Fernando Meligeni

Fernando Meligeni

Ex-tenista, chegou ao 25º lugar no ranking, foi semifinalista em Roland Garros e derrotou Pete Sampras. Hoje, é comentarista de tênis da ESPN

A volta do 'Segredos do Esporte', o 'do contra' e o atleta-avestruz

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Nesta quinta-feira, o programa "Segredos do Esporte" voltou à grade da ESPN com o objetivo de falar sobre a Olimpíada e o caminho dos atletas até ela.

Falar de Olimpíada no Brasil é um assunto bem complexo, por isso, o programa promete ser interessante e forte. Na bancada sempre teremos a liderança de Paulo Calçade e os fixos, Magic Paula e eu. Como entrevistados, dois convidados todos os meses.

Diferentemente do que vemos no esporte brasileiro, no programa vamos falar o que acontece sem melindres ou tentativas passionais ou ufanistas. Nele queremos ser firmes, justos e reais. Coisa rara hoje em dia.

Tenho escutado, vivido e visto muita coisa sobre os Jogos e sobre o esporte brasileiro, e infelizmente existem duas realidades:

1) Se você se posiciona em algum assunto ou debate contra alguma ação dos jogos ou de alguma federação, você é considerado inimigo ou DO CONTRA. O debate, o não concordar com respeito e argumento, é proibido e coibido. A velha lei da mordaça. Opinar de outra maneira ou simplesmente não entrar no "vamos alcançar o objetivo traçado" te coloca como torcedor contra quanta besteira;

2) Se você faz um programa mais verdadeiro e que não vai de encontro com a verdade que a maioria conta, você vira ídolo dos atletas no dia a dia, mas eles infelizmente não declaram isso pelo simples medo de perder o que tem ou apoio. A clara tática do cala a boca ou corto tua verba. A tática da obrigação a declarar que está tudo bem e que nunca o atleta foi tão bem tratado.

Me preocupa muito como tratamos nossos atletas, não apenas porque ele podem não ganhar, mas ao obrigá-los a não se posicionar. Estamos formando mais e mais atletas-avestruz, ostra ou de coração de papel. Sem falar no perigo de formar atletas que só pensam em quanto vão ganhar para ir treinar ou jogar.

O programa promete, e espero que possamos contribuir nesse debate tão importante. Espero também que tenham a coragem de debater e achar saídas.

Conto com a audiência de vocês!

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'Segredos do Esporte' volta e debate: investimento é igual a rendimento?

Entrando de Fininho: Meligeni recebe a nadadora Ana Marcela Cunha

ESPN.com.br

No 'Entrando de Fininho' dessa semana, Fernando Meligeni recebe a nadadora Ana Marcela Cunha, que comemora o ouro no mundial de natação em Kazan, na Rússia, e também falou sobra as expectativas para as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016.

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Entrando de Fininho: Meligeni recebe a nadadora Ana Marcela Cunha

Federer jogou muito em Cincinnati. Seria ele o favorito no US Open?

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Rob Carr/Getty Images Sport
Federer conquista o 7º título em Cincinnati, único Masters que falta à Djokovic
Federer conquista o 7º título em Cincinnati, único Masters que falta a Djokovic

O assunto do momento no tênis é Roger Federer.

A cada semana, a cada resultado positivo ou negativo o suíço vira assunto. Por sua genialidade e, para muitos, por estar jogando os últimos anos, meses ou dias de sua carreira, ele leva multidões a todos os lugares que vai. Em Cincinnati não foi diferente. Decidiu não jogar o Masters 1.000 de Montreal para levar suas filhas no primeiro dia de aulas e chegou fresco e motivado. Santo remédio para um ser tão talentoso.

O que se viu durante a semana mais uma vez foi um Federer jogando solto, leve, rápido e errando pouco. Em um torneio onde tinha que vencer Murray e Djokovic para ser campeão, o único remédio seria jogar muito. Ele jogou.

Assistindo ao jogo depois, já que estava em uma clínica fora de SP, percebi que ele melhorou muito sua velocidade, e hoje é muito mais agressivo nas horas importantes. No jogo de ontem soube controlar os momentos duros e foi preciso nos pontos chaves. Djokovic, mais uma semana, chega à final jogando bem abaixo do seu nível. Fica claro que está cansado mentalmente, pensando em coisas fora do circuito e está se adaptando ao novo mundo que vive. Mesmo assim joga demais e chega às finais por uma mescla de talento, saber jogar nas horas agudas e respeito dos seus adversários.

A pergunta que todos fazem agora é: quem é favorito no US Open. Federer consegue jogar assim em NY? Alguém pode surpreender esta ano como no ano passado?

Falaremos bastante disso esta semana e durante o torneio nas transmissões da ESPN e no "Pelas Quadras".

No 'Entrando de Fininho', recebo o judoca Leandro 'Federer' Guilheiro

ESPN.com.br

No 18º quadro da temporada 2015 do 'Entrando de Fininho', Fernando Meligeni recebeu o judoca Leandro Guilheiro, que falou sobre a volta à seleção brasileira após longo período de lesões, foi comparado a Roger Federer pela técnica e anotou 90 pontos no total, assumindo a 14ª posição no ranking do jogo. Confira!

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Entrando de Fininho: recuperado de lesão, Guilheiro é comparado a Federer e faz 90 pontos

O esporte é mais importante que os tenistas: gancho no Kyrgios já!

Fernando Meligeni

Polêmicas sempre existiram no esporte. No tênis não é diferente. Mesmo com um código de conduta duro, e quase sempre respeitado, nosso esporte vive momento de reflexão e certas atitudes obrigam nossa entidade a ter personalidade e pulso forte.

Ontem, em um jogo que tinha tudo para ser normal e sem grandes problemas, Wawrinka e Kyrgios viraram manchete de jornal no mundo todo. Depois de uma provocação aqui e ali, e um pouco de tensão no jogo, o australiano, que gosta de uma bagunça e falar o que não pode ou deve, disse: "o Kokkinakis comeu a tua namorada". Sinto vergonha até de escrever o que ele disse.

Nem preciso dizer que é uma grosseria, uma infantilidade e uma atitude vergonhosa. O tênis tem histórias bisonhas e atletas que passam do limite muitas vezes. Hewitt, que hoje trabalha com Kyrgios, já teve uma atitude ridícula em um jogo com o Blake. O Rios, ao ser desclassificado em uma dupla comigo, teve outra péssima também. Mas, na maioria das vezes em que um tenista perde a cabeça, ele faz sem pensar.

Desculpem-me, mas o que o australiano disse estava na ponta da língua e pronto para ser falado quando precisasse. Mesmo tendo dito sem olhar para a cara do adversário, ele sabia que uma quadra de tênis hoje é como um Big Brother: tudo se escuta e repercute no segundo seguinte. Tão forte foi a declaração que Azarenka, Belinda Bencic e Robson recriminaram no instante.

Fico triste que ele não foi desclassificado na hora pela atitude antidesportiva. Ter sido chutado da quadra naquele momento teria ajudado muito o jogador que antes eu achava polêmico e importante para o esporte, principalmente por sua personalidade diferente. Hoje, infelizmente, não penso mais assim e tenho certeza de que quase ninguém pensa.

Vejo apenas uma saída para isso tudo. Uma punição exemplar de alguns meses fora do circuito e um pedido gigantesco e verdadeiro de desculpas publicamente. Ele de uma vez só expôs o Kokkinakis e principalmente a namorada do Stan, que também é tenista. Isso não se faz.

Ontem, o tênis foi arranhado por uma atitude que precisa ser coibida. Espero que a ATP não mostre seu lado mais conservador e demonstre aos tenistas e ao mundo que o esporte tênis é mais importante, e não um indivíduo que pensa que, porque é bom em algo, pode passar por cima de qualquer coisa ou qualquer um.

Veja o vídeo da polêmica:

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