Nas vésperas da prisão, dirigentes da CBDA tramaram por eleição, apontam áudios

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
SATIRO SODRE/Gazeta Press
Coaracy Nunes Coletiva CBDA 14/11/2013
Coaracy Nunes, presidente afastado da CBDA e um dos presos da operação ´Àguas Claras´

Dias antes de serem presos, Coaracy Nunes e a cúpula da CBDA tentaram mais uma cartada para a perpetuação no poder. Já afastados pela Justiça e impedidos de convocar qualquer tipo de reunião, eles enviaram para 17 federações (de um universo de 27), um modelo de convocação para uma assembleia que trataria de mudanças nas eleições da entidade.

O Blog teve acesso a áudios de mensagens enviadas pelo escolhido para ser o sucessor de Coaracy, Sérgio Silva, ex-presidente da federação baiana, aos apoiadores. Nas mensagens, Serjão diz que vai enviar aos demais presidentes um modelo de convocação feito pelo departamento jurídico da CBDA:

"O Dr. Marcelo (Franklin, advogado da CBDA) está me mandando uma carta daqui a pouco... a gente pedindo uma assembleia geral extraordinária. Eu preciso que você bote isso em papel timbrado da federação paraense, assine e mande de volta pra CBDA ainda hoje, tá ok?"

Ouça aqui o áudio. 

A mensagem acima foi enviada a Glauco Silva, então presidente da federação do Pará. A referida assembleia ocorreu no dia 29 de março e consolidou as mudanças. Entre elas, a que permite às chapas mudarem seus candidatos se algum dos seus membros se tornarem inelegíveis. Até então, o estatuto só permitia mudança de candidato em caso de morte. A assembleia mudou essa regra. A mudança, no entanto, está sendo contestada na Justiça do Rio.

O advogado da CBDA, Marcelo Franklin, negou que tenha sido o autor da ideia. Procurado pela reportagem, ele disse que todos os seus atos enquanto advogado da entidade foram feitos a pedido da gestão.

"Eu me limitei a atuar como advogado contratado pela CBDA. Tudo o que fiz, enquanto advogado, foi atender a pedidos que me foram solicitados", disse.

O advogado acrescentou ainda que acredita estar sendo alvo de articulação para tentar incluí-lo na disputa política da entidade.

"Estou enxergando que existe nisso uma forma de me incluir na questão política da CBDA e vou reagir contra isso. Já acionei a comissão de prerrogativas da OAB e vou acionar juridicamente quem está participando disso", afirmou.

Sérgio Silva negou que tenha enviado a mensagem às federações orientando o pedido de assembleia. Confrontado pelo áudio ao qual a reportagem teve acesso, ele disse que "se afastou de tudo faz tempo" e que quem deveria ser procurado era o ex-presidente da federação do Pará, Glauco Silva.

Pagamento das taxas

Em um dos áudios aos quais a reportagem teve acesso, Serjão também afirma ter pago as taxas referentes às anuidades das federações que lhe apoiavam na disputa, o que configuraria uma ilegalidade. No entanto, numa das mensagens ele diz que espera o ressarcimento das mesmas. O Blog não conseguiu saber se, de fato, a chapa de Sérgio Silva foi quem arcou com os pagamentos.

Tudo isso ocorreu quando a cúpula da CBDA já era investigada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal na Operação Águas Claras. A operação acabou levando à prisão Coaracy Nunes, presidente afastado da entidade, o secretário-executivo e diretor de Natação, Ricardo de Moura, o coordenador de Pólo Aquático, Ricardo Cabral, e o diretor financeiro, Sérgio Alvarenga.

Superfaturamento, empresas fantasma... Por e-mail, dirigentes construíam esquemas ilegais na CBDA

Eles estão presos no Rio, por determinação da 3ª Vara Federal de São Paulo, fruto de investigações que começaram a desvendar um esquema de desvio de dinheiro de convênios com o Ministério do Esporte. A ação foi deflagrada em São Paulo, onde algumas das empresas envolvidas estão situadas e onde foram feitas as primeiras denúncias, vindas de atletas das modalidades atendidas pela CBDA. Desde o início das ações, no entanto, a entidade pede na Justiça que o processo seja transferido para o Rio de Janeiro.

Na decisão que levou os dirigentes à prisão, a juíza Raecler Baldresca disse que "há necessidade de interromper a ação criminosa do grupo ora sob investigação e cessar o abastecimento financeiro de suas atividades, de modo que a segregação cautelar se impõe como única medida possível para desarticular as operações do grupo e evitar a continuidade da prática delitiva".

Ao todo, estão em suspeita convênios e contratos públicos que somam mais de R$ 40 milhões. Além das ações cíveis e criminal que correm em São Paulo, a CBDA está hoje sob intervenção, decretada pela Justiça estadual do Rio.

As investigações sobre a CBDA foram reveladas em setembro do ano passado, pelo portal Jogo Limpo. 

É Teeeetra! Minhas 9 verdades da última semana

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

*Caros e raros leitores, não pude estar presente nos últimos dias e o motivo explico abaixo.

Eram 15h o quarto estava frio. Acima do leito da UTI havia um monitor que em letras incandescentes marcava 94. Deu vontade de gritar: é Teeeetra.

Sorri um sorriso solitário. Ele dormia. A respiração bem menos aflitiva que dos últimos três dias. Era a primeira vez desde que havíamos dado entrada no hospital que o nível de oxigênio no sangue passava de 90 (o mínimo ideal é 96).

Deu vontade de coçar a sobrancelha. Não pude. Minhas duas mãos seguravam sua cabecinha. Ficamos assim por quase três horas. Ele e eu. O pai, aflito na recepção do hospital, não podia entrar.

De longe e em completo silêncio avisto outras mães. Neste momento, somos seis a zelar pelos seus. Defesa e ataque juntas, formamos um grupo. Não nos falamos, mas sorrimos umas para as outras. Tento me fortalecer nelas. 

A televisão quase muda traz a imagem de Rodrigo Caio. Repetidas vezes. Dante quer ser jogador de futebol, lembro. O que o zagueiro do São Paulo fez para aparecer tantas vezes no noticiário, me pergunto? Ele e Jô... mais uma polêmica, desdenho. As delações da Odebrecht... No meu cinema mudo, confiro o monitor que marcava os batimentos cardíacos. Estamos quase lá. 

Uma voz interna grita: atenção, temos de manter a posse de bola. Pra isso a cabeça tem de permanecer erguida, sem que nada dificulte a passagem de ar.

O dia anterior tinha sido como uma final de Libertadores. Mas não qualquer momento do jogo. Aqueles 20 minutos finais, fora de casa, com o adversário avançando de forma avassaladora. A bola não saia da pequena área. A pressão era contínua.

Vinte minutos que duraram quase 48 horas. E eles estavam em vantagem no placar. A porta da UTI fechando.

Foram assim, amigos, nossos últimos dias. Dante na UTI após uma resfriado que evoluiu muito rápido para uma pneumonia viral, que se espalhou bacteriana.

Antonio e eu em desespero. Nós no interior do Espírito Santo, na divisa com a Bahia. Família e amigos à distância, mas nos dando um apoio e uma força que, talvez, só um Maracanã (o velho) lotado seria capaz de reproduzir.

Na prorrogação, já em vantagem pra gente, teve uma hora que o monitor marcou 98. Ah, eu preferia 94, pensei, rindo de mim. De alívio, de felicidade.

Estamos saindo do Hospital neste momento, após quase uma semana de internação.

"Mãe, todo mundo acha que eu tô com saudade de vídeo-game, mas eu tô é com saudade de andar, saudade do aeroporto...", me disse o pequeno.

É pra lá que vamos. De volta pra casa, graças a Deus!

Verdades desse período:

- A vida imita a arte e, às vezes, imita até a bola sem muita arte. A vida venceu e o herói dessa partida atende pelo nome de Deus.

- No nosso mata-mata particular, não tem mimimi. Não tem tapetão. O jogo só termina quando o juiz lá de cima apita.

- NÃO. Nesse jogo, o juiz NÃO ERRA

- Dante foi apelidado de "Galã da UTIN (UTI Infantil)"

- Eu raspo prato até quando é comida de hospital. O meu e também o que restar do Dante.

- Antonio e eu lavávamos as roupas durante a noite para secar de madrugada e usar de novo. Bíquini, shortinho e kanga são itens que não combinam com hospital. Mas quem se importa com isso quando você passa dias sem ter coragem de se encarar no espelho?

- Entender o motivo que levou Rodrigo Caio à televisão tantas vezes nesta semana me fez pensar que o futebol vive em constante necessidade de Tratamento Intensivo. 

- No primeiro dia em que ele (meu pequeno) voltou a falar, me disse: "Mãe, isso tudo é culpa do Trump".

- Dante não gosta de ser chamado de "príncipe". Sempre concordei com ele, mas a partir de agora vou fazer mais, vou corrigir quem assim o chamar, dizendo: aqui tem é um GUERREIRO.

 

Dirigentes combinavam por e-mail como fraudar licitações na CBDA

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Justiça afasta Coaracy da presidência da CBDA

Emails trocados às vésperas da Olimpíada no Rio mostram que os dirigentes presos na operação Águas Claras, que investigou a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), foram alertados sobre os crimes que vinham cometendo. O aviso foi feito pelo próprio departamento Jurídico da entidade. De acordo com o Ministério Público Federal, a agência que fornecia passagens e hospedagem aos atletas era quem fazia a cotação de preços com as concorrentes nas licitações. Num esquema montado para a Agência Roxy Turismo vencer. Tudo era coordenado pela própria CBDA, segundo o MPF. "Os orçamentos são montados pela própria CBDA, que por sua vez solicita à ROXY que a coloque em papel timbrado", sustentam os procuradores na segunda ação de improbidade administrativa movida contra os dirigentes da entidade e outras seis pessoas e empresas.

Todos os citados na reportagem foram procurados. Eles negam os crimes. Leia mais abaixo as respostas.

Em setembro de 2016, o Jogo Limpo detalhou as investigações em primeira mão.

De acordo com as interceptações de e-mails, feitas com autorização judicial, Ricardo Cabral, ex-coordenador de Pólo Aquático (preso na operação), participava de todas as conversas. Ele estava copiado nas mensagens em que uma funcionária da entidade combinava com a agência investigada, Roxy, a necessidade de se providenciar "orçamentos de cobertura".

Entre as informações que constam na ação, estão trocas de e-mails dos advogados e dos responsáveis por fiscalizar as compras, no seguinte teor:

"Fornecedores com a documentação completa e valores compatíveis, aptos a prestar os serviços, são descartados em favor de outros",

"Há interferências de colaboradores que repassam informações privilegiadas para fornecedores "parceiros" (grifo do processo)",

"O Departamento de Compras inclusive sofre punições com essa prática de favorecimento, pois tem que ficar correndo atrás de fornecedor "parceiro",

Reprodução
Documentos CBDA

As mensagens foram enviadas em abril, três meses antes da Olimpíada, período em que os atletas finalizavam a preparação para os Jogos. Elas também tinham como destinatário o dono da Roxy, o empresário Michael Wernie, que já foi indiciado pela Polícia Federal. Além da fraude nas licitações, as investigações também mostram algo que quem acompanhou de perto a logística dos esportes aquáticos, pôde vivenciar:

"Tinham coisas muito esquisitas com a gestão dos traslados e das passagens aéreas", contou à reportagem o jornalista Stéphane Darmani, que viajou, pagando as próprias despesas, com a equipe de pólo masculina, para a produção de um documentário "Missão Polossível", sobre a preparação da modalidade para os Jogos. 

Lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, falsidade ideológica... Delegado da PF elenca crimes da CBDA

Numa das viagens feitas pelos atletas, para um treinamento em Dubrovnick, na Croácia, enquanto ele fez o percurso entre Roma, na Itália, para a cidade croata em voo direto, os atletas tiveram de passar por diversas conexões:

"Eu falei com eles, como assim? Tem uma linha direta Roma-Dubrovnick e eles fizeram Roma-Munique-Belgrado e só depois Dubrovnick. Eu paguei cerca de 150 euros na minha passagem, enquanto eles pagaram muito, muito mais caro", disse o jornalista, que não teve acesso às investigações, apenas narrou o que testemunhou. 

95% do contrato gasto com a agência

Um dos contratos investigados mostra que somente em um convênio, o 755.882, de 2011, apenas os custos com passagens e hospedagem consumiu 95% do total da verba destinada, ou R$ 1.094.691,98. O objetivo do repasse federal era a "preparação das seleções masculinas e femininas de pólo aquático visando as Olimpíadas".

Somente a Roxy teria recebido mais de R$ 23 milhões da CBDA, nos últimos cinco anos, de acordo com o MPF.

Empresas fantasmas

As demais empresas concorrentes da Roxy, de acordo com as investigações, não participavam, de fato, das licitações. Consta na ação que a Mundi Tour Viagens e Turismo LTDA e a F2 Viagens e Turismo LTDA, estão localizadas em indereços inativos. A primeira num escritório fechado no centro do Rio de Janeiro e a segunda, numa residência no Recreio dos Bandeirantes. Ainda de acordo com as investigações, os sócios das empresas sequer declararam a existência das mesmas em suas declarações de renda.

"situações no mínimo suspeitas, pois empresas que participam de várias licitações de uma Confederação Esportiva, para prestar diversos serviços e em contrapartida receber valores financeiros elevados, devem ter no mínimo um razoável estrutura de pessoal e financeira", sustentam os procuradores na ação.

O pedido está na Justiça Federal para apreciação. O MPF pede que os envolvidos paguem aos cofres públicos um total de R$ 160 milhões, referentes a enriquecimento ilícito, indenização por dano aos cofres públicos, acrescidos de juros e multa.

Na última semana, Coaracy Nunes, presidente afastado da confederação, o secretário-executivo e diretor de natação, Ricardo de Moura, o coordenador de pólo aquático, Ricardo Cabral, e o diretor financeiro, Sérgio Alvarenga, foram presos preventivamente pela Polícia Federal, na por uma ação criminal que o MPF move contra a CBDA. A ação corre na 3ª Vara Federal Criminal de São Paulo. A operação é fruto de 14 meses de investigações e até agora resultou em três ações, duas cíveis eu uma criminal. 

Respostas dos citados 

O advogado de Coaracy Nunes e da CBDA, Marcelo Franklin, não atendeu às ligações da reportagem. No dia das prisões, ele negou que seus clientes tenham cometido qualquer crime. A família do dirigente disse em uma página na internet que as acusações são fruto de inimigos políticos do dirigente e da imprensa. O advogado David Zangirami, da empresa Roxy e do dono da agência, Michael Wernie, disse que todos os pagamentos recebidos pela empresa foram aplicados corretamente e que está juntando documentos para comprovar que não houve superfaturamento de nenhuma despesa. 

Ele também negou que a Roxy tenha concorrido com empresas fantasmas. Ele cita como prova ações judiciais que a agência move contra uma das investigadas, a Mundi Tour. A defesa da Roxy faz a ressalva que ainda não foi notificada na ação cível sobre a qual a reportagem discorre, de forma que não pode falar específicamente sobre os fatos narrados na ação.  

Não localizamos os advogados de Ricardo Cabral, Ricardo de Moura e Sérgio Alvarenga. Também não foram encontradas as defesas da Mundi Tour e da F2 Viagens. 

Operação CBDA: Gabriela Moreira traz as informações direto da polícia federal

Prisões na CBDA: estratégia de recorrer no plantão para liberdade de cúpula é rechaçada por desembargador. Atletas pedem "socorro"

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
ALE CABRAL/Gazeta Press
Coaracy foi preso na última quinta-feira
Coaracy foi preso na última quinta-feira

Dois movimentos na internet pedem força às investigações sobre a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), cuja cúpula foi presa na última quinta-feira, na operação Águas Claras da Polícia Federal. Um deles aponta uma estratégia jurídica da defesa dos réus de entrar com pedido de liberdade somente após às 19h dessa sexta-feira, para que o recurso caia nas mãos do desembargador Nery da Costa Júnior, responsável pelo plantão judiciário. O magistrado é o mesmo que cassou o afastamento de Coaracy Nunes, presidente da entidade, que estava afastado sob a acusação de crimes como desvio de recurso público, associação criminosa e fraude em licitação.

"Pelo conjunto robusto de provas no processo é razoável imaginar que se eles forem soltos, nunca mais sejam encontrados", opinou o promotor Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.

Em 2012, o desembargador foi afastado de suas funções por suspeitas de favorecimento a empresas em suas decisões, por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas voltou a atuar após decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. As acusações foram arquivadas, segundo o desembargador.

"As acusações às quais ainda responde o desembargador são da maior gravidade. No mínimo, temos de ficar atentos", disse o promotor.

Nery rebateu:

"Não faço parte de estratégia alguma. Não conheço o Coaracy, nem ninguém da confederação. Não faço parte de estratégia de defesa, nem de acusação. Eu poderia dizer que há uma estratégia da acusação em usar a imprensa para me pressionar. Tenho quase 20 anos de Tribunal, 56 anos de idade e não estou aqui para ceder a pressões de quem quer seja. Vou julgar no processo. Não escolhi estar nesse plantão. A escala foi definida pela presidência há um ano. Quero adiantar a você que julgarei, se eles ingressarem com o recurso, com total isenção", disse o desembargador.

Um mar de corrupção que afundou o esporte aquático brasileiro: entenda o escândalo na CBDA

Carta aberta

Também na internet, 45 atletas das modalidades aquáticas divulgaram uma carta aberta à Presidência da República, ao ministério do Esporte e ao Comitê Olímpico Brasileiro pedindo "socorro". Entre os atletas estão César Cielo, Bruno Fratus, Joanna Maranhã, Poliana Okimoto e Tiago Pereira. Em duas páginas, eles falam da sensação de "desamparo" sentida pelos atletas olímpicos do país.

"Não sabemos como e quando esse triste imbróglio será concluído, e tampouco temos qualquer garantia que nossos direitos serão respeitados e/ou mantidos. Há temeridade na não manutenção do calendário previamente aprovado, e a redução das verbas em razão das discussões nos âmbitos cíveis e criminais, nos torna reféns de um futuro sem qualquer certeza ou garantia de efetivação" e continuam:

"Queremos que as regras estatutárias sejam cumpridas sem manobras, almejamos que nossos dirigentes pensem no esporte exclusivamente, cobiçamos que os atletas e técnicos sejam respeitados, e que o dinheiro público seja corretamente empregado - visando o desenvolvimento dos Desportes Aquáticos"

A CBDA, que está sob os cuidados de um interventor nomeado pela Justiça, divulgou nota à imprensa:

"Todos os funcionários e colaboradores seguem trabalhando na entidade, comprometidos em não deixar que nada falte aos atletas e membros das delegações. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos é uma das entidades esportivas mais vitoriosas do esporte nacional e sempre cumprirá a função de representar e gerir as modalidades, separando as questões administrativas e técnicas de quaisquer outras que não digam respeito a sua função estatutária."

Ainda segundo a entidade, os Correios não rescindiram o contrato de patrocínio.

O administrador provisório da entidade, Dr. Gustavo Licks, terá reunião com a diretoria dos Correios na próxima semana. O objetivo do encontro é informar como a Confederação tem caminhado neste período desde a entrada da nova administração e demonstrar a importância destes recursos para a manutenção do esporte.

Odebrecht abandona Maracanã, mas recebe R$ 2 milhões dos clubes por aluguel em 3 meses

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Vasco e Flamengo vão pagar pouco menos de R$ 400 mil para jogar a semifinal do Carioca no Maracanã, bem abaixo do pedido inicial da Odebrecht que foi de R$ 700 mil. Ainda assim, bastante lucrativo para a concessão. Em três meses, o estádio mais emblemático do Brasil, mesmo fechado e sem manutenção, rendeu aos cofres da empresa cerca de R$ 1,8 milhão com apenas dois jogos realizados.

Tudo isso sem qualquer gasto com manutenção. Até a grama do estádio foi recuperada pelos times do Rio, neste caso, o Flamengo, que desembolsou mais de R$ 1,4 milhão para jogar a estreia da Libertadores. Duas outras partidas poderiam ter sido realizadas no estádio se a empresa tivesse aceitado reduzir o aluguel. Para o último Flamengo e Vasco, a concessão cobrou R$ 500 mil e afugentou os times para Brasília. O mesmo ocorreu com o Fla-Flu, quando cobraram um pouco mais, R$ 600 mil, e o jogo acabou acontecendo em Cariacica, no Espírito Santo. Dessa vez, engessados pelo regulamento da Ferj que prevê as semifinais e finais acontecendo na capital, os clubes não tiveram muita escolha. 

À Odebrecht só resta aguardar e lucrar dando o seu preço. Enquanto arrecada quase R$ 2 milhões com aluguéis sem que precise gastar com a manutenção do estádio, apenas aguarda receber o pagamento pela venda do estádio aos franceses. Na transação, além do valor cobrado pelo estádio em si, cerca de R$ 30 milhões, a Lagardère ainda vai pagar as três parcelas que a concessão deve ao Governo do Rio, num total de R$ 18 milhões. Some-se a este custo, os reparos que o estádio requer.

Um cenário bastante cômodo para uma empresa que vende um negócio suspeito de ter sido adquirido na base da propina e cuja reforma, da qual também se beneficiou, também foi feita sob polpudas cobranças de propina e superfaturamento, como acusa o Ministério Público.

Marcelo D?Sants
Maracanã é o maior estádio do Brasil com capacidade para 78 mil pessoas
Maracanã é o maior estádio do Brasil com capacidade para 78 mil pessoas. Odebrecht tenta vender concessão questionada pelo MP

O Blog vem questionando o MP do Rio nas duas últimas semanas sobre a validade do processo de venda do estádio. Embora tenha ações condenando a licitação e a reforma, o órgão nada faz para impedir a venda do objeto de corrupção. Nenhuma ação foi aberta até agora para impedir este processo.

Some-se ao estado de omissão, neste caso, de cumplicidade, o Governo do Rio. Luiz Fernando Pezão tem tudo nas mãos para consertar o rumo da história do Maracanã e do Rio. Mas não o faz. Por que será?

O Blog procurou a Odebrecht para saber quanto a concessionária tem gastado mensalmente para manter o estádio e quantos funcionários o Maracanã tem atualmente. A empresa não quis informar.

 

mais postsLoading