Justiça concede liberdade a ex-presidente da CBDA, mas pede que passaportes sejam recolhidos

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
ALE CABRAL/Gazeta Press
MPF entrou com mais uma ação contra a cúpula da CBDA
Coaracy deixará a cadeia, mas não pode sair do país

Depois de quase três meses de prisão, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes Filho, vai deixar a prisão após conseguir um habeas corpus no Tribunal Regional Federal de São Paulo. Além dele, os dirigentes Sérgio Alvarenga, Ricardo Moura e Ricardo Cabral também foram beneficiados pela decisão.

A 11ª turma do Tribunal Regional Federal (TRF) recomendou que em liberdade eles fossem monitorados com o auxílio de tornozeleiras eletrônicas, mas a Justiça do Rio informou ao órgão que não possui equipamento disponível. Além das medidas impostas pelos desembargadores, a juíza Raecler Baldresca, da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo determinou que os réus entreguem seus passaportes à Justiça e não se comuniquem, sob qualquer meio. 

O TRF já havia proibido que eles visitem a CBDA ou ocupem cargos na confederação. Todos os citados negam envolvimento nas irregularidades.

Relatora do processo, a desembargadora federal Cecília Mello foi voto vencido, prevalecendo o entendimento dos desembargadores federais José Lunardelli e Nino Toldo de que as medidas alterativas à prisão são, no momento, suficientes à preservação das investigações e da ação penal iniciada.

Coaracy foi preso na operação Águas Claras, da Polícia Federal, em maio. Ele e os demais citados são acusados de desvio de dinheiro público do Ministério do Esporte, além de fraudes em licitações.

A CBDA é a confederação que reúne as modalidades da natação, pólo aquático, saltos ornamentais, nado sincronizado e maratona aquática. 

Assista abaixo, matéria publicada sobre as investigações na CBDA.

Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos é investigada por superfaturamento e fraudes
Novo presidente da CBDA explica situação de eleição que a Federação não reconhece



 

Polícia em alerta para união de facções em clássico com São Paulo na nova casa do Flamengo

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Gilvan de Souza/Flamengo
Estádio do Flamengo, Ilha do Governador, Estádio Luso-Brasileiro, 2017
Estádio reformado pelo Flamengo, Ilha do Urubu, na Ilha do Governador,  já recebeu dois jogos após inauguração

As polícias do Rio e São Paulo monitoram as torcidas Jovem Fla e Independente para o jogo do próximo domingo, entre Flamengo e São Paulo, na Ilha do Urubu. Proibida de frequentar estádios por três anos, a pedido do Ministério Público, a organizada do Flamengo tem a facção paulista como uma aliada e as autoridades suspeitam que as duas se unam para promover ataques no entorno do estádio recém inaugurado.

As ações seriam retaliação à decisão do MP, que provocou o cancelamento do plano de Sócio Torcedor Corporativo por parte do Flamengo. Integrantes da Jovem, assim como outras organizadas, faziam parte do programa, mas tiveram seus cadastros excluídos após a medida judicial, determinada em abril deste ano.

De acordo com as autoridades, no jogo de inauguração da Ilha do Urubu, contra a Ponte Preta, a torcida promoveu "bondes" nos acessos dos setores norte e leste, provocando tumulto e até furtos.

Já no segundo jogo, contra a Chapecoense, o Grupamento Especial de Policiamento em Estádio (GEPE) conseguiu deter 34 integrantes da facção que tentavam entrar no estádio, mesmo estando sem ingressos e proibidos de frequentar o local. Eles foram autuados pelo Juizado Especial Criminal (Jecrim), por desobediência. Outros 12 torcedores foram detidos na mesma ocasião, mas que não faziam parte da lista de proibidos.

Histórico de mortes 

Dividia em pelotões, a Jovem tem na Ilha do Governador, bairro onde fica o estádio, um dos seus maiores grupos, o 11º pelotão. Entre os crimes relacionados à torcida, pelo menos dois provocaram a morte de torcedores rivais nos últimos anos. Do vascaíno Diego Martins Leal, em 2012, e do botafoguense Diego Silva dos Santos, em fevereiro deste ano, no entorno do estádio Nilton Santos, na zona norte do Rio.

O presidente da Jovem Fla, Wallace Costa Mota, é considerado foragido pela Justiça do Rio.

Nos links abaixo, você pode acessar matérias publicadas sobre a morte de Diego Martins Leal e Diego Silva Santos. No inquérito que investigou a morte de Leal, em 2012, a polícia flagrou em escutas telefônicas os então dirigentes do Flamengo fornecendo dinheiro e apoio jurídico aos envolvidos no assassinato.

A história foi contada com exclusividade nas reportagens a seguir: 

Acusados de matar torcedor afirmam terem recebido apoio de ex-dirigentes do Flamengo

Ingressos e até relógios eram fornecidos pelo Flamengo à torcida organizada

Viagem paga pelo Flamengo teve espancamento e uso de drogas

Protesto da torcida com confusão e coletiva de Juan; Bibiana traz as notícias da reapresentação do Fla

*Nota do Blog: a Jovem Fla não pode frequentar estádios, mas é permitido à facção a manifestação em protestos, como o ocorrido no Ninho do Urubu, no início do mês. Nota alterada para correção desta informação. 

 

 

Impugnado, cartola do Handebol ignora STJD e Justiça e diz: 'Confederação é o poder máximo'

Gabriela Moreira e Diego Garcia, do ESPN.com.br

Impugnado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva desde o último dia 3 de maio por conta de denúncias do Jogo Limpo, inclusive com despacho recente da Justiça comum do Sergipe que dá aval à decisão do STJD até o momento, Manoel Luiz Oliveira divulgou nota dizendo que, mesmo ciente das decisões, vai continuar na presidência da Confederação Brasileira de Handebol, cargo que ocupa há 28 anos.

Em nota oficial enviada aos presidentes de Federações no fim da tarde desta quarta, Manoel e a CBHb disseram que "tomaram conhecimento por meio de matéria veiculada no site da ESPN" da decisão monocrática do desembargador Ricardo Múcio que declarou prejudicada uma liminar que Manoel dizia lhe garantir no cargo - o julgamento foi publicado às 7h52 do último dia 20 no Tribunal de Justiça do Estado do Sergipe e saiu ontem cedo no Diário Oficial.

Apesar de já ciente da nova publicação do Poder Judiciário, Manoel Luiz apontou na nota oficial divulgada que "até a presente data ainda não foi notificado da decisão publicada pelo referido órgão de imprensa. Após o recebimento de tal intimação, os recursos cabíveis serão impetrados para a devida apreciação pelo Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe".

Enquanto isso, o cartola declarou que a Confederação "continua sua rotina de funcionamento tendo o seu presidente eleito e empossado à frente da gestão da entidade com o respaldo legal e político que lhe conferiu a assembleia geral, que na qualidade de PODER MÁXIMO, o elegeu como presidente".

ESPN.com.br
Nota oficial divulgada pela CBHb nesta quarta-feira sobre decisão da Justiça do Sergipe
Nota oficial divulgada pela CBHb nesta quarta-feira sobre decisão da Justiça do Sergipe

Manoel foi julgado inelegível pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Handebol por denúncias feitas pelo Dossiê Handebol, série de reportagens do Jogo Limpo que apontou diversas irregularidades na gestão do dirigente.

No último dia 3 de maio, o STJD anulou a reeleição do cartola, pedindo pela convocação de um novo pleito sem que o dirigente pudesse ser candidato.

Só que, no dia seguinte, Manoel afirmou que conseguiu uma liminar que o mantinha no cargo. Na realidade, ele tinha em mãos um agravo do desembargador Ricardo Múcio que pedia a suspensão do procedimento arbitral do STJD.

Mas, na última quarta, o mesmo desembargador Ricardo Múcio, após analisar o processo que corre na Justiça do Sergipe, agora declarou o agravo prejudicado, uma vez que o processo no tribunal desportivo já estava encerrado.

ESPN.com.br
Na íntegra, cópia de decisão de desembargador que já está disponível no TJ do Sergipe
Na íntegra, cópia de decisão de desembargador que já está disponível no TJ do Sergipe

Em abril, o juiz José Macedo Costa, da 10ª Vara Cível de Aracaju, havia indeferido pedido de Manoel Luiz Oliveira para conceder efeito suspensivo contra o procedimento do STJD, alegando que existe cláusula arbitral, aprovada pelos filiados da CBHb, que instituiu o Superior Tribunal de Justiça Desportiva como competente para dirimir eventuais conflitos. Uma decisão em primeira instância ainda é aguardada.

Mesmo diante de tudo isso, Manoel diz que continua na presidência da CBHb.

 

Deputadas acusam governo da Bolívia de 'acobertar' responsáveis por acidente da Chapecoense

Antônio Strini e Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Buda Mendes/Getty
A família se despede de Caio Júnior. O técnico de 51 anos assinara contrato com a Chapecoense em 2016.
Velório coletivo na Arena Condá após acidente que vitimou 71 pessoas na Colômbia

Duas deputadas bolivianas acusam formalmente o Governo da Bolívia e membros do sistema judiciário do país de tentar acobertar os responsáveis pelo acidente da Chapecoense, em que morreram 71 pessoas. Uma das parlamentares, Érika Justiniano, está em visita a Chapecó nesta terça-feira, para levar as informações às autoridades brasileiras. Ela se reunirá com a presidência do clube, depois com familiares de vítimas e, por fim, com o Ministério Público Federal de Chapecó. Para elas, "não há a menor possibilidade que o caso se esclareça" como vem sendo conduzido pelo Ministério Público boliviano.

Érika Justiniano e Norma Piérola afirmam que o procurador-geral da Bolívia, Ramiro Guerrero, para "encobrir" suas responsabilidades e "perseguir inocentes". Elas se referem à tentativa de incriminar a funcionária da Aasana (espécie de administradora de aeroportos e responsável pela navegação aérea do país) Célia Castedo pelo acidente em novembro de 2016. A boliviana teve de sair às pressas do país e, atualmente, está em processo de pedido de refúgio no Brasil.

"Somos conscientes de que na Bolívia não existe a mais mínima possibilidade que o caso se esclareça e os responsáveis desta tragédia respondam ante a Justiça. Além disso, podemos afirmar que o Ministério Público na Bolívia tem uma atitude de ACOBERTAMENTO. Como deputada nacional tenho a obrigação de dizer que (nós) os bolivianos não somos irresponsáveis nem somos acobertadores, o irresponsável é o governo boliviano e o acobertador é o Ministério Público boliviano. Por isso, em meu nome e de todos os bolivianos, expressamos nossa dor e solidariedade com todas as famílias e reitero meu compromisso de contribuir no esclarecimento deste fato e cooperar com o objetivo de que os culpados e acobertadores respondam ante a Justiça", escreveram Justiniano e Piérola em carta que será entregue ao presidente da Chapecoense, Plínio David de Nes Filho nesta terça.

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Além de Ramiro Guerrero, as parlamentares acusam nominalmente o ministro Milton Claros, de Obras Públicas e Transporte. Ele deve responder como chefe da DGAC (a ANAC boliviana) por ter permitido a operação da companhia aérea LaMia, que segundo as deputadas não tinha licença para voar na Colômbia.

Elas dizem na carta, que enviaram duas notificações ao ministro e seu colega o ministro Luís Arce Catacora (economia e Finanças Públicas), mas que não obtiveram respostas. Ele é o responsável no país por fiscalizaqr as condições de seguros.

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De acordo com a CNN, a LaMia estava com o seguro obrigatório suspenso desde outubro de 2016, por falta de pagamento. Justiniano e Piérola acusam o Governo de pressionar a seguradora Bisa Seguros y Reaseguros de dizer publicamente, após o acidente, que a apólice estava vigente.

Sem apoio de Dória, jogos LGBT reúnem 400 atletas no Ibirapuera

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
Jogador Flor, do Natus, foi um dos artilheiros da competição.  

A prefeitura de João Dória não quis apoiar a causa esportiva LGBT. Pela primeira vez no Brasil, foram realizados neste sábado os Jogos da Diversidade. Campeonatos de futebol, vôlei, handebol, natação e queimada em que os jogadores eram formados por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Durante cinco meses, os organizadores tentaram apoio da prefeitura, mas embora sinalizasse inicialmente que iria contribuir, o órgão público acabou não participando do evento nem com cessão de espaço para a competição.

A confirmação da retirada do apoio veio muito tarde, segundo os organizadores. O jeito foi pedir ajuda ao Governo do Estado. Por lá, o tratamento foi bem diferente. A gestão de Geraldo Alckmin, através da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude, conseguiu desembaraçar sem grandes problemas a burocracia envolvida para ceder o Ibirapuera para as atividades, mesmo em tempo curto.

Após a publicação do post, a Prefeitura enviou nota. Leia ao fim do texto. 

Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera). De amarelo, os Beescats, do Rio. Ao fundo, o paulista Natus 

"O Esporte ajuda a romper barreiras. O Estado não pode colocar pedras a este tipo de ação", declarou ao Blog o assessor de gabinete da Secretaria de Esportes do Governo do Estado, Jaime Ferreira.

O custo do aluguel das quadras, piscina e pista de atletismo do Ibirapuera gira em torno de R$ 100 mil, mas para que os Jogos fossem realizados no espaço, a Associação da Parada Gay arcou apenas com a taxa de manutenção, cerca de R$ 3,7 mil.

Cariocas do ´Beescats´ 

A faculdade FMU também contribuiu com os Jogos levando 60 alunos de educação física para apitar, bandeirar e auxiliar na organização das partidas.

"Precisamos ensinar a inclusão desde a faculdade. Grande parte dos alunos que vieram são heterossexuais, mas entendem que não pode haver preconceito no Esporte", afirmou o professor Dilson Vilela, da cadeira de Ética na universidade.

Ao todo, os Jogos reuniram cerca de 400 atletas. No futebol, a competição foi mais acirrada. Partidas entre homens transgêneros e times formados por lésbicas foram um dos destaques. O evento contou com a participação de times de outros estados, como os Beescats, do Rio de Janeiro.

No futebol, a equipe campeã foi a Bulls, seguida da Natus FC, ambas formadas por maioria gay. Em terceiro, ficou o Meninos Bons de Bola, de homens trans. 

Os jogos foram inspirados na competição mundial LGBT, os Gay Games, que tem na próxima edição, em 2018, serão realizados em Paris, na França. O Brasil nunca enviou time de futebol para o evento. 

Nota da Prefeitura: "Ao contrário do que afirma o post, um único contato foi feito, no dia 17 de abril, por e-mail, com a Coordenadoria de Gestão do Esporte de Alto Rendimento, responsável pelo Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP). A Coordenaria respondeu à requisição reiterando o apoio à causa, mas que preserva a utilização do espaço exclusivamente para o treinamento dos atletas.

A secretaria informa, ainda, que, em momento algum, a solicitação chegou ao conhecimento da Coordenadoria de Gestão Estratégica dos Equipamentos, responsável pelos Centros Esportivos e Estádios Municipais da cidade de São Paulo. Por este motivo, não foi possível atender com a mesma atenção dos outros eventos esportivos voltados ao público LGBT realizados nos nossos espaços". 

A informação de que "um único contato foi feito (pelos organizadores do evento) no dia 17 de abril", não procede. O Blog teve acesso aos emails e ofícios protocolados formalizando o interesse em usar as instalações do Centro Olímpico ou outro espaço público. O primeiro contato com o secretário de Esportes Jorge Damião foi feito em 16 de fevereiro com uma reunião entre o próprio e os organizadores, seguida de trocas de emails. Após o encontro, a Associação da Parada do Orgulho LGBT passou a se corresponder com subordinados do secretário por mensagens e também por ofícios protocolados em março.  

 

Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera) 
Marcelo D.Sants
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera)
I Jogos da Diversidade LGBT (Ibirapuera). Evento também teve "gaymada", vôlei, handebol e natação 
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