Próximo à atual diretoria, empresário faz pagamento de mais de R$ 3 mil a Santos após explosão de sócios

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

O empresário Flávio Pires efetuou um pagamento ao Santos no valor de R$ 3.145,50, em janeiro deste ano, como mostra o comprovante abaixo. Nos bastidores das eleições do clube, suspeita-se que tenha sido para pagamento de sócios recém inscritos. O Blog enviou email para o clube e o empresário na manhã desta quarta-feira, pedindo informações sobre os motivos do pagamento, mas nenhuma mensagem foi respondida.

ESPN
Comprovante de pagamento do empresário Flávio Pires ao Santos.
Comprovante de pagamento do empresário Flávio Pires ao Santos.

O pagamento foi feito pouco tempo depois às associações em massa, reveladas pelo ESPN.com.br, quando mais de 2 mil pessoas se tornaram sócias do clube em apenas 17 dias. O volume de novos associados surgido neste período é dois terços maior do que todo o ano passado.  

As novas associações também chamam a atenção por terem sido feitas no fim do limite do prazo para que os novos sócios possam votar nas eleições, que ocorrem no próximo fim de semana. 

O empresário Flávio Pires é tido como um dos mais influentes na atual gestão. Embora negue que atue na aproximação de empresas e jogadores com o clube é tido como um dos apoiadores da continuidade do atual mandato de Modesto Roma Júnior. 

Mais empresários 

Ele é o segundo empresário que surge no cenário eleitoral. Outro braço direito do presidente, é Luiz Taveira. No boom suspeito de novos sócios, quatro parentes próximos a ele se associaram ao clube e, com eles, mais pessoas usando os mesmos endereços. 

Com o mesmo logradouro de dois desses parentes também se associaram mais três pessoas, todas fornecendo ao clube e-mails ligados a Taveira _ ou de outro de parente ou de uma de suas empresas, a LTT Soccer. Já com outro parente do empresário, ganharam direito a voto mais duas pessoas que deram o mesmo endereço e também e-mails já utilizados anteriormente.

Em nota divulgada pelo empresário sobre as associações, ele diz que inscreveu familiares e amigos no Santos para "aumentar a renda do clube e oxigenar seu quadro associativo". 

 

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Quem inscrever 'gato' na Copinha só volta a jogar torneio em 2024

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

O caso do "gato da Copinha", em que Heltton Matheus Rodrigues, se passou por Brendon Matheus dos Santos, três anos mais novo, para jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior este ano pelo Paulista provocou mudanças no regulamento para 2018. Agora, o clube que inscrever jogador com documentação falsa poderá ser suspenso da competição por até cinco edições. 

Pena bem mais pesada do que a que pegou o Paulista. O clube foi eliminado apenas desta edição, por alegar que não sabia da fraude e afirmar ter sido vítima de Heltton. A mudança visa atribuir responsabilidade maior aos clubes, que são responsáveis pela veracidade das informações apresentadas por seus atletas. 

Veja como ficou o regulamento: 

"Art. 25 - Caso seja comprovado, tanto durante quanto após a realização da Competição, que algum atleta inscrito tenha participado com documentação adulterada ou informação falsa, o Clube do atleta infrator será eliminado da Competição em curso e poderá ser excluído de suas 05 (cinco) próximas edições."

Gazeta Press
Heltton, zagueiro que jogou a Copinha como Brendon Matheus, antes de jogo do Paulista
Heltton, zagueiro que jogou a Copinha como Brendon Matheus, antes de jogo do Paulista

Entenda o caso: 

Em janeiro deste ano, o Batatais denunciou que um jogador do Paulista, identificado como Brendon, teria idade maior do que o permitido para participar da competição. Após a denúncia, a reportagem do ESPN.com.br revelou que Brendon, na verdade, era Heltton, que usou a identidade de um amigo de infância para fraudar sua participação em diversos campeonatos de base.  

Nascido em 1994, Heltton, usava os documentos de Brendon, de 1997, seu amigo que encontrava-se preso no Rio de Janeiro, sob acusação de roubo e tráfico de drogas. 

O Paulista, que estava na final da competição, foi eliminado do campeonato. Já Heltton foi contratado pelo Osasco-Audax e hoje está cedido ao time da escola de samba Vai-Vai. 

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A Reinaldo Rueda, as reverências do povo colombiano

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Cuida-lo.

Assim um periodista colombiano se despediu de mim ao deixarmos a cancha do Metropolitano, em Barranquilla, na Colômbia, na última quinta-feira. Esqueçam César e Muralha, a curiosidade dos colombianos era porque a permanência de Reinaldo Rueda estava já sendo colocada em discussão no comando do Flamengo. Técnico pelo qual jornalistas e torcedores do país nutrem verdadeira admiração. 

A derrota imposta ao Júnior Barranquilla foi a terceira consecutiva no histórico do treinador. Assim havia acontecido em 2015 e 2016, na Copa Colômbia e naquela noite, com o Flamengo, pela Sul-americana. Mas muito mais do que algoz do Júnior, o "profe" ou "mister", como o chamam, é colecionador de tentos em terras colombianas. 

GazetaPress
Reinaldo Rueda teve conversa reservada com os goleiros após a derrota para o Santos
Reinaldo Rueda teve conversa reservada com os goleiros após a derrota para o Santos

Os números, todos, estavam na ponta da língua de todos os jornalistas locais que me buscavam com a intrigante pergunta: 

"É verdade que Rueda poderia ser demitido se perdesse esse jogo?"

Difícil responder, eu dizia. Não acho que seria demitido após a partida, mas se não chegar à classificação para a Libertadores no ano que vem, sua permanência será discutida, sim. 

"Não façam isso", diziam. 

Trabalhos terminados, me preparo para gravar o que faltava, e os jornalistas continuavam a recitar todas as conquistas do treinador conterrâneo. 

Em 30 meses, chegou a nove finais: 

Liga Águila 2015 II; Superliga 2016; Libertadores 2016;
Copa Águila 2016; 
Sul-Americana 2016; Recopa Sul-Americana 2017;
Liga Águila I 2017;
Copa de Brasil 2017; e Sul-Americana 2017.

Falando de Sul-Americana, chegou a duas finais sem perder um jogo:

Com o Atlético Nacional, 2016:
- 10 jogos
- 5 vitórias
- 5 empates

Com o Flamengo, 2017:
- 6 jogos
- 4 vitórias
- 2 empates

E ainda: o treinador colombiano que mais disputou mundiais, somando seleções de base da Colômbia; seleções principais de Honduras e Equador; e clubes, com o Atlético Nacional.

O currículo recitado me impunha uma vergonhosa constatação: conhecemos pouco o valor que é dado ao técnico fora de nossos territórios. Desde que chegou ao Flamengo, há pouco menos de quatro meses, Rueda tem buscado fazer exatamente o contrário. Pediu aos assessores uma cópia da letra do hino brasileiro. E passou a estudá-lo. Quer poder cantar e conhecer a letra do que ouve em todas as partidas do Brasileiro. 

Assim também o fez o presidente do seu ex-clube, o Atlético Nacional. Estive presente na simples e sincera homenagem que o clube fez às vítimas da Chapecoense no último dia 28, no pequeno município de La Union. Andrés Rueda, sem pompas e assessores a tira colo, cantou do começo ao fim o hino brasileiro quando além dele, somente eu e o assistente que me acompanhava na missão, Fernando Cunha, o fazíamos. Além do comandante da Força Aérea colombiana, Jairo Orjuela. Fica o registro, ele também cantou, por completo o hino do país que aprenderam a respeitar. 

Conversa com Muralha 

Olho no olho, é coisa que os colombianos fazem bem. Rueda, inclusive. Foi assim, que fez ao chamar César e Muralha para conversar, em separado do grupo, após a fatídica partida contra o Santos, em que o titular da ocasião falhou mais uma vez na meta rubro-negra.

Na coletiva um dia antes do jogo, não revelou sua decisão sobre quem escalaria. Talvez porque não o tivesse feito diretamente aos envolvidos. Aos jornalistas que o pressionavam para comunicar a decisão, preferiu contar um caso antigo. 

"Uma vez, o presidente de um clube me pressionava para tirar o goleiro titular do time, que não vinha muito bem. Eu disse a ele que não tiraria e garanti a permanência do atleta. Pois no jogo em questão, ele jogou e foi a figura do jogo", narrou o episódio na presença dos dirigentes rubro-negros sentados nas primeiras fileiras da sala de imprensa. 

Houve que interpretasse que ele pudesse estar falando do Flamengo. Discordei. Por dois motivos: porque não me parece ser esta a postura do treinador, de expor seus empregadores em público, e também porque Muralha não foi "a figura" de nenhum jogo do time desde sua chegada, em agosto. Se coubesse alguma interpretação, defendi,o caso narrado soava muito mais como uma forma elegante de dar o recado aos dirigentes rubro-negros para que não tentassem fazer o mesmo. 

Narcotráfico

Saber lidar com pressão é, aliás, algo que Rueda, contam, tem no currículo. Assim seu time o fez durante todo o primeiro tempo de jogo em Barranquilla. E assim, tempos antes, soube fazer ao não sucumbir à pressão do narcotráfico enquanto treinador das seleções de base colombianas.

Jogo encerrado, triunfo conquistado, os mais de 45 mil Tiburones, como são chamados os hinchas de Júnior, saíram em silêncio. Nenhuma palavra contra a imprensa que ali estava, nenhum ato contra os rubro-negros que deixaram o Metropolitano cantando. 

Por parte dos dirigentes e jornalistas colombianos, o choro também não veio em forma de reclamação contra a arbitragem, embora os óbvios xingamentos viessem das arquibancadas. Ainda pelo lado dos jornalistas, o respeito a Reinaldo Rueda, bom frisar, não se demonstra em forma da contumaz "brodagem" à la brasileira. Com simples acenos de cabeça, assim os periodistas locais _ os mesmos que mais tarde o reverenciavam _ o cumprimentaram pelas grades da zona mista. 

Da minha parte, ainda antes de dormir, já finalizado os trabalhos, fui em busca de uma cerveja, que não encontrei. Os bares, das estridentes salsas de horas antes, melancólicos, não me convidavam. 

Chego ao hotel e compartilho a decepção com o recepcionista. Ele responde: "Es porque se perdió. La Sudamericana es importante para nosotros". Vou dormir com mais essa... uma Sul-Americana que Reinaldo Rueda (único título sulamericano que não tem) abriu mão ao entregá-la à Chapecoense. E a constatação de que eles sabem amar, até nos tempos de cólera. 

Abaixo, em vídeos, um pouco do que os colombianos torcedores do Atlético Nacional, fizeram ao "profe" quando da despedida dele em junho: 

https://www.youtube.com/watch?v=P4nO0bHrjRo

https://www.youtube.com/watch?v=ZgYqkiYmUzs

Trecho de algumas das músicas cantadas: 

"Profe Rueda, la Hinchada te agradece la Gloria que nos diste, Siempre Serás del Verde!"

"El Profe Rueda no se va, el Profe Rueda no se va, un contrato de por vida para qu se quede siempre en Nacional".

 

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Corintianos, filhos de empresário viraram sócios do Santos em 1º dia de 'boom' suspeito

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

O empresário Luiz Taveira associou seus quatro filhos, Diego, Thiago, Karla e Karina, nos quadros do Santos Futebol Clube no fim do mês de novembro do ano passado. O curioso, contudo, é que ao menos os dois rapazes são torcedores fanáticos do arquirrival santista, o Corinthians. 

O fato é incomum justamente porque o Santos não é um clube com dependências sociais, o que motivaria torcedores rivais que moram próximos à agremiação a pedir pela associação, de olho em usufruir das instalações do clube. 

Gazeta Press
Empresário forte na gestão de Modesto, associa familiares e amigos em corrida eleitoral
Empresário forte na gestão de Modesto, associa familiares e amigos em corrida eleitoral

Os dois filhos de Taveira são empresários conhecidos em Santos. Enquanto Diego tem uma marca de bonés e roupas, Thiago também trabalha com o futebol, assim como o pai. Nos últimos tempos, Thiago diz que não é mais torcedor do Corinthians por conta da profissão, mas não nega que era adepto da equipe do Parque São Jorge até outro dia. 

As associações de Diego, Thiago e Karina ocorreram no dia 23 de novembro, primeiro dia do "boom" de sócios do Santos revelado pelo ESPN.com.br. Já Karla entrou seis dias depois, que registrou mais de 600 novos sócios, muito mais do que todos os outros meses.  A explosão de novos sócios coincide com a data limite para associações aptas a votar nas eleições do clube, que serão realizadas agora em dezembro.

No total, em 17 dias, o Santos obteve 2098 novas associações, muitas delas com e-mails e telefones repetidos. No caso dos quatro filhos  do empresário, todos foram associados com o e-mail de Thiago, de domínio do hotmail.

Taveira é o empresário com maior influência e número de atletas negociados na gestão de Modesto Roma Jr.  Considerado homem de confiança do presidente, nos últimos anos foi um dos responsáveis pelas contratações de Vladimir Hernandez, Bruno Henrique, Cléber, Ricardo Oliveira, Fabián Noguera, Vecchio, Rodrigão e Copete. 

Em nota divulgada pelo empresário sobre as associações, ele diz que inscreveu familiares e amigos no Santos para "aumentar a renda do clube e oxigenar seu quadro associativo". 

 

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2017 já registra 40% de aumento em denúncias de racismo no esporte

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Ainda falta um mês para o fim ano e 2017 já registra 40% a mais denúncias de racismo no esporte em relação ao ano anterior. O levantamento é do Observatório de Discriminação Racial no Futebol, que há três anos monitora ocorrências no Brasil e em relação a brasileiros fora do país. Os dados deste ano ainda são preliminares, mas já superam as denúncias de 2016 tanto em racismo, como em preconceito em relação à orientação sexual. 

Em 2016, foram registrados 35 casos de discriminação, sendo 25 por racismo, um por homofobia e uma ocorrência de xenofobia. Enquanto este ano, até outubro, já são 49 denúncias por racismo, sete por homofobia, duas por xenofobia e ainda duas outras ocorrências de preconceito de gênero. O aumento reverte a queda nas ocorrências registradas no comparativo entre 2016 e 2015, quando o número de denúncias de racismo havia ficado em 35, dez casos a mais.  

"Não conseguimos ver explicação para a diminuição de 2016, em relação ao ano ano anterior. E como vimos, não foi algo que se sustentou, pois este ano já se tem um número bem maior", comentou um dos responsáveis pela pesquisa e diretor do Observatório, Marcelo Carvalho. 

Uma das suspeitas para o aumento tanto de racismo quanto de homofobia, acreditam os envolvidos na pesquisa, pode ser o aumento da consciência em relação ao preconceito. 

"Está havendo um maior encorajamento para denunciar, para relatar", observa. 

No entanto, as punições não vêm acompanhando a ocorrência dos casos.

"Os tribunais desportivos ainda não estão julgando adequadamente. Muitas denúncias não são levadas adiante, sequer ocorre julgamento", lembrando, no entanto, que este ano ocorreu a primeira denúncia por preconceito de orientação sexual, no STJD, ocorrida por ocasião do posicionamento favorável aos direitos LGBT assumido pela torcida Banda Alma Celeste, do Paysandu. O caso, entretanto, acabou sem punição por discriminação, se restringindo à seara disciplinar

São Paulo ultrapassa o Rio Grande do Sul 

Pela primeira vez desde que o estudo é realizado, há três anos, o Rio Grande do Sul não foi o estado mais preconceituoso do país. Em 2016, São Paulo ficou com o título da discriminação. De acordo com os dados, foram cinco ocorrências em território paulista, contra duas, no Rio Grande do Sul, no ano passado. Os dois estados acumulam pouco menos da metade (44%) dos episódios desde que a análise começou a ser feita.  

No total, os estados em que mais ocorrem denúncias de racismo no futebol são: RS, SP, PR, SC e MG, acumulando 75% das ocorrências desde 2014. Desde que começou a análise, 61 casos foram assinalados, em 16 estados no total. 

O relatório do ano passado foi lançado nesta quarta-feira, pelo Observatório, num evento do Ministério do Esporte, em Brasília, em parceria com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Quatro pessoas do Observatório, que tem sede em Porto Alegre, integraram a equipe. O lançamento foi transmitido pelo Youtube. 

Ano passado, o relatório foi divulgado em parceria com o Vasco da Gama, com lançamento realizado em São Januário, no Rio de Janeiro. 

 

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