Meu app de tênis. Meu mais novo projeto, paixão, loucura, filho...

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Vocês devem ter lido nas minhas mídias sociais e alguns podem ter visto o vídeo que falo do meu App novo. Acho legal explicar aqui pra galera do que se trata.

Vocês sabem que eu sempre fui um cara próximo dos meus fãs. Fui convidado por uma empresa que já faz isso na Argentina com o Gáudio e o Zabaleta.

A ideia é um aplicativo com informações sobre tênis. Resultados, chaves, notícias... E mais que isso: no aplicativo estou colocando vídeos como as Dicas do Fino, os jogos do Fino na net e mais alguns vídeos diferentes. Mas o mais legal com certeza são os prêmios.

Os prêmios do app são desde raquetes e roupas de tênis a clínicas e bate bola individual comigo. E tem o grande prêmio: uma viagem para Roland Garros com direito a credencial que os familiares tem quando o jogador entra na chave principal. Com essa credencial você pode entrar na sala de jogadores, refeitório e vai assistir aos jogos do meu lado. Um ganhador vai comigo para Roland Garros e outro vai para outro Masters 1000. Sensacional.

Para entrar no app é simples. Você baixa ele de graça. Para concorrer a viagem você paga uma taxa pequena e pode ser sorteado para todos os prêmios. Está tudo explicado lá.

Detalhe. Se baixar hoje, você consegue sem problemas. Hoje apenas os clientes Tim conseguem pagar e concorrer aos prêmios. Em pouco mais de uma semana os clientes Vivo vão poder concorrer e se cadastrar. Os da Claro esperamos que em um mês mais ou menos ou pressionamos a operadora.

Tenho certeza que vocês vão adorar. Estou de corpo e alma neste projeto. Quero fazer desse app um sucesso. Só para vocês eu conto. Quero umas 500 mil pessoas no app. Por isso se você conhece algum amigo tenista manda para ele. Conta essa história e participe.

Segue abaixo o link para baixar o app. Espero vocês lá. O nome do APP é Somos Tenis

https://goo.gl/nPrD2f

Até quando atletas e técnicos vão fazer de conta que não são responsáveis pelo futuro do nosso esporte?

Fernando Meligeni
VANDERLEI ALMEIDA/AFP/GETTY IMAGES
Marco Polo Del Nero Apresentação Tite Seleção brasileira CBF 20/06/2016
'Vi poucos ou ninguém se posicionando contra o novo estatuto da CBF'

Todo mundo já sabe que sou um forte crítico da política esportiva no nosso país. Fico indignado e não respeito as pessoas que têm o poder de mudar as leis e o esporte brasileiro. Sei bem que, com vontade política e amor ao esporte, as coisas mudariam amanhã. Mas por um ou vários motivos eles não o fazem.

Mas nesse quadro de crítica é bom reforçar que não sou bobo nem ingénuo. Muito do que acontece tem seus motivos. Em um país de atletas e técnicos que pensam no esporte e no dia de amanhã, raros são os que pedem, pressionam e se posicionam. Desta forma, fica ainda mais difícil acreditar em uma mudança. Falta união e a maioria só se posiciona quando seu interesse é tocado. Por um bom tempo ganharam as bolsas atleta ou pódio e isso para eles era suficiente. Acharam que seria assim para sempre. Não foi.

Hoje, lendo as notícias, vi que a CBF fez um "lindo" estatuto e se fortaleceu ainda mais para que seu presidente fique, se quiser, mais 10 anos no poder. Vi poucos ou ninguém se posicionando. Mais uma vez vemos atletas "darem de ombros" e não estando nem aí com o esporte ou a molecada que vem. Eles, ao ganhar seu salário, acham que não têm que falar nada. Li também o problema no vôlei e mais uma vez não escutei muitos atletas. Alguns se posicionam, mas sempre os mesmos. Sempre poucos.

Nos outros esportes vemos federações rodeadas por problemas dando risada dos atletas.
Em vez de esperar alguma punição exemplar dos órgãos que têm que punir (que começo a duvidar que um dia puna), não seria a hora de fazer alguma coisa diferente? Podendo até fazer como em outros países, ou seja, lutar de fato pelo seu esporte. Pensei em como seria se os atletas cruzassem os braços por um dia? Aqui no Brasil já tivemos a experiência ao ver atletas sentados no gramado. Será que se o esporte todo fizesse, teria outra repercussão?

Vocês imaginam um dia em que NÃO SE JOGA NADA. Ou mudam as leis, ou não tem mais vôlei, tênis, futebol, judô, tênis de mesa por um dia.

Todos.

Ah, vai se perder dinheiro? As televisões vão reclamar? Pode ser. Mas tenho certeza que depois todos vão se dar melhor. Uma possibilidade seria ver todos os atletas postando em suas redes sociais uma fala dizendo "hoje eu não jogo, não treino" e a imagem do cara colocando o seu uniforme, sua raquete, sua bola, sua luva no chão. Como repercutiria no país? E no mundo? Esse seria a primeira atitude e primeiro aviso.

Isso acontece no mundo inteiro (não sei se em TODOS os esportes já aconteceu). Até na NBA, nos esportes que são super organizados e bem mais justos, já aconteceu uma luta por direitos. Por que aqui não?

Fico impressionado com a falta de atitude dos atletas e técnicos depois de darem a vida pela sua profissão e muitos ou a maioria hoje não terem dinheiro nem pro ónibus, nem pra comer, nem para contratar um técnico ou viajar para competir. E ainda continuam calados e felizes?

Muitos podem dizer: "Agora é fácil, Fino, você de fora cornetando". Sim, é fácil, mas ninguém percebeu que o esporte no Brasil está morrendo? Que temos menos atletas, menos torneios, menos possibilidades. Esse é um post para fazer o atleta pensar.

Assisti com atenção á matéria na Globo e na Record. As duas falam de legado, as duas falam com atletas. As duas traçam quadros tristes, mas com pouca solução. Sabe por quê? Porque só o atleta e o técnico têm o poder da mudança. Só o protagonista.

Fica a dica. Será que chegou a hora de colocar as cartas na mesa? Chega de ver o esporte em mãos erradas? Chega de aceitar migalhas?

Carta aos pais: o que é ser tenista profissional no Brasil hoje em dia

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Divulgação
Orlando Luz durante evento com crianças do Brasil Open em São Paulo
Crianças brasileiras praticando tênis no Open em São Paulo

O mundo mudou muito. Os valores, os objetivos, as informações, as possibilidades. Muitos dos que me leem são de uma época bem diferente e arrisco a dizer que mais fácil do que a de hoje.

Nesse cenário, nosso esporte e principalmente o tênis mudou demais. Venho escutando de todos os lados que hoje em dia é muito mais difícil treinar um jogador, muito mais difícil colocar objetivos na molecada, infinitamente mais complicado mostrar que as coisas se conquistam com suor e atitude. Hoje, tem mais informação e com isso mais dinheiro, regalia e possibilidades. Hoje as coisas descartáveis são mais presentes e a confusão é clara. O que é descartável? O que é fundamental?

Formar um jogador de tênis nos dias de hoje é realmente mais complicado. Para o técnico e para os pais virou uma fórmula difícil e cara. Com isso poucos se aventuram, poucos estão indo pelo caminho certo.

Em primeiro lugar tenho que dizer que a dificuldade que vocês estão tendo só se vence com muito diálogo, muito exemplo e muita paciência. É fácil dizer que o tal menino não quer treinar e virar as costas. Mas será que é certo fazer isso? Não. Temos que ter mais garra, mais atitude e ser mais próximo deles. Entender que eles vão estar mais nas redes sociais, vão namorar mais e dar menos importância para você. Um exercício de humildade absurdo.

Por outro lado vivemos o pior momento do nosso país. Pouco dinheiro, pouco emprego, receio com o futuro e nossos filhos decidirem ser tenistas. Qual é a fórmula?

Para começar temos que mudar a nossa maneira de pensar. Vejo muito técnico ainda pensando que o tenista tem que viajar menos e treinar mais (falo dos jogadores profissionais). Vejo ainda a mentalidade brasileira e não a do resto da América do Sul que viaja para Europa, Estados Unidos e vai sem saber quando volta, como vão se virar lá...

Nos dias de hoje ser um pai controlador e que quer seu filho próximo é sinônimo de não ter chance de sucesso. Pai que permite o filho ficar e se virar na Europa por quatro, cinco ou até seis meses seguidos tem uma chance. Quando eu falo "ficar" não é depositar na conta do garotão 10 mil dólares e sempre que ele precisar tá lá o papai botando grana para ele. Falo se virar, dormir barato, jogar torneio de grama, ficar em casa de família, jogar interclubes... Ralar e viver a dureza do nosso esporte.

Hoje, o tênis é para guerreiros. Hoje não vejo mais a chance de jogar achando que o hotel é ruim ou treinando e viajando pouco. De uma vez por todas nosso esporte virou uma profissão. Ou você é tenista ou o convido a pensar em outra coisa.

Duro? Direto? Sim. Ser tenista requer atitude. Ser tenista no Brasil é difícil demais. E se não acordarmos para a realidade nosso esporte acaba. É olhar que a direção é claramente essa.

Último ponto e, quem sabe, o mais importante. Este para a molecada e também para os jogadores em transição. Não aceitem técnicos ruins, não engajados e que te tratem como se fosse um quilo de farinha. Você se mata na quadra e pede engajamento e treino de qualidade. Se não for para treinar bem, saia. Mude. A sua chance de jogar é uma só. Teu técnico sempre vai ter mais jogadores. Não permita que ele acabe com seu sonho. Pagando ou não, sendo o melhor do treino ou não ele tem que te dar atenção. Tem que mostrar o caminho.

Espero ter conseguido falar abertamente sobre alguns assuntos difíceis e importantes.

Acredite e trabalhe duro.

Com Federer em alta, o que esperar da briga pelo número 1 do mundo?

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Getty
Roger Federer após a conquista do título do Masters 1.000 de Indian Wells
Roger Federer após a conquista do título do Masters 1.000 de Indian Wells

Três torneios, dois títulos: Australian Open e Indian Wells.

Esse é o começo de ano espetacular de Roger Federer. No entanto, muito mais que os títulos e os mais de 3.000 pontos conquistados até agora, o que mais me impressiona é sua condição física e sua evolução técnica. Dois pontos me espantam: seu revés está incrível, e ele tem dado poucas brechas aos seus adversários.

Ontem, mais uma vez, controlou o jogo da maneira que gosta. Fez a bola andar, acelerou o jogo e combinou saque e direita com muita eficiência. Mentalmente já se sabia que ganharia contra o Stan, mas acima de tudo foi firme quando baixou um pouco no começo do segundo set e não deixou o jogo complicar.

A pergunta geral é se ele volta a ser número 1 do mundo. Sinceramente, não consigo responder. Federer está muito longe ainda e tem contra ele a idade e o calendário mais enxuto. Outro ponto importante é saber se ele quer correr os riscos e se quer entrar na loucura de torneios que é preciso jogar para ser o líder do ranking.

Tenistas mostram lado cantor e soltam a voz, mas é Djokovic quem mita no fim do vídeo; veja

É bem verdade que se ele ganha tudo que joga também pode chegar, mas esse caminho é bem mais complicado e improvável.

Ao falar de Federer, não podemos deixar de falar de Nadal, Djokovic e Murray.

O número 1 do mundo está abaixo do seu nível - infelizmente sentiu lesão e não joga Miami. Mesmo assim fica por um bom tempo líder, mas neste momento jogando menos que se imaginava. Normal? Acho que sim, mas se quer manter esse lugar, precisa jogar mais.

Djokovic também está abaixo e continua jogando mal, além disso me parece desfocado. Luta, tenta, mas falta o brilho nos olhos. Algo tirou sua gana e raiva de perder. Pode quebrar raquete, gritar e ficar bravo, mas para os tenistas do circuito está claro que ganhar dele hoje não é algo tão impossivel. Ele abriu a porta.

Assista aos lances da vitória de Federer sobre Wawrinka por 2 sets a 0!

Nadal vem lutando como nunca. Tem atitude, trabalho e brilho nos olhos. Seu jogo e sua bola não machucam mais como antes. Pode e vai melhorar. Para mim é o favorito para a temporada do saibro, mas precisa melhorar nos jogos grandes. Precisa voltar a meter medo. Precisa machucar mais

Depois de um Australian Open dos sonhos e a expectativa de ter os quatro jogando muito, teremos que esperar mais um pouco para ter o melhor ano com os quatro jogando muito e lutando pelo número 1 do mundo.

O que Federer, Nadal e o esporte ensinam para as nossas vidas

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Veja lances de Rafael Nadal 0 x 2 Roger Federer

Nos dias de hoje, onde a ética e a moral estão tão desconectadas do nosso povo, fico pensando nos valores que o esporte te ensina.

Quando somos pequenos e entramos em uma quadra de tênis, aprendemos sobre justiça, bola dentro e fora, companheirismo, atitude e lutar pelo que é seu.

Não vou dizer aqui que atleta é perfeito e que ninguém se desvirtua, mas esses valores colocados quando somos crianças te dão uma força gigantesca.

Ao ver a Lista do Janot, ao ver o que pessoas fazem com o esporte, ao assistir o descaso com dinheiro dos outros, pergunto: Onde erramos? Faltou esporte na base para esses que fazem o mal? Faltou um professor como o Nunes, que eu tive sorte de ter quando tinha oito anos e que me deu bronca quando eu falei fora uma bola na linha? Que me levava para comer no refeitório do clube com os boleiros, professores do clube e me dizia que não existia diferença entre o rico e o pobre? Que ao entrar pela primeira vez em uma quadra de tênis me disse: "Seja bem-vindo à quadra de tênis. Você tem que ter respeito por este esporte, está quadra e as pessoas que trabalham nela"?.

Ao assistir ontem o jogo Nadal x Federer percebi que a vitória e a derrota são consequências de trabalho certo e momento. De um lado vemos um Federer confiante, alegre, agressivo e sabendo claramente o que tem que fazer. Do outro um Nadal ultrapassado, acuado, agarrado no passado e sem forças para reagir.

O 6/2 6/3 de ontem me deu uma clara noção do que é o mundo do tênis e o quanto ele é parecido à nossa vida fora da quadra.

Eliminado! Djokovic perde para Nick Kyrgios e dá adeus em Indian Wells

Para vencer, você tem que se focar no seu, trabalhar duro, não passar ninguém pra trás e aproveitar suas chances. Tudo isso é fundamental, mas nunca se esqueça de pensar grande.

Fiquei muito impressionado mais uma vez como esses dois gênios se comportaram em quadra. De um lado poderíamos ter visto um Federer fazendo cara de EU SOU O CARA. Nada disso: respeitou do primeiro ao último ponto e fez seu trabalho com decência e profissionalismo, mesmo percebendo um Nadal bem abaixo do que normalmente joga. Do outro vimos um Nadal lutando até a última bola e, ao perder, estendendo a mão e dizendo "parabéns, hoje você foi melhor". Nada de voadora ou briga como no jogo de futebol em Brasília ou atitude deplorável de outra magnitude. Mostrou que jogo se joga dentro da quadra. Acabou? Aceite a vitória ou derrota.

Esses dois e o esporte têm muito para ensinar nossos tenistas, nossos empresários e políticos. Pena que ao invés de olhar um jogo desse muitas dessas pessoas deveriam estar em outro lugar pensando em como se dar bem ou tirar vantagem de aproveitar alguma oportunidade obscura.

Vida longa às pessoas do bem. Vida longa a Federer e Nadal.

Vida longa ao combate à corrupção e tentativa de moralizar nosso país.

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