Como é jogar com o coração e por seu país? Pergunte aos argentinos

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
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Equipe argentina celebra o título da Copa Davis na Croácia
Equipe argentina celebra o título da Copa Davis na Croácia

Quem um dia já entrou em uma quadra de tênis na pressão com milhares de pessoas gritando, ou já jogou um jogo de tênis valendo algo gigante para seu país? Quem já teve o privilégio de fazer alguma coisa que fique para sempre na história do seu país sabe que é humanamente (quase) impossível não tremer, não duvidar, não fraquejar.

Ser protagonista é para poucos, mas existe uma dica fundamental para ter chance de vencer: é não deixar ela passar. Jogar com o coração.

A Argentina mais uma vez deu lições importantíssimas e uma receita quase imbatível:

1) jogar com o coração;

2) ter um time forte;

3) ter um grande técnico e líder;

4) ter uma torcida apaixonada e fiel nas boas e nas ruins;

5) os jogadores terem brio, amarem seu país e entenderem que são a ferramenta perfeita para a alegria de um povo muitas vezes sofrido;

6) deixar a vaidade de lado e jogar por um objetivo único: a vitória.

Delpo e Delbonis foram gigantes. Jogaram demais e acreditaram até o último ponto.

O que vimos ontem em Zagreb foi lindo. Não importa para que time ou país você torça, não importa se você tem rixa ou não gosta de um povo. O que se viu foi além do patriotismo ou amor. O que se viu ontem foi garra, drama, espetáculo, entrega e amor. Ingredientes necessários em tudo que fazemos

O time Argentina venceu. O time Argentina da Copa Davis ficará para sempre na história de cada um que assistiu esse jogo.

Viva o tênis. Viva o atleta que joga com amor e respeito ao seu esporte. Viva o esportista que ama seu país.

Amemos muito nosso país que teremos alegrias.

Temos um novo nº 1 do mundo. E qual será influência para o tênis?

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
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Andy Murray conquistou o ATP Finals e fechou 2016 como número 1 do mundo
Andy Murray conquistou o ATP Finals e fechou 2016 como número 1 do mundo

Ao conquistar o ATP Finals, Andy Murray fechou 2016 como número 1 do mundo.

Nem preciso dizer que foi muito merecido. Jogou um ano absurdo conquistando Grand Slam, Olimpíada, Masters 1.000 e fez um segundo semestre impecável.

Na história do nosso esporte tivemos diferentes líderes. Tivemos os explosivos como McEnroe, os carismáticos como Agassi ou Guga, os polêmicos como o Rios, os que eram tímidos e impressionavam pelo seu tênis como Sampras e dois dos mais incríveis garotos propagandas do tênis, Federer e Nadal. Tivemos muitos outros, cada um com sua característica e importância.

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Murray, sobre ser o número um do mundo: 'Algo que eu nunca esperei'; Djoko elogia rival

Quando temos um tenista no topo do ranking esperamos que ele traga coisas positivas. A pergunta é: será que Andy Murray vai trazer algo de bom ao esporte sendo o melhor do mundo?

Sinceramente, não sei. Ele não é midiático ou presente nas decisões do dia-a-dia. Se posiciona pouco na imprensa, mas mostra ao mundo do tênis que não se pode rotular um tenista antes do final de sua carreira. Há anos ele é contestado e chamado de bipolar, inconstante ou simplesmente o quarto entre os melhores.

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Murray vence Djokovic, ganha ATP Finals e é o melhor de 2016; veja

Vamos ter que esperar para ver sua postura. Sempre dizemos que você conhece a pessoa quando ela tem poder ou dinheiro. No caso do britânico, ele tem os dois e a palavra. Vamos ver se ele a usa.

Youtuber e criador do blog 'Não Salvo', Cid Cidoso é convidado do 'Entrando de Fininho'

ESPN.com.br
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Entrando de Fininho: Fernando Meligeni recebe Cid Cidoso, youtuber e criador do 'Não Salvo'

Maurício Cid, ou Cid Cidoso é youtuber, criador do Blog Não Salvo. Ele participou do 'Entrando de Fininho' e falou sobre o mundo da internet, que faz tanto sucesso entre os jovens, principalmente. Na hora de ir para a quadra, ele tentou 'se salvar' colocando o sobrinho do Fininho, Felipe Meligeni, para jogar em seu lugar. Em vão, foi obrigado a jogar seu tênis 'pífio'.

Sólido, forte e inteligente: um raio-x do novo número 1 do mundo

Fernando Meligeni

Vou tentar fazer um raio-X bem detalhado do jogo do novo número 1 do mundo. Em suma, Andy Murray é um daqueles jogadores que ninguém gosta de pegar. Completo, rápido, inteligente e forte fisicamente. Vamos destrinchar por partes.

Para começar, o estilo de jogo:

Murray é um cara que gosta de jogar no contra-ataque e tem seus melhores - ou maravilhosos - momentos quando é atacado. Encontra ângulos, passadas e lobs inacreditáveis e até abusa às vezes de sua passividade porque acredita muito que consegue uma boa passada de qualquer lugar da quadra. Nos últimos tempos, vem melhorando muito seu saque e sua primeira bola de direita depois de sacar. Gosta de cruzar a direita mas se sente mais à vontade quando seus adversários jogam mais pela sua esquerda. Ali é onde ele domina os caras. Cruza de esquerda, se vira de direita e manda no jogo.

Fundo de quadra

Gosto muito da alternância entre jogar lá atrás se defendendo, jogando pesado e entrando na quadra e batendo de cima pra baixo mais reto. Murray faz isso com muita inteligência. Muitas vezes, o amante de tênis nem percebe isso, mas ele muda o ritmo o tempo todo. Essa alternância complica demais seus adversários.

Peso de bola

Escuto muito que Murray é um empurrador de bola. Desculpem, mas vou discordar muito. A bola dele é rápida, funda e pesada. Deixe a bola no meio, na direita dele ou altinha na esquerda para você ver. Já era. Ele não tem o spin de Rafael Nadal, mas tem, sim, muita potência quando percebe que esse é o caminho.

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Novo nº 1 do mundo, Andy Murray exalta dificuldade do feito: Tive que ir longe em todos os torneios

Rede

Murray é um cara que sabe volear muito bem. Mais um quesito em que ele tira nota 8. Sabe chegar a rede e, quando o faz, vem depois de mexer bem seu adversário. Existem os jogadores que vão para rede tentar ganhar o ponto e os que vão apenas para definir ou na variação. Murray faz a segunda alternativa.

Físico

Como é forte esse cara. Aguenta, faz cara que está morto, mas continua brigando. Parece que não vai conseguir e sempre tem um gás a mais. Para mim, uma das maiores qualidades dele é sua força física. Chega em todas e sempre te coloca na pressão. Você vai tentando jogar a bola mais perto da linha e se desespera. Ele ganha muitos pontos nos erros dos adversários.

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Masters 1000 de Paris: Lances de Andy Murray 2 x 1 John Isner

Mental

Aqui podemos fazer um livro. Sempre criticado e muitas vezes perdendo por sua cabeça. Parece que ele encontrou uma linha média entre a reclamação e a concentração. Ele sempre será um reclamão, mas o que antes o prejudicava hoje está controlado e o prejudica bem menos. Ele seria muito melhor se fosse mais forte nesse quesito, mas mesmo dando um pouco de vantagem e com altos e baixos, chegou a ser o número 1 do mundo. Gosto de um detalhe. Ele reclama por 5 ou 10 segundos, mas sempre consegue pensar no que tem que fazer. Arrisco dizer que além de reclamar ele é estratégico em suas choradeiras.

Fora das quadras

No quesito "fora das quadras", ele deu e dá um banho. Ao ligar de volta pra Ivan Lendl, seu atual técnico, mostrou que não queria ser apenas o quarto melhor do mundo atrás de Djokovic, Federer e Nadal. Sempre ousando e trazendo grandes nomes para seu time, mostrou ao circuito que um bom técnico é fundamental. Fala abertamente da importância e com certeza só chegou lá porque tem um time espetacular como ele.

Andy Murray é o 26º número 1 do mundo. Muitos gostam, muitos não. Mas ele mostrou ao mundo que você precisa ser sólido em quadra, forte fisicamente, determinado e inteligente para ser melhor que os outros.

Djokovic merece perder o posto de nº 1 do mundo

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
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Djokovic foi derrotado por Cilic nesta sexta-feira
Djokovic foi derrotado por Cilic nesta sexta-feira

O tenis pune!

Djokovic pode, deve e merece perder o número 1 do mundo

Quando assistimos um tenista focado, compenetrado, totalmente entregue ao esporte e declarando que o mais importante para ele é a próxima bola, próxima conquista, próximo objetivo, temos a certeza que esse cara será por um bom tempo o melhor jogador do mundo. Nada nem ninguém consegue detê-lo.

Quando esse mesmo jogador fala em prioridades, falta de motivação, dificuldade para se focar e olhar apenas para seus objetivos, temos a certeza, e o circuito também, que seu reinado está perto do fim.

Não vejo nenhum problema em desfocar, nenhum crime em perder a motivação. Ou simplesmente querer viver outras coisas mais. Mas não adianta tentar mentir ou iludir os adversários. Abriu uma janela a moçada faminta de vitórias passa por cima de você.

Novak Djokovic perdeu hoje para o Cilic e deu de bandeja a primeiro posto do ranking ao Andy Murray. Resta saber se o britânico terá estômago, cabeça e inteligência para aceitar a oportunidade. Ao perder o foco há algumas semanas o sérvio motivou o Murray e mostrou uma chance que até alguns meses parecia inviável.

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Bolaça! A vitória não veio, mas Grigor Dimitrov fez bonito em lindo ponto contra Djokovic

Não acho que possa opinar antes que aconteça, até porque toda a introdução pode virar lixo internético se ele não ganhar o Berdych e mais um jogo.

O que serve de exemplo é de verdade é que ser o melhor jogador do mundo traz prazeres e benefícios, mas se manter por muito tempo traz complicações, stress.  É uma vida pessoal quase que nula. Poucos sabem e querer viver assim. Nole parece que cansou.

Veremos!

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