Só trabalho 'cura' seleção ruim da cabeça e doente do pé

Denis Gavazzi

 


Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues

Você já ouviu alguém falar em complexo de vira-lata? Acredito que sim. Pois bem, esta expressão é do escritor Nelson Rodrigues que originalmente se referia ao trauma sofrido pelo brasileiro depois da derrota na Copa de 50. Este trauma, segundo o dramaturgo, só foi superado depois da conquista em 1958, na Suécia, pelo menos nos gramados. Para Nelson Rodrigues, o complexo de vira-lata se aplicava ao povo Brasileiro no cotidiano, ele achava que o cidadão comum normalmente se comportava como inferior em relação ao resto do mundo.
O comportamento do brasileiro em relação à seleção explica um pouco este complexo. Nós adoramos falar mal do nosso país. Adoramos meter o pau nas nossas cidades, na nossa cultura, no nosso folclore, nas nossas músicas, nos nossos governantes, no nosso caos social. Em qualquer roda de conversa o que se houve são críticas ao Brasil. Adoramos falar mal de nós mesmos. Adoramos falar bem de países desenvolvidos como se apenas nossa sociedade tivesse problemas. Quantas vezes você já ouviu algum brasileiro falar bem do metrô de Londres sem nunca ter andado no de São Paulo? Antes da Copa do Mundo começar, o brasileiro fez questão de falar mal da seleção, é comum. "Não estou nem ai pra seleção. Torço para o meu time, quero que a seleção se dane!".
Mas ai entra o antidoto para o complexo de Vira-lata. Quando a seleção entra em campo parece que nasce um outro brasileiro, um cidadão com orgulho do país, que veste o amarelo, que canta o hino à capela. As ruas ganham cores, as pessoas vibram com o time, se reúnem de maneira pouco vista ao longo do ano, se emocionam. Algumas ficam até amigas. A seleção brasileira é a encarnação de um Brasil que vence, um Brasil poderoso e respeitado mundo afora. A Seleção Brasileira de futebol é a única instituição que faz o cidadão se sentir forte.
E isso é visto nas ruas. Ao longo deste longo período de trabalho cobrindo a seleção pude viajar pelo país e vi a idolatria que as pessoas têm pela escrete canarinho. Por onde passa, uma multidão de fãs se aglomera para poder dar mandar um tchauzinho, receber um sinal de algum jogador.
E onde eu quero chegar com tudo isso?
Nestes últimos dias estive pensando nesta tal ‘psicologia de botequim' que tomou conta dos comentários a cerca do comportamento dos jogadores da seleção. Cada um tem uma teoria, uma suposição sobre os choros descontrolados dos atletas.
A psicologia de botiquim é ótima porque você pode dizer aquilo que acha, sua percepção sobre os fatos. A pressão nos atletas do Brasil é absurda. O brasileiro comum que adora falar mal da seleção, mas a tem como um antidoto para o complexo de vira-latas, não admite outro resultado se não o título no dia 13 de julho. "Eu sou brasileiro, com muito orgulho e muito amor" cantam os torcedores nas novas arenas. A seleção brasileira de futebol é o símbolo do orgulho da nação. É o Brasil que deu certo, o Brasil que vence as potências mundiais, que coloca a nossa bandeira no alto, a frente de todos. Ganhar a taça do mundo reduz um pouco o complexo de inferioridade.
O goleiro da Copa de 1950, Barbosa, carregou até a morte a culpa pela derrota para o Uruguai no Maracanã. "A maior pena que um brasileiro cumpre por cometer um crime são 35 anos de prisão. Eu já pago minha pena há 50 anos" disse Barbosa em entrevista pouco antes de falecer aos canais ESPN. Olhando os jovens atletas do Brasil, fico com a impressão que todos estão morrendo de medo de entrar, assim como Barbosa, para a história. Ninguém quer ser o Barbosa de 14.
A pressão pelo título é monumental. Começou com quem está dentro da seleção. Parreira e Felipão foram os primeiros a dizer que o Brasil ia ganhar o caneco. Parreira, inclusive, disse que Brasil estava com uma mão na taça. A tentativa de chamar o povo a favor da seleção criou uma expectativa de que só a vitória interessa. Vocês tem ideia do que seria uma eventual derrota diante do Chile numa fase de oitavas de final e numa Copa no Brasil? Seria o maior vexame da história do futebol brasileiro! E você imagina como isso bate na cabeça de cada um dos jogadores?
Mas a teoria do Barbosa não pode esconder os problemas que a seleção tem em campo. O meio campo não existe. A ligação da defesa para o ataque é feita com bolas alçadas diretas, lançamentos longos da defesa para o ataque sem passar pelo meio. Daniel Alves, Oscar e Fred não fazem uma boa Copa. O Brasil não demonstra em campo variações, alternativas para mudar um jogo, reagir numa partida. Até sexta contra Colômbia, a seleção terá alguns dias para trabalhar. Alguns dias para se organizar.
Como diz o companheiro PVC: "A seleção brasileira, assim como no vídeo game, ganhou vida extra. A seleção perdeu para o Chile, mas ganhou a vaga".
Tem muito trabalho a ser feito neste grupo que está ruim da cabeça e doente do pé.


Barbosa, goleiro de seleção brasileira na Copa de 50
Barbosa, goleiro de seleção brasileira na Copa de 50

A saga para ser credenciado (ou não) à Copa

Denis Gavazzi, blogueiro do ESPN.com.br
Denis Gavazzi
Na Fatec em frente à Arena Corinthians acontecerá o credenciamento de imprensa
Na Fatec em frente à arena acontecerá o credenciamento

Se você é jornalista e precisa fazer credenciamento para a Copa, preste atenção. Mas últimas Copas do Mundo, o credenciamento de imprensa foi feito em dois locais distintos: no centro internacional de imprensa (conhecido com IBC) e em postos montados nos estádios. Em São Paulo, portanto, os jornalistas e profissionais de mídia de uma forma geral devem se dirigir para Arena Corinthians.

Pois bem. Moro na Zona Leste de São Paulo e fica fácil vir da minha casa para Itaquera.

O credenciamento para imprensa em São Paulo deveria ter começado segunda-feira passada, mas foi adiado em uma semana. Para esta segunda, dia 26, a partir das nove da manhã.

Denis Gavazzi
Arena Corinthians (ao fundo) e seu entorno ainda em obras
Arena Corinthians e seu entorno ainda em obras

Sai de casa às nove e meia e perto de dez horas da manhã encostei minha moto no primeiro portão do estádio. Cheguei perto dos seguranças e perguntei sobre onde era o credenciamento. Todos me olharam com cara de espanto e não tinham a menor ideia do que eu estava falando. Credenciamento de quê? Vai trabalhar na obra? Imprensa? Não tem jogo esta semana. Insisti e via rádio veio uma informação de que eu deveria ir ao portão 1.

A volta da av. Radial Leste até o portão um, de moto, leva menos de 2 minutos, mas à pé é bem distante.

No portão 1, a mesma situação e uma observação: não vi, até então, nenhuma placa ou faixa sobre credenciando. Um segurança chama outro que chama outro que aperta o botão do rádio para perguntar até que um que estava sentado, olhando tudo, resolve dizer: credenciamento é lá na Fatec (Faculdade de Tecnologia) que fica em frente ao estádio, ao lado do metrô.

Denis Gavazzi
Passarela que dá acesso ao estádio do Corinthians a partir do metrô
Passarela que dá acesso ao estádio do Corinthians a partir do metrô

Subi na moto e dei a volta toda para chegar na Fatec, uns 3 minutos de moto ou uns 30 a pé. Achei! Na entrada da Fatec, enfim, uma placa de credenciamento. Entro aliviado no prédio e o segurança me aborda:

- Credenciamento para a Copa?

- Sim, eu digo.

- Olha meu amigo, deu algum problema aí, mudou para amanha às nove da manhã. Já veio um monte de gente aí e teve que voltar.

Depois de pensar "brincadeira", resolvi ir até a passarela do metrô, bem próxima ao estádio. Pensei "se um profissional qualquer, não precisa ser estrangeiro, resolver vir hoje aqui, de metrô que é a via mais fácil de acesso, será que ele vai ter acesso fácil a informação de onde é o local de credenciamento?"

Não vai, viu.

A passarela ficou ótima, ainda em obra. Mas não tem NADA que informe onde é o credenciamento.

Então, uma informação para você que vem pra cá: pegue a passarela e vire à esquerda. O credenciamento será feito na Fatec atravessando a rua. Dizem que a partir desta terça-feira.

Denis Gavazzi
Entorno da Arena Corinthians ainda em obras
Entorno da Arena Corinthians ainda em obras

Do quase pronto Beira-Rio para o canteiro de obras da Arena da Baixada. A Copa no sul do Brasil.

Denis Gavazzi
BEIRA-RIO (PORTO ALEGRE)

O estádio Beira-Rio está pronto. Pelo menos é esta a impressão que se tem quando você se depara com a nova cancha do Colorado.

De fato, se olharmos apenas para o campo de jogo podemos dizer que tudo está certinho a espera da primeira partida que será disputada em Porto Alegre, dia 15 de junho com França e Honduras, peleja que marcará a estreia dos franceses no grupo `E`. Também estão no cronograma do Beira-Rio outras 4 partidas:

18/06 - AUSTRÁLIA X HOLANDA - GRUPO B
22/06 - CORÉIA DO SUL X ARGÉLIA - GRUPO H
25/06 - ARGENTINA X NIGÉRIA - GRUPO F
30/06 - OITAVAS DE FINAL / 1G X 2H

O jogo de maior apelo é sem dúvida o da Argentina contra a Nigéria. Por ser tão próxima de Buenos Aires, existe uma enorme expectativa por um grande número de torcedores na capital gaúcha e, claro, quem não quer ver Lionel Messi de tão pertinho?

Dentro do novo Beira-Rio, que agora conta com capacidade para 48859 torcedores bem instalados em cadeiras vermelhas, o primeiro impacto é de um lugar que você já conhece. Não é um lugar novo, mas sim um lugar mais bonito, mais moderno. Os anéis das arquibancadas foram mantidos e com alguns minutos dentro você se lembra do velho estádio. Andando pelo gramado você percebe que as arquibancadas estão mais próximas do campo de jogo e a linda cobertura inspirada que veio da Alemanha dá um toque de sofisticação.

Mas nem tudo são flores. Do lado externo do estádio, nas proximidades do ginásio do clube, a aparência ainda é a de um canteiro de obras. Tanto dentro do complexo do Beira-Rio quanto nas avenidas que o cercam as obras ocupam a maioria dos espaços. Mas isso, pelo que dizem, não preocupa nem Inter, nem as autoridades locais que tem expectativa de entregar tudo a tempo.

O que preocupa mesmo são as obras para TV. Assim como na Arena Corinthians, no Beira-Rio, a área que será ocupada por caminhões de transmissão ainda não existe, em Itaquera a construção do local está a todo vapor. Os responsáveis da FIFA que vão montar as estruturas no estádio apenas sabem onde será o espaço que ainda não foi construído. Importante ressaltar que estes espaços são montados pela empresa que presta este serviço para a FIFA e que a execução só pode começar quando os espaços e as estruturas solicitadas por esta empresa estiverem prontas. Isso compreende o local onde param os caminhões de transmissão, as vias por onde serão passados os cabos e as fibras, energia, mesas de narração (local de onde transmitem os jogos todas as emissoras), estruturas para montagem de estúdios e outras facilidades que as emissoras de TV contratam em cada estádio de acordo com o interesse que aquele jogo tem para sua programação. A expectativa é de que em 15 de abril tudo esteja muito bem caminhado.

 

DG
Beira-Rio
Beira-Rio

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Beira-Rio
Beira-Rio

DG
área externa do Beira-Rio
área externa do Beira-Rio

































 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ARENA DA BAIXADA (CURITIBA)

Apenas uma hora de voo separa Porto Alegre de Curitiba, voo curto, tão rápido que quase passa batido. O que não é pequena é a diferença entre os dois estádios. A Arena da Baixada é um canteiro de obras e aos olhos do leigo fica a sensação de estar entrando num edifício que está em construção quando se está visitando o modelo decorado. Para todos os lados que você olha tem cimento, pedra, areia, pedreiros, engenheiros, barro, lama, ferros... Enfim, tudo que você consegue imaginar que tenha numa obra na metade você vê na Arena da Baixada. A única coisa que passa boa impressão é o gramado, plantadinho, aparentemente muito bem cuidado e em boas condições. De resto tudo é um exercício de imaginação e, por falar nisso, fiquei imaginando como vai ficar a Baixada e não tenho dúvidas de que o Atlético terá um dos mais belos estádios do país. A cobertura da Arena é gigantesca e transforma o estádio num grande calderão, estrutura imponente que vai assustar os adversários do Furacão. A nova Arena terá capacidade para 41456 torcedores.

Mas não tem como - apesar de todos afirmarem que tudo estará em ordem - imaginar que tudo estará na mais perfeita condicão. A Arena da Baixada vai receber 4 jogos da Copa e é de se preocupar sim.
Selecões que devem estar com a pulga atrás da orelha:

16/06 - IRÃ X NIGÉRIA - GRUPO F
20/06 - HONDURAS X EQUADOR - GRUPO E
23/06 - AUSTRÁLIA X ESPANHA - GRUPO B
26/06 - ARGÉLIA X RÚSSIA - GRUPO H

Assim como na Arena Corinthians e no Beira-Rio a área destinada para as transmissões de TV tem o mesmo problema e é igualmente preocupante. Na Baixada, com um detalhe a mais. O espaço onde os caminhões de transmissão vão estacionar fica cerca de 200 metros do estádio num terreno que está sendo construído para esta finalidade.

Não sei se tudo estará ok para os jogos da Copa, mas para o segundo turno do Brasileiro o Furacão terá um estádio de altíssimo nível.

DG
ARENA DA BAIXADA
ARENA DA BAIXADA

DG
Entrada do gramado - saída dos vestiários
Entrada do gramado - saída dos vestiários
DG
área de estacionamento de caminhões de transmissões da Arena da Baixada
área de estacionamento de caminhões de transmissões da Arena da Baixada

Arena Corinthians pode ficar pronta a tempo, mas ainda falta muito...

Denis Gavazzi
DG
Bela Arena do Corinthians
Bela Arena do Corinthians

 

O estádio do Corinthians vai ficar muito bom, mas talvez o torcedor e os telespectadores ao redor do mundo não vejam no dia 12 de junho, na estreia do Brasil contra a Croácia, o projeto pronto, como apresentado em croquis antes do início das obras.

O estádio ainda é hoje um grande canteiro de obras. A montagem final da parte da cobertura que foi destruída no acidente do final do ano passado, os muitos suportes de aço que ainda escoram a cobertura - apesar de que o engenheiro nos disse que estas escoras não tem mais nenhuma funcão e serão logo retiradas - a quantidade de material de obras que ocupa os corredores, as construções temporárias de arquibancada e o espaço de TV ainda inexistente na Arena, dão a impressão de que o estádio da abertura da Copa não vai ficar pronto. Confesso que na visita guiada que fiz hoje, segunda dia 10 de março, sai de Itaquera muito pessimista.

Olhando apenas da arquibancada para o campo de jogo, você vê uma construção em fase final acabamento. Cadeiras colocadas, gramado sendo cultivado, traves... Enfim, o visual é de uma obra em fase final.

DG
Espaço de narração e estúdios (no fundo)
Espaço de narração e estúdios (no fundo)

 

Mas esta não é a realidade. O que realmente preocupa os organizadores da FIFA é a parte de TV que nem sequer começou a ser montada. Pra se ter uma ideia, o espaço onde os caminhões de transmissão vão estacionar durante os jogos ainda é um canteiro de obras que aparentemente está longe da finalização. A area que será destinada as TV's dentro do estádio - lugar de narração, estúdios e espaço para as câmeras - ainda são um grande vazio no centro da arquibancada superior, sem nada e nem algo que nos faça imaginar que a partir dali todo mundo todo vai transmitir a abertura da Copa.

DG
Espaço de estacionamento de caminhões de TV
Espaço de estacionamento de caminhões de TV

 

 

O pessoal da FIFA que nos apresentou Itaquera se mostrou muito preocupado com o andamento das obras.

Para a torcida do Corinthians, posso dizer que o estádio vai ficar "da hora". As arquibancadas são bem espaçosas com ótima visualização do campo de jogo. Confortável, a fiel vai ganhar um estádio digno de Corinthians. Os detalhes da construção podem ser percebidos quando você olha ao redor. Pisos e paredes de mármore/granito, uma cobertura imponente, gigantesco espaço de estacionamento e um visual moderno vai encher o torcedor de orgulho.

Só espero que não seja em 2015.

 

DG
Fachada da Arena
Fachada da Arena




A espera da Copa e na contagem regressiva. 100...

Denis Gavazzi

100 dias para a Copa. Quem diria, está chegando. Hoje pensei bastante na Copa e confesso que estou numa baita expectativa para que dia 12 de junho chegue logo. Claro, que muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte, mas Copa do Mundo é um troço que me dá certa empolgação. Talvez pela profissão, talvez pela paixão que temos por futebol desde sempre ou ainda pelas recordações que Copas do Mundo me trazem.

A primeira lembrança de Copa que tenho é de 1982. Não que a derrota no Sarriá tenha me marcado, como marcou muitos amigos da mesma geração ou a beleza de jogo que apresentava o time do mestre Telê Santana, mas foi na Copa de 82 que eu lembro ter vivido pela primeira vez a euforia de um mundial. Pela primeira vez todos da minha família estavam na mesma sala e torcendo pelo mesmo time, todos vestiam a mesma cor. Não tinha discussão, nem gozação depois de um gol. 

Reginaldo Manente
José Carlos Vilella Jr chorou a derrota para a Itália em 1982
José Carlos Vilella Jr chorou a derrota para a Itália em 1982

Estávamos no mesmo barco, inclusive quando ele afundou na tarde de Paolo Rossi. A tristeza não me marcou como ficou marcada a foto tirada por Reginaldo Manente, no estádio Sarriá, em Barcelona, logo depois da eliminação para Itália. No retrato, o garoto José Carlos Vilella Jr chorava pela derrota e aquela imagem virou símbolo da "Tragédia do Sarriá".

Da Copa de 1986 eu lembro bem. Lembro também de ter vivido dias de muita expectativa. Morava no Rio de Janeiro na época e o maior de todos era Deus por lá. Estou falando de Zico, claro. Em 1985, o camisa 10 da Gávea sofreu grave lesão e muito se falava sobre o real estado clínico do craque. As mesas redondas sempre discutiam se Zico ia ou não para a Copa e aquilo pra mim era uma angustia tremenda. Não conseguia imaginar a seleção sem o Zico, sem o gênio. Por sorte, em abril de 86, num amistoso contra a Iugoslávia (vitória por 4x2) Zico marcou um dos gols mais bonitos da carreira (procurem no YouTube). Esperei muito a Copa de 1986, do México. Colecionava figurinhas dos jogadores que vinham no chiclete Ping Pong. Agora sim, acompanhei a Copa, vi Maradona. Mas sofri o que não havia sofrido em 82. A derrota para a França é inesquecível. Inclusive o pênalti que Zico perdeu ainda no tempo regulamentar que poderia ter dado a vaga para a nossa seleção. O Brasil foi eliminado nos pênaltis e não chegou a semifinal.

Eu sou daqueles que achava, e ainda acho, que o Brasil tinha totais condições de ganhar a Copa de 90. Gostava do time do Lazaroni e torcia fervorosamente contra a Argentina (antipatia que não tenho mais hoje, aliás, adoro a Argentina).

Não estava em casa durante a Copa de 1994 e talvez por isso não tenha me empolgado tanto com o tetra contra os italianos. É óbvio que comemorei a vitória, mas bem moderadamente. Mas foi na Copa de 94 que vibrei com o maior atacante de área que este Brasil já produziu - na minha modesta opinião - Romário era o cara.

A partir dai trabalhei em todas as Copas, quase sempre cobrindo seleção brasileira.
Hoje tenho outra relação com a seleção e não sou daqueles que vibra com vitórias. O lado profissional cria alguns bloqueios naturais, mas gosto de ver a seleção. Fico feliz com bons jogos, belos gols e festa do torcedor brasileiro.

Sou um privilegiado e sou muito feliz por isso. Poder estar numa Copa do Mundo é um sonho de qualquer moleque.

O ambiente das cidades durante a Copa das Confederações ano passado foi contagiante.

O trabalho para a Copa do Mundo já começou há algum tempo, mas não vejo a hora de ver a bola rolar, de ver o colorido dos estádios, os arredores das arenas, os torcedores chegando para torcer por seu país. Quem teve a sorte de ser sorteado para comprar um ingresso, parabéns, vai curtir.

Contagem regressiva... Faltam 100 dias, amanhã 99, depois 98...

Importante. Nunca fui a favor da Copa no Brasil, acho que este tipo de evento, a este custo, não pode ser disputado em países que carecem de tudo que é tipo de serviço fundamental. O Brasil deveria ter outras metas e não despejar dinheiro em estádios ao invés de melhorar a vida da população, mas esta é uma outra conversa que não faz parte deste pedaço de recordação.

E você, o que se lembra de Copa do Mundo?

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