André Rocha

André Rocha

André Rocha é carioca e jornalista. Blogueiro do ESPN.com.br, comentarista dos canais ESPN e coautor dos livros "1981" e "É Tetra"

Internacional perde tempo e gols na Arena do Grêmio que podem custar caro no Beira-Rio

O empate sem gols - mas com tensão, nove cartões amarelos e um vermelho apresentados pelo árbitro Anderson Daronco - na primeira partida das finais do Gaúcho mantém as invencibilidades de Grêmio (16 partidas) e Internacional (14 jogos) e transfere a decisão para o Beira-Rio.

Mas mesmo na Arena do Grêmio com bom público e setor misto em paz, ficou a impressão de que o Internacional poderia ter saído do 405º Gre-Nal com mais tranqüilidade para a volta ou até o pentacampeonato encaminhado.

Primeiro porque perdeu 45 minutos com uma mudança tática que surtiu pouco efeito. Diego Aguirre saiu do 4-2-3-1 das últimas partidas, manteve Valdívia no banco e mandou a campo Nico Freitas na vaga de Jorge Henrique.

Nem sempre um losango no meio-campo diante de uma equipe no 4-2-3-1 garante superioridade no meio-campo. Mesmo com um jogador a mais no setor, o Colorado pouco saiu do seu campo, trocou mais passes entre os muitos defensores e raramente conseguiu fazer D'Alessandro acionar Eduardo Sasha e Nilmar.

Reprodução Premiere
Flagrante do losango no meio-campo do Internacional que não deu ao time superioridade no setor e o Grêmio foi melhor no primeiro tempo.
Flagrante do losango no meio-campo do Internacional que não deu ao time superioridade no setor e o Grêmio foi melhor no primeiro tempo.

O Grêmio de Luiz Felipe Scolari controlou o jogo, perdeu boa chance com Maicon e envolveu o adversário com Douglas circulando e apoiando as jogadas pelos flancos. Faltou mais presença de área do uruguaio Braian Rodríguez.

Ainda assim, quando Nilmar arrancou e passou com relativa facilidade pelos defensores gremistas e Sasha, impedido, finalizou para fora, ficou claro que a retaguarda dos donos da casa não era tão sólida assim. Um chute cruzado do lateral William - outro jovem formado na base utilizado por Aguirre e escalado no lugar de Juan, com Ernando voltando à zaga - foi a outra conclusão do Inter na primeira etapa.

Felipão acerta ao fugir do volante "brucutu" e investir em Fellipe Bastos e Maicon, com passe mais qualificado e chegada à frente. Porém o time só contou com combatividade na frente de Giuliano. Douglas, Braian e Luan foram menos efetivos sem a bola.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Grêmio no 4-2-3-1 que valoriza o passe no meio, mas combate pouco e não teve presença de área com Braian Rodríguez; Inter no 4-3-1-2 que não funcionou
Grêmio no 4-2-3-1 que valoriza o passe no meio, mas combate pouco e não teve presença de área com Braian Rodríguez; Inter no 4-3-1-2 que não funcionou

Aguirre viu e consertou depois do intervalo: Valdívia na vaga de Nico, Inter de volta ao 4-2-3-1 com apenas Rodrigo Dourado e Aránguiz à frente da zaga. Força pela esquerda com o substituto fazendo companhia a Geferson, setores mais coordenados e equilíbrio das ações. O meio gremista começou a sofrer com o volume de jogo colorado.

Até a falta de Pedro Geromel, já com amarelo, sobre Valdívia. Felipão tentou compensar a desvantagem de um homem trocando Braian por Frickson Erazo, recompondo a zaga e armando um 4-4-1 básico que tinha Douglas à frente, depois Luan com a troca do camisa dez por Cristian Rodríguez, que foi jogar à esquerda.

O jogo ficou à feição para o Inter, que fez de Marcelo Grohe o melhor em campo com duas belas defesas evitando gols de Valdívia e Sasha. Scolari trocou Maicon por Walace para recuperar consistência na marcação.

Mas nem era preciso, porque Aguirre novamente foi infeliz no clássico. Trocou D'Alessandro por Anderson, que quebrou o ritmo colorado. Recuado, burocrático, tocando de lado, o ex-gremista, vaiado, nitidamente se intimidou e nada criou. Ou só apareceu no primeiro toque na bola iniciando a bela tabela entre Aranguiz e Nilmar, que chutou para fora.

O técnico uruguaio ainda trocou Sasha por Rafael Moura tentando uma pressão final com bolas levantadas na área. Mas, a rigor, perdeu mais 11 minutos e os acréscimos com Anderson em campo.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
No final, Grêmio se defendeu no 4-4-1 e teve a tarefa facilitada pela entrada de Anderson, que matou a produção ofensiva do Colorado.
No final, Grêmio se defendeu no 4-4-1 e teve a tarefa facilitada pela entrada de Anderson, que matou a produção ofensiva do Colorado.

No total, pouco mais de 60 minutos que o Inter desperdiçou. Ainda assim, terminou com 53% de posse de bola, dez finalizações a oito - quatro no alvo contra nenhuma na direção da meta de Alisson Becker.

Perda de tempo e chances que podem cobrar caro no Beira-Rio. Qualquer empate com gols dá o título que o Grêmio não conquista desde 2010. Missão nada impossível para o time que prioriza o Estadual, mesmo não sendo o melhor do Rio Grande do Sul.

(Estatísticas: Footstats)


E-mail: anunesrocha@gmail.com


Três zagueiros na Juventus para conter Real favorito, duelo dos 'mutantes' Barcelona e Bayern - a prévia das semifinais da Champions

ESPN.com.br
Semifinais da Champions League terão Barcelona x Bayern e Juventus x Real Madrid
Semifinais da Champions League terão Barcelona x Bayern e Juventus x Real Madrid

Quem vai dominar a posse de bola na semifinal continental entre Barcelona e o time de Guardiola? O jogo vai responder.

Porque o técnico aprendeu no Bayern de Munique e o time catalão com tantas derrotas nos últimos tempos que não ter a bola em alguns momentos pode ser uma vantagem. A maior lição: as equipes precisam ser versáteis para se adaptarem às necessidades do jogo.

Portanto, numa análise prévia, o Barça deve ter a bola no Camp Nou. Para controlar o rival e, com paciência, acionar o trio Messi-Suárez e Neymar. Guardiola pode responder com pressão no campo de ataque para "quebrar" o passe limpo, especialmente de Busquets. Bola roubada, transição rápida buscando a dupla Muller-Lewandowski.

Na Allianz Arena, a provável inversão. Mas tudo vai depender do que acontecer em Barcelona. Contexto, atender ao que o jogo pede, sem ficar atado à filosofia. Times "mutantes", essa é a mentalidade dos dois gigantes na nova ordem mundial.

Compactação também será a tônica. No Barça, em duas linhas de quatro com Rakitic abrindo à direita para fechar Bernat e liberar Messi, Neymar voltando no lado oposto, provavelmente com Lahm. Já Guardiola pode usar qualquer sistema, até pelo provável retorno de Benatia, Robben e Ribéry ao time titular - necessidade para garantir velocidade pelos lados contra Daniel Alves e Alba e na retaguarda, na vaga de Badstuber, para conter Suárez. O treinador conhece bem o adversário e certamente negará espaços.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Barcelona no 4-3-3 habitual variando para 2 linhas de quatro sem a bola; Bayern é uma incógnita, mas Guardiola deve escalar time rápido e experiente.
Barcelona no 4-3-3 habitual variando para 2 linhas de quatro sem a bola; Bayern é uma incógnita, mas Guardiola deve escalar time rápido e experiente.

Um forte bloqueio defensivo também deve ser o lema na Juventus, mesmo na partida de ida em Turim. A tendência é Allegri repetir a proposta contra o Monaco e resgatar os três zagueiros dos tempos de Conte. Linha de cinco atrás com Lichtsteiner e Evra para bloquear Cristiano Ronaldo e, provavelmente, Bale e Benzema retornando de lesões.

A ausência de Modric enfraquece o Real na disputa no meio-campo. Ancelotti tende a retornar Sergio Ramos à zaga ao lado de Varane ou Pepe e centralizar Isco com Kroos, que deve ditar o ritmo entre as intermediárias com o time merengue mais impositivo. Por isso é provável a volta de Marcelo à lateral esquerda. O Real terá que rodar a bola, criar espaços.

Se Pogba não voltar a tempo, Pirlo será protegido por Vidal e Marchisio para municiar Tevez e Morata com passes longos. A Vecchia Signora será italiana até a medula na semifinal: defesa concentrada e "contropiede".

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Para bloquear o ofensivo Real com Bale e Benzema, Juventus deve voltar aos três zagueiros e apostar nas bolas longas de Pirlo para Tevez.
Para bloquear o ofensivo Real com Bale e Benzema, Juventus deve voltar aos três zagueiros e apostar nas bolas longas de Pirlo para Tevez.

Juve e Bayern têm uma vantagem considerável em relação aos rivais espanhóis: os títulos de suas ligas encaminhados, permitindo o uso de times reservas ou mistos para administrar a "gordura" na tabela. Enquanto isso, Real e Barcelona disputam ponto a ponto a reconquista da hegemonia depois da surpresa do Atlético de Madri campeão na última temporada.

A tendência é a questão física fazer diferença na semifinal mais equilibrada, além da volta na Baviera. O Real Madrid não deve ter vida fácil,mas é favorito natural diante de uma Juventus que dá a impressão de ter chegado ao seu limite colocando novamente a Itália entre os quatro melhores na Champions.

O palpite do blog é Bayern de Munique x Real Madrid na grande decisão no dia 6 de junho em Berlim.


E-mail: anunesrocha@gmail.com


Em 1982, Flamengo de Zico foi ao Morumbi e uma derrota tiraria Galo e também Inter e Corinthians do caminho - veja o que aconteceu

1982. Ano de Copa do Mundo na Espanha. De grandes jogos, mas também de Alemanha 1x0 Áustria, mancha na história dos Mundiais que eliminou a Argélia.

Não era Libertadores, mas um Brasileiro inchado, repleto de fases. Na primeira, o Grupo C reunía São Paulo, Flamengo, Náutico, Treze e Ferroviário.

Na estréia dos dois favoritos no Maracanã, o primeiro jogo do time de Zico, Leandro, Adílio, Júnior e Andrade depois do título intercontinental em um feriado de 20 de janeiro. Estádio lotado, virada rubro-negra por 3 a 2. Veja abaixo na íntegra.

Na seqüência, vitórias da dupla sobre os demais, exceto dois empates por 1 a 1 com o Náutico. Na última rodada, dia 16 de fevereiro, novo confronto no Morumbi entre os então campeões carioca e paulista.

Na época, a vitória valia dois pontos. A mesma diferença que separava os times: Fla com vantagem, mas São Paulo com melhor saldo de gols, primeiro critério de desempate. Ou seja, uma vitória da equipe de Serginho Chulapa em casa valia a liderança do grupo.

Mas havia um detalhe, sabido antes da bola rolar: o primeiro colocado cairia na segunda fase em um grupo com Atlético-MG de Reinaldo, o Corinthians de Sócrates e o Internacional campeão gaúcho. O segundo enfrentaria Ceará, Ponte Preta e Atlético Paranaense.

Disputa de "compadres" com times facilitando e escolhendo adversários? Fora de casa, o Fla poderia usar os reservas - recurso legítimo, até pelo fato do rubro-negro ter desfrutado de menos tempo de férias que os demais. Escalou o time que ficou na memória: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade e Adílio; Tita, Zico e Lico; Nunes. Uma das únicas quatro vezes na história que entrou em campo.

O resultado é o jogaço no vídeo abaixo, que honrou cada ingresso dos 70.857 pagos no Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

Na seqüência, o Flamengo se classificou no "grupo da morte" e arrancou para o título. O São Paulo nadou de braçadas na chave mais fácil, porém caiu nas quartas-de-final para o Guarani, derrotado na semifinal pelo time de Zico.

Esquadrão histórico que foi ao Morumbi e deixou lição sempre importante: time bom se garante.


E-mail: anunesrocha@gmail.com

Contra o Atlético de Simeone, um homem a mais é 'latifúndio' - Real Madrid na quinta semifinal seguida da Champions

O Atlético de Madrid novamente deu aula de compactação e concentração no plano de jogo defensivo. De início, no 4-4-2 habitual até Diego Simeone compreender o que Carlo Ancelotti queria com Sergio Ramos no meio-campo.

Zagueiro ao lado de Kroos, muitas vezes saindo mais que o alemão na execução do 4-4-2. A resposta colchonera foi um 4-1-4-1, com Griezmann voltando pela esquerda e Koke centralizado.

André Rocha - Tactical Pad
Sem Modric, Bale e Benzema, Real no 4-4-2 com Sergio Ramos no meio e sofrendo para criar espaços diante do compacto 4-1-4-1 do Atlético de Simeone.
Sem Modric, Bale e Benzema, Real no 4-4-2 com Sergio Ramos no meio e sofrendo para criar espaços diante do compacto 4-1-4-1 do Atlético de Simeone.

O Real rondava a área, mas os desfalques de Modric, Bale e Benzema dificultavam ainda mais a criação de espaços diante de marcação tão fechada. A solução era ficar com a bola para negar o contragolpe ou o ataque em bloco para levantar na área que o Atlético esperava para tentar o gol "qualificado" no Santiago Bernabéu.

Depois criar volume de jogo, rondar, inverter o lado buscando uma brecha. Só James Rodríguez, saindo da direita para dentro, conseguia o deslocamento entre linhas tão próximas. Chance clara, porém, apenas na bola recuperada no campo de ataque, em falha de Saúl Niguez. James serviu Cristiano Ronaldo, mas Oblak salvou.

Reprodução ESPN
Flagrante de James Rodríguez encontrando espaços entre as linhas próximas do Atlético, que defendia no próprio campo com os 11 jogadores.
Flagrante de James Rodríguez encontrando espaços entre as linhas próximas do Atlético, que defendia no próprio campo com os 11 jogadores.

Melhor oportunidade no primeiro tempo de 69% de posse merengue com 91% de acerto nos passes e 11 finalizações contra duas. Mas apenas duas no alvo, uma do rival. Aparentemente um massacre, mas o Atlético sabe dificultar com posicionamento a chance mais cristalina, com o adversário livre.

Panorama que seguiu na segunda etapa no Santiago Bernabéu. Inicialmente com Simeone trocando o perdido Niguez, por Gabi, deslocando Koke para a meia esquerda e invertendo Griezmann e Arda Turan.

Depois o atacante francês deu lugar a Raúl García. Se perdia velocidade, a provável ideia do técnico argentino era ter um pouco mais a bola, sair da pressão e ganhar outro homem na área adversária para o jogo aéreo.

Plano que morreu na expulsão de Arda Turan - tola, entrada desnecessária, mas o árbitro poderia ter evitado o segundo amarelo. O Atlético perdeu qualquer possibilidade de contragolpe e um homem para negar brechas. Simeone preferiu fechar ainda mais o 4-4-1 e aumentar a estatura com José Gimenez no lugar de Tiago.

Mas foi no espaço que Turan não estava para fechar, nem Koke bloqueou com Gámez que Cristiano Ronaldo tabelou com James, sempre ele, e abriu um "latifúndio" na retaguarda rival. Desta vez não arriscou a conclusão, serviu Chicharito Hernández já saindo de Oblak.

O centroavante mexicano que lutou, mas prejudicou tantas vezes a fluência na frente e sacrificou o craque do time foi decisivo. A mais precisa das oito finalizações do Real na direção da meta em um universo de 23.

André Rocha - Tactical Pad
Atlético de Madri no 4-4-1 depois da expulsão de Arda Turan cedeu espaços ao time merengue que criou espaços com James e Cristiano Ronaldo.
Atlético de Madri no 4-4-1 depois da expulsão de Arda Turan cedeu espaços ao time merengue que criou espaços com James e Cristiano Ronaldo.

Só com a vantagem, Ancelotti usou o elenco estelar, porém curto - característica das gestões de Florentino Pérez. Arbeloa, Illarramendi e Jesé para ganhar tempo e impedir as bolas aéreas a esmo que o Atlético levantou até o apito final.

A primeira vitória sobre os colchoneros na temporada foi a mais importante. Porém, não resolve os problemas do atual e maior campeão da Champions: desfalques e uma liga nacional em disputa ponto a ponto com o rival Barcelona. Desvantagens até contra a "zebra" Juventus, virtual tetracampeã italiana.

Cenário complicado, mas depois de superar rival tão sólido tudo parece mais possível para o Real Madrid na quinta semifinal consecutiva no torneio continental.


E-mail: anunesrocha@gmail.com


Posse, intensidade, jogo aéreo, velocidade e seis gols: o futebol total do Bayern que engoliu o Porto esfacelado

Diante do Porto no mesmo 4-1-4-1 dos 3 a 1 em Portugal na quarta passada, mas com a última linha defensiva improvisada sem os laterais brasileiros Danilo e Alex Sandro, o jogo pedia muita imposição ao Bayern de Munique na Allianz Arena.

O time de Guardiola respondeu as críticas pela derrota no Estádio do Dragão e a demissão dos profissionais do departamento médico do clube com futebol total. Era difícil precisar o desenho tático, que variava do 4-2-3-1 para 4-1-3-2, 4-3-3 ou mesmo um sistema com três na defesa. Dante no banco, Badstuber fazendo companhia a Boateng.

Lahm e Bernat alargando o campo e espaçando a marcação. Rafinha um pouco mais contido, apoiando eventualmente à direita. No meio, Xabi Alonso e Thiago Alcântara dando as ordens, alternando trocas de passes curtos, inversões de jogo e lançamentos. Ditando e mudando o ritmo. Na frente, Gotze um pouco mais fixo pela esquerda, Lewandowski na frente e Muller rodando por todo o ataque e voltando para trabalhar no meio.

André Rocha - Tactical Pad
No massacre do 1º tempo, Bayern avassalador com variações táticas e muitas jogadas pelos lados envolvendo o 4-1-4-1 do Porto com defesa improvisada.
No massacre do 1º tempo, Bayern avassalador com variações táticas e muitas jogadas pelos lados envolvendo o 4-1-4-1 do Porto com defesa improvisada.

Posse de bola (65%) para manter a equipe no campo de ataque e inverter o lado da jogada. Intensidade na marcação pressão, transição ofensiva em velocidade, cruzamentos...e gols. Os três primeiros de cabeça: Thiago Alcântara, Boateng e Lewandowski, centrando pelos dois lados em bola parada ou rolando. Nem sinal da troca de passes no chão apenas para controle de outros tempos de Guardiola.

Um chute de longe de Muller desviado em Martins Indi, perdido na lateral-esquerda. O quinto novamente de Lewandowski, completando jogada de Muller pela direita. No lance, mesmo com dois gols a mais que o placar necessário, o Bayern apertou e roubou a bola no campo de ataque.

Reprodução ESPN
No quinto gol, Lahm e Thiago Alcântara pressionaram a saída do Porto pela direita e a bola chegou a Muller, que serviu Lewandowski.
No quinto gol, Lahm e Thiago Alcântara pressionaram a saída do Porto pela direita e a bola chegou a Muller, que serviu Lewandowski.

Onze finalizações a zero, inclusive a bola na trave de Lewandowski antes mesmo da avalanche de gols. Um volume de jogo sufocante que o time de Julien Lopetegui com quatro zagueiros de oficio não pôde conter e foi engolido.

Segundo tempo de muitas mudanças táticas no Porto. Na primeira etapa, o técnico espanhol já havia trocado Reyes por Ricardo. Após o intervalo, avançou Maicon e Indi pelos lados, plantou Casemiro como zagueiro e preencheu o meio com Rúben Neves e Evandro nas vagas dos ponteiros Quaresma e Brahimi. Melhorou a produção e acionou mais Jackson Martinez na frente.

Muito pela acomodação natural do Bayern, que atacou sem a mesma objetividade, cedeu espaços entre as linhas e jogou em ritmo de treinamento até Jackson Martinez diminuir e despertar alguma pretensão de buscar mais dois gols.

A senha para o time bávaro, já com Rode no lugar de Rafinha e depois Weiser na vaga de Gotze, retomar a intensidade e, logo depois da expulsão de Marcano, fechar os 6 a 1 com linda cobrança de falta de Xabi Alonso, o melhor em campo.

André Rocha - Tactical Pad
No final, Porto ofensivo com Maicon e Indi atacando abertos e meio-campo preenchido; Bayern acomodado só retomou intensidade depois de sofrer um gol.
No final, Porto ofensivo com Maicon e Indi atacando abertos e meio-campo preenchido; Bayern acomodado só retomou intensidade depois de sofrer um gol.

Saldo final: queda para 53% de posse, mas total de 21 arremates a dois - nove a um no alvo. Espetáculo na Baviera superando ausências de Alaba, Robben e Ribéry, mais Schweinsteiger no banco.

O Bayern mais versátil de Guardiola, que agora alterna estilos e propostas de acordo com a necessidade do jogo, é forte concorrente diante de quem aparecer pela frente na semifinal da Liga dos Campeões. O sonho da tríplice coroa segue vivo.


E-mail: anunesrocha@gmail.com

mais postsLoading
Publicidade
Alertas
Não perca nada do que está acontecendo no mundo do esporte!Com o ESPN ALERTAS, você receberá notificações no seu navegador sobre as últimas notícias, eventos exclusivos e muito mais!