App, bate bola com a molecada, transmissões, clínicas... fim de mais um ano de muito trabalho

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Ontem, dia 30 de novembro, tive o prazer de participar do meu último evento do ano. Fui convidado pela Pátria Investimentos para um bate-papo e uma clinica. Com o evento de ontem, foram 31 no ano sem contar os eventos do meu aplicativo ou da ESPN.

Nestes 31 eventos, viajei o Brasil, fiz bate-papo, clinica, campanhas publicitarias, representei empresas. Um ano incrível de muito trabalho e novas ideias.

Fora os eventos criei o Bate-Bola com o tênis brasileiro, foram 16 dias com a molecada e mais de 40 horas de bate bola e conversa com os pais e técnicos, entrei de cabeça no meu aplicativo SET Somos tênis com a participação da Vivo, da Tim e nestes dias com a Claro entrando. Uma das maiores alegrias foi levar um ganhador a Roland Garros comigo e ver outro indo pro US Open graças ao app. Continuei divulgando e vendendo muito bem meu segundo livro "60 Dicas do Fino", sigo trabalhando como comentarista na ESPN entre outas coisas.

Agora é hora de relaxar um pouco, mas antes ainda vou dar uma passada no encontro de jogadores em Florianópolis na segunda que vem onde vou ficar um dia e meio me informando mais sobre nossa molecada e como está indo a nova gestão do tênis.

Após esse evento realmente acaba o ano pra mim. Dia 8 de dezembro renovo votos com minha linda esposa Carol Hubner, completamos 10 anos e vamos celebrar em uma festa com família e amigos. Muita emoção e alegria ter minha amada ao meu lado sempre.  Aí é hora de viajar e curtir.

Ano que vem teremos muito trabalho. Começo com o Australian Open. Os eventos começam já em janeiro, teremos um ano incrível com o app indo para vários torneios, muito mais bate bola com o tênis brasileiro e muitas novas ideias.

Queria deixar aqui meu muito obrigado às pessoas que tanto me ajudam a ter esta carreira tão maravilhosa.

Um muitíssimo obrigado ao Marcelo Ceará por ser tão parceiro e competente me ajudando a organizar, fechar, marcar e conduzir meus eventos. Maurão Menezes sócio da Mem, amigo e meu grande parceiro de eventos. Renato Messias, Josué Lima, Fabinho técnico incríveis que me acompanham nos eventos, Carlos e Gabriel Acero proprietários do meu aplicativo Somos Tenis. Todo o time da ESPN representado pelo João Palomino que ainda me aguentam na casa, Fernando Nardini meu grande parceiro nas transmissões, Henrique Farinha, dono da editora Évora, onde meu livro é tão bem tratado, galera da MEM que fazem um trabalho incrível. Odete, Harrilson, Henrique e toda a turma.

Seguimos firmes. Muitas pessoas perguntam como fazem para contatar para informações ou clinicas: clinicasdetenis@trainersports.com.br

Peço que baixem o app e conheçam o Somos Tênis. Me deem esse presente. Tenho certeza que vocês vão gostar das informações e quem quiser concorrer a grandes prêmios se cadastre dentro.

Um abraço a todos.

A morte da mais nobre e interessante competição no tênis

Fernando Meligeni
Getty Images
Tsonga comemora a vitória na Copa Davis deste ano
Tsonga comemora a vitória na Copa Davis deste ano

Rumores existiam desde os tempos em que eu jogava. Falava-se que a Copa Davis mudaria de formato para preservar atletas, porque era muito longa e por motivos que poucos entendiam, mas ganhava força ano a ano.

Na semana passada depois de muitas idas e vindas a Federação Internacional de Tênis decidiu a meu ver acabar com qualquer emoção na competição... 

A partir de 2018 nos grupos 1 e 2 os jogos da Davis serão realizados em dois dias, em melhor de três sets e com um jogo de duplas antes do quarto e quinto decisivo ponto. Como dizem eles, um teste para rapidamente colocá-lo no grupo mundial em breve.

Vocês podem imaginar o que eu acho...

  • Aspecto técnico
 

Joguei 10 anos a competição e afirmo que ela só é tão interessante por ser dramática, longa, cansativa e emocionante. Uma competição diferente do que vivemos no dia a dia. Em um jogo arrastado por causa do barulho, pressão e provocações, a Davis em melhor de 5 sets tira do atleta o seu melhor. 

Jogos estratégicos e zebras impressionantes acontecem. Estratégia de colocar jogadores em confronto direto, Jogos decididos no físico e preparação de uma semana fazem parte de um evento. Não apenas de um jogo!

Jogar Davis para o atleta é algo maior que jogar tênis. Jogar Davis te prepara para a vida no circuito, mentalmente e fisicamente falando.

 

  • A derrota para para o dinheiro e o pouco patriotismo
 

 Vivemos uma nova sociedade sem valores. Vivemos uma sociedade onde o dinheiro manda. Vivemos uma sociedade com pouco engajamento patriótico. Representar seu país virou um saco para muitos ou simplesmente nem um pouco interessante financeiramente.

Na nova geração onde se ganha muito mais que antes, representar o país traz prejuízos ao próximo torneio e com isso se deixa de ganhar uma garantia ou se cansa demais. Na nova geração não se tem mais aquele prazer para representar este ou aquele país. Ser patriota virou demode. Ao invés das nossas entidades darem exemplo e pressionarem os atletas a terem prazer em representar o país eles sucumbem a pressão e abrem a porta para daqui a dois ou três anos todos perceberem que a competição não é mais interessante. Com isso a morte da Davis é evidente

Jogar Davis desde a época de Koch, Mandarino, McEnroe, era como jogar uma Copa do Mundo, ter a maior honraria que um atleta podia ter. Hoje, com essa mudança, o tênis vira mais um esporte que não respeita seus países e vira um esporte totalmente comercial, que só pensa em quanto o torneio e o atleta vai ganhar. 

Se isso é o certo, me desculpem, mas eu quero descer desse ônibus o mais rápido possível!

Que saudade dos países fortes, clubes competentes, atletas patriotas e competições de verdade...

As mudanças que fizeram de 2017 um ano impressionante para Federer e Nadal

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Em cima da linha e com a esquerda: Meligeni analisa como Federer 'pegou o jeito' de Nadal

O ano de Roger Federer e Rafael Nadal impressiona. Em quase todos os  eventos que vou, sou abordado por fãs desses dois monstros sobre a volta por cima deles. Mais de uma pessoa duvidou que eles voltariam a lutar pelo primeiro lugar outra vez. Eu admito que fui um deles.

Ao assistir os dois nos últimos anos, tudo indicava que eles acabariam as incríveis carreiras entre o ano passado e este. 

Vamos aos fatos:

Após final em Xangai, Federer e Nadal comentam partida e momento da rivalidade

- Os dois não precisam mais provar nada a ninguém;

- Os dois sofreram com lesões;

- Nadal com problemas físicos;

- Federer com a idade;

- Os dois têm dinheiro para várias gerações e não jogam por isso;

- Os dois começaram a perder de caras que não perdiam (tenista odeia isso);

- Os dois ficaram mais lentos e começaram a errar mais.

Então o que mudou?

NADAL

ESPN
Rafael Nadal com o troféu do US Open 2017
Rafael Nadal com o troféu do US Open 2017

- Não aceitou deixar as quadras lesionado. Trabalhou muito mais;

- Contratou um grande técnico chamado Carlos Moya;

- Mudou sua postura em quadra e ficou mais agressivo;

- Melhorou seu saque;

- Parou de querer jogar pontos longos. Ficou mais agressivo;

- Parou de sentir tantas dores;

- Escolheu melhor o seu calendário.

FEDERER

EFE/All England Lawn Tennis Club
Roger Federer posa com a taça de Wimbledon 2017
Roger Federer posa com a taça de Wimbledon 2017

Fez uma pausa para achar sua motivação de volta;

- Começou a jogar apenas torneios importantes;

- Acertou na contratação de Ivan Ljubicic como treinador;

- Melhorou sua esquerda;

- Voltou a ser agressivo;

- Voltou a jogar perto da linha e pegando a esquerda na frente;

- Mudou de raquete;

- Trabalhou muito o físico e voltou a flutuar em quadra.

Dupla dos sonhos! Veja os melhores momentos da vitória de Federer e Nadal sobre Querrey e Sock

Tenho certeza de que existem mais motivos. Mas, seja qual for, uma coisa ficou clara: não importa seu nível ou o que você já conquistou. Se você quiser continuar competitivo, você precisa ousar, mudar, melhorar, querem mais. A tal frase 'em time que está ganhando, não se mexe' parece que vem ficando no passado. Time que não muda ganha hoje, mas não se prepara para o amanhã.

Obrigado, Rafa e Roger. Vocês nos ensinam todos os dias. Dentro e principalmente fora das quadras. Quem segue seus passos cresce e evolui.

Não há defesa ou motivo para deixar Nuzman como presidente do COB. Não te queremos mais

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Da casa de Nuzman, Gabi Moreira informa como operação 'Unfair Play - segundo tempo' prendeu dirigente

Carlos Arthur Nuzman foi preso, e com ele a certeza de que quando alguém fica muito tempo mandando no esporte ou na política tem grande chance de acabar mal. 

Há anos venho escutando que muitas pessoas que faziam coisas erradas (fui doce agora) estavam indo para o esporte e, para nossa infelicidade, estavam no poder dele. Ao mesmo tempo escutava que o esporte era perfeito porque ninguém dava a mínima e não teriam problemas.

Veja o momento em que Nuzman é conduzido à viatura da Polícia Federal

Bom. Hoje começo a acreditar que as coisas podem mudar. Os dirigentes que por anos ficaram no desmando do esporte com certeza dormem com um olho aberto e um fechado. Os que riram dos atletas, falaram que mandavam no esporte, que éramos trouxas, começam realmente a acreditar que podem acabar presos. 

Felizmente o Brasil mudou. Não da velocidade e da maneira que gostaríamos, mas vemos que existe a intenção.  

Há um ano, Nuzman falou sobre escândalos no esporte: ‘Deverão ser tratados dentro de medidas cabíveis'

Com todo respeito, chegou a hora de mudar. O esporte brasileiro não pode ser dirigido por alguém como Nuzman. Ele que se defenda. Tem todo o direito. Mas ao ser preso, ele teria que ser tirado do COB imediatamente. Não há defesa ou motivo para deixá-lo lá. 

Torço para que possamos ter um novo comandante e desta vez que se preocupe mais com o esporte e menos com ele mesmo. 

Advogado de Carlos Arthur Nuzman fala sobre a prisão

Que a prisão dele sirva de exemplo que o esporte é soberano e se ele for inocentado chegou a hora de dizer. Descanse longe do esporte. Não te queremos mais.

Profissão dirigente esportivo

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Ao acordar dei de cara com a matéria que o skatista Bob Burnsquist virou presidente da confederação de Skate e já se rotulou um presidente rebelde.

Tenho que admitir que fiquei feliz ao ver um atleta consagrado, inteligente, querido e ativo entrando nesse vespeiro. Fiquei mais feliz ainda com sua vontade e direção de não ser político, ser mais técnico e contestador, mas ao mesmo tempo a sua decisão me fez pensar. 

Será que o caminho é esse? Será que os atletas precisam ou devem se colocar nessa situação?

Há tempos eu vejo atletas entrando nas confederações e em pouco tempo abandonando o barco. Muitos deles totalmente decepcionados, outros revoltados. Poucos ficaram em fizeram um bom trabalho. Eu mesmo escuto que deveria fazer esse caminho. Muitos já me indagaram a respeito. Mas no meu caso isso está bem fora dos planos

Eu tenho claro algumas coisas sobre esse assunto:

1. Não importa o quanto o atleta foi bem sucedido. Na minha visão para ser presidente de uma confederação o postulante tem que ter muita noção de gestão, planejamento e ser um pouco político. De gestão e planejamento o cara precisa ser bom porque ele vai ser o responsável por um esporte. Uma empresa. Político, porque mesmo sendo rebelde o cara vai ter que lidar com presidentes, ministros, atletas e muitas vezes ou na maioria delas os outros não pensam como ele, ou melhor,  ele pensa totalmente diferente e tem um respeito ao esporte que os outros nem passam perto de ter.

2. Tem que ter estômago. Não preciso dizer aqui que o esporte brasileiro é dirigido em sua quase totalidade por caras que pouco produzem, pouco se preocupam com o desenvolvimento ou atletas. A sua grande maioria é feita de pessoas que não tem condição de estar lá e usam o posto para se promoverem e terem ingresso, regalias e um minuto de fama na frente da televisão. Ganham o posto e automaticamente viram a cara para o verdadeiro esporte.

3. Ter sido um grande atleta não representa ser um bom dirigente. Não te dá a credencial de competente. Não te dá a isenção de incompetente ou idôneo. Temos no esporte muito atleta perigoso. No caso do Bob, tenho certeza que ele tem condição. Mais que um atleta ele sempre se mostrou um empresário e um agregador. Não precisa da fama e do dinheiro da confederação e ama o esporte. Todas as credenciais necessárias.

4. Ter tempo para trabalhar. O esporte é fundamental. Temos que ter respeito a ele. Para isso quem assumir tem que trabalha duro. Ter tempo para pensar, aglutinar pessoas, fazer decisões, conversar, mas acima de tudo fazer decisões importantes. Mudanças radicais. Para isso se precisa tempo e um time forte. Sem isso vejo pouca chance de sucesso. Presidente que vai só no final da tarde para assinar papéis e ficar sabendo o que aconteceu quase sempre é engolido pela política brasileira.

Falado isso, reafirmo que estou feliz em ver o Bob encarando um desafio desses. Torço para que ele consiga mudar o falido processo dos dirigentes esportivos. Que ele incentive e mostre uma alternativa aos atletas e com isso que tenhamos mais e mais pessoas competentes no poder. Que ele consiga pressionar o COB e o ministério dos Esportes. É por último que ele tenha em casa guardado muita paciência.

Boa sorte, Bob. Voe alto. Tenha equilíbrio, erre ou acerte tentando o correto. Lute pela nota 10.

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