Futebol Feminino comemora o anúncio da primeira competição de base do país

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Pela primeira vez, o futebol feminino terá uma competição de base. Será em São Paulo e contará com 17 times. O Paulista Sub-17, ou um campeonato que possa incentivar as meninas ainda na fase pré-profissional, é um sonho de dez a cada dez pessoas que trabalham com o esporte. 

"É fundamental para a modalidade ter um campeonato de base feminino. Esse é um desejo antigo das entusiastas do esporte e que, com certeza, elevará o patamar da modalidade no país. Queremos revelar novas Formigas, novas Martas, Cristianes para manter o Brasil como referência do futebol feminino", afirma Aline Pellegrino, ex-capitã da Seleção e diretora do Departamento Feminino da Federação Paulista de Futebol.

A competição terá início no dia 11 de março. Nesta quarta-feira, foi realizado o Conselho Técnico do campeonato. Não haverá liminte de inscrição para as equipes. Os jogos vão acontecer em turno e returno. 

Vipcomm
Aline Pellegrino é um dos destaques da zaga brasileira
Aline Pellegrino foi campitã da Seleção e hoje é diretora de Futebol Feminino da federação

Interventor assume taekwondo, COB corta verba da Lei Piva, e 600 atletas podem ser prejudicados

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
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Júlia Vasconcelos perde para sueca e está fora do taekwondo dos Jogos Olímpicos
Confederação Brasileira de Taekwondo está há anos com problemas

Em duas salas na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, seis pessoas tentam achar papéis e contas que expliquem o rombo de milhões nas contas da Confederação Brasileira de Taekwondo. Na última terça-feira, um interventor nomeado pelo Ministério Público Federal, Carlos Carvalho, foi mais uma vez ao COB tentar liberar recursos da Lei Piva e salvar o ano de pelo menos 600 atletas. Desde o fim de janeiro, o comitê deixou de repassar recursos federais para a CBTKD, sob a alegação de que faltam prestações de contas. Ao todo, são mais de R$ 6 milhões de recursos públicos usados nesta situação. 

O curioso é que somente agora, após intervenção, o comitê tenha deixado de repassar os recursos. Segundo o interventor, desde 2014 as contas não são analisadas. Segundo o COB, elas estão em análise. O fato constatado pela intervenção é que foram, no mínimo, três anos de dinheiro público jorrado para o Taekwondo, sem qualquer fiscalização. No cargo há menos de um mês, o interventor conversou com o Blog no fim de um dia de trabalho no Rio. Carlos Carvalho é servidor público licenciado e tem 22 anos de experiencia em Gestão Pública. A situação que encontrou ao chegar à sede da CBTKD era caótica.

"Só em aluguel atrasado eram quase 8 meses. Um total de R$ 140 mil de dívida com as quatro salas da confederação. A primeira atitude foi entregar duas das quatro salas que tínhamos alugadas. Duas eram totalmente dispensáveis. Ficamos com apenas duas e reduzimos o aluguel de R$ 20 mil (mensais) para R$ 10 mil", explica.

Além disso, praticamente todos os funcionários, entre eles cargos de comissão técnica, foram dispensados. "Não tínhamos como pagar. Tivemos de cortar para depois tentar realocar", conta Carlos.

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De 59 projetos, apenas 9 eram voltados para atletas

Em 2016, ano da Olimpíada, um exemplo de como uma entidade de gestão do esporte de alto rendimento trabalha. Segundo planilhas encontradas na confederação, de R$ 1,8 milhão recebido (recursos públicos), foram realizados 59 projetos, dos quais, apenas 9 eram voltados para o desenvolvimento dos atletas. Os outros 50 foram destinados à manutenção administrativa da CBTKD.

"50 projetos eram para pagamento de questões administrativos, pagamento de aluguéis e remuneração de dirigentes. O presidente (Carlos Fernandes, afastado) recebia R$ 22 mil por mês", disse, completando: "Muito pouco foi feito para os atletas. Ao que parece, o dinheiro foi jogado fora. Ninguém tratava isso aqui como uma administração, mas como coisa sua. Nâo como uma instituição e, sim, um caixa forte que tinha objetivo de tirar benefício próprio".

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Patrocínios também foram interrompidos

Além de bater à porta do COB e do Ministério do Esporte, o interventor tem tido conversas com empresas que destinavam recursos ao esporte, como a Petrobras, mas que paralisaram após a intervenção.

"Temos tido muita dificuldade com isso. Entendo que eles queiram ter a certeza da destinação dos recursos, mas até a intervenção, nada era explicado e tudo estava normal. O fluxo de dinheiro continuava. Parece que antes a gente podia jogar dinheiro pro ar e nada acontecia. Estou esperando uma reunião com a Petrobras desde o primeiro dia, mandamos ofícios para marcar reuniões e ainda não conseguimos".

Em outubro, como resposta a um questionamento da reportagem, a Petrobras disse que a confederação vinha cumprindo as contrapartidas do patrocínio, "comprovadas através de relatórios".

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O questionamento foi feito para publicação de reportagem que trazia trechos do depoimento de uma testemunha à Polícia Federal, com denúncias de que os recursos da empresa eram "desviados para outros fins", como pagamentos de aluguel e serviços jurídicos, além de prestações feitas com "notas frias". 

Procurada novamente, a Petrobras ainda não retornou à reportagem.

Seletivas

Além de tentar impedir a penhora e o despejo imediatos, Carlos tenta viabilizar pelo menos uma competição na temporada, a seletiva marcada para 17 a 19 de março. Eles estão prestes a firmar uma parceria com as Forças Armadas para fazer no Rio. O evento seria a única chance de seletiva para o Mundial no Brasil.

"Tem gente que nos aconselha abandonar 2017 e só planejar 2018. Hoje não temos como dar suporte algum para um atleta ir ao Mundial", explica o interventor que também tenta vender o Grand Slam, em abril.

"Ainda não conseguimos".

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A intervenção determinada pela Justiça tem duração de 90 dias. Neste período, encontros periódicos são feitos entre o interventor e a 16ª Vara Civel do Rio, que tomou a decisão. O afastamento do antigo presidente, Carlos Fernandes, ocorreu depois de uma série de denúncias de irregularidades no uso do dinheiro público, e de investigações da Polícia Federal. 

Como sábado de Carnaval transformou palco de Flamengo x Vasco em uma novela

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Gazeta Press
Estádio Mário Helênio, o Helenão, vai receber Flamengo x Vasco
Estádio Mário Helênio, o Helenão, vai receber Flamengo x Vasco

Por poucas horas, o Estádio Mário Helênio, em Juiz de Fora (MG), fora escolhido como palco da semifinal da Taça Guanabara entre Flamengo e Vasco. No entanto, na manhã desta terça-feira, a cidade mineira vetou sua realização lá.

Assim, ganha mais um capítulo a novela sobre o onde será realizada a semifinal.

Muito foi discutido nos bastidores durante a segunda-feira até aparecer Juiz de Fora. Alternativas, vetos e finalmente martelo batido, tudo para que os dois clubes pudessem burlar o veto a torcida única em clássicos no Rio de Janeiro.

Tudo começou, porém, na própria capital fluminense: a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) foi até a sede da Polícia Militar (PM) para consultar a possibilidade de segurança em caso de jogo no Engenhão com torcida mista.

Os representates recebem o OK e, então, vão ao Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio para conversar com Guilherme Schiling, o juiz responsável por vetar duas torcidas em clássicos. Eles pedem a reconsideração da decisão sobre torcida única com argumentos e estatísticas. 

O juiz gostou das explicações, mas disse que deferir algo tão rapidamente não era possível e que poderia fazer algo nesta terça ou quarta. No entanto, não haveria tempo hábil por causa do prazo, e assim o Engenhão foi descartado.

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Enquanto isso, na sede da CBF, encontram-se os presidentes de Flamengo e Vasco e começou a ser negociado o local do clássico. Eduardo Bandeira de Mello quer Brasília, já Eurico Miranda prefere Manaus.

A proposta rubro-negra tem apoio do vascaíno, mas a polícia veta o Mané Garrincha; o Fla acabou vetando a Arena da Amazônia (não agrada ao departamento de futebol) e teve apoio da TV Globo (por questões técnicas).

A troca de informações é constante entre Ferj, clubes e CBF durante o dia.

O plano conjunto seguinte era o Mineirão, e o presidente da federação mineira (FMF), Castellar Modesto Guimarães Neto, é consultado. O estádio, no entanto, estará fechado por causa de três dias de shows (24 a 26 de fevereiro) de Carnaval.

Pela primeira vez pensa-se em Juiz de Fora, mas logo fica em segundo plano.

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O Pacaembu se torna o próximo alvo da federação, com aval de Flamengo e Vasco, mas também é descartado devido ao policiamento em São Paulo estar voltado ao Carnaval.

Juiz de Fora, então, deixou de ser coadjuvante e virou protagonista da Ferj para receber a semifinal no sábado, às 18h30 (de Brasília). Os clubes aprovam, e o Flamengo ficaria com as operações da partida.

Ficaria.

Não tem mais Helenão por causa do Carnaval na cidade mineira.

*Nota: o Flamengo divulgou uma carta negando que tenha concordado que a partida fosse realizada em Juiz de Fora. No texto, o clube pede que a partida seja mantida no Engenhão. 

Atleta de Slackline leva calote e vende o carro para realizar sonho de disputar o Mundial com seus amigos

Cacau Custódio, especial para o Blog da Gabriela Moreira
Divulgação
Darllyon, Randley e a namorada Vitória, no aeroporto
Darllyon, Randley e a namorada Vitória, no aeroporto, a caminho do Mundial

Foco, concentração e muito treinamento. É o que se imagina da rotina de um atleta a um mês de uma competição internacional. Mas para três jovens brasileiros, a reta final de preparação para o Mundial de Slackline 2017, que acontece no Chile, foi repleta de medo e angústia.

Sem patrocínio para a viagem e classificados para representar o Brasil na competição, Darllyon Araújo, Randley Freitas e Gustavo Ferreira recorreram a um agente de viagens do Espírito Santo que prometia preços mais baixos para o grupo. Gabriel Garcia já havia negociado viagens anteriores com dois conhecidos dos brasileiros, o que encorajou os atletas a depositarem os valores pedidos, cerca de R$ 4 mil no total, no dia 13 de janeiro. Mas as passagens nunca foram emitidas.

Reprodução
últimos contatos com Gabriel
Últimos contatos com Gabriel

"Todos os dias ele falava que estava emitindo as passagens, mas nunca fazia", disse Darllyon Araújo.

Com o tempo se esgotando e as cobranças diárias sem efeito, os atletas começaram a desconfiar de Garcia e ameaçaram registrar ocorrência. O agente então estornou a compra de Gustavo, mas não devolveu o dinheiro de Darllyon e Randley. Nas últimas explicações dadas aos atletas, dizia que a situação no Espírito Santo, com o caos provocado pelas manifestações dos familiares da Polícia Militar, dificultava a emissão das passagens.

"Procura no jornal como Vitória está, se não já teria resolvido. Tô correndo contra o tempo e te dando satisfação. Vão sair (as passagens)", dizia Garcia em um dos últimos contatos que fez com os meninos. Pouco depois, parou de responder as mensagens e atender ao celular.

Os atletas então registraram boletins de ocorrência e passaram a procurar alternativas para ir ao Chile. Desesperado com a situação e com medo de não conseguir viajar, Darllyon colocou seu carro à venda e comprou não só a sua passagem, mas as de seus amigos também. No total, o atleta desembolsou aproximadamente R$ 5.500 em passagens.

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anuncio do carro
Anúncio da venda do carro, que viabilizou a ida dos amigos para o Mundial no Chile

"Desde que eu iniciei no slackline meu sonho é ficar entre os melhores do mundo. E hoje que eu tenho chance de estar lá para provar isso, eu quis dar um jeito de ir. E a única maneira que eu achei de conseguir levar as pessoas que estão do meu lado sempre foi vender meu carro", conta o atleta.

Já no Chile, Darllyon, Randley e Gustavo participam do Mundial, que começou na última terça, dia 14. Ainda sem resolução para o caso e apenas silêncio vindo de Gabriel Garcia, eles deixaram o assunto com as autoridades no Brasil. O foco dos atletas se encontra agora em manter o equilíbrio nas fitas estendidas em Viña Del Mar, pelo menos até segunda-feira, quando acaba a competição.

Venda do Maracanã atrasa por impasse sobre quem vai pagar estragos da Rio 2016

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Prevista para esta sexta-feira, a resposta de quem vai ficar com o Maracanã não sairá tão rapidamente como se esperava. As conversas da Odebrecht com as interessadas Lagardère e GL Events estão sendo mais complicadas do que se supunha. O principal motivo: quem vai pagar pelos estragos feitos pelo Rio 2016 nas estruturas do estádio? A questão colocada leva à uma infeliz constatação. A de que a Olimpíada, melhor dizer, Carlos Arthur Nuzman e sua turma, conseguiram depreciar o valor do estádio que já foi um dia o maior do mundo.

A expectativa era de que, com pressa e concorrência, os dois grupos interessados acabassem assumindo a obrigação _ que era do comitê _ de fazer as obras e consertos necessários para depois cobrar as responsabilidades, mesmo que seja na Justiça. Acontece que nenhum dos dois grupos topou tamanha caridade, até agora. Muitas perguntas estão sem resposta: quanto vai custar consertar tudo o que foi destruído? O quê exatamente foi destruído pelos dirigentes olímpicos e o que foi causado pelo abandono pós evento? Quem paga essa conta? 

O quanto a Odebrecht é responsável pelo abandono é outra pergunta a se fazer. Em dezembro _ após os Jogos _ o Maracanã estava funcional. Em que pese os custos do conserto do gramado tenham sido assumidos pelos usuários, como o Flamengo, que arcou com o remendo do campo para tapar o enorme buraco deixado pelo comitê. A partir de então, o Maracanã foi abandonado. Por quem, exatamente? 

Marcelo D?Sants
Gol do Maracanã, palco da final da Copa do Mundo de 2014  e Olimpíadas em 2016
Gol do Maracanã, palco da final da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas em 2016

O valor da compra, avaliado em cerca de R$ 60 milhões, pode ser menor se o vencedor aceitar arcar com os custos ainda não calculados. Se isso ocorrer, perde a Odebrecht que terá de cobrar do Estado o não cumprimento do contrato. O impasse na mesa de negociações se arrastara, no mínimo, pela próxima semana. Para se ter uma real noção do prejuízo, os três negociadores terão de embarcar em diligências técnicas pelo estádio para avaliarem o quanto se gastará com os reparos necessários.

Uma conta, que ninguém quer pagar. Mas cujas responsabilidades estavam bem definidas no contrato de cessão do estádio, firmado entre o Governo do Rio, com a assinatura do governador Luiz Fernando Pezão, e o Rio 2016, sob responsabilidade do vice-geral Leonardo Gryner.

Contrato para "inglês ver"

Ao se ler o contrato, parece-se estar entrando num conto teatral. São 13 páginas adornadas por carimbos, direitos e deveres. Dos direitos, nenhum em prol do Estado e da sociedade, até cláusula informando que o Rio não poderia usar a marca do comitê havia.

"O Autorizante (Governo) e Interveniente (Odebrecht) não poderão intitular-se "Fornecedor oficial dos Jogos", tampouco, "mencionar em seu material publicitário, de marketing ou em campanhas (...) o fato de prover produtos e / ou serviços ao Autorizado (Rio 2016)".

A "Carta Olímpica" e seus ideias também é citada no contrato. Deveriam Odebrecht e Estado do Rio, se submeterem aos seus conceitos e valores.

Mas há também obrigações por quem tomou emprestado, como:

"utilizar, preservar, manter e guardar a área cedida (...) com o dever de cuidado necessário a evitar danos à instalação, ressalvados os desgastes naturais (...) devolvendo no mesmo estado em que recebeu".

Um documento que foi redigido sob a batuta dos grandes conselheiros jurídicos de Carlos Arthur Nuzman. Aqueles que este Blog já mostrou quem eram e quanto ganharam com o sonho olímpico.

Um contrato que até agora não saiu do papel e tem sido rasgado a cada dia que passa. Mais um para a conta da nebulosa relação entre as turmas do Cabral, das empreiteiras, e dos anéis olímpicos.

Reprodução
Funcionários começam a cobrir o buraco aberto no gramado do Maracanã
Rio 2016 abriu um buraco no gramado para as cerimônias. Flamengo pagou a conta do conserto, para partida no fim de 2016
Marcelo D?Sants
Anéis Olímpicos no Maracanã
Anéis Olímpicos no Maracanã usados durante os Jogos. Material ainda está no estádio

 

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