Olá tenistas juvenis que sonham em jogar profissionalmente

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Divulgação
Novo projeto de Fernando Meligeni
Novo projeto de Fernando Meligeni

No intuito de ajudar e trazer informação, sem nenhum interesse financeiro ou pessoal, gostaria de devolver ao tênis uma pequena parcela do que ele me proporcionou, além de incentivar nossos meninos e meninas.    

A partir da primeira semana de setembro, vou jogar 2 horas por semana com diferentes tenistas juvenis ou que estão na transição para o profissional. 


Por tempo indeterminado e de acordo com minha agenda vou jogar com diferentes meninos e meninas de 14 a 20 anos, todas as semanas.

Quando moleque, via os grandes jogadores e sonhava em bater uma bola com eles, conversar e imaginava se eles poderiam de alguma maneira me inspirar. 

Ao colocar este projeto em funcionamento, volto no tempo tentando ajudar um pouco e aproximar a molecada do mundo do tênis.

Que fique claro que NÃO pretendo ser treinador, será uma contribuição ao nosso esporte, que vivo desde os 8 anos de idade. 

COMO IRÁ FUNCIONAR

Uma vez por semana (entre terça e quinta feira) vou bater bola com meninos e meninas que jogam torneios estaduais, nacionais e internacionais.

A ideia é ter dois jogadores por semana jogando uma hora comigo na MEM TENNIS, que fica em São Paulo. 

Sempre que possível será escolhido um menino e uma menina por semana. Minha intenção é apenas cooperar com o tênis e passar a minha experiência no bate bola. Gostaria da participação do treinador e dos pais. A ideia é ter a oportunidade de jogar com o Meligeni. É poder ter uma opinião diferente da que tem normalmente.

COMO SE INSCREVER

O jogador tem que se inscrever por e-mail para batebola@trainersports.com.br e mandar algumas informações:

NOME COMPLETO / DATA DE NASCIMENTO / CIDADE / TELEFONE DE CONTATO

NOME DO PAI / MÃE / RESPONSÁVEL / TELEFONE DO CONTATO

NOME DO TREINADOR / CLUBE

CONTAR UM POUCO SOBRE O TREINAMENTO

NÚMERO DE DIAS QUE TREINA E TEMPO DE QUADRA.

TORNEIOS QUE DISPUTOU EM 2017

RANKING ATUAL FEDERAÇÃO / CONFEDERAÇÃO / ITF JUNIORS / ATP ou WTA

Profissão treinador

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
GazetaPress
Meligeni conversa com o técnico da seleção brasileira, Mauro Menezis, em 2006
Meligeni conversa com o técnico da seleção brasileira, Mauro Menezis, em 2006

Em uma longa conversa com minha sobrinha hoje caíram mais algumas fichas sobre a profissão treinador.

Ela que há um mês se mudou para a Argentina, onde treina na academia do Hernan Gumy e Ale Lombardo. Com eles está a ex-jogadora Maria José Gaidano. Muita coisa mudou. Por respeito e confiança no trabalho deles, tenho falado bem menos com ela. Mas hoje, em um longo papo muitas, coisas me vieram à cabeça.

O tempo de treino, que para muitos pode parecer pouco para um bom trabalho, uma semana ou um mês é tempo suficiente para mudar muita coisa. Mudar conceitos, arrumar vícios, entender diferentes táticas, ganhar confiança no seu jogo.

Na conversa li e escutei muitas vezes. Tenho e tive coragem de mudar coisas. Sinto confiança porque vejo que tem alguém muito ativo ao meu lado. Me mostraram muitas e muitas vezes como, quando e porque.

As palavras dela me levaram a 1985 quando fui treinar na mesma Argentina e de lá voltei como número 1 do mundo juvenil. De lá voltei obcecado pelo trabalho. De lá voltei um jogador de tênis. 

Assista aos lances da vitória de Roger Federer sobre Roberto Bautista Agut por 2 sets a 0!

Mudar coisas

Ter a humildade de perceber que precisamos mudar é o primeiro passo para o tenista evoluir. Confiar no que seu técnico fala e quer é a segunda. Saber que será difícil mas se treinar duro consegue é a terceira.

Ter o técnico ativo ao seu lado 

Falo disso há tempos e já entrei em dividida com muitos técnicos no Brasil por acreditar que a maneira grupal que se treina aqui é um dos cânceres do nosso esporte. Tenista se faz em repetição e proximidade. Tenista é bicho cabeça dura e precisa de puxão de orelha sempre. Para isso, o técnico precisa ver, estar perto, estar presente. Presente não quer dizer no clube, sabendo que o outro técnico fez. Presente é estar na quadra, na mudança, na suadeira. Isso não é um dia, uma semana. Isso é sempre. Só assim se muda, se evolui. 

Mostrar, desenhar 

Temos tenistas que entendem escutando, outros vendo, outros fazendo. Mas esses três precisam ver o desenho, ver na pratica. Não importa se com a prancheta do professor Joel Santana ou um simples desenho no chão. Não importa se uma vez ou muitas. A evolução é o objetivo dos dois (técnico e jogador). Sem esse diálogo não se obtém resultado. 

Por último (poderia escrever 10 tópicos) confiança do jogador no treinador

Como um jogador vai ter confiança sem o puxão de orelha? Sem a atitude de FAZ O QUE EU TE DIGO. Confia no que estou te pedindo. Se essa confiança não existe, o resultado infelizmente não vem. É melhor deixar o jogador voar para outro lugar. 

Ser treinador no Brasil é muito difícil. Somos um povo paternalista, que achamos que entendemos de tudo, que queremos opinar de tática, técnica e estratégia sem ter segurado uma raquete. Mas também temos o defeito de não buscar a excelência no que fazemos. Temos a mania de achar que tenista pode ser solto e livre. 

Estou feliz demais e aprendendo muito com as coisas que escuto, converso, debato e vejo nos treinos. Estou seguro que o resultado de um jogador ou jogadora pode vir ou não com muito trabalho, mas não vem com um quase trabalho, um meio empenho, um talvez eu faça. 

A união do treinador e jogador tem que ser como a de uma dupla de dança. Se um cair, caem os dois. Se um errar, o outro perde junto. Se um não se esforçar, os dois ficam no quase e não vencem.

10 de agosto

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Getty
Fernando Meligeni após a conquista do ouro pan-americano em 2003
Fernando Meligeni após a conquista do ouro pan-americano em 2003

Dia 10 de agosto de 2003 começou ensolarado, quente e prometendo ser um dia longo. Ao caminhar com o técnico Mauro Menezes e o amigo tenista Marcio Carlsson em direção ao ônibus que me levava ao complexo de tênis para minha final, sentia um nervosismo diferente. Era um dia que podia mudar minha vida.

Todo tenista quando acorda sente que o jogo do dia pode ser diferente. Ao caminhar encontrava outros atletas e todos me mandavam boas vibrações. A galera que na noite anterior estava comigo, no jantar, sabia que seria meu último jogo como profissional. Ganhando ou perdendo do Marcelo Ríos, sendo ouro ou prata, minha carreira acabaria ali em Santo Domingo

A história do jogo, dos bastidores, todos conhecem. Hoje completa 14 anos que tudo aconteceu. Tudo passou muito rápido. Tudo foi muito maravilhoso.

Mas o que será que esse dia fez com minha vida. O que mudou?

Simplesmente tudo.

Coincidências? Meligeni analisa lesões dos grandes e chances de Nadal assumir topo do ranking

Hoje, graças a esse dia, sei que não existe nada que não possamos tentar fazer. Não existe o VOCÊ NÃO VAI CONSEGUIR. A palavra "lutar" entrou definitivamente em tudo que eu acredito. O respeito e gratidão por pessoas que me ajudaram aumentou. 

Graças ao dia 10 de agosto de 2003 virei uma pessoa melhor. Sou grato ao tênis, aos amigos, treinadores, família e todos que me levaram a essa emoção. 

Graças ao dia 10 fiquei mais intolerante com quem desrespeita o tênis, quem faz maldade com ele e virei um cara que combate e quer ajudar sem fazer política barata, partidária ou pessoal.

Federer torce para Nadal voltar ao topo do ranking, e espanhol confirma que seria especial

Dia 10 de agosto é um dia inesquecível pra mim. O dia que virei campeão pan-americano pelo Brasil em um jogo épico vencendo Marcelo Ríos no Dia dos Pais. Um presente incrível ao meu querido pai que pude dar enquanto ele ainda era vivo. 

Jamais esquecerei a emoção de cada segundo desse dia, da medalha, do acerto em virar brasileiro e representar este país incrível.

Um ano se passou. Obrigado Cabral, Paes, Picciani, Nuzman e Lula

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Um ano se passou. Para muitos a euforia, para os atletas o sonho, para o povo a dúvida, para muitos políticos a chance de se promover, para os dirigentes um tiro único, para os críticos a certeza que escreveríamos um texto triste um ano depois. 

O tempo passou e as promessas viraram promessas, o legado virou piada, as obras viraram elefantes brancos, as medalhas viraram símbolo de conquista pessoal, os responsáveis sumiram. Um ano passou e continuamos sonhando. Agora acordados e com raiva. Raiva de acreditar mais uma vez que seria diferente que seria incrível. 

Mais uma vez nos mostraram que o esporte serve apenas para ascensão política para alguns. Um ano se passou e o esporte segue igual. A ultima pasta, a cara mais feia do nosso Brasil. Obrigado Cabral. Obrigado Paes. Obrigado Picciani. Obrigado Nuzman. Obrigado Lula. Por nos fazer acreditar em algo que não foi, não era, não vingou. 

Apenas aconteceu.

Uma nova cara na CBT

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Sempre fui e sempre serei um cara que questiona, que encara de frente, que exige o máximo das pessoas e principalmente das entidades que trabalham com nosso esporte. Ter uma credencial de ¨todo poderoso¨, gestor, presidente ou o nome que forem dar, recebe um ônus pesado de ter que ser quase perfeito. Ou pelo menos tentar ser.

Em tempo que só notícia ruim vem pela frente, começar a escutar que a nova gestão da CBT está fazendo um bom trabalho me deixa muito feliz. Recebi recado de ex-jogador que estava na Copa das Federações e no brasileiro, recebi e-mail de pais de jogadores juvenis e técnicos, ligação de pessoas do meio, dizendo que mudou. Que uma nova cara aparece. Que temos bastante a evoluir ainda, mas que caminhamos finalmente para frente.

Alguns pontos ficam claro para que exista essa mudança. Diálogo, explicação da estratégia, verdade da situação da entidade e principalmente estratégia que será desenvolvida.

Tudo isso para mim tem um nome: Eduardo Frick. Antes de falar dele, é importante parabenizar o presidente da entidade pela escolha. Corajosa, fora dos padrões (infelizmente do esporte) e pelo que escutei e vejo, liberdade para ousar, trabalhar e colocar suas ideias em curso. Nos dias de hoje. que presidente quer mandar e ser dono do esporte, dar poder as pessoas é digno de aplauso.

Voltando ao Frick... Se não é surpresa, mas é com muita alegria que vejo o comprometimento, a abertura, a paixão e as boas ideias até o momento. Incansável ele estava em Wimbledon uma semana, no Brasileiro na outra e tentando melhorar nossa estrutura. Vem pensando em alternativas em um momento de vacas magras. Vem tentando ajudar os juvenis (mesmo que com pouco ou nenhum dinheiro).

Com isso a credibilidade aumenta e o tênis pode sair do obvio e do passado triste que nos abateu.

Pontos que já percebi nestes meses:

- Presença nos eventos

- Dialogo com todos os jogadores, pais e técnicos

- Cuidado com os centros de treinamentos

- Pedido de objetivos

- Resgate dos ex-jogadores e preocupação em escutar as reclamações, ideias e tentar trazer alguns de volta

- Humildade de tentar trazer o tênis estrangeiro para o Brasil. Informação, metodologia, ideias, gestão

Fica claro que existe um movimento para frente. Existe um acerto muito grande e um cara que como nós quer o bem do esporte. Sempre sonhei em poder escrever bem da nossa entidade. Quero de coração continuar escrevendo e aplaudindo.

Que seja o primeiro post de muitos.

mais postsLoading