo que o clube não vai encontrar condições melhores no mercado e, internamente, aposta no futuro, lembrando que Bandeira não será presidente pela vida inteira do clube.

Apesar de serem, agora, os únicos interessados na compra da concessão, a Lagardère ainda terá dificuldades em negociar com a Odebrecht. A proposta do grupo é financeiramente ruim, na avaliação da concessionária. Os valores não são divulgados, mas apuração do Blog mostra que o valor ofertado pelos franceses é de cerca de R$ 30 milhões, metade do que foi divulgado durante as negociações. Alheio ao estádio de penúria do estádio que a cada dia se desvaloriza e perde interessados, o Governo do Rio prefere não se manifestar. Procurado, afirma que trata-se de uma negociação privada.

Segundo o Flamengo, o clube já notificou formalmente que não fará negócio com a Lagardère. Uma carta foi enviada pelo rubro-negro para a empresa tanto no Brasil, quanto na França, afirma Bandeira.

"Essa notificação foi enviada há quase um ano. Eles estão cansados de saber que não negociamos com eles. O Flamengo levou muito tempo para reconstruir a sua imagem e sua credibilidade. A empresa e seus parceiros não comungam dos mesmos valores e princípios que nós", disse o presidente, que só vê um caminho para seguir interessado no Maracanã: a licitação. 

Reprodução ESPN
Por paz nos estádios, Bandeira faz apelo dramático aos torcedores: 'Somos adversários em campo, não inimigos'
Eduardo Bandeira de Mello reage a pressão para assinar com grupo que está prestes a comprar a concessão do estádio

A Lagardère prefere não se manifestar oficialmente, mas acredita que possa fazer o clube ceder. Se não nesta gestão, em mandatos futuros. A empresa se considera vítima das suspeitas de corrupção na licitação do estádio, que acabou com a Odebrecht vencedora, em 2013. Para a companhia, que ficou em segundo lugar na concorrência (só havia dois grupos concorrentes), a possível anulação da concessão _ caso as investigações da Lava-Jato comprovem os crimes _ irá beneficiá-la.

Gastos de R$ 100 milhões

As fragilidades jurídicas da venda da concessão foram alguns dos motivos que fizeram a GL Events desistir de continuar na disputa. Além disso, a negativa da Odebrecht em aceitar negociar o reequilíbrio financeiro do negócio antes da venda e com a aprovação dos órgãos de fiscalização como Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público, foram fundamentais para a desistência.

De acordo com estudos técnicos feitos pela empresa, o gasto com o estádio, entre investimentos e custos, nos dois primeiros anos seria entre R$ 80 e R$ 100 milhões. Parte deste montante seria usado na readequação da operação.

A GL Events não vê possibilidade de o Maracanã ser viável sem o Flamengo. Além do rubro-negro, a empresa estava em negociação com o Fluminense, único clube que tem contrato com o estádio.

A Odebrecht disse que não vai comentar as informações a respeito da negativa de negociar a venda em duas etapas, primeiro acertando o reequilíbrio financeiro e aprovando com TCE e MP, para depois acertar a venda.

A GL Events tinha como parceiras na disputa, além do Flamengo, a CSM e a Amsterdam Arenas. 

Luxemburgo disse 'não' ao Vasco por convite de voltar à China

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Luxemburgo disse 'não' ao Vasco por convite de voltar à China

O motivo de Vanderlei Luxemburgo ter recusado a proposta do Vasco não foi pelas condições de trabalho oferecidas pelos cruzmaltinos. O treinador está com passagens emitidas para voltar à China nesta quarta-feira. Ele vai almoçar com o presidente do antigo time Tianjin Quanjian, Shu Yuhui, e assistir à primeira partida da equipe em casa, no dia 1. O convite foi feito pelo próprio dirigente, há cerca de 15 dias, com todas as formalidades comuns ao país: convite feito por email, em documento timbrado do time, com jantares e hospedagem por conta do cartola.

Treinado pelo italiano Fábio Canavarro, o time ainda não venceu na temporada. Agora na primeira divisão do chinês, o Tiajin perdeu a primeira por 2 a 0 para o Guangzhou R&F e empatou em 1 a 1 com o Shanghai Shenhua, em jogo que Alexandre Pato perdeu um pênalti. No sábado que vem, fará a primeira partida em casa, à qual o presidente quer que Luxemburgo assista.

A equipe que trabalha com o treinador ficou surpresa com o convite. Na temporada passada, embora avaliassem que o brasileiro fazia um bom trabalho, os chineses o demitiram após desentendimentos com pessoas que trabalhavam no clube. Luxemburgo afirmou à época que estava sendo alvo de um boicote por parte de membros do time que teriam chegado até a convencer alguns jogadores chineses a perder para forçar a saída do técnico.

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De acordo com pessoas que trabalham com a equipe, ouvidas pelo Blog, o trabalho de Luxemburgo foi bem avaliado pelos dirigentes chineses. Mas, dessa vez, se o pedido for para que ele volte a comandar o time, ele não poderá levar tantas pessoas para trabalhar lá, como fez da última vez, quando chegou a ter dez brasileiros no clube. Dos jogadores que o treinador levou, apenas Geuvânio permanece. Jadson e Luís Fabiano voltaram este ano.

A transação de Pato chamou a atenção pelas altas cifras envolvidas, numa valorização fora do normal. O brasileiro saiu do Corinthians para o Villareal por R$ 10 milhões (3 milhões de euros) e em menos de um ano foi negociado por R$ 60 milhões (18 milhões de euros) com os chineses. Além dele, Canavarro levou o belga Witsel e o também brasileiro, ex-Santos, Júnior Moraes.

Luxemburgo passou seis meses no Tianjin, em 2016, ganhando cerca de R$ 24 milhões em salário, ou 1 milhão de euros por mês. Além disso, em seu contrato havia multa prevista de R$ 40 milhões (10 milhões de euros), caso não terminasse a temporada, o que aconteceu. 

*Nota do Blog: Vanderlei Luxemburgo entrou em contato com a reportagem incomodado com a informação de que ele teria dito "não" ao Vasco. O treinador garante que nenhuma pessoa ligada ao clube entrou em contato com ele ou fez qualquer proposta para que assumisse a equipe. O Blog tem confiança de que um emissário do cruzmaltino procurou representante do treinador sondando a possibilidade de contratação e que esta pessoa contou da viagem à China e o convite não foi adiante. Diante disso, o Blog concorda que o termo "recusou proposta" foi usado equivocadamente, mas tem confiança de que o interesse do Vasco existiu e que uma pessoa que responde pelo treinador foi procurada, mesmo que inicialmente, sem que o contato tenha resultado em convite formal.  

Longe de acabar, caso Victor Ramos agora chama a atenção até da OAB-RS

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Mistérios e trocas de acusações ainda rondam a transferência de Victor Ramos para o Vitória e movimentam os bastidores da Justiça Desportiva. A peleja que parece estar longe do fim, chamou a atenção até da OAB do Rio Grande do Sul. No entanto, um ponto ainda não explicado, definitivamente, é porque Reynaldo Buzzoni, diretor de registros da CBF, protocolou em cartório uma série de emails nos quais as suas afirmações acabam por referendar a argumentação do próprio Internacional: de que a transferência não podia ser nacional.  

Pois é exatamente o que dizem os tão alardeados emails apresentados em cartório pela CBF. Nos documentos, que a entidade diz serem verdadeiros, o diretor deixa claro e cristalino que o departamento de registros tinha ciência de que a transferência do atleta deveria tramitar pelo México. 

"Se for fazer um novo empréstimo o clube do México tem que pedir o retorno", disse por escrito Buzzoni ao representante do clube baiano que o consultava sobre os trâmites necessários para a contratação do atleta.

O posicionamento é reforçado pelo próprio, diante de um novo questionamento do clube:

"Não, eles terão de fazer um pedido de retorno do empréstimo".

FERNANDO DANTAS/Gazeta Press
Victor Ramos Vitoria Santos Campeonato Brasilero 17/11/2016
Victor Ramos é o pivo da briga que envolve Inter, Vitória e CBF 

Em entrevistas à imprensa, Buzzoni não explica essa questão. Não deixa claro porque o futebol brasileiro não segue os procedimentos que deveriam ser seguidos e porque não exigiu que fosse seguido no caso de Victor Ramos.

"Não é irregular. Isso acontece inúmeras vezes. Não tem fundamento nenhum. Se a Fifa abrir procedimento vai abrir contra o México por não ter feito o pedido.", disse o diretor à imprensa ao ser questionado em novembro passado.

Pedidos no STJD

De lá para cá, nada se avançou para que se tente corrigir o problema. O Internacional entrou com pedidos de investigação do diretor ao STJD. O órgão não atendeu, sob a alegação de que o caso já foi investigado no passado, quando do acontecimento dos fatos, e nada ficou provado. Segundo os colorados, a conduta de Buzzoni não foi investigada à época. O julgamento teria sido do caso e não da conduta.

OAB pede para participar das investigações

No fim de fevereiro, a Comissão de Prerrogativas da OAB do Rio Grande do Sul ingressou com pedido de acompanhamento da investigação movida pelo STJD contra o Internacional, sob a acusação de falsificação de documentos. A suspeita é que o Tribunal esteja violando os direitos dos advogados, uma vez que os representantes do Inter estão impedidos de acessar as peças da investigação. O pedido da OAB ainda não foi analisado pelo Tribunal.

Auditor indicado pela CBF

O auditor sorteado para instaurar a investigação contra o Inter é Mauro Marcelo de Lima e Silva. O Inter pediu a suspeição do auditor, por ele ter sido indicado para o Tribunal pela CBF, beneficiada diretamente pela decisão que tomar o auditor. O STJD não acatou a argumentação, afirmando que a indicação não inviabiliza a atuação isenta de seus membros.

Mauro Marcelo é delegado de polícia e entrou para a Justiça Desportiva pelas mãos de Marco Polo Del Nero. Foi presidente do TJD, de São Paulo, quando Del Nero era presidente da Federação Paulista de Futebol.

O Blog tentou contato com o auditor, mas ele disse que só vai se manifestar após a conclusão do inquérito.

Até quando? 

Quanto à CBF, não é a primeira vez, pelo caminhar das negativas de investigação na Justiça Desportiva, não será a última, que o departamento de registros provoca imensa energia de clubes pelo Brasil. Um inquérito, inclusive, está aberto na Polícia Civil do Rio para investigar a conduta dos responsáveis pelo setor. Será que é tão difícil atentar para prazos e procedimentos?  Será que tanta tecnologia precisa continuar sendo tão vulnerável a erros como os que se tem visto nos últimos anos em campeonatos no Brasil? 

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