Afinal, como se pronuncia Younghoe Koo, kicker do LA Chargers e inventor do 'flip kick' field goal? E quem é ele?

Fernando Nardini, blogueiro do ESPN.com.br

Antes de qualquer coisa é necessário esclarecer a questão da pronúncia do nome de Younghoe Koo, deu o que falar na madrugada da última terça-feira. Para isso consultamos uma professora de coreano, a Aileen, que gentilmente nos enviou o vídeo abaixo. É uma aula, e sim, é quase aquilo mesmo que você está pensando e que eu procurei a vida inteira tentar empurrar para baixo do tapete em  transmissões de jogos da Coreia do Sul  rsrsrs...

Professora explica a pronúncia correta de Koo, o kicker coreano do Los Angeles Chargers

http://www.youtube.com/user/nekokoyangi

www.coreanoonline.com

Isto posto,  aguardemos a próxima transmissão do Los Angeles Chargers e seu kicker sul-coreano. É uma questão de tempo.

Num segundo momento é necessário mostrar porque Younghoe Koo já era um fenômeno na internet antes mesmo de chegar à NFL. Você conhece o “flip kick field goal”? 


Agora vamos aos fatos...Younghoe Koo tem 23 anos, como acontece com muitos kickers não foi draftado na última offseason, estava comendo um sanduíche numa tarde de abril quando recebeu um telefonema informando que tinha sido escolhido pelo Los Angeles Chargers para jogar na NFL.

Koo chegou aos Estados Unidos em 2006 com a mãe e não tinha a mais vaga ideia do que era o futebol americano e nem a língua inglesa. No primeiro contato estranhou o formato da bola que para ele, e para muitos de nós enquanto crianças, era só redonda. Koo era um bom jogador de futebol  na Coréia do Sul, chutava bem. Foi pensando nisso que o pai o aconselhou a praticar o futebol americano. O bom desempenho no high school, como kicker e também como cornerback, porém não abriu tantas portas assim para Younghoe Koo, apenas Georgia Southern e a James Madison University se interessaram. Uma visita com os pais foi suficiente para Koo se sentir em casa e escolher GSU.

O sul-coreano estava no time que surpreendeu Florida em 2013 em uma das maiores zebras da história do College Football. No último ano foi eleito para o primeiro time da Sun Belt Conference, finalista do Lou Groza, prêmio dado ao melhor kicker do college (vencido pelo brasileiro Cairo Santos em 2012), liderou o time em pontuação, foi o segundo melhor do país em aproveitamento de field goal convertendo 19 em 20 tentativas, um recorde em Georgia Southern, assim com o aproveitamento de 88,6% em todo o período universitário.

Younghoe Koo se tornou o quarto jogador nascido na Coreia do Sul a jogar na NFL, antes dele passaram pela liga John Lee (St Louis Cardinals 1986), Hines Ward (5 vezes eleito para o pro bowl /Pittsburgh Steelers 1998-2011), que passou os primeiros meses de vida na Coreia e Kyle Love (atualmente no Carolina Panthers), cujo pai servia o exército americano em Seul quando ele nasceu.

A história de Younghoe Koo na NFL começou na última segunda-feira no jogo contra o Denver Broncos em Denver. Nos pés dele estava a esperança dos Chargers de levarem o jogo para a prorrogação, inicialmente ele acertou o chute de 44 jardas que empataria o jogo em 24 x 24, mas como sempre acontece, houve o pedido de tempo no instante do chute. Na segunda tentativa a mão de Shelby Harris impediu que a bola chegasse ao Y.

Em Los Angeles as coisas soam familiares para Younghoe Koo, a cidade é um dos maiores redutos coreanos dos Estados Unidos, cerca de 200 mil vivem na nova casa dos Chargers, um alívio para o kicker já que a mãe segue sua carreira como enfermeira na Geórgia e o pai como professor em Seul.

Muito prazer, Sloane

Fernando Nardini, blogueiro do ESPN.com.br
Campeã do US Open, Sloane Stephens tem reação impagável ao receber cheque de mais de R$ 11 milhões

Boa parte do público brasileiro conheceu Sloane Stephens neste sábado. Aos 24 anos de idade ela conquistou o que, tomara, seja o primeiro de alguns Grand Slams.

Stephens perdeu o pai, um ex-running back da NFL, em 2009, num acidente de carro às vésperas do US Open. A mãe Sybil, primeira nadadora afro-americana a ser nomeada para o primeiro time da divisão 1, foi quem seguiu apoiando a carreira de Sloane.

Desde que estreou em torneios da WTA, Stephens passou por muita coisa, carregou precocemente o peso de suceder as irmãs Wiliams, se desentendeu com Serena, fez semifinal de Australian Open, chegou perto do top 10... ano passado, uma fratura por stress interrompeu sua carreira. No fim de janeiro, a cirurgia.

Durante a recuperação ela se divertiu como repórter e comentarista do Tennis Channel. Manteve a parceria com Kamau Murray, o treinador. Voltou em Wimbledon fora das 900 melhores do ranking e perdeu na estreia. O mesmo aconteceu em Washington e daí em diante tudo mudou. Semifinal em Toronto e, na sequência, em Cincinnati. A escalada no ranking estava em andamento.

Confira os melhores momentos de Madison Keys 0 x 2 Sloane Stephens

Quando começou o US Open, ela era 83 do mundo. Vai sair 17, perto do seu melhor (11) e US$ 3,7 milhões mais rica.

Vai sair mais conhecida, popular e, por que não, já ídolo de muita gente. Não me lembro de uma interação tão espetacular entre vencedor e vencido (méritos também de uma gigante Madison Keys), de respostas tão autênticas, de um sorriso tão contagiante e, principalmente, de uma gratidão tão verdadeira. Os agradecimentos à mãe foram o ponto alto da entrevista da campeã, um reconhecimento tão justo quanto emocionante.

Palmas, Sloane Stephens.

Atitudes assim ficam para sempre.

Bellucci é cortado da Copa Davis; preterido de início, Rogerinho rejeita convite

Fernando Nardini, blogueiro do ESPN.com.br*

Thomaz Bellucci será desfalque do time do Brasil que enfrenta o Japão na repescagem do grupo mundial da Copa Davis, em Osaka, daqui duas semanas. Bellucci ainda se recupera de uma infecção viral contraída antes do US Open, onde foi eliminado na primeira rodada pelo alemão Dustin Brown.

Sem Bellucci, o capitão do Brasil, João Zwetsch chamou Guilherme Clezar, número 5 do país e 223 do mundo.

Clezar, porém, não foi a primeira opção de Zwetsch. Isso porque o atual número 1 do Brasil, Rogério Dutra Silva (68º do ranking da ATP), rejeitou a convocação para substituir Bellucci.

Rogerinho, segundo apurou o blog, ficou chateado por não ser convocado de início mesmo sendo número 1 do país. Sem ele, o time do Brasil, além de Clezar, ainda terá Thiago Monteiro para simples e os duplistas Marcelo Melo e Bruno Soares.

Veja abaixo, na íntegra, o comunicado de Rogerinho sobre o caso:

"A Copa Davis é muito importante pra mim, já servi e ajudei bastante o time brasileiro em momentos delicados. Por ser o número 1 do país e viver um de meus melhores momentos acreditava que seria consultado para ir ao confronto, mas eu tive que ir atrás do capitão para saber e recebi a negativa por conta da questão do piso rápido.

Depois dessa negativa preparei todo o meu calendário até o fim da temporada com altos custos tanto na parte financeira - não tenho um patrocinador Master - e também na parte física pois jogar uma Copa Davis exige muito do corpo e infelizmente atender esse pedido de última hora comprometeria todo o meu calendário do restante do ano e meu desempenho.

Infelizmente não poderei ser o reserva desta vez, mas vou torcer pelos meninos para buscar essa vaga"

*colaboração de Gustavo Faldon, do ESPN.com.br


O alto valor dos Jogos Panamericanos

espn.com.br

Acabou mais uma edição dos Jogos Panamericanos. O Pan de Toronto contou boas histórias e agora é história. Para alguns atletas o maior momento de suas vidas. Vá dizer aos três brasileiros medalha de ouro no Caratê, à seleção de Hóquei na Grama, à Lavern Spencer, que conquistou a primeira medalha de ouro da pequena ilha de Santa Lúcia na história dos jogos, que o Pan não vale nada. Aos pessimistas de plantão o Pan vale sim, depende da modalidade, dos donos das medalhas e do ponto de vista.

O Brasil igualou as 141 medalhas de Guadalajara há quatro anos, cumpriu a meta do COB, mas ficou abaixo no número de ouros. Ainda assim modalidades antes esquecidas fizeram ótimo papel, como o já citado hóquei na grama, classificado para o Rio 2016 depois de chegar a uma surpreendente semifinal, a canoagem e seus 14 pódios com um Isaquias Queiroz que pode sim sonhar com medalha ano que vem, o tênis de mesa que conquistou sete medalhas, encheu um pódio inteiro com brasileiros e confirmou o talento de Hugo Calderano, 19 anos e melhor mesatenista do continente, a natação, que fez a melhor campanha de sua história e, mais que medalhas os atletas conseguiram tempos importantes. Isso sem contar tiro, esgrima, luta, basquete masculino...

Entre as decepções nada foi tão ruim quanto o atletismo. Uma única medalha de ouro, de Juliana dos Santos nos 5.000 metros com um tempo que não a deixaria nem entre as 40 do mundo. Nove ouros a menos que em Guadalajara há 4 anos e além disso baixo número de finais. É verdade que muita gente disputava o Pan pela primeira vez, mas é pouco. Raras exceções foram a prata de Fabiana Murer numa disputa eletrizante com a cubana Yarislei Silva pelo ouro no salto com vara, prova que teve a definição da campeã com uma marca maior que a medalha de ouro de Londres 2012 e Ronald Julião, que superou as dores de duas hérnias para ficar com a prata no disco. Aliás, para não dizer que tudo foi ruim, as provas de campo fizeram a melhor participação do Brasil em Jogos Panamericanos, além do segundo lugar de Julião foram dois bronzes no dardo. 

Fato é que, para o bem e para o mal, o Pan pode uma ideia do que está por vir. O Brasil piorou seu desmpenho em várias modalidades, inclusive algumas que puxaram a fila das medalhas em Guadalajara, em compensação surpreendeu em outras. O que deixa no ar uma certa desconfiança é um mesmo número de medalhas conquistadas num período em que nunca se investiu tanto no esporte brasileiro. Boa parte dos atletas que medalharam em Toronto dificilmente chegarão às finais no Rio ano que vem, ainda há muito o que fazer para chegar próximo da elite  

 

Desconfie de alguém que por acaso diga "eu não gosto da Fofão"

espn.com.br

Terminou no último fim de semana uma das mais brilhantes carreiras do esporte brasileiro. Não há como não admirar, não torcer ou não gostar da levantadora Fofão. Ela se despediu do voleibol na semifinal do mundial de clubes, derrota para o Krasnodar de Fabíola e Fê Garay. Ponto final de uma trajetória construída com suor, paciência, espírito de grupo e simplicidade. Sem qualquer rótulo adicional senão o de craque, dona de um talento enorme, uma das maiores jogadoras de vôlei do Brasil em todos os tempos.

De 1991 a 2008 Fofão defendeu a seleção brasileira. Teve paciência, esperou a vez dela mais até do que devia. Em alguns momentos estava melhor que a então titular absoluta Fernanda Venturini. Não agitou, jogou junto, viveu a tensão de Atlanta conquistando o bronze depois de ver de fora a confusão contra as cubanas na semifinal, repetiu a dose quatro anos mais tarde em Sydney com uma nova medalha de bronze. Em Atenas 2004, como reserva - injustamente na minha modesta opinião, já que Fernanda Venturini foi chamada para retornar a seleção e foi logo promovida a titular - chorou uma das mais improváveis derrotas da história do esporte, aquele maldito 24 x 19 e eliminação para a Russia na semifinal.

Toda a espera foi recompensada quatro anos mais tarde. Em Pequim 2008 saiu o primeiro ouro da seleção feminina. Zé Roberto se redimiu, convenceu Fofão a voltar para a seleção. Ela comandou na quadra, Zé Roberto do lado de fora. Uma parceria de longa data e muita confiança, que tem chance de prosseguir, já que o técnico a convidou para integrar a comissão técnica da seleção. Duvido que ela não aceite.

Mas, sejamos justos, antes ela merece o descanso. Merece desfrutar de tudo o que ela deixou de lado em nome do voleibol, dar de volta à família tudo o que ela recebeu enquanto esteve nas quadras. O pai, maior incentivador, já não está aqui para aproveitar este momento, mas onde quer que esteja pode se orgulhar. Fofão quer viajar com o marido para a Itália, onde ela jogou entre 2004 e 2007. Aos 45 anos quer enfim colocar em prática o projeto filho. Nada mais justo, terá sempre o carinho a torcida de qualquer brasileiro que goste de esporte.

Assim termina a carreira brilhante da única mulher brasileira com três medalhas olímpicas, da única mulher brasileira que foi a cinco olimpíadas.

Obrigado Fofão !

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