Fernando Meligeni

Fernando Meligeni

Ex-tenista, chegou ao 25º lugar no ranking, foi semifinalista em Roland Garros e derrotou Pete Sampras. Hoje, é comentarista de tênis da ESPN

Sete motivos para você não colocar seu filho dentro de uma quadra de tênis

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

1 - Ser independente

Se você colocar seu filho, ele vai ser uma criança que luta pelas suas coisas, vai ser organizado e provavelmente vai ter personalidade.

2 - Vai aprender a competir

Em um mundo onde ninguém sabe perder e a cada dia é mais difícil educar seu filho, ter um esporte que faça essa educação junto aos pais é um achado.

3 - Eles vão aprender a não roubar e a serem justos

Hummm, sim. O tênis te obriga a ser justo, não roubar e aceitar logo cedo que a bola na linha é dentro. Querer tirar vantagem de uma bola é determinante para virar o bobo da categoria. Já com 10,12 anos ter o rótulo de ladrãozinho é muito pesado pra molecada. Os pais nem precisam se meter. Eles mesmos têm vergonha.

4 - O esporte tênis ensina a sociabilizar

Em tempos de celular, tablet e mídias sociais nada melhor que um esporte que te apresenta amigos, companheiros, adversários, fãs... E sendo muito jovem ter uma galera que te acompanha no dia a dia é um barato.

5 - Distância das drogas e bebidas

Drogas, cigarro, bebida não combinam com desempenho e esportista. Em uma época em que está cada vez mais complicado ter boas amizades e valores o esporte ajuda a mostrar o caminho certo. Não é a única ou salvação certa, mas ajuda demais.

6 - Permite sonhar

Quem de moleque não sonhou alto e quis ser um roqueiro, um ator, um astronauta? Ao colocar no tênis o sonho vem junto do trabalho, da abdicação e merecimento. Pilares incríveis para o sucesso no que for fazer.

7 - Profissão conhecendo culturas e países

Você imaginou fazer uma coisa que você gosta, viajar o mundo e ainda poder ser muito bem remunerado? Isso mesmo.

Jogar tênis é difícil. Ser bom no esporte é mais ainda. Viver dele então complicado demais. Mas o que é fácil na vida?

Espero ter incentivado e explicado por que não vale a pena colocar seu filho no tênis ou você jogar esse maravilhoso esporte. Ahahaha.

Federer surpreende, e Nadal arrasa; Melo e Sá: as alegrias do Brasil

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Divulgação
Tênis Marcelo Melo Dodig campeões Acapulco
Marcelo Melo foi campeão em Acapulco, ao lado de Ivan Dodig

Em semana cheia, com muitos tops em quadra e com importantes eventos, Federer, Nadal e Ferrer se destacaram.

Em Dubai, o suíço depois de suas férias, voltou em grande estilo. Foi um Federer firme, confiante e em uma semana sem perder sets, venceu na final o número 1 do mundo, Djokovic. O suíço mostra que seu verdadeiro problema é manter sua velha consistência em torneios de duas semanas.

Em jogos de três sets e torneios de uma semana, mostra um nível impressionante. Nesse domingo, além de jogar bem, fechou a porta em todas as dificuldades. Teve muitos problemas nos jogos, mas boas subidas à rede e saques precisos o tiraram dos sustos. O 63 75 foi merecido e deixou mais uma vez a pulga atrás da orelha do sérvio.

Em Buenos Aires, ninguém conseguiu assustar Nadal. Depois de perder no Rio, ele mostrou que em um torneio com as condições lentas ao extremo ele é praticamente imbatível. O espanhol fez a alegria dos argentinos, que tiveram o prazer de assistir a final entre o maior de todos os tempos no saibro e um argentino com uma carreira muito linda, Juan Monaco.

Nadal mostrou que a cada semana se sente melhor em quadra e ainda vai dar muito trabalho este ano. Ainda não está jogando como antes, mas se continuar a evolução física vai chegar a Roland Garros como favorito, mais uma vez

Para os brasileiros, o Argentina Open também trouxe alegria. E que alegria. André Sá voltou aos títulos nas duplas. Ele e Niemenin foram campeões. André, com uma história incrível no tênis, se mantém em alto nível há anos.

Ele, que já foi 50 do mundo em simples e chegou às quartas de final de Wimbledon, também tem uma história de sucesso nas duplas, onde foi 17 do mundo com semifinal de Wimbledon. Hoje 58 do mundo, dando sua contribuição ao esporte que tanto ama, venceu seu oitavo título de duplas em Atp Tour.

Em Acapulco, David Ferrer venceu seu segundo torneio seguido e mostrou que não importa a quadra, o cansaço, jogar depois de uma semana longa ou o adversário. Venceu o 4 do mundo, Nishikori, e mostra um começo de ano impressionante com três títulos.

Nas duplas, mais alegria para o Brasil. Marcelo Melo venceu ao lado de Dodig o evento e, mais uma vez, vira 3 do mundo nas duplas. Um resultado importante e uma colocação incrível. Parabéns, Marcelão.

Torneios de tênis no Brasil ganham qualidade dentro e fora das quadras

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Lendo hoje a Máquina do Esporte, vi uma matéria muito interessante sobre eventos de tênis e seu lado de fora. Me deu vontade de repercutir, já pedindo permissão ao Erich Beting.

Sou da época em que um torneio se preocupava 100% com quais jogadores seriam contratados, qual o melhor jogo para a quadra central e como vender mais ingressos, tendo esta ou aquela estrela. Falar em extra quadra era sinônimo de tentar conseguir uma matéria diferente para a imprensa e, com isso, espaço na mídia.

Tudo isso mundo nos últimos anos. Como diz Fernando Soler, da IMG, e que detém os direitos do Rio Open, o lado social, o caras e bocas, viraram uma febre. Hoje, ter um bom torneio e não ter um bom lounge, um espaço para fazer negócios, um bom catering, é subestimar demais o teu evento. A grande prova disso é o que fez pelo segundo ano consecutivo com maestria o Rio Open.

Na quadra, o torneio trouxe Nadal e Ferrer. Fora dela, um lounge incrível, um espaço com alimentação impecável, pessoas interessantes, convidados vips, atletas, músicos, atores e apresentadores. Todos interagindo, dando a cara que o torneio precisa. O patrocinador e os convidados têm durante a semana a chance de ver grandes jogos e conhecer pessoas interessantes ou fazer negócios.

Isso é uma prática já bem sucedida em outros países e que de nenhuma maneira é um luxo ou ostentação. É pensar grande. Já foi a época em que tínhamos que ter complexo de pequenino e achar que investir no evento era coisa de outro mundo.

O Brasil Open vem evoluindo muito a cada ano. Torneios menores, como o de Campos e outros aqui em São Paulo, também apostam muito nisso.

Finalmente, vemos o nosso esporte virando uma febre social, um programa divertido e gostoso. Não tem volta. Ou se profissionaliza o evento no Brasil ou os patrocinadores não vão colocar mais dinheiro, e o público não vai mais aos jogos.

Rafael Nadal protagonizou duas grandes surpresas no Rio Open

Fernando Meligeni

A primeira grande surpresa que o espanhol Rafael Nadal protagonizou foi perder na semi do Rio Open para o italiano Fognini. Ele mostrou que está bem abaixo do seu nível. Mesmo assim, tenta com muita atitude e vibração. Mas mostra que é bem menos agressivo, consistente e confiante que antes.

Durante a semana, o espanhol jogou pouco, sofreu muito e só chegou à semi porque seus adversários não acreditaram que poderiam vencer. Sua derrota para o Fognini deixou claro que ele precisa voltar a agredir, sentir mais a bola e jogar em um outro nível.

Falando em Nadal, e em surpresa, pela primeira vez tenho que discordar forte dele.

Na sua semi contra o Fognini, mais uma vez, ele se encrespou com o arbitro brasileiro Carlos Bernardes. Mais uma vez, a demora entre pontos, demora nos saques e o tempo perdido na volta de quase todas as viradas deu o que falar. Mais uma vez, o espanhol quis mudar as regras, achar que porque ele tem uma rotina demorada e chata pode brigar por mais tempo. No jogo, foi penalizado e surtou.

A briga contra o tempo e Nadal é um episódio que nunca vai acabar. Só acaba se aparecerem árbitros com personalidade e sem medo. Quando na cadeira está Carlos Bernardes, ele se complica. Se complica porque o brasileiro é justo, conhece tudo de regra, entende de tênis e parte do princípio que se der as costas e aceitar o tempo que o Nadal quer, estará sempre prejudicando seu adversário. Ele, em seu histórico, já desclassificou o Agassi nos Estados Unidos e o Rios em Aruba. Sempre com personalidade e coerência. Se existe um árbitro competente e justo, esse arbitro se chama Bernardes.

O mais triste é saber que Nadal vai pedir que Bernardes não faça mais seus jogos. Uma atitude forçada e mostrando que o espanhol acha que manda no circuito.

Posso estar parecendo duro, mas, me desculpem, as regras são iguais para todos. Eu adoro o Rafa, mas desta vez ele erra feio e força uma barra grande. E se a ATP aceitar vai mandar o recado que tops podem fazer o que quiserem.

Saiu a convocação do Brasil para a Davis

Fernando Meligeni

O que todo mundo esperava, queria e torcia, aconteceu. Depois de muita conversa nos bastidores, quedas de braço e declarações fortes, o time do Brasil volta a ter seus melhores jogadores no time.

Bellucci, Feijão, Marcelo e Bruno serão os quatro titulares do Brasil para pegar uma Argentina bem mais ganhável, mas muito indigesta em seu território.

A convocação aconteceu hoje, mas já era sabida entre os jogadores há muito tempo. Desta vez nada teve a ver os grandes resultados destas últimas semanas do Feijão. O que realmente aconteceu foi que o capitão e a nossa entidade voltaram atrás em algumas crenças, que agora não vem mais ao caso, e convocaram o Feijão. O importante é que teremos nosso melhor time e temos sim chances de vencer.

Para o confronto, algumas coisas mudaram. Como Feijão deve passar Bellucci semana que vem o primeiro jogo deve ser Bellucci e Mayer, e o Feijão contra Berlocq ou Delbonis. Sinceramente, gostava mais do primeiro dia da outra maneira, mas como na Davis não podemos escolher e temos que aceitar o sofrimento e as duras batalhas... É isso que temos pela frente.

Acredito demais no nosso time. Confio que nossos jogadores vão jogar muito bem lá, e será um confronto muito interessante. Vale muito a torcida.

Fica aqui meus parabéns ao João (capitão), à CBT e todos os envolvidos por terem olhado para o time, para o país e para o tênis. Esse é o caminho.

Vamos Brasil!

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