Sem apoio de Dória, jogos LGBT reúnem 400 atletas no Ibirapuera

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
Jogador Flor, do Natus, foi um dos artilheiros da competição.  

A prefeitura de João Dória não quis apoiar a causa esportiva LGBT. Pela primeira vez no Brasil, foram realizados neste sábado os Jogos da Diversidade. Campeonatos de futebol, vôlei, handebol, natação e queimada em que os jogadores eram formados por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Durante cinco meses, os organizadores tentaram apoio da prefeitura, mas embora sinalizasse inicialmente que iria contribuir, o órgão público acabou não participando do evento nem com cessão de espaço para a competição.

A confirmação da retirada do apoio veio muito tarde, segundo os organizadores. O jeito foi pedir ajuda ao Governo do Estado. Por lá, o tratamento foi bem diferente. A gestão de Geraldo Alckmin, através da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude, conseguiu desembaraçar sem grandes problemas a burocracia envolvida para ceder o Ibirapuera para as atividades, mesmo em tempo curto.

Após a publicação do post, a Prefeitura enviou nota. Leia ao fim do texto. 

Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera). De amarelo, os Beescats, do Rio. Ao fundo, o paulista Natus 

"O Esporte ajuda a romper barreiras. O Estado não pode colocar pedras a este tipo de ação", declarou ao Blog o assessor de gabinete da Secretaria de Esportes do Governo do Estado, Jaime Ferreira.

O custo do aluguel das quadras, piscina e pista de atletismo do Ibirapuera gira em torno de R$ 100 mil, mas para que os Jogos fossem realizados no espaço, a Associação da Parada Gay arcou apenas com a taxa de manutenção, cerca de R$ 3,7 mil.

Cariocas do ´Beescats´ 

A faculdade FMU também contribuiu com os Jogos levando 60 alunos de educação física para apitar, bandeirar e auxiliar na organização das partidas.

"Precisamos ensinar a inclusão desde a faculdade. Grande parte dos alunos que vieram são heterossexuais, mas entendem que não pode haver preconceito no Esporte", afirmou o professor Dilson Vilela, da cadeira de Ética na universidade.

Ao todo, os Jogos reuniram cerca de 400 atletas. No futebol, a competição foi mais acirrada. Partidas entre homens transgêneros e times formados por lésbicas foram um dos destaques. O evento contou com a participação de times de outros estados, como os Beescats, do Rio de Janeiro.

No futebol, a equipe campeã foi a Bulls, seguida da Natus FC, ambas formadas por maioria gay. Em terceiro, ficou o Meninos Bons de Bola, de homens trans. 

Os jogos foram inspirados na competição mundial LGBT, os Gay Games, que tem na próxima edição, em 2018, serão realizados em Paris, na França. O Brasil nunca enviou time de futebol para o evento. 

Nota da Prefeitura: "Ao contrário do que afirma o post, um único contato foi feito, no dia 17 de abril, por e-mail, com a Coordenadoria de Gestão do Esporte de Alto Rendimento, responsável pelo Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP). A Coordenaria respondeu à requisição reiterando o apoio à causa, mas que preserva a utilização do espaço exclusivamente para o treinamento dos atletas.

A secretaria informa, ainda, que, em momento algum, a solicitação chegou ao conhecimento da Coordenadoria de Gestão Estratégica dos Equipamentos, responsável pelos Centros Esportivos e Estádios Municipais da cidade de São Paulo. Por este motivo, não foi possível atender com a mesma atenção dos outros eventos esportivos voltados ao público LGBT realizados nos nossos espaços". 

A informação de que "um único contato foi feito (pelos organizadores do evento) no dia 17 de abril", não procede. O Blog teve acesso aos emails e ofícios protocolados formalizando o interesse em usar as instalações do Centro Olímpico ou outro espaço público. O primeiro contato com o secretário de Esportes Jorge Damião foi feito em 16 de fevereiro com uma reunião entre o próprio e os organizadores, seguida de trocas de emails. Após o encontro, a Associação da Parada do Orgulho LGBT passou a se corresponder com subordinados do secretário por mensagens e também por ofícios protocolados em março.  

 

Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera) 
Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera). Evento também teve "gaymada", vôlei, handebol e natação 

Clubes ficam livres para usarem bônus de TV sem ferir Profut

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Reprodução TV
Especialista explica como Profut ajudou no superávit dos clubes, mas ressalta: 'Há chance dos déficits voltarem em 2016'
Especialista explica como Profut ajudou no superávit dos clubes, mas ressalta: 'Há chance dos déficits voltarem em 2016'

Na última sexta-feira, os clubes conseguiram uma importante vitória em relação ao Profut. Aprovaram na ApFut (Autoridade Pública de Governança do Futebol) uma resolução que não considera o recebimento de luvas como antecipação de receita. Ficam assim, liberados para usarem os volumosos bônus sem que estejam ferindo as determinações da Lei 13.155. A decisão, embora correta na opinião de especialistas ouvidos pelo Blog, deve ser fiscalizada de perto para que não seja uma possibilidade de manobra orçamentária para driblar a lei. Além disso, o argumento preocupa a categoria dos atletas que podem não ter reconhecidos os seus 5% de Direito de Arena sobre estes valores.

A resolução legaliza o uso que já vem sendo feito pela maior parte dos clubes. No ano passado, todos as agremiações que renovaram contrato com a TV Globo para as transmissões dos estaduais de 2019 até 2024, receberam luvas. Os valores aumentaram devido à concorrência com o Esporte Interativo. O Flamengo, por exemplo, selou acordo após R$ 120 milhões de luvas (dividas em parcelas).

A prática é comum e legal, explica o advogado especialista no assunto Carlos Eduardo Ambiel, e usada não só para contratos de televisionamento, mas em muitos outros acordos comerciais.

"A luva é o pagamento pela opção de um parceiro e não de outro, uma prática comum no meio comercial. Tecnicamente, estão corretos (os membros da ApFut)".

O perigo é que os clubes passem a considerar luvas partes do contrato a longo prazo, ou seja, usem o artifício para que parcelas correntes de outras gestões sejam antecipadas, sob o nome de bônus. E isso é vedado pelo Profut. Na lei que refinanciou as dívidas dos clubes em troca de contrapartidas de maior responsabilidade financeira, os dirigentes não podem antecipar mais do que 30% de receitas das gestões seguintes.

A ApFut diz que os clubes serão fiscalizados e que se forem detectados indícios de fraude ou crime, serão adotadas comunicações aos órgãos cabíveis. Entre os dirigentes, fazem parte do grupo o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e Modesto Roma Júnior, presidente do Santos.

A lei prevê que os clubes que ão cumprirem as determinações da lei, serão excluídos do refinanciamento. Entre os que podem fazer denúncias, estão: jogadores, dirigentes, funcionários de clubes, de associações de representação, integrantes do Governo, como representantes do Ministério do Trabalho, além da imprensa. 

Direito de Arena

O recebimento do Direito de Arena não foi discutido na reunião por não ser tema do Profut. No entanto, o fato de a resolução não considerar os bônus como parte do contrato e, sim, um extra, pode abrir precedente para a interpretação de que os atletas não devem receber seus direitos referentes a estes montantes. Além disso, a categoria dos atletas questiona se haverá incidência de INSS nos valores.

É uma questão que cabe discussão e os valores são significativos. Fazendo a conta pelo Flamengo, se o mesmo argumento for usado, os atletas rubro-negros deixariam de receber R$ 4 milhões, que seriam divididos entre os jogadores.

O Direito de Arena é o montante recebido pelos jogadores como uma forma recompensá-los, individualmente, pelo uso que as televisões fazem de sua imagem no campo de jogo.

ESPN
Telas Divida com a Uniao
Dívidas dos clubes com a União, à época da aprovação da Lei do Profut, em 2015

STJD levará Inter a julgamento mantendo chance de exclusão da Série B e ex-presidente é única pessoa que será julgada

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Zé Elias não acredita em punições duras ao Internacional após denúncia do STJD

De todos os 12 acusados pela investigação do STJD sobre o uso de documentos falsos no caso Victor Ramos, a Procuradoria do Tribunal denunciou o presidente do clube à época, Vitório Piffero, e o Internacional. De acordo com a denúncia, o dirigente colorado sabia que os e-mails estavam adulterados e, mesmo assim, resolveu manter os documentos no pedido ao Tribunal. Piffero vai a julgamento por uso de documento falso e pode pegar até 2 anos de suspensão do futebol. Já para o Inter, a Procuradoria manteve o enquadramento no artigo 61 do Código Disciplinar da Fifa, que prevê como pena máxima a exclusão da competição e como mais leve, multa. O julgamento será na terça-feira.

Ficaram de fora da denúncia, os advogados, o executivo do Vitória à época, Anderson Barros, e os empresários e agentes envolvidos. Na denúncia, distribuída na última quarta-feira, o procurador Alamiro Velludo Salvador Netto afirma que os advogados não cometeram qualquer violação às normas regidas pela Justiça Desportiva e que cabe somente à OAB analisar a conduta dos profissionais. Já ao ex-dirigente do Vitória, Anderson Barros, a procuradoria afirma que ele se retratou em depoimento. 

A afirmação de que o ex-presidente do Inter sabia que os documentos estavam adulterados é feita a partir de depoimento do diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes. Ele afirmou em interrogatório durante a investigação que "informou - via telefone e pessoalmente - por mais de uma vez, da incongruência do documento".

Além do uso de documento falso, Piffero também será julgado pelo artigo 258, agir contra a moral desportiva (suspensão de até 10 partidas). Se punido, ele poderá acumular as penas pelo uso do documento falso (234) com a pena do 258, podendo pegar de 6 meses a 2 anos de suspensão, além dos 10 jogos de suspensão.

Irritado, advogado do Inter tranquiliza torcedores, garante 'total lisura' e comenta 'relatório bomba'

Piffero não foi ouvido durante o inquérito, mas, segundo o auditor Mauro Marcelo, responsável pelas investigações, ele foi procurado formalmente pelo órgão. A reportagem também está tentando contato com o ex-dirigente. 

No relatório, o auditor exime o clube de responsabilidade na adulteração dos documentos e aponta como autor das alterações o empresário do jogador Victor Ramos, Francisco Godoy. A responsabilidade dele está sendo apurada pelo Ministério Público do Rio. 

Perícia

A Procuradoria não levou em consideração o parecer feito por peritos contratados pelo Internacional, apontando parcialidade e erros técnicos sobre o trabalho das duas peritas contratadas pelo STJD. De acordo com a denúncia, a contratação das profissionais foi feita de forma "imparcial" por "notório know how".

O julgamento será feito pela 5ª Comissão Disciplinar, cujo relator é auditor José Nascimento.

Primeiro brindes depois oferta em dinheiro. Como funciona tentativa de aliciar árbitros

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Quatro árbitros foram procurados pelo homem que tenta aliciar juízes para atuar em favor de clubes que disputam campeonatos nacionais. A abordagem, até agora, foi registrada por profissionais que atuam nas séries C e D, de partidas no Nordeste. O aliciador, primeiro, oferece brindes dos clubes como estratégia para aproximação com os árbitros. E em um dos casos, chegou a oferecer valores para "compra da partida" falando em nome de um clube até o juiz da partida.

O homem apontado pelos denunciantes é um ex-árbitro da federação do Maranhão, que foi expulso pelo STJD em 2008, justamente por ter sido acusado de tentar comprar o resultado de uma partida do campeonato catarinense. Ele também passou pelas federações do Rio de Janeiro, do Paraná e do Pará. Ainda apita, mas apenas em campeonatos amadores. E voltou à prática do assédio para oferecer a compra e venda de partidas nos últimos meses.

Reprodução
Circular enviada aos árbitros pelo corregedor de arbitragem da CBF, Edson Resende
Circular enviada aos árbitros pelo corregedor de arbitragem da CBF, Edson Rezende

Árbitros ouvidos pelo Blog contaram que ele começa o contato oferecendo camisas e material esportivo dos clubes e depois faz ofertas de valores.

"Ele oferece brindes, como isca, e depois tenta evoluir para valores", contou um dos profissionais ouvidos pela reportagem.

O caso foi revelado na manhã desta quinta-feria, pelo Blog do Sálvio Spinola, comentarista de arbitragem da ESPN, e pelo "Lance!", após a corregedoria de arbitragem da CBF enviar comunicado de alerta a todos os árbitros que apitam campeonatos oficiais da entidade.

Na circular, Edson Rezende Oliveira, corregedor, pede cuidado aos árbitros para o que ele chama de "células criminosas" que "ainda insistem em obter vantagens" no futebol.

Como são as abordagens

O suspeito afirma ter intimidade com atletas e dirigentes do futebol e se percebe que o árbitro ficou interessado em avançar a conversa, dá continuidade à tentativa de golpe. Tem escolhido profissionais menos experientes e jovens. Em pelos menos dois casos, usou não só o contato pessoal, como mensagens de whatsApp para praticar a tentativa de aliciamento.

Como as denúncias chegaram até a CBF

Dois árbitros que foram procurados pelo suspeito levaram o caso às suas federações e ao corregedor Edson Rezende. O caso já foi enviado às autoridades para apuração.

Série A

Diversos árbitros que atuam na série A do campeonato brasileiro foram contatos pela reportagem. Entre os procurados, nenhum foi contatado pelo suspeito, mas todos tinham conhecimento da atuação dele.

"Nunca aconteceu. Se vier, sou o primeiro a ligar de onde estiver para CBF e manter meus superiores informados. Se estou aonde estou, foi trabalhando de forma transparente com sangue nos olhos sempre. E diga-se de passagem, por mérito. Não vou compactuar com nada de errado. Minha honestidade e integridade não comprei na esquina e nem na rua. Isso vem de família, zelo por isso. Nem ouse algum dirigente ou algo parecido venha se aproximar de mim. Andarei pelo resto da minha vida de cabeça erguida", desabafou um árbitro em contato com o Blog.

 

Famílias de jornalistas pedirão R$ 35 milhões de indenização por acidente da Chapecoense

Gabriela Moreira, blogueira da ESPN.com.br

Foi distribuído na última segunda-feira, o primeiro processo de familiares de jornalistas contra a Chapecoense. No pedido, os advogados do repórter pedem indenização por danos morais e materiais na ordem de R$ 5 milhões. Outras seis ações serão distribuídas nos mesmos parâmetros desta, perfazendo um montante de R$ 35 milhões pedido por familiares de sete vítimas do acidente. 

Repodução
O AVRO RJ-85, da Lamia, que transportava a Chapecoense
O AVRO RJ-85, da Lamia, que transportava a Chapecoense

Além da Chapecoense, a companhia aérea LaMia e a seguradora Bisa, boliviana, também são requeridas pelos familiares. O processo corre na 4ª Vara Cível de Chapecó e tem como advogado o carioca João Tancredo. Segundo ele, o valor dado à causa visa estabelecer uma pensão por três anos para a mulher do jornalista, além de indenizações para pais, irmãos e outros parentes que dependiam diretamente dos honorários do repórter que morreu na queda do avião. 

"Este é um valor que será discutido posteriormente. A ação tem o objetivo reparar os danos materiais que estas pessoas tiveram com a morte de seus parentes, seja por parte da empresa, ou das outras companhias", explicou o advogado.

Chape não acredita em condenação

O vice-presidente jurídico do clube, Luiz Antonio Palaoro não acredita que a Justiça condene a Chapecoense a pagar as indenizações. Para ele, o clube não teve culpa nas mortes.

"A Chapecoense foi fretante do avião. Não teve qualquer culpa no acidente. Os familiares dos jogadores talvez tenham parte de seus questionamentos atendidos, mas os convidados, os jornalistas, não", defendeu Palaoro.

Estas ações correm na esfera cível. Os familiares dos jornalistas ainda podem entrar com ações na Justiça trabalhista. O Blog apurou que as vítimas que trabalhavam na TV Globo já foram indenizadas e parte das que trabalhavam na FOX discutem detalhes finais para os pagamentos. Não temos informações sobre os demais repórteres.

 

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