Rio Open é ótima oportunidade para rever amigos e debater o nosso esporte

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
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Por mais um ano, eu vou estar no Rio Open.

Desde que parei de jogar, em 2003, tenho ido a poucos campeonatos. Minha vida mudou muito, e a minha família, o trabalho de clínicas pelo Brasil e a ESPN me suprem essa lacuna de estar no selvagem mundo do circuito. Cada vez que vou, tenho muito prazer em rever amigos e companheiros de trabalho.

No Rio, este ano, estarei outra vez convivendo com pessoas que me acompanharam e ensinaram muito durante minha carreira. Só de pensar que vou poder jantar com André Sá, Guga, Hernan Gumy, entre tantos outros amigos, fico muito feliz.

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A cada evento importante desses colho muitas informações, vejo como nosso esporte está indo, debato com atletas, técnicos e patrocinadores. Só assim posso trazer boas informações aqui e nas transmissões.

Durante o evento estarei trabalhando para meu patrocinador, a Fila. Vou jogar com clientes, fazer tardes de autógrafos e também autografarei meu livro, que está a venda no stand.

Bom, tenho certeza que será uma belíssima semana de tênis e informação.

Torneios no Brasil devem aproveitar ao máximo os jogadores top

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Quando o ano começa, uma mistura de ansiedade, oportunidade e preocupação me acompanha.

Nos primeiros meses, temos alguns importantes torneios aqui no Brasil que podem ajudar muito nossos jogadores.

No juvenil temos o Banana Bowl e a Copa Gerdau, que é jogada esta semana em Porto Alegre.

Mais uma vez, os promotores Otávio Dela e Ricardo Camargo fazem o tênis feminino se movimentar. Depois da Fed Cup, teremos dois torneios de 25 mil e dois 15 mil.

No masculino, um ATP 500 (Rio Open) e um ATP 250 (Brasil Open em SP).

São eventos suficientes para movimentar nosso esporte. Só pelo simples fato de termos grandes nomes (dois top 10 no masculino, uma top 100 nos torneios femininos) e um monte de grandes jogadores no juvenil já teríamos que aproveitar.

Mas como seria isso?

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Antes de mais nada, aproveitar. Ir no torneio e assistir os jogos. No caso das meninas a entrada é grátis. Ir, assistir os treinos, tentar conversar com técnicos, pegar informações. Viver o torneio. Muitas vezes conviver no torneio é bem mais importante do que treinar à tarde no seu clube.

Quem sabe outra ação interessante seria o torneio promover um encontro dos tenistas com juvenis. Tenho certeza que os jogadores top não fariam grandes objeções se isso acontecesse. Vocês imaginam o importante que seria para a molecada? Um almoço ou um simples bate-papo, um no Rio Open para os meninos do Rio ou que estiverem na cidade e um no Brasil Open. Tenho certeza que seria espetacular.

Vivi isso com meu sobrinho semana passada - ele almoçou com o Saretta. E essa hora valeu mais que um mês de treino. Imaginem almoçar com Ferrer, Robredo, Fognini, Cuevas e suas histórias.

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Sou a favor da informação, de tentar coisas novas. Sei que os torneios não tem a responsabilidade de formar tenistas, mas se puderem ajudar ainda mais todo mundo vai ganhar.

Fica a dica. Tomara que alguém leia e goste

Nos vemos no Rio e em SP. Eu terei o maior prazer de ser um desses jogadores que almoçam com nossos juvenis. Se quiserem, jogo também com eles

Enquanto as federações fecham os olhos, são as ligas que movimentam o tênis no Brasil

Fernando Meligeni, para o ESPN.com.br
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As ligas de tênis no Brasil não param de crescer.

Não é de hoje que venho viajando o país em eventos, clínicas, conversas com amantes do nosso esporte. A preocupação pela falta de torneios e principalmente de tenistas dentro da quadra é assunto em quase todos os bate papos. Aqui em São Paulo chama atenção a diminuição, e muitos torneios com chaves com pouquíssimos jogadores e jogadoras.

Isso vem assustando muito e como vemos que nossos dirigentes ainda acham e declaram que o esporte vai bem, pessoas mais antenadas correm e tentam alternativas. O crescimento das ligas é um claro indício que muitos gritam por socorro. As federações teimam em fazer o que sempre fizeram e possuem a cada dia menos filiados (note-se que a eleição da federação do Rio tinha mais ou menos 200 associados que podiam votar). Chega a ser vergonhoso.

Em tempos que o sócio torcedor no futebol ganha associados todos os dias o tênis desmorona não dá nada em troca e com isso só está pagando quem é obrigado a ou senão não pode jogar torneio.

As ligas tentam lutar para manter e dar facilidades aos seus sócios. Comunicação, prestação de serviço, organização. Carinho ao tenista. Se não tem a força e o nome de uma federação quase sempre tem pessoas que entendem do que fazem e querem o bem do esporte.

Onde isso vai parar eu realmente não sei, mas a cada dia o tenista percebe que vale mais a pena entrar em uma das tantas ligas que existem ao invés de entrar na federação ou confederação. Será que nossas entidades perceberam isso? Qual a resposta a isso? Dizer que se atleta jogar vai ser punido (tática que já se usou) ou juntar forças e perceber que o mundo mudou, os únicos que não mudaram foram eles que estão com pensamentos antigos e defasados?

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Qualquer tentativa de mudança ou de fazer algo fora das entidades no país é muito mal vista. Isso não é de hoje. Infelizmente quem pensa assim não pensa no esporte. Lembro quando pensei em fazer a Copa Fino fora da CBT e queria cobrar uma inscrição justa (bem mais barata), colocar técnico na quadra para ajudar a ensinar os tenistas (10,12 e 14 anos), e não ter pontos no ranking (só serve pra gratuidade dos meninos) fui atropelado pela entidade. Falaram que eu não podia, que poderiam punir jogadores que jogassem... Tanta coisa.

ME ARREPENDO NÃO TER PEITADO. Uma das poucas vezes que aceitei as regras erradas do esporte (eu tinha 10 anos a menos e era mais tolerante, bobo ou imbecil como escrevi no meu último post).

Sinceramente não sei se é o caminho certo. O que sei é que precisamos mais gente nas quadras, mais gente boa trabalhando a favor do tênis. E digo que sou muito a favor das ligas.

Vida longa as ligas em todo país.

Nossos dirigentes acham que somos bobos, otários ou imbecis

Fernando Meligeni

Era uma vez... Ou melhor: há muito tempo atrás, um presidente da República, um presidente do COB, um ministro dos esportes, vários governadores, políticos, ex-atletas e atletas pulavam felizes com a conquista do nosso país para sediar as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Entre gritos histéricos, promessas impossíveis, demonstrações de patriotismo sem fundamento, muitos deles deram entrevistas dizendo que nosso esporte seria diferente, que mostraríamos ao mundo como se faz um grande evento desde a preparação, passando pela realização e o pós-evento. Será que algum deles acreditava mesmo que isso era verdade?

Eu, sinceramente, nunca acreditei. Não é de hoje que venho falando, me colocando em situação complicada e muitas vezes tendo que pagar o preço de ser "DO CONTRA" ou "o chato". Mas sinceramente passei da idade de acreditar em fadas ou Papai Noel ou simplesmente em políticos e dirigentes esportivos.

Ficaria aqui horas destilando minha raiva no que eu já sabia. Prefiro falar do que me revolta.

Os nossos dirigentes acham, realmente, que somos bobos, otários ou imbecis. Tive a chance de entrevistar ministro, dirigente, atletas, técnicos de quase todos os lados antes das Olimpíadas, e o que mais me chamou a atenção é que nossos dirigentes brigaram comigo, discutiram dizendo que eu estava errado, que éramos pessimistas ou que torcemos contra. Diziam que os Jogos trariam benefícios incríveis. Que o esporte mudaria. Que eu iria ter que me retratar. Pergunto a vocês, MUDOU? Quer que eu pergunte outra vez, senhor ministro? Pergunto para o senhor presidente e superintendente do COB. MUDOU?

Se realizar as Olimpíadas é ganhar medalha, nem isso conseguimos com tanto louvor. Fomos bem, mas nem de perto como um país anfitrião teria que ir. Sabe por quê? Porque não fizemos um bom trabalho. Nem antes, nem durante e muito menos depois.

A resposta está no pós-evento. Falaram que teríamos um pós-Olimpíada com incentivo e nada mudaria. Só que não.

Falaram que as instalações seriam bem usadas pela população, pelos atletas, seriam centos de treinamentos. Só que não.

Falaram que o país viraria mais esportivo. Só para avisar: até a educação física deixou de ser obrigatória dias depois dos Jogos. Parabéns, senhores!

Ah, e falando das instalações falando apenas de tênis (acho que disso eu entendo) temos a grata notícia que a nossa arena será invadida por 18 toneladas de areia para um evento de vôlei de praia e depois de rugby e handebol de areia. Que beleza. Será que tenho que ficar feliz?

O Centro Olímpico de Tênis está fechado desde o final da Paralimpíada. Uma entidade joga na mão da outra e agora está na competente mão do Ministério dos Esportes. Desculpem o desabafo, mas deixar fechado um Centro Olímpico depois do dinheiro que se gastou é um afronta ao esporte, ao povo e ao dinheiro público. Ter que escutar que é melhor usar a arena para outros esportes do que deixar fechado é como dizer dizer que nosso povo não tem mais dinheiro porque não trabalha... Mentira! Nosso povo trabalha muito, e nosso esporte é muito mal administrado.

Sinto dizer que, mais uma vez, caímos na mesma ladainha que eu escutei quando eu fiz um discurso ao presidente da época, depois da minha medalha do Pan, e ele, com um sorriso lindo no rosto, disse que o esporte seria bem cuidado por ele. Só que não.

Triste ver que os atletas lutam, correm, nadam, jogam e tem pessoas que não sabem e não se importam com esporte. Triste saber que estamos sozinhos em um país que não merece ter o Ayrton Senna, o Oscar, o Guga, o Pelé, a Hortência, a Maria Esther Bueno, a Magic Paula, o Robert Scheidt, o Emanuel, o time de vôlei masculino e feminino, o Zé Roberto Guimarães, o Bernardinho, entre outros incriveis campeões.

Cansado de ver presidente de federação e confederação em problemas de corrupção. Cansado de ver entra e sai de ministros que pouco ou nada fazem ou sabem de esporte. Cansado de ver atletas aceitando calados esses desmandos. Cansado de gritar sozinho por algo que é de todos nós...

O esporte está morrendo, e os senhores dirigentes do esporte estão rindo da nossa cara, olhando cada um de nós definhando.

Viva o esporte! Chega de incompetência! 

Obrigado Roger. Obrigado Rafa

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
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Roger Federer e Rafael Nadal no palco após a final do Australian Open 2017
Roger Federer e Rafael Nadal no palco após a final do Australian Open 2017

Demorei para escrever sobre o jogo porque não queria cometer o erro de ser repetitivo ou óbvio.

Infelizmente, qualquer coisa que eu escreva será sem a devida dimensão do que foi esse jogo. Tudo que eu diga terá pouca relevância comparado ao que fizeram esses dois gigantes.

Por isso, decidi falar sobre a importância do jogo, das atitudes e do legado que esse jogo pode deixar.

Ao se darem um lindo abraço quando o jogo terminou, os dois maiores tenistas que eu vi jogar (sim, eles superaram Sampras, Agassi...) mostraram ao mundo o que é o significado da palavra esporte. ESPORTE não é vitória ou derrota, esporte não é uma alternativa de guerra, esporte não é ser melhor ou pior do que o seu adversário. Esporte é educação, entretenimento, diversão, alegria, dedicação, entrega, amor, garra, sangue nos olhos e principalmente lutar até o último ponto com toda sua força e aceitar a vitória ou a derrota.

Federer e Nadal mostraram ao mundo que briga de torcida, diz que me diz ou sacanagem entre atletas não têm espaço quando falamos de grande atletas. No domingo, esses dois deram um tapa de mão aberta bemmm forte nas pessoas que fazem o mal ao esporte.

Como eu disse no encerramento do jogo, chegou a hora de aprender com eles.

A partir de amanhã todo mundo que gosta de tênis que faça um pouco mais pelo esporte. Os tenistas que treinem mais duro, os técnicos que se dediquem mais, os preparadores físicos que estudem mais, os nossos dirigentes que respeitem mais o nosso esporte.

Não podemos tratar nosso esporte como estamos tratando. Chegou a hora de cada um de nós colocar a cabeça no travesseiro e pensar: 'Será que eu chego aos pés desses dois simplesmente pensando em quanto fazemos e nos dedicamos ao esporte? Será que não posso dar um pouco mais?'.

Jogos como a final do Australian Open, que todos tenistas e pessoas que vivem do tênis assistem, servem mais uma vez de alerta. Servem para refletir. Os dois querem muito ganhar. Os dois não aceitam perder, mas nem por isso deixam de ser pessoas justas e generosas ganhando ou perdendo.

Só posso agradecer. Só posso dizer que vou tentar ser melhor.

Obrigado Roger. Obrigado Rafa.

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